Comando de Operações Especiais

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Comando de Operações Especiais
Comando de Operações Especiais insigna.gif
Brasão
País  Brasil
Corporação Exército Brasileiro
Subordinação Comando Militar do Planalto
Sigla C Op Esp
Criação 2002
Aniversários 27 de junho
Comando
Comandante Gen Bda Mário Fernandes
Sede
Sede Goiânia -  Goiás
Endereço Av. Contorno - Jardim Guanabara S/N.
Internet Página oficial

O Comando de Operações Especiais (C Op Esp) é uma das Grandes Unidades Operacionais do Exército Brasileiro, localizada no município de Goiânia, estado de Goiás. É subordinada ao Comando Militar do Planalto e vinculada para fins de planejamento, preparo e emprego ao Comando de Operações Terrestres (COTER), situado em Brasília. Integra a Força de Ação Rápida Estratégica do Exército, o que a torna apta a participar de operações em todos os comandos militares de área.

O Comando de Operações Especiais conta com unidades versáteis de apoio e de operações especiais, com efetivos de comandos, operações psicológicas e de forças especiais, com elevados níveis de treinamento, em condições de atuarem rapidamente em qualquer ponto do território nacional. Destacamentos da Brigada de Operações Especiais possuem a capacidade de infiltrar-se no ambiente operacional por terra, mar ou ar, utilizando-se de meios convencionais ou não, como viaturas especiais, embarcações e salto de paraquedas de aeronaves com asas rotativas ou fixas. As unidades de operações especiais que integram o Comando são o 1º Batalhão de Forças Especiais, o 1º Batalhão de Ações de Comandos, a Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear e a 3ª Companhia de Forças Especiais, que é voltada exclusivamente para o emprego na área do Comando Militar da Amazônia. Possui ainda o Centro de Instrução de Operações Especiais, onde são formados os seus recursos humanos e também outras unidades de apoio logístico e administrativo, além de uma unidade de emprego singular no Brasil, o 1º Batalhão de Operações de Apoio à Informação.

História[editar | editar código-fonte]

Forças Especiais desfilam na cerimônia de posse do general Vilela no Comando de Operações Terrestres (COTER).

Em 1953, em decorrência de um acidente aéreo ocorrido na região amazônica, a Diretoria de Rotas Aéreas do Ministério da Aeronáutica[1] verificou a necessidade de contar com militares de prontidão aptos a serem empregados em missões de busca e salvamento face à inexistência de pessoal e meios para a execução de tais tarefas. Foi oficializado então o trabalho conjunto da diretoria com o Núcleo da Divisão Aeroterrestre, atual Brigada de Infantaria Paraquedista, até então, principal unidade de elite das Forças Armadas Brasileiras, esta parceria visava a preparação de militares paraquedistas do Exército Brasileiro para a execução de operações de salvamento, o que foi colocado em prática nos anos seguintes, de 1954 a 1956.

Em 2 de dezembro de 1957 foi iniciado o primeiro Curso de Operações Especiais, dividido em período de formação e período de aplicação, tendo como instrutor-chefe o major Precursor Paraquedista[2] Gilberto Antonio Azevedo Silva. As instruções foram voltadas para a capacitação de equipes ao desempenho de missões como a conquista de pontos-chave, socorro em situações de catástrofe, busca de informes, destruições e busca e salvamento. Vale ressaltar que os instrutores do 1° Curso de Operações Especiais eram Precursores Paraquedistas, os pioneiros das Operações Especiais nas Forças Armadas Brasileiras. No início das atividades, a equipe do curso foi auxiliada por diversos especialistas do meio militar, além de civis de destaque em suas áreas de atuação, como o lutador de jiu-jitsu brasileiro Hélio Gracie.[3] Como não havia uma organização militar exclusiva de operações especiais para receber os 16 concludentes do curso, que foi encerrado em março de 1958, eles acabaram sendo distribuídos pelas unidades existentes, ficando em condições de serem mobilizados a qualquer momento.[4] Por sua vez, os instrutores permaneceram vinculados ao Centro de Instrução Especializada Aeroterrestre (atual Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil), organizando e conduzindo os cursos, bem como auxiliando as atividades do recém criado Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR) da Força Aérea Brasileira.

Em 1961, um grupo composto de oficiais e sargentos paraquedistas do Exército Brasileiro e possuidores do Curso de Operações Especiais, obteve conhecimentos atualizados sobre o emprego do Ranger e das forças especiais estadunidenses, nos Estados Unidos, com o objetivo de adaptá-los para o Exército Brasileiro.[5] Posteriormente, o curso tem a sua designação mudada para Curso de Forças Especiais e surge no seu currículo o Estágio de Comandos, organizado a partir do Ranger Course, conduzido em Fort Benning, na Geórgia. Devido a criação desse estágio, foi permitido o ingresso no curso, dos militares que não eram paraquedistas.

Em 1966, o curso é desmembrado no Curso de Comandos e no de Forças Especiais, ambos desenvolvidos no Centro de Instrução Especializada Aeroterrestre (CIEspAet).[5] Nessa época, o coronel Jofre, chefe dos cursos de especialização, é transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras como professor, e participa da criação do Departamento de Instrução Especializada naquele estabelecimento de ensino, que tem como principal objetivo ministrar instruções de combate aos cadetes. Em 1968, esse departamento é convertido na Seção de Instrução Especial.

Forças Especiais em missão no Haiti.
Atirador de elite no Haiti.

Em 1991, guerrilheiros da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) invadiram o território brasileiro e atacaram um pequeno contingente de fronteira do Exército Brasileiro. A resposta foi imediata, e o até então Batalhão de Forças Especiais realizou, em conjunto com outras unidades, uma operação de retaliação, a Operação Traíra, que resultou na morte de 12 guerrilheiros, inúmeros capturados, maior parte do armamento e equipamento recuperados, e desde então, nunca mais se soube de invasões das FARC em território brasileiro, e muito menos de ataques a militares brasileiros.[6]

Pacificação das favelas do Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

As Forças Especiais participaram recentemente da ocupação do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.[7]

Curso de Operações Psicológicas[editar | editar código-fonte]

Para se tornar um Especialista em Operações Psicológicas, o militar, sendo ele 1ºTenente (de carreira) ou Capitão sem o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, das Armas Combatentes e do Quadro de Material Bélico (QMB). Se praça, ser 3º Sargento (de carreira) ou 2º Sargento sem o Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos, das Armas Combatentes e do Quadro de Material Bélico e estar, no mínimo, em comportamento “BOM”, deverá realizar o Curso de Operações Psicológicas no 1º Batalhão de Operações Psicológicas (1º B OpePsc),[8] que tem duração de dezesseis semanas. Além do curso supracitado, o militar poderá realizar cursos internacionais em diversos países, como nos Estados Unidos, Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Equador, entre outros. Para os Oficiais do QEMA, além dos assuntos ministrados na ECEME, é possível realizar o Estágio[9] e o Curso Avançado de Operações de Apoio à Informação no Centro de Estudos de Pessoal (CEP)[10] e/ou no Comando de Operações Terrestres (COTER) que visa a formação do planejador de Operações Psicológicas no nível estratégico.[9][11][12]


Organizações Militares[editar | editar código-fonte]

Comando de Operações Especiais - Goiânia - GO

Equipamento[editar | editar código-fonte]

MP5
Imbel IA2
M-24
Nome Origem Tipo
FN Minimi [13]  Bélgica Metralhadora
Remington MSR[14]  Estados Unidos Fuzil de precisão
M24 Sniper Weapon System[15]  Estados Unidos Fuzil de precisão
Heckler & Koch PSG1[15]  Alemanha Fuzil de precisão
Barrett M82 A-1[15]  Estados Unidos Fuzil antimaterial

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Defesanet:Página sobre Defesa, Estratégia e Inteligência». Consultado em 2 de Abril de 2010 
  2. «Ministro da Defesa participa de eventos em homenagem aos precursores paraquedistas». Ministério da Defesa. Consultado em 15 de novembro de 2020 
  3. BRIGADA DE OPERAÇÕES ESPECIAIS. Operações Especiais, 50 anos. Rio de Janeiro, 2007, p. 11.
  4. BRIGADA DE OPERAÇÕES ESPECIAIS. Operações Especiais, 50 anos. Rio de Janeiro, 2007, p. 13.
  5. a b Dunnigan, James F. Ações de Comandos: operações especiais, comandos e o futuro da guerra dos EUA. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2008, p. 19.
  6. Defesanet
  7. Leitão, Leslie (25 de maio de 2015). «Militares das Forças Especiais são feridos no Rio». VEJA.com. Consultado em 19 de junho de 2016 
  8. «Cópia arquivada» (PDF). Consultado em 14 de maio de 2014. Arquivado do original (PDF) em 27 de abril de 2014 
  9. a b https://www.dcem.eb.mil.br/public/documentos/secoes/cursosEstagios/dcex/CEP/OperacoesPsicologicasQEMAOf.pdf[ligação inativa]
  10. «Cópia arquivada». Consultado em 6 de abril de 2019. Arquivado do original em 3 de março de 2016 
  11. [1][ligação inativa]
  12. «Cópia arquivada» (PDF). Consultado em 14 de maio de 2014. Arquivado do original (PDF) em 23 de setembro de 2015 
  13. «Gen Arruda – Comando de Operações Especiais - Entrevista Exclusiva». DefesaNet. 9 de março de 2014. Consultado em 24 de julho de 2016 
  14. «Página no Facebook do Exército Brasileiro.»  18 de Maio de 2016.
  15. a b c «DefesaNet - SOF - FE - Desfilam em Goiana». DefesaNet. Consultado em 19 de junho de 2016 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Denécé, Eric. A História Secreta das Forças Especiais: de 1939 a nossos dias; tradução Carolina Massuia de Paula. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.