Comunidade Samba da Vela

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Comunidade Samba da Vela
Paquera - Maurílio de Oliveira - Chapinha - Magnu Sousá (Fundadores da Comunidade Samba da Vela)
Informação geral
Origem São Paulo
País  Brasil
Gênero(s) Samba
Período em atividade 2000 - atualmente
Afiliação(ões) Magnu Sousá, Maurílio de Oliveira, Velha Guarda da Portela, Quinteto em Branco e Preto, Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Emicida, Maria Rita, Alcione e Dona Ivone Lara

A Comunidade Samba da Vela é um grupo de samba fundado na cidade de São Paulo no ano 2000 e um dos movimentos culturais mais importantes do samba paulistano na atualidade. A comunidade proporciona espaço para que cantores de samba divulguem suas composições, fazendo dessa reunião um verdadeiro culto ao que há de mais genuíno na cultura brasileira .

História[editar | editar código-fonte]

A Comunidade Samba da Vela foi fundada[1] em uma segunda-feira, no dia 17 de julho de 2000, no bairro Santo Amaro, localizado na zona sul da capital paulista, por quatro fundadores: Paquera (José Alfredo Gonçalves de Miranda - presidente da Comunidade Samba da Vela até meados de 2014, quando infelizmente veio a falecer), Chapinha (José Marilton da Cruz) e os irmãos Maurílio de Oliveira (Maurílio de Oliveira Souza - compositor, produtor, diretor artístico e musical da Comunidade Samba da Vela) e Magnu Sousá (Magno de Oliveira Souza)[2].

A história dessa manifestação da cultura popular começou no bar Ziriguidum, na Rua Dr. Antonio Bento, número 257, no Largo Treze de maio. O lugar era do tamanho de um galpão, com pouca luz. Perto da entrada havia um bar, e mais ao fundo uma cozinha. A montagem do bar, segundo seu proprietário, o Chapinha, tinha o propósito de criar um espaço para fazer uma roda de samba, pois segundo ele, na Zona Sul da cidade de São Paulo não havia um lugar apropriado para se fazer um bom samba. A ideia era reproduzir fielmente uma roda de samba ao estilo antigo. Com o tempo, os outros três fundadores da comunidade - Paquera, Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira - se uniram a Chapinha, e os quatro decidiram montar um projeto de roda de samba às segundas-feiras, dando origem ao Samba da Vela. Não existia na época um movimento que hasteasse a bandeira do samba da forma que a comunidade Samba da Vela faz, tornando a comunidade pioneira na difusão e divulgação do samba, dando uma verdadeira aula de entretenimento e inclusão social.

Em janeiro de 2002, a roda de samba foi transferida do bar Ziriguidum para a Casa de Cultura de Santo Amaro, onde passaram a se reunir todas as segundas-feiras a partir das 20h45m, momento em que a vela é acesa, até o instante em que a vela se apagava e uma sopa era servida para todos no final.

O nome curioso vem da própria organização do evento: a roda de samba ocorre em torno de uma vela, que funciona como um cronômetro das apresentações. O show se inicia quando a vela é acesa e todos cantam o samba “Acendeu a vela” (ver letra abaixo) e termina quando a vela se apaga. A roda de samba reúne simpatizantes, cantores, músicos e compositores que apresentam somente músicas inéditas diretamente ao público, que totaliza cerca de 250 pessoas a cada semana. Este seria o objetivo mais óbvio da comunidade: revelar sambas de compositores desconhecidos da grande mídia. Mas o objetivo mais significante do Samba da Vela é “apresentar as obras diretamente ao público, revelando, transformando, refletindo e promovendo o resgate da cidadania, cultura e lazer, incluindo o cidadão no ambiente das artes de um modo geral, revitalizando sua auto-estima através da música, inserindo-o na sociedade brasileira.” [3]

Como em toda roda de samba, o Samba da Vela também segue um ritual, um “regulamento interno”, segundo o qual é inadmissível:

  1. Manejar um instrumento sem competência;
  2. Falar mais alto do que o som que vem da roda;
  3. Interromper quem está puxando o samba.

Essas regras são baseadas na amizade e na intimidade que a roda proporciona, no modo como as pessoas se relacionam. A hierarquia na roda é respeitada, não pelo sucesso ou pelo dinheiro que a pessoa tem, mas por seu conhecimento e história no samba.[4]

Influências[editar | editar código-fonte]

O primeiro samba de quadra surgiu no ano de 1930, nas primeiras escolas de samba do Rio e a grosso modo, pode ser resumido como um subgênero que canta as experiências da vida, o amor, as lutas, as festas, a natureza e, outros. Os sambas compostos no Samba da Vela são identificados por seus compositores como sambas de formato “tradicional”. Eles se identificam como mais próximos de dois subgêneros autênticos do samba tradicional: o Samba de Terreiro e o Partido Alto. O Samba de Terreiro era a representação dos sambas porque estes eram produzidos durante todo o ano nos espaços de terra batida, que se tornariam as futuras quadras das escolas. O Partido Alto já está mais próximo do repente nordestino, pois é marcado pela improvisação e pelo contratempo do pandeiro. Tanto o Partido Alto como o Samba de Terreiro com frequência apresentam uma primeira parte forte e cantada em coro e uma segunda parte  mais estável, porém livre para improvisos.

A Madrinha[editar | editar código-fonte]

Beth Carvalho - Madrinha da Comunidade Samba da Vela - Ano 2000 - (Foto - Carolina Andrade)

Elizabeth Santos Leal de Carvalho, nascida no Rio de Janeiro em 5 de maio de 1946, nasceu em uma família cuja arte tinha uma grande importância para seus membros. Seu avô tocava violão e bandolim, sua mãe, piano clássico e a irmã, Vânia, cantava. O pai da cantora, o advogado João Francisco Leal de Carvalho era grande amigo dos cantores Sílvio Caldas, Aracy de Almeida e Elizeth Cardoso, a quem Beth já ouvia emocionada aos 8 anos de idade.

Magnu Sousá e Maurilio de Oliveira integram a dupla Prettos[5]; fizeram parte do Quinteto em Branco e Preto por 18 anos e começaram a trabalhar com Beth Carvalho em 1999. Viajaram vários países com ela e têm com ela uma relação de mãe e filhos. Dias depois do início do Samba da Vela, eles a convidaram para conhecer o movimento e ela, como sempre muito generosa e uma incrível descobridora de novos talentos, topou de bate pronto.

A freqüência girava em torno de trinta e cinco pessoas e a partir da ida da madrinha, houve um superávit para quase duzentas pessoas todas as semanas, e até hoje é assim. Beth se declarou madrinha do Samba da Vela e gravou três sambas da comunidade.

A madrinha do Samba da Vela tem incontestável valor como representante da música popular brasileira. A cantora se encantou com a ideia e assumiu o compromisso de divulgar o projeto. Vale lembrar que Beth também é madrinha do grupo Quinteto em Branco e Preto, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, grupo Fundo de Quintal, Prettos entre outros.

A Comunidade Samba da Vela[editar | editar código-fonte]

Fundadores da Comunidade Samba da Vela - Velha Guarda - (Foto - Carolina Andrade) - Chapinha - Maurílio de Oliveira - Paquera - Magnu Sousá

Um dia, os fundadores da comunidade se reuniram para bater um papo, conversar a respeito de samba. Começaram às oito horas da noite e terminaram às quatro horas da manhã. Combinaram de se reunir na semana seguinte, com a ideia de cantar sambas clássicos e algumas de suas composições. O negócio ficou tão bom, que de novo entraram madrugada adentro.

Apesar das portas fechadas ao público, não demorou para que a roda de samba despertasse a atenção. "As pessoas entravam por debaixo da porta e, a partir daí, começaram a freqüentá-la. Com isso veio a necessidade de limitar o horário". Pensaram em adotar uma ampulheta, um despertador e até mesmo um galo. No entanto, uma reportagem na TV sobre o simbolismo da vela, os levaram a sugerir esse tipo de controle do tempo.

O significado da vela é muito além de um relógio, também tem relação com a religiosidade. “Todo ritual de fé tem uma chama” e segunda-feira é um dia especial para a Igreja Católica, pois é marcada pela lembrança da prisão de Cristo antes da crucificação. Por isso, o seu fundador Paquera veio com essa ideia na cabeça.

Pensaram em colocar uma vela de duas horas e meia, ela acabaria e seria uma maneira educada de falar tchau, "nem choro nem vela". Foi utilizado também um cone como acessório para ajudar no controle da queima, que atualmente foi substituído por um cubo retangular de vidro. "Quando a vela arde muito rápido, colocavam o cone/cubo retangular, que a protege do vento e mantém uma queima uniforme".

No centro do salão da Casa de Cultura de Santo Amaro, esta é posta em uma mesa com uma toalha de crochê branca com detalhes em rosa e azul, e sobre ela um suporte com base de madeira como um tipo de castiçal para vela, que compartilha esta pequena base também com uma miniatura de um violão e um pandeiro. Desta forma antes de iniciar-se a roda de samba, que normalmente ocorre por volta das 20:45, o público disposto à volta da mesa e também os fundadores da comunidade, aguardam em silêncio.

A vela é acesa por um dos fundadores da Comunidade que sempre cita a seguinte frase: “Que a divina luz ilumine todas as criações”, do saudoso Paquera (José Alfredo Gonçalves de Miranda). Dá-se o início então à roda de samba com a música “Acendeu a Vela”.

"Acendeu a vela" (Hino de Abertura no Samba da Vela)[editar | editar código-fonte]

(Paquera/Edvaldo Galdino)

Acendeu a vela, o samba já vai começar

Ela é quem chama, que é viva a chama pro povo cantar

A fé que não cansa

Mantém a esperança do nosso viver

O samba da vela está esperando você

Venha pra cá pra cantar

Venha pra cá pra se ver

Uma só voz embalar

Pra nunca mais esquecer,

Venha fazer a história

Venha com a gente aprender

O samba da vela está esperando você

A luz do samba reluz

Condiz à inspiração seduz,

a todos induz a união de irmãos

Queremos um canto forte

Pra ver o samba vencer

O samba da vela está esperando você.

"A comunidade chora" (Hino de encerramento no Samba da Vela)[editar | editar código-fonte]

(Magnu Sousá/Maurílio de Oliveira/Edvaldo Galdino)

Quando a vela acender

Eu vou cantar meu samba até prevalecer

A luz que ilumina o compositor

Que tem a luz nos olhos seus

Eu rezo pra essa chama tão crepuscular

Durar mais um minuto nessa hora

Ah! porque senão a comunidade chora

A comunidade chora

Chora... chora, a comunidade chora, a comunidade chora

Chora... chora, a comunidade chora, a comunidade chora

Quando a vela se apagar e o samba terminar

Saudade não me deixa ir embora

Meu peito vazio implora que uma luz me ilumine agora

Chora... chora, a comunidade chora, a comunidade chora

Chora... chora, a comunidade chora, a comunidade chora

Chora porque a vela se apagou

Porque o samba terminou

Chora... chora, a comunidade chora, a comunidade chora

Chora... chora, a comunidade chora, a comunidade chora

O significado da vela rosa, azul, branca, verde[editar | editar código-fonte]

Além das regras expostas acima, o Samba da Vela possui um outro ritual relacionado ao objeto de destaque da roda de samba: a vela. Tomando como parâmetro as cores rosa, azul e branco, que representam a comunidade, criou-se um calendário em que, mais uma vez, é a vela quem dita os passos, durante quatro semanas.

A vela rosa é usada para o compositor em questão apresentar sua música inédita e é colocada por duas a quatro semanas seguidas. Distribuem-se as letras e a comunidade os canta pela primeira vez.

A vela azul é usada para todos memorizarem os sambas apresentados na vela rosa. É o momento de assimilação e avaliação dos novos sambas. Cada compositor defende seu samba diante da comunidade, "sem levar torcida, tem que ser na raça", destaca Chapinha.

Após este período, os fundadores se reúnem e avaliam as composições de todos os compositores, montando posteriormente um caderno com as músicas que é distribuído gratuitamente para a comunidade. Estas músicas são cantadas por dois meses enquanto a vela branca queima no centro da roda.

Excepcionalmente a vela verde é acesa em caso de falecimento de um membro da comunidade, seja; Fundador, Compositor, Músico, Frequentador assíduo, Colaborador da roda e parentes próximos e afins, etc.

Em casos de extrema necessidade, somente os fundadores tem o poder de interromper o andamento da roda de samba e apagar a vela, caso haja essa necessidade. Inclusive cancelar todo o processo de vela rosa e azul.

A sopa[editar | editar código-fonte]

A sopa ou caldo quente é servido no encerramento da noite do samba quando a vela se apaga e todos cantam "Comunidade Chora" (ver letra acima). É uma tradição que surgiu no início das reuniões. No primeiro encontro dos fundadores Paquera, Magnu Sousá, Chapinha e Maurílio de Oliveira, foi feito um caldinho de mocotó para esquentar o frio do mês de julho, até que resolveram fazer uma sopa. E desde então, nunca mais deixaram de fazê-la . É servida pelo mestre Oliveira, presente desde o início da comunidade, a todos os presentes. Conforme Maurílio, “é um ato de solidariedade”. Chapinha explica que “tem muita gente que não vai embora enquanto não tomar a sopa.[6]

Fundadores[editar | editar código-fonte]

Maurílio de Oliveira Souza (Maurílio de Oliveira)[editar | editar código-fonte]

Cantor e Compositor. Músico cavaquinhista e violonista. Foi por 14 anos o Diretor musical da Comunidade Samba da Vela. Integra a dupla de sambistas Prettos. Ainda pequeno, a família mudou-se para São Paulo. O pai, conhecido como Gilberto Xique-Xique[7], trabalhou como músico de Baden Powell e Noite Ilustrada, entre outros. A mãe, cantora, chegou a gravar um compacto simples no ano de 1978. Aos quatro anos já se interessava por música e aos 11 já atuava como músico na noite paulista.

Começou a compor ao 14 anos, tendo feito suas primeiras parcerias com irmão Magnu Sousá, músico pandeirista e cantor. No ano de 1996, junto com o irmão Magnu Sousá (voz e pandeiro) e ainda Everson Pessoa (violão de seis), Yvison Pessoa (repique de mão) e Vitor Pessoa (surdo), fundou o grupo Quinteto em Branco e Preto, extinto em 2014 e considerado por artistas como Jair Rodrigues, Monarco, Wilson das Neves, Almir Guinéto, Nelson Sargento, Luiz Carlos da Vila e Nei Lopes, entre outros, como um dos melhores e mais importantes grupos do samba brasileiro com a notoriedade da mídia especializada em todo País, e após ter como madrinha a cantora Beth Carvalho, o grupo participou de suas apresentações por dez anos em turnê pelo e pelo mundo.

Em 2015, chegou a participar do programa The Voice Brasil[8][9]

Hoje Maurilio de Oliveira é integrante da dupla Prettos[10] com seu irmão Magnu Sousá

Magno de Oliveira Souza (Magnu Sousá)[11][editar | editar código-fonte]

Magnu Sousá - Fundador do Samba da Vela - Ano 2000 -Prettos - (Foto - Carolina Andrade)

Músico, compositor, cantor, produtor cultural. Integra a dupla de sambistas Prettos. Foi Diretor financeiro e Vice-presidente da Associação Cultural Comunidade Santo Amaro que cuidava exclusivamente dos interesses da Comunidade Samba da Vela. Estudou canto na Universidade Livre de Música e foi integrante do grupo musical Quinteto em Branco e Preto[12] por 18 anos, no qual fez várias apresentações em vários países como: França, EUA, África do Sul, Angola, Itália, Portugal, Suíça (Festival de Jazz de Montreux)[13], etc. Já trabalhou com grandes nomes da música brasileira como: Beth Carvalho por dez anos, Paulinho da Viola, entre outros, e acompanhou por diversas vezes renomados artistas no programa Ensaio da TV Cultura, a convite do conceituado produtor musical Fernando Faro. Atuou em longa metragem intitulado "É Proibido Fumar (filme)", da diretora de cinema Anna Muylaert, em 2009 à convite, o qual contracenou diretamente com Glória Pires, Paulo César Pereio, Paulo Miklos[14] (do Titãs) e Maurílio de Oliveira (Prettos). Teve composições gravadas por nomes como Beth Carvalho, Alcione e diversas parcerias com Nei Lopes[15], Luiz Carlos da Vila, Wilson das Neves[16], Paquera, Almir Guineto, Roque Ferreira e participações em diversos trabalhos em DVD e CD. Como diretor artístico, produziu dois CD da Comunidade Samba da Vela, sendo o segundo indicado[17] ao 24º prêmio da música popular brasileira[18]. Prodiziu diversos albuns musicais dos sambistas: Marcelo Teroca, Graça Braga, Essência do Samba, Jair Rodrigues, Berço de Samba São Mateus, Esmeralda Ortiz, entre outros.

Magnu Sousá teve suas composições gravadas por grandes nomes como: Beth Carvalho, Maria Rita, Alcione, Jair Rodrigues, entre outros. E a partir de 2014, formou a dupla Prettos em parceria com seu irmão Maurílio de Oliveira

José Marilton da Cruz (Chapinha)[editar | editar código-fonte]

Chapinha - Fundador do Samba da Vela - Ano 2000 - (Foto - Carolina Andrade)

Em meados de 1978, Chapinha chegou até a quadra da Escola de Samba Vai-Vai, onde conheceu grandes bambas como Geraldo Filme, Almir Guineto, Osvaldinho da Cuíca, entre outros. Foi aí que resolveu aprofundar seus conhecimentos musicais por meio do estudo. Em 1980, Chapinha estudou canto no Conservatório Bandeirantes, em Santo Amaro (SP). Neste mesmo ano foi apresentado na Escola de Samba Vai-Vai, na qual sofreu enorme discriminação por ser branco, nordestino e ter olhos verdes. Esperou quase dois anos para ter uma oportunidade de mostrar o seu trabalho. Quando ouviram seus sambas, em 1982, já lhe convidaram para ingressar na ala de compositores, onde permaneceu por mais de 20 anos e chegou a ser presidente. Algum tempo depois pediu afastamento para trabalhar voluntariamente na área social das periferias da Zona Sul da capital paulista. Lá desenvolveu trabalhos musicais e culturais com crianças e jovens. Em 1987 participou do CD coletânea "Recado aos Bambas", no qual gravou três faixas, sendo que a faixa título do álbum, uma de suas composições, foi um dos maiores sucessos do samba em São Paulo, tocando em todas os programas de rádio destinados ao samba do estado. Em 1996 gravou o CD "Criança de Rua", produzido por Mauro Diniz, com participações especiais de Monarco da Portela e Mário Sérgio, ex- Fundo de Quintal. Fez parcerias de composição com grandes nomes do samba como: Wanderley Monteiro, Maurílio de Oliveira, Capri, Paquera, Naio-Denay, Mário Sérgio e outros. Suas composições já foram gravadas por nomes como: Quinteto em Branco e Preto, Grupo Sensação, Grupo Pirraça e Tobias da Vai-Vai. Foi vencedor do 1º Festival de Samba de Quadra de São Paulo, organizado por Tobias da Vai-Vai e pela jornalista Cláudia Alexandre, com a música "Não é Só Garoa" em parceria com Maurílio de Oliveira. Em 2004 teve seu nome citado no livro "Heranças do Samba" de Aldir Blanc, publicado em 2004. Em 2005, por iniciativa dos Gabinetes dos Deputados Estaduais Vicente Candido e Nivaldo Santana, foi homenageado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, em reconhecimento pela sua militância no samba. Em 2008 dirigiu o projeto “É Tradição e o Samba Continua”, promovido pela Pôr do Som, que reuniu inúmeros sambistas de São Paulo e as Velhas Guardas Paulistanas. Desde 2009 Chapinha permanece, de maneira ostensiva e intensa, na busca de melhores condições aos artistas da periferia para realizar projetos e apresentações que visem o aprimoramento musical e intelectual da comunidade. Chapinha foi convidado pelo jornalista Chico Pinheiro para fazer parte da “Esquina do Samba”, da TV Globo, como comentarista do desfile do grupo especial do Carnaval de São Paulo. Ainda em 2010, o “partideiro” fez várias apresentações: Fortaleza (CE), Aquírás (CE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Santos (SP), Sorocaba (SP), Jundiaí (SP), Campinas (SP), Votorantim (SP), entre outras localidades do Estado de São Paulo. Em 2012, participou da Virada Cultural junto ao Palco Samba, no Largo São Francisco, e se apresentou em várias unidades do SESC. Atualmente, Chapinha se dedica ao lançamento de seu novo Álbum, “Coisa Comum”.

José Alfredo Gonçalves de Miranda (Paquera)[editar | editar código-fonte]

Paquera - Fundador do Samba da Vela - Ano 2000 - (Foto - Carolina Andrade)

José Alfredo Gonçalves Miranda, mais conhecido como Paquera, nasceu em 19 de Novembro de 1959,  em São Paulo, era técnico em eletricidade, tinha uma empresa de elétrica, duas produtoras e um bar chamado Você Vai se Quiser, na Praça Roosevelt, um dos centros do teatro paulistano. Ainda era instrumentista, compositor e presidente da Comunidade Samba da Vela, Desde os 15 anos, José Alfredo Gonçalves Miranda tinha o samba como vocação, sua vida musical foi feita na Barra Funda e no Bexiga, Em 1982 ingressou na Ala de compositores da Escola de Samba Vai-Vai, começou a escrever e não parou mais. Muita gente gravou suas composições, dos grupos de pagode, Beth Carvalho e Quinteto em Branco e Preto. Cinco anos depois participou da Coletânea Recado aos Bambas que fez muito sucesso nos anos 80. Em 1996, na Barra Funda, Paquera, Cuca, o Moreira e o Gordinho. Fundaram o primeiro movimento de samba de São Paulo, o Mutirão do Samba, um encontro de sambistas, visando o culto ao samba de raiz, a formação de novos talentos e a exibição de novos sambas..Neste grupo de 32 pessoas havia compositores, percussionistas de escola de samba e de botequim, instrumentistas, cantores, mas o multirão durou apenas três anos. Paquera também participou da criação do Butiquim Flor de Liz (1997); Celeiro do Samba(1999). Paquera estava hospitalizado e lutava contra o câncer, no dia 24 de Julho de 2014 ele faleceu.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • Samba da Vela Vol. 1 (2004 - Pôr do Som)
    1. Irmãos De Fé (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Chapinha / Paquera)
    2. Caminho De Lua Cheia (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
    3. Polivalente (Azambuja / Chapinha)
    4. Não Merece Compaixão (Adriano Carollo / Alemão)
    5. Jurar, Jurei (Paquera)
    6. Minha Vida Melhorou (Junior / Japonês / Fialho)
    7. Povo Da Vela (Chapinha)
    8. Sinfonia Dos Parais (Ivison / Everson Pessoa / Gersinho)
    9. Decisão (Chapinha / Capri / Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
    10. Vida (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
    11. Madrinha (Edvaldo Galdino / Magnu Sousá / Paquera)
    12. Jurei (Leandrinho / Wagner Almeida)
    13. Forrobodó (Dú Oliveira)
    14. Ingratidão (Graça / Edvaldo / Maurílio de Oliveira / Magnu Sousá)
    15. Canto Pra Nenê (Anabel Silva / Mário Leite)
    16. Zumbi-Me, Palmares (Sonia Pereira)
    17. Pra Vela Não Se Apagar (Vó Suzana)
    18. Com Os Pés No Chão (Everson Pessoa / Vitor Pessoa)
    19. A Luta (Paquera)
    20. A Comunidade Chora (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Edvaldo Galdino)
  • Samba da Vela Vol. 2 - revelando Novos Compositores de Samba (2012 - Sambística/Radar Records)
    1. Alegria De Saudade (Magnu Sousá / Maurilio de Oliveira)
    2. Acendeu A Vela (Paquera / Edvaldo Galdino) / Majestade Do Samba (Paquera / Magnu Sousá) / A Comunidade Chegou (Paquera)
    3. Suave Colorido (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira) / É Chegada a Hora (Paquera)
    4. Tudo Lotado (Chapinha)
    5. O Dono Do Samba (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira) / Somos Todos Irmãos (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
    6. Sambas Da Comunidade: Desencontros (Vó Suzana) / Madrugada Não Vá (Dus’Betus) / Hoje Eu Vou Sambar (Gilberto Xique) / O Dono Da Escola (Cacá Barbosa / Jorge Florêncio / Augusto Cesar / Rossi / Toinho Melodia) / Fejão Cum Cove (Marquinho Dikuã / Samuel Queiroz) / Quando Chega (Marcos Morais / Aparecida Camargos)
    7. Ilusão (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
    8. Braserô (Nino Miau)
    9. Descendo O Boulevard (Mano Heitor / Nino Miau) / Luz Da Alma (Mano Heitor / Magnu Sousá / Martinho da Vila)
    10. O Bom Malandro (Andrezinho / Paraisópolis) / Atire A Primeira Pedra (Seu Juca / Seu Afonso) / Falsa Humildade (Paquera / Margareth Valentim / Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
    11. Futuro Promissor (Chapinha / Carlos Costa)
    12. Seleção De Pagodes Da Vela: Constantes Abrolhos (Mário Leite) / Rua Da Ilusão (Ana Elisa) / Bloco Do Pé Inchado (Tia Dita) / Barracão de Madeira (Ricardo Rabelo / Willian Borges) - Participação especial de Pagode 27 / Amor Ao Samba (Leandro Luís)
    13. O Tombo Da Corrente (Nelson Papa / Petroleo) - Participação especial de Netinho de Paula[19]
    14. Semba Dia Muila (Mauricio Luandê / Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
    15. Caminho de Luar (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira)
    16. A Comunidade Chora (Magnu Sousá / Maurílio de Oliveira / Edvaldo Galdino)

Prêmios / Indicações[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Mural, Agancia (21 de julho de 2015). «Comunidade comemora 15 anos do Samba da Vela na zona sul - Mural». Mural 
  2. CAMPOS, Marcelo da Silveira. Comunidade Samba da Vela: que a luz divina ilumine todas as criações. PLURAL, São Paulo, vol. 30, n. 1, p. 121-138, 2013.
  3. Comunidade Samba da Vela. < http://www.revistas.usp.br/plural/article/download/74418/78042/ Arquivado em 6 de outubro de 2014, no Wayback Machine. > acessado em 2013.
  4. MOURA, Roberto M. No princípio, era a roda: um estudo sobre samba, partido-alto e outros pagodes. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.
  5. Nunes, Amanda (28 de abril de 2014). «O samba pede passagem - Trip». Trip 
  6. PESTANA, Aretha Bley. Samba da Vela: o samba como tradução de uma realidade. Serviço Social em Revista, Londrina, vol. 15, n. 2, p. 51-73, jan/jun 2013.
  7. «Veja Gilberto Xique no Big Dia da Música». Dia da Música. Consultado em 24 de agosto de 2018 
  8. «Maurílio de Oliveira tem samba gravado por estrelas como Maria Rita, Alcione e Beth Carvalho». tv 
  9. «"The Voice" erra ao misturar músicos amadores com profissionais consagrados» 
  10. «Com carreira estável, artistas buscam "The Voice" como mais uma alternativa» 
  11. Fidalgo, Janaina (12 de setembro de 2005). «Folha de S.Paulo - Música: Samba da Vela, 5, lança seu primeiro CD - 12/09/2005». www1.folha.uol.com.br. “Folha de S.Paulo”. Consultado em 23 de agosto de 2018 
  12. Estado, Agencia (7 de dezembro de 2000). «Nei Lopes canta sambas de breque - Cultura - Estadão». Estadão 
  13. «PROGRAMME Montreux Jazz Café Entrée libre / free entrance dès 18 ans / from 18 - PDF». docplayer.net. Consultado em 24 de agosto de 2018 
  14. «Atrações - NOTÍCIAS - Paulo Miklos e Quinteto em Branco e Preto homenageiam Noel Rosa». gshow.globo.com. Consultado em 24 de agosto de 2018 
  15. «Alcione homenageia samba e celebra seus 70 anos com show no Fantástico». Shows e Musicais. 26 de novembro de 2017 
  16. Ferreira, Mauro (22 de janeiro de 2017). «Samba 'Sem marcas de dor' é prévia do primeiro álbum da dupla Prettos | G1 Música Blog do Mauro Ferreira». Mauro Ferreira. Consultado em 23 de agosto de 2018 
  17. «Comunidade Samba da Vela – Revelando Novos Compositores de Samba [2012]». Discos de Samba (em inglês). 19 de janeiro de 2015 
  18. «Prêmio da Música Brasileira anuncia indicados». Folha de S.Paulo. 16 de maio de 2013 
  19. «Entrevista: Projeto Samba da Vela – SCREAM & YELL». screamyell.com.br. Consultado em 24 de agosto de 2018 
  20. EFE, Agencia (13 de junho de 2013). «Lista completa de vencedores do 24º Prêmio da Música Brasileira». Pop & Arte 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]