Comando de Fronteira Rio Negro e 5º Batalhão de Infantaria de Selva

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Comando de Fronteira Rio Negro e
5º Batalhão de Infantaria de Selva
Estado  Amazonas
Subordinação 2ª Brigada de Infantaria de Selva
Sigla Cmdo Fron RN/5º B I S
Criação 1763
Comando
Comandante Tenente Coronel Hervel Queiroz de Souza
Sede
Endereço Av. Capitão José da Silva Delgado, 1761 - Cachoeirinha

O Comando de Fronteira Rio Negro e 5º Batalhão de Infantaria de Selva (Cmdo Fron RN/5º B I S), também conhecido como Batalhão Forte São Gabriel, é uma unidade do Exército Brasileiro, localizada em São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas e vinculada à 2ª Brigada de Infantaria de Selva, sediada na mesma cidade. Seu nome histórico é uma referência ao Forte de São Gabriel da Cachoeira, que deu origem ao batalhão.

História[editar | editar código-fonte]

Forte de São Gabriel[editar | editar código-fonte]

Em consequência do Tratado de Madrid (1750), e do estabelecimento da Capitania de São José do Rio Negro (1755), com a finalidade de controlar os descimentos indígenas e de delimitar os domínios de Portugal na região, além de combater a presença de ingleses, franceses e holandeses no vale do Rio Amazonas,foram organizadas diversas expedições para patrulhar e fortificar o Alto Rio Negro.

O governador da capitania, Tenente-coronel Gabriel de Souza Filgueiras (1760-1761), conforme deliberação de 23 de Maio de 1761, enviou para a área o capitão José da Silva Delgado à frente de um pequeno destacamento, com a missão de fortificá-la. Ao final desse mesmo ano, o destacamento instalou-se na aldeia de Curucui, erguendo (ou reerguendo) um fortim em uma das ilhas existentes (provavelmente a ilha Adana), a partir do qual prosseguiu subindo o curso rio e tomando posse das aldeias de São José, São Pedro, Santa Maria e Santa Bárbara, e fundando outras, como as de São José Batista, na foz do rio Xié, Santa Isabel, na foz do rio Uaupés (Cuiarí), Senhor da Pedra, na cachoeira Caioba, Nossa Senhora de Nazaré, na ilha de São Gabriel, São Sebastião e São Francisco, na cachoeira do Vento e Santo Antônio, no rio Mariuá. A povoação, que remontava a 1759, viria a ser elevada a vila em 1833 com o nome de São Gabriel, em homenagem àquele governador.

Como esta região, apesar do fortim, continuava desguarnecida, em 1762 partiu de Belém do Pará o capitão Phillip Sturm, engenheiro militar alemão a serviço de Portugal, com instruções para atender às solicitações do novo governador, Valério Correia Botelho de Andrade. No local, Sturm recomendou a mudança do local do forte para posição dominante em terra firme, salientando as melhores condições para a construção e a maior facilidade para a sua defesa, tanto a montante quanto a jusante do rio.

A construção iniciou-se em Janeiro de 1763. Em correspondência datada de 28 de julho do mesmo ano relatou ao novo governador:

Cquote1.svg No que respeita à formadura desta fortaleza, conforme a primeira planta que enviei a V. Exa. mudei inteiramente aquela primeira ideia da estrela, no qual apliquei quatro baluartes, proporcionados e regulados para o pequeno terreno e forçada guarnição que a defenda. Tudo vai ser feito em boas madeiras em que tenho especial cuidado. Não remeto por ora a V. Exa. a planta e o perfil desta obra, por falta de tudo o necessário, tanto papel como tinta Cquote2.svg
(STURM, 1763)

Em 1784, o engenheiro militar Manuel da Gama Lobo D'Almada é nomeado para assumir o Comando Militar do Alto Rio Negro composto, na época, pelos fortes de São Gabriel e São José de Marabitanas, atual Cucuí, distrito de São Gabriel da Cachoeira, além de um quartel na Vila de Mariuá, atual Barcelos e critica a qualidade das fortificações. Em uma missiva, escreveu:

Cquote1.svg As suas guarnições [são] fracas em dois sentidos, porque são diminutas e compostas pela maior parte de muito maus soldados do país, uns que são puramente índios, outros extração ou mistura deles, gente naturalmente fugitiva e indolente, [com] falta de honra, de experiência, de capacidade necessária para uma defesa gloriosa Cquote2.svg
(D'ALMADA, 1785)

Dessa forma, acabou sendo abandonado. Do Forte, sobraram seus alicerces e algumas peças de artilharia, das quais uma está na estrada do atual batalhão.

História recente[editar | editar código-fonte]

Após um longo período em que a região ficou guarnecida apenas por postos avançados, em 1940 é criado o 4º Pelotão Especial de Fronteira da Amazônia com sede em Cucuí.

Por decreto de 3 de dezembro de 1984, é criada a 5ª Companhia Especial de Fronteira (5ª CEF) com sede em São Gabriel da Cachoeira, ocupando as antigas instalações da 1ª Companhia do 1º Batalhão de Engenharia de Construção. Tinha sob seu comando o Pelotão Especial de Fronteira de Cucuí e o Destacamento do Pelotão Especial de Fronteira de Iauaretê, distrito de São Gabriel da Cachoeira, que era mobiliado por um pelotão do 1º Batalhão de Infantaria de Selva (1º BIS) de Manaus.

Por decreto de 23 de setembro de 1987, no cumprimento do Programa Calha Norte do Exército Brasileiro, a 5ª Companhia Especial de Fronteira é substituída pelo 5º Comando de Fronteira Rio Negro e 5º Batalhão Especial de Fronteira (5º CFRN/5º BEF)

Em 1988, são inaugurados o 1º Pelotão Especial de Fronteira em Iauaretê, o 2º Pelotão Especial de Fronteira em Querari e o 3º Pelotão Especial de Fronteira, em São Joaquim. Em 1989, é criado o 5º Pelotão Especial de Fronteira, primeiro instalado em Maturacá. Em 1992, passa a ter a atual denominação, deixando de ser subordinada ao Comando Militar da Amazônia a passando à subordinação da 1ª Brigada de Infantaria de Selva. Em 1994, o 5º Pelotão Especial de Fronteira é transferido para o sopé do Parque Nacional do Pico da Neblina. Em 1999, é criado o 6º Pelotão Especial de Fronteira, sediado em Pari-Cachoeira. Em 2003, é criado o 7º Pelotão de Especial de Fronteira, sediado em Tunuí-Cachoeira, atualmente atuando como destacamento, até a conclusão das suas instalações.

Em 2004, com a mudança da 2ª Brigada de Infantaria de Selva para a cidade, passou a vincular-se a esta Brigada.

Emprego[editar | editar código-fonte]

Tem como missão a defesa e proteção das fronteiras na região da "Cabeça do Cachorro", garantia da lei e ordem na sua área de atuação, "cooperar com o desenvolvimento nacional, apoiando as comunidades em saúde e educação, participando de todas as campanhas de cidadania e levando progresso e civismo aos moradores"1 da região.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências