Comando Militar do Oeste

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Comandos Militares do Brasil
CMO
Comando Militar do Oeste
Região Militar 9.ª Região Militar
Fundação 1985
Condecorações Ordem do Mérito Militar[1]
Comandante Gen Ex Anisio David de Oliveira Junior[2]
Localização Av. Duque de Caxias, 1628 - Vila Alba (Campo Grande)
Campo Grande
 Mato Grosso do Sul
Página oficial http://www.cmo.eb.mil.br/
Abrangência Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Aragarças (GO)

O Comando Militar do Oeste (CMO) é um dos comandos militares do Exército Brasileiro. Sediado em Campo Grande, compreende os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da cidade de Aragarças, em Goiás. Comanda a 9ª Região Militar, de Campo Grande, 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, de Dourados, 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, de Cuiabá, 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, de Corumbá, e 3º Grupamento de Engenharia e 9º Grupamento Logístico, ambos de Campo Grande. A história do Exército na região data ao século XVIII, mas o comando atual surgiu apenas na Nova República. Sua importância está na extensa faixa de fronteira com a Bolívia e Paraguai, abrangando biomas como o Pantanal e de interesse crescente às autoridades brasileiras devido ao crime transnacional.

Importância[editar | editar código-fonte]

Soldados do Pantanal

A área abrangida tem mais de um milhão de quilômetros quadrados, incluindo o Pantanal, “considerada uma das mais ricas e cobiçadas reservas biológicas do planeta”, e um extenso trecho (2.525 km) de fronteira com a Bolívia e Paraguai.[3][4] O caráter fronteiriço torna a região prioritária, como o Comando Militar da Amazônia,[5] e assim como a região Norte, possui unidades de fronteira, incluindo em destacamentos dispersos. A 18º Brigada de Infantaria de Fronteira define suas missões em termos comparáveis aos usados pelo Exército para descrever suas atividades no Norte.[6] Em conjunto com o resto das Forças Armadas e os outros órgãos de segurança pública, o Exército aplica poder policial na fronteira para combater o crime transnacional, especialmente o tráfico de drogas, pois a maior parte das drogas consumidas no país entram pelas fronteiras boliviana e paraguaia.[3][7] A fronteira seca é altamente permeável, com baixa densidade populacional e, no Pantanal, restrições de mobilidade.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Entrada da sede

O CMO considera sua história equivalente à história do Exército na fronteira oeste, e assim, seu embrião foi uma Companhia de Dragões introduzida em 1748, no período colonial, com a fundação da Capitania de Mato Grosso.[8] Os portugueses trouxeram reforços e gradualmente construíram fortificações na bacia do rio Paraguai, seu acesso a Mato Grosso, contestando os limites de seu império com os espanhóis. No século XIX as disputas continuaram entre os novos Estados independentes, e a Campanha do Mato Grosso foi um teatro secundário da Guerra do Paraguai.[9] Em 1889 a região era a terceira em importância para o Exército Imperial Brasileiro, com 5% de seu efetivo.[10]

Na Primeira República, as reorganizações do Exército delimitaram Mato Grosso (o Sul ainda não era independente) como o “7º Distrito Militar” em 1891, “13ª Inspeção Permanente” em 1908, “Circunscrição Militar de Mato Grosso”, subordinada à 6ª Região Militar, de São Paulo, em 1915, “1ª Circunscrição Militar”, independente, em 1919, e novamente “Circunscrição Militar de Mato Grosso” em 1923.[8] De 1908 a 1915 houve no sul do estado a 5ª Brigada Estratégica, de comando cumulativo com a Inspeção Permanente, mas as condições de seus três regimentos eram precárias e eles acabaram sendo também abolidos. Ainda assim a presença do Exército no sul de Mato Grosso era crescente na década de 1920. Até essa época a transferência de oficiais ao estado era usada como punição. Em 1921 surgiu uma brigada mista, de comando cumulativo com a Circunscrição Militar. Sua organização era única no Exército, com três batalhões de caçadores e dois regimentos de cavalaria independente.[11][a]

Os oficiais tinham prestígio na sociedade mato-grossense, e as elites locais procuravam atrair organizações militares. Ao contrário do verificado nos estados mais fortes (São Paulo e Minas Gerais), a Força Pública era mais fraca que o Exército. Os militares envolveram-se nos conflitos pelo governo[12] e lançaram numerosas revoltas. No período do tenentismo, o comando da 1ª Circunscrição Militar participou da Revolução de 1922, a Revolta Paulista de 1924 brevemente adentrou Mato Grosso e a Coluna Prestes atravessou o estado.[11]

As forças do sul de Mato Grosso participaram da Revolução Constitucionalista de 1932 sob a liderança do general Bertoldo Klinger. Em 1934 a Circunscrição Militar foi transformada na 9ª Região Militar. Uma das unidades mato-grossenses, o 9.º Batalhão de Engenharia de Combate, integrou a Força Expedicionária Brasileira.[8] Na Quarta República a 2ª Brigada Mista continuou a existir; ela não tinha unidades de apoio para operar de forma autônoma, apenas agrupando unidades territoriais e de segurança da fronteira. Em 1949 surgiu a 4ª Divisão de Cavalaria (DC), com unidades na fronteira do Paraguai; ela era menos importante do que as três divisões de cavalaria no Rio Grande do Sul.[13] A 9ª Região Militar foi incluída na Zona Militar do Centro, de São Paulo, formada em 1946.[14] Juntamente com a 2ª Brigada Mista e 4ª DC estava subordinada ao sucessor da Zona Militar do Centro, o II Exército.[13][b] No golpe de Estado de 1964 o 16º Batalhão de Caçadores foi enviado de Cuiabá a Brasília.[15]

O estado de Mato Grosso foi desmembrado em 1977, e no ano seguinte a 13ª Brigada de Infantaria Motorizada (Bda Inf Mtz) foi fundada em Cuiabá, com dois batalhões da Brigada Mista e o 58º Batalhão de Infantaria Motorizada em Aragarças, Goiás.[16] A presença em Goiás é peculiar, pois as demais unidades no estado pertencem ao Comando Militar do Planalto, na área da 11ª Região Militar. Aragarças é centro regional e fica no eixo da rodovia GO-060, que liga Brasília a Mato Grosso.[17] Em 1980 o II Exército tinha na região a 9ª RM, 13ª Bda Inf Mtz, 4ª DC e 2ª Brigada Mista.[c] A 9ª RM foi a partir desse ano considerada um comando conjunto de Região Militar com Divisão de Exército (DE).[8] A 4ª DC era a última divisão de cavalaria do Exército, e somente em 1980 ela foi convertida em Brigada de Cavalaria Mecanizada (Bda C Mec). Seus regimentos permaneceriam a cavalo até completar sua mecanização em meados da década.[13] Em 1985 a 2ª Brigada Mista deu lugar à 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira.[18]

Formação atual[editar | editar código-fonte]

Ministro da Defesa Celso Amorim é apresentado aos equipamentos do SISFRON

Em 1986 os quatro Exércitos numerados deram lugar a Comandos Militares. A maior mudança no arranjo territorial foi a criação do CMO pelo desmembramento do II Exército, que passava a ser o Comando Militar do Sudeste. A criação refletia um crescente interesse pela fronteira oeste.[19] Seu comando era o mesmo da 9ª RM/DE até 1989, quando a 9ª RM foi separada, e com a Divisão de Exército até 2005, quando esse termo deixou de ser usado para o CMO.[8] O plano Força Tarefa 2000 incluía a criação de um novo comando de Divisão de Exército, a 11ª, em Mato Grosso, mas isso não ocorreu.[6] A 18ª Brigada deixou de ser denominada “de Fronteira” e passou a ser “de Pantanal” em 2022.[20]

A nível menor, o CMO passou a ter uma unidade especializada no Pantanal, o 17º Batalhão de Fronteira, em 1997. Desde 2003 havia a ideia de decentralizar a Aviação do Exército, incluindo a transferência de seu 3º Batalhão ao CMO,[6] o que ocorreu em 2008.[21] O 20º Regimento de Cavalaria Blindada da 4ª Bda C Mec tem tanques M60; em 2014, essa força blindada do CMO foi avaliada num periódico do Exército como superior aos blindados bolivianos e paraguaios.[22]

Como a faixa de fronteira na região Sul já tem uma estrutura de segurança e comunicações, o Norte tem o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM) e o Centro-Oeste tem pouco controle e criminalidade transnacional crescente, o Comando Militar do Oeste foi escolhido para o projeto piloto do Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). Implantado a partir de 2013 no trecho de fronteira da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, o projeto pretende formar um “muro virtual” de comando e controle em toda a fronteira nacional. Porém, o programa sofre com as flutuações orçamentárias.[23]

Organização[editar | editar código-fonte]

Organização do CMO
Organizações subordinadas ao CMO[24]

Comando Militar do Oeste - Campo Grande - MS

  • Comando do Comando Militar do Oeste - Campo Grande - MS
  • Base de Administração e Apoio do Comando Militar do Oeste - Campo Grande - MS
  • Campo de Instrução de Betione - Campo Grande - MS
  • 3º Batalhão de Aviação do Exército - Campo Grande - MS
  • 6º Centro Telemática de Área - Campo Grande - MS
  • 6º Batalhão de Inteligência Militar - Campo Grande - MS
  • 9º Batalhão de Comunicações e Guerra Eletrônica - Campo Grande - MS
  • 9º Batalhão de Polícia do Exército - Campo Grande - MS
  • Colégio Militar de Campo Grande - Campo Grande - MS
  • 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada - Dourados - MS
  • 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal – Corumbá - MS
    • Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal – Corumbá - MS
    • Companhia de Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal – Corumbá - MS
    • 17º Batalhão de Fronteira – Corumbá - MS
    • 47º Batalhão de Infantaria – Coxim - MS
    • 2ª Companhia de Fronteira - Porto Murtinho - MS
    • 18ª Companhia de Comunicações - Corumbá - MS
    • 18º Pelotão de Polícia do Exército - Corumbá - MS
  • 9º Grupamento Logístico - Campo Grande - MS
    • Comando do 9º Grupamento Logístico - Campo Grande - MS
    • Companhia de Comando do 9º Grupamento Logístico - Campo Grande - MS
    • 9º Batalhão de Suprimento - Campo Grande - MS
    • 9º Batalhão de Manutenção - Campo Grande - MS
    • 18º Batalhão de Transporte - Campo Grande - MS
    • 9º Batalhão de Saúde - Campo Grande - MS

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A organização da Circunscrição Militar pode ser vista em Souza 2018, p. 427.
  2. A organização das unidades em 1960 pode ser vista em Pedrosa 2018, Apêndice 3.
  3. Vide a organização em Pedrosa 2018, Apêndice 4.

Referências

  1. BRASIL, Decreto de 10 de abril de 2001.
  2. «INFORMEX Nr 005, de 23 de fevereiro de 2022». Visitado em 12 de maio de 2022 
  3. a b Santos, Silvana Duarte dos; Freitas, Silvio Domingos de; Budnhak, Gerson Odacir; Guzman, Eduardo Ferrufino; Moro, Antônio Renato Pereira (2014). «A repressão aos crimes transnacionais e sua influência no desenvolvimento socioeconômico da região do Pantanal Sul-Mato-Grossense» (PDF). São Paulo: ENGEMA. Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente. Consultado em 21 de maio de 2022 . p. 7-8.
  4. a b Martins, Paulo Cesar Dos Santos (2021). Fronteira Livre - o caso da proposta de Projeto de Lei para implantação de uma Área de Livre Comércio em Corumbá/MS (PDF) (Dissertação de Mestrado). UFGD. Consultado em 22 de maio de 2022 . p. 48.
  5. Bertazzo, Juliana (dezembro de 2007). «A nova agenda internacional de segurança põe a democracia brasileira em risco?». Revista Brasileira de Política Internacional. 50 (2). Consultado em 21 de maio de 2022 . p. 36.
  6. a b c Kuhlmann, Paulo Roberto Loyolla (2007). Exército brasileiro: estrutura militar e ordenamento político 1984-2007 (Tese de Doutorado). São Paulo: USP. Consultado em 10 de janeiro de 2021 
  7. Melo, Carlos Roberto Marques de (2017). Sistema de monitoramento de fronteiras (SISFRON): uma importante ferramenta de apoio à defesa nacional (PDF) (TCC). Uninter. Consultado em 21 de maio de 2022 . p. 18.
  8. a b c d e «Histórico». Comando Militar do Oeste. Consultado em 21 de maio de 2022 
  9. Esselin, Paulo M. (2014). «Mato Grosso do Sul na Formação do Estado Nacional Brasileiro» (PDF). In: Buffa, Diego; Becerra, María José (comps.). Sistema productivo, Estructura dominante, Territorialidad y Resistencias sociales en el escenario sudamericano. [S.l.: s.n.] 
  10. Bento, Cláudio Moreira (1989). O Exército na Proclamação da República (PDF). Rio de Janeiro: SENAI . p. 20.
  11. a b Souza, Fernando dos Anjos (2018). Conflitos armados, encontros e combates nas fronteiras do sul de Mato Grosso, nas décadas iniciais do século XX (PDF) (Tese de Doutorado). Dourados: UFGD. Consultado em 18 de abril de 2021 
  12. Ferreira, Bruno Torquato Silva (2010). «Elementos para a construção de um objeto: os militares e a política em Mato Grosso (1889-1932)» (PDF). Três Lagoas. Anais do Simpósio Internacional de História, X Encontro de História de Mato Grosso do Sul e XIII Semana de História da UFMS/CPTL. Consultado em 28 de abril de 2021 . p. 272-273.
  13. a b c Pedrosa, Fernando Velôzo Gomes (2018). Modernização e reestruturação do Exército brasileiro (1960-1980) (Tese de Doutorado). Rio de Janeiro: UFRJ. Consultado em 28 de dezembro de 2020 
  14. Decreto-Lei nº 9.120, de 2 de Abril de 1946. Lei da Organização dos Quadros e Efetivos do Exército.
  15. D'Aguiar, Hernani (1976). A Revolução por Dentro. São Cristóvão: Artenova . p. 171-173.
  16. «Histórico». 13ª Bda Inf Mtz. Consultado em 22 de maio de 2022 
  17. Mendonça Filho, Marajá João Alves de; Almeida, Maria Geralda de (novembro de 2008). «Quartéis do Exército em Goiás: a influência das frentes pioneiras na estrutura de defesa». Mercator. 4 (7). Fortaleza. Consultado em 27 de abril de 2022 . p. 31.
  18. AHEx (2020). «Catálogo de destino dos acervos das Organizações Militares do Exército Brasileiro» (PDF) 2ª ed. Rio de Janeiro: Arquivo Histórico do Exército. Consultado em 6 de março de 2021 . p. 383.
  19. Hudson, Rex A. (ed.) (1997). Brazil: a country study 5ª ed. Washington: Federal Research Division, Library of Congress . p. 380-381.
  20. Decreto nº 11.007, de 24.3.2022. Altera a denominação da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira para 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal.
  21. «Histórico». 3º BAvEx. Consultado em 22 de maio de 2022 
  22. Veras, Tiago Eduardo Siqueira (2019). «Comparação do Carro de Combate M60 A3 TTS, da 4ª Bda C Mec, com os Carros de Combate dos países limítrofes ao CMO». Ação de Choque (12). Consultado em 16 de fevereiro de 2021 
  23. Fagundes, Flávia Carolina de Resende (2019). Políticas de segurança e defesa nas fronteiras internacionais do Brasil. Boa Vista: Editora da UFRR . p. 129-135.
  24. «Relação de unidades do CMO» (PDF). Visitado em 14 de janeiro de 2022 
  25. «Comando Militar do Oeste – Passagem de subordinação». Exército Brasileiro 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]