Coluna Prestes

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Coluna Prestes
Comando da Coluna Prestes.png
Comando da Coluna. Luís Carlos Prestes é o terceiro sentado, da esquerda para a direita
Data 1925 a 1927
Beligerantes
Militares de baixa patente e civis revoltosos Exército legalista, leal a Artur Bernardes
Comandantes
Luis Carlos Prestes, Miguel Costa Artur Bernardes

A Coluna Prestes foi um movimento político-militar brasileiro ocorrido entre 1925 e 1927 ligado ao tenentismo. O principal motivo para a criação do movimento foi a insatisfação com o governo de Artur Bernardes e o regime oligárquico característico da República Velha, conhecido como política do café com leite. Suas reivindicações foram a exigência do voto secreto, a defesa do ensino público e a obrigatoriedade do ensino secundário para toda a população, além de acabar com a miséria e a injustiça social no Brasil. Em seus dois anos e meio de duração, a Coluna composta de 1500 homens percorreu cerca de 25 mil quilômetros através de treze Estados do Brasil.[1] Apesar da marcha militar, algumas características de um movimento popular são identificadas uma vez que a maioria de seus soldados eram principalmente trabalhadores do campo, analfabetos e semianalfabetos. Cerca de 50 mulheres participaram da marcha.[2][3]

Contexto

Ver artigo principal: Tenentismo

Apesar do movimento tenentista ter os militares de baixa oficialidade como seus principais participantes, não se caracterizou como um movimento militarista. Foi, no entanto, uma expressão de revolta das classes médias com o domínio oligárquico existente no país.[4] Não era pretensão dos tenentes o estabelecimento de um governo militar, mas sim de um legítimo poder civil baseado no liberalismo. Tendo proporções nacionais, não somente os setores militares foram mobilizados mas também os civis.[2]

Trajetória

Rio Grande do Sul

Com a eclosão dos levantes tenentistas, principalmente após as notícias da Revolta Paulista de 1924, em 28 de outubro de 1924 na Região das Missões do Rio Grande do Sul os primeiros batalhões e cavalarias se levantaram com o incentivo do capitão Luis Carlos Prestes, que comandava o 1º Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo.[5] Também rebelaram-se tropas nas cidades gaúchas de São Luiz Gonzaga, São Borja e Uruguaiana, respectivamente coordenadas por Pedro Gay, Rui Zubaran e Juarez Távora. Em São Borja, Antônio de Siqueira Campos participou da chefia das tropas ao retornar clandestinamente de seu exílio em Buenos Aires.[6] Os civis eram chefiados pelos caudilhos maragatos, acostumados com a luta de guerrilhas.[2] Em dezembro do mesmo ano, cerca de 14 mil homens sob o comando do Estado-Maior governista marchavam sobre São Luís Gonzaga com o objetivo de cercar e suprimir as forças rebeldes que pensavam estar reunidas na cidade. No entanto, os soldados da Coluna estavam distribuídos em torno da cidade em distâncias consideráveis, o que possibilitou que Prestes encontrasse uma saída que permitisse romper o cerco legalista. Com o exército governista desorientado pela estratégia de mobilidade adotada, a Coluna marchou durante a noite em direção a Ijuí. Ao ficar evidente que os rebeldes haviam rompido o cerco sem serem percebidos, o governo reuniu 1600 homens na região de Nova Ramada visando barrar a passagem para Palmeira das Missões. Deu-se início ao confronto de oito horas que ficou conhecido como "Combate da Ramada" no dia 3 de janeiro de 1925, onde mais uma vez a tática que Prestes concebeu como "guerra de movimento" foi decisiva para a vitória da Coluna apesar de 50 de seus soldados terem sido mortos e 100 foram feridos. A marcha, agora com cerca de 600 homens, continuou para a travessia do norte do Rio Grande do Sul no Rio Uruguai.[2]

Santa Catarina e Paraná

Os rebeldes deslocavam-se a pé por Santa Catarina pois haviam perdido quase todos seus cavalos na travessia do Rio Uruguai. Em 7 de fevereiro, chegaram em Barracão (Paraná) onde Prestes, em uma carta ao general Isidoro Dias Lopes, revela seu plano de ataque ao general Cândido Rondon em Mallet. Prestes então liderou os revolucionários até o oeste paranaense com o objetivo de encontrar os rebeldes remanescentes da Revolta Paulista de 1924. A tropas paulistas foram incorporadas à Coluna em abril de [[1925] em Foz do Iguaçu. No dia 12 de abril, Prestes se reuniu com Dias Lopes e Miguel Costa para formar a 1ª Divisão Revolucionária da Coluna Costa-Prestes. Os quatro destacamentos que a compunham eram comandados por Siqueira Campos, João Alberto Lins de Barros, Cordeiro de Farias e Djalma Dutra.[6] Decidiram então prosseguir a marcha para o Mato Grosso, passando pelo Paraguai.

Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais

Com a Coluna ingressando no sul do Mato Grosso, os legalistas da região foram reforçados pelo exército do major Bertoldo Klinger com mais de mil homens. Houve um confronto de dois dias na Cabeceira do Apa onde os destacamentos de Siqueira Campos e João Alberto obrigaram o exército de Klinger a se retirar.[7] Avançando pelo Estado em direção a Goiás, combateram por vezes as forças de Klinger e a polícia goiana, percorreram a serra do Paranã e entraram em Minas Gerais. Em 7 de setembro os revolucionários voltaram a Goiás e começaram a marchar em direção ao norte do atual Tocantins.[7]

Norte e Nordeste

A marcha seguiu em direção ao nordeste e em novembro atingiu o Maranhão. Em dezembro entrou no Piauí e travou um combate em Teresina com as forças do governo. Rumando então para o Ceará, a Coluna teve outra baixa importante quando Juarez Távora foi capturado. Em janeiro de 1926, atravessando o Ceará, chegou ao Rio Grande do Norte e em fevereiro invadiu a Paraíba, enfrentando na vila de Piancó séria resistência comandada pelo padre Aristides Ferreira da Cruz, líder político local. Após ferrenhos combates, a vila acabou ocupada pelos revolucionários. Prosseguindo a marcha rumo ao sul, a Coluna atravessou Pernambuco e Bahia e dirigiu-se para o norte de Minas Gerais. O comando da coluna decidiu interromper a marcha para o sul e retornar ao nordeste através da Bahia. Cruzou o Piauí, alcançou Goiás e finalmente chegou de volta a Mato Grosso em outubro de 1926. Naquele momento, foram enviados à Argentina Lourenço Moreira Lima e Djalma Dutra para consultar o general Dias Lopes quanto às orientações futuras para a Coluna.[6]

Exílio na Bolívia

Entre fevereiro e março de 1927, após a travessia do Pantanal, parte da coluna comandada por Siqueira Campos chegou ao Paraguai ao passo que o restante ingressou na Bolívia. Tendo em vista as condições precárias, as instruções de Dias Lopes eram para que os revolucionários se exilassem. Miguel Costa seguiu para Paso de los Libres enquanto Prestes e mais duzentos homens rumaram para Gaiba. Em 5 de julho de 1927, os exilados inauguraram em Gaiba um monumento em homenagem aos mortos da campanha da Coluna.[6]

Ver também

Referências

  1. «Vestígios de uma marcha histórica: a passagem da Coluna Prestes por SC». NSC Comunicação. 7 de janeiro de 2018. Consultado em 4 de setembro de 2019 
  2. a b c d Prestes, Anita (1997). A Coluna Prestes. [S.l.]: Paz e Terra. ISBN 8521902921 
  3. «90 anos depois - A atualidade da Coluna Prestes». Brasil de Fato. 7 de janeiro de 2018. Consultado em 4 de setembro de 2019 
  4. «A Coluna Prestes: uma abordagem necessária - Rafael Policeno de Souza - Revista Historiador Número 03, Ano 03, Dezembro de 2010» (PDF). Consultado em 30 de maio de 2015 
  5. «Estação Museu Ferroviário». Consultado em 4 de setembro de 2019 
  6. a b c d «Coluna Prestes - CPDOC - FGV». Consultado em 30 de maio de 2015 
  7. a b «Coluna Prestes». Consultado em 4 de setembro de 2018