Companhia Ytuana de Estradas de Ferro

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Companhia Ytuana de Estradas de Ferro
Info/Ferrovia
Estação Itu, em Itu: marco central da linha
Informações principais
Sigla ou acrônimo CYEF
Área de operação Estado de São Paulo
Tempo de operação 18731904
Sede Itu, Brasil
Ferrovia(s) antecessora(s)
Ferrovia(s) sucessora(s)

Estrada de Ferro Sorocabana
Especificações da ferrovia
Bitola 0,960 m (1,000 m após 1892)

A Companhia Ytuana de Estradas de Ferro[nota 1] - CYEF origina-se de uma concessão outorgada em 1870, para a ligação entre Itu (Ytu) e a São Paulo Railway em Jundiaí. A linha entre Jundiaí e Itu foi inaugurada em 1873, atingindo Piracicaba em 20 de fevereiro de 1877.

Em 1892 ocorreu a fusão entre a Estrada de Ferro Ituana e a Estrada de Ferro Sorocabana, e a nova empresa passa a se chamar Companhia União Sorocabana e Ituana, que funcionou até 1904.

Após a fusão, a rede passa a contar com 905 quilômetros, sendo 422 da Estrada de Ferro Sorocabana, 261 da E.F. Ituana e 222 quilômetros de linhas fluviais, de Porto João Alfredo a Porto Ribeiro, e de Porto Martins à Barra do Rio Piracicaba.

Formou-se assim uma grande linha-tronco, que viria a transformar a Estrada de Ferro Sorocabana, no estado de São Paulo, em uma radial de suma importância para a penetração e o desenvolvimento das áreas a sudoeste do estado.

Em 1904, foi decretada a falência da Companhia União Sorocabana e Ituana, que passou ao controle do governo federal, sendo vendida em 1905 ao governo do estado de São Paulo.

A partir daí desaparece oficialmente o nome Ituana (originalmente Ytuana), que continuou, no entanto, a ser carinhosamente lembrado pelos habitantes da região e pela própria Sorocabana, que se referia aos trilhos da antiga Ituana como secção Ituana.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Locomotiva número 1 da Ytuana, no Museu Ferroviário de Indaiatuba

Como Itu possuía extensas áreas cultivadas, principalmente a cultura do café, e também estava se desenvolvendo no setor industrial, os principais capitalistas, fazendeiros, comerciantes e industriais da cidade vislumbraram a necessidade de organizar uma companhia que se encarregasse de construir uma estrada de ferro.

Eles sabiam que assim poderiam ligar Itu a Jundiaí e chegar a São Paulo e ao litoral paulista, por meio da São Paulo Railway, transportando bens de produção e de consumo. Essa ferrovia iria, sem dúvida, facilitar os transportes de mercadorias importadas e a exportação da produção local e da região, que ainda eram realizadas por meio de tropas de animais e carros de boi, enfrentando caminhos quase intransitáveis.

A 20 de janeiro de 1870 ficou organizada a Companhia Ytuana de Estradas de Ferro, com o capital de 2.500 contos de réis, divididos em 12.500 ações de 200$000 cada uma. A lei provincial 34, de 24 de março de 1870 autorizava o Governo a despender até a quantia de 40 contos de réis com o levantamento da planta definitiva e orçamento para a construção de uma estrada de ferro de Jundiaí a Itu; a mesma a autorizava a garantia de juros de 7% para a construção da estrada de ferro de Itu a Jundiaí até o capital de 2.500 contos de réis.

Em 10 de junho desse mesmo ano foram, em assembléia geral, discutidos e aprovados os estatutos dessa Companhia, estatutos esses que foram aprovados pelo Governo Imperial pelo decreto de 30 de julho. Por contrato de 10 de outubro desse mesmo ano o Governo, fundado na lei citada, concedeu a Companhia Ytuana os mesmos favores concedidos à Companhia Paulista, privilégio de zona de 31 quilômetros para cada lado do eixo e o privilégio por 90 anos para a construção, uso e custeio da estrada de Itu a Jundiaí. Foi fixado que, durante os cinco primeiros anos, poderiam ser transportados gratuitamente mil imigrantes por ano.

A 20 de novembro de 1870, com grande solenidade e com a presença do Presidente da Província, foi batida a primeira estaca, sendo os serviços dessa construção entregues a direção do engenheiro Dr. Aristides Galvão de Queiroz. As obras foram iniciadas em Salto, à época, Salto de Itu. No dia 14 de novembro de 1872, a Companhia Ytuana de Estradas de Ferro inaugura seu primeiro trecho de linha, ligando Jundiaí à Pimenta, hoje município de Indaiatuba. Em 17 de abril de 1873 a linha é estendida até Itu. A viagem inaugural foi conduzida pela locomotiva C.Y.E.F. nº 1 Regina, que atualmente se encontra na Estação Ferroviária de Indaiatuba, um museu ferroviário.

Diferenciando da bitola da São Paulo Railway e da Companhia Paulista, a Companhia Ytuana adotou em suas linhas a bitola estreita de 96 cm, com a inconveniência da necessidade da baldeação em seu ponto inicial, Jundiaí.

Ainda em 1873, a Ytuana deu início ao Ramal de Piracicaba, saindo de Itaici, na linha-tronco, para Capivari e Piracicaba (então denominada Constituição), obtendo, para tanto, a necessária autorização pelo ato de 17 de maio de 1872, que permitiu a construção das mencionadas linhas, “observando, porém, que essa autorização não importasse em concessão de privilégio de zona, nem em garantia de juros, e assim também que não fossem prejudicados direitos de terceiros, entendendo-se nesse sentido como se já tivesse sido concedida uma zona de 31 quilômetros para a empresa que se encarregasse do prolongamento da estrada de Campinas ao Rio Claro, a favor da qual uma lei da assembléia provincial, do ano anterior, outorgara o privilégio de zona”.

Em 21 de outubro de 1875 a Ytuana chega a Capivari. Em 10 de outubro de 1876 chega a Rio das Pedras. Em 20 de fevereiro de 1877 chega a Constituição, renomeada meses depois como Piracicaba. A Companhia Paulista de Estradas de Ferro chegaria a Piracicaba 45 anos depois, em 1922.

Em novembro de 1883, a Companhia conseguiu a concessão para prolongamento de sua linha de Piracicaba a São Pedro. Poucos anos depois, a Companhia Ytuana resolveu adquirir a navegação nos rios Piracicaba e Tietê, e planejou a linha férrea de Porto Martins a São Manuel de Botucatu. Adquiriu, na mesma época, a linha férrea do Engenho Central de Piracicaba. No rio Piracicaba, a navegação iria desde o canal torto – ponto extremo da via férrea do Engenho Central – até sua foz no rio Tietê. Já a navegação no Tietê, se prolongaria até ao Salto do Avanhandava.

Com 41 quilômetros, a linha férrea de Porto Martins a São Manuel foi aberta em 1888. Este ramal era na prática uma continuação do ramal de João Alfredo (Artemis) e da navegação fluvial pelos rios Piracicaba e Tietê, da própria Ytuana. Com ela, a extensão total das linhas da Companhia Ytuana passou a ser de 220 quilômetros.

Em 1892 ocorreu a fusão da Companhia Ytuana com a Companhia Sorocabana de Estradas de Ferro, dando origem à Companhia União Sorocabana e Ytuana de propriedade do Conselheiro Mayrink. O trecho ligando Itu a Mairinque foi construído e a bitola foi ampliada para 1 metro, vindo assim ficar Itu com duas vias de comunicação para São Paulo, uma por Jundiaí e outra por Mairinque.

Em 21 de setembro de 1904, já como massa falida, desaparece a Companhia União Sorocabana e Ytuana, encampada pelo Governo Federal. O nome Ytuana desaparece oficialmente.

A linha tronco original da Ytuana entre Francisco Quirino, pouco além de Itaici, e Jundiaí foi eliminada em meados dos anos 1970. O tráfego de passageiros havia sido eliminado em 1971. O Ramal de Piracicaba foi sendo progressivamente desativado até o início dos anos 1990. O trecho entre Piracicaba e São Pedro havia sido desativado na década de 1960.

Durante a década de 1980, trechos da linha que passavam nas áreas urbanas de Salto e Itu foram desativados. Uma nova linha modificada e retificada ligando Boa Vista, em Campinas, a Guaianã, em Mairinque foi entregue, com bitola mista e aproximadamente 104 km de extensão, conhecida como Variante Boa Vista-Guaianã.

A locomotiva nº 1 da Companhia Ytuana pode ser visitada no Museu Ferroviário de Indaiatuba. A centenária máquina continua funcionando.

Estações[editar | editar código-fonte]

Linha Tronco

Estação Integração Plataformas Situação atual
Estação Jundiaí Linha 7 da CPTM SPR Laterais e Central Estação CPTM
Estação Ermida - Lateral Moradia
Estação Cesário Mota - Lateral Provavelmente demolida
Estação Itupeva - Lateral Prefeitura de Itupeva
Estação Montserrat - Lateral Fechada
Estação Quilombo - Lateral Escola
Estação Francisco Quirino Ramal de Campinas - EFS Lateral Abandonada
Estação Itaici Ramal de Campinas - EFS e Ramal de Piracicaba Lateral e Central Moradia
Estação Pimenta Ramal de Campinas - EFS Lateral Fechada
Estação Salto Ramal de Campinas - EFS Lateral Escola
Estação Itu Ramal de Campinas - EFS Lateral Fechada

Ramal de Piracicaba

Estação Integração Plataformas Situação atual
Estação Itaici Linha Tronco Lateral e Central Moradia
Estação Indaiatuba Lateral Estação e Museu
Estação Bela Vista - Lateral Moradia
Estação Espírito Santo - Lateral Fechada
Estação Cardeal - Lateral Fechada
Estação Chave Stein - Lateral Fechada
Estação Elias Fausto - Lateral Câmara Municipal de Elias Fausto
Estação Chave Queluz - Lateral Demolida
Estação Tibúrcio - Lateral Demolida
Estação Capivari - Lateral Guarda Municipal
Estação Rafard - Lateral Secretaria de Cultura e Turismo de Rafard
Estação Chave Leopoldina - Lateral Provavelmente demolida
Estação Mombuca - Lateral Demolida
Estação Chave do Barão - Lateral Demolida
Estação Rio das Pedras - Lateral Demolida
Estação Piracicaba - Laterais Rodoviária de Piracicaba
Estação Barão de Resende - Lateral Demolida
Estação Montana Ramal de Artêmis Lateral Demolida
Estação Costa Pinto - Lateral Fechada
Estação Recreio - Lateral Posto de Saúde de Charqueada
Estação Paraisolândia - Lateral -
Estação Charqueada - Lateral Fechada
Estação São Pedro - Lateral Demolida

Ramal de Artêmis

Estação Integração Plataformas Situação atual
Estação Montana Ramal de Piracicaba Lateral Demolida
Estação Torquato - Lateral Provavelmente demolida
Estação Artêmis - Lateral Fechada

O Trem Republicano[editar | editar código-fonte]

No dia 10 de fevereiro de 2010 o Ministro do Turismo do Brasil, Luiz Barreto, esteve em Itu para anunciar a abertura da licitação para as obras que vão reconstruir um trecho da ferrovia Ytuana, com extensão de 7 km, ligando Itu e Salto. O projeto chamado Trem Republicano inclui a recuperação das estações ferroviárias nas duas cidades e aposta no turismo ferroviário.

O percurso, que será percorrido por uma locomotiva a vapor, popularmente chamada de Maria Fumaça, será explorado turisticamente pelas duas cidades participantes, propiciando a integração de roteiros e atrações para os visitantes.

Devido ao atraso no repasse da verba do Ministério do Turismo, no dia 17 de setembro de 2012 ocorreu a rescisão do contrato com a empresa responsável pela obra, Maruca Comércio e Serviços Ltda. Até essa data, apenas 1000 metros da futura ferrovia foram implantados em dois trechos no município de Salto, o primeiro entre a antiga Estação Ferroviária e a ponte sobre o Rio Tietê, e o segundo da margem esquerda do rio até as proximidades do cruzamento com a rodovia Convenção Republicana (SP 79).

As reformas das estações ferroviárias de Itu e de Salto, depois de um lento avanço, também foram paralisadas. Grande parte da cobertura da plataforma da estação de Itu foi retirada para a reforma e não recolocada. A estação de Salto, também em 2012, foi alvo de um incêndio em parte de suas instalações.

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • DA SILVA, João José “Tucano”. Revista Campo e Cidade n. 25. Itu, junho/julho de 2003.
  • IANNI, Otavio. Uma Cidade Antiga. Campinas: CMU/Unicamp, 1996.
  • NARDY FILHO, Francisco. A Cidade de Itu. Itu: Ottoni, 1999.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Na atual norma ortográfica, grafa-se Companhia Ituana de Estradas de Ferro.