Concílios budistas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Portal A Wikipédia possui o
Portal do budismo

Os concílios budistas (sânscrito: sangiti) foram assembleias de monges organizadas após o parinibbana do Buda, as quais tinham como objetivo compilar e corroborar os ensinamentos do Buda de modo a assegurar sua preservação e transmissão precisa. A palavra em sânscrito sangiti significa cantar ou recitar em uníssono e reflete o método pelo qual os ensinamentos budistas foram transmitidos de uma geração para outra durante esse período, isto é, através da memorização e da recitação, em vez de documentos escritos. Durante cerca de 500 anos, os ensinamentos acordados após o primeiro concílio foram preservados apenas através da tradição oral. No século I a.C., os suttas foram registrados na forma escrita pela primeira vez. A partir daí, ambos os sistemas -a escrita e a tradição de memorização dos ensinamentos- tem sido mantidos.[1]


Primeiro Concílio Budista (544 a.C)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Primeiro Concílio Budista

Alguns registros históricos dizem que meses após o parinibbana do Buda (por volta de 544 a.C), durante o retiro das chuvas, reuniram-se cerca de 500 bhikkhus em Rajagaha (Rajgir) para a realização do Primeiro Concílio Budista patrocinado pelo rei Ajatasatru de Magadha e presidido pelo venerável Maha Kassapa. Nesse concílio foram recitados os discursos do Buda ("Dhamma") pelo venerável Ananda de modo que constituiriam os suttas, por isso os suttas começam com a seguinte frase: "Assim ouvi";[2] enquanto que as regras monásticas ("Vinaya") foram recitadas pelo monge Upali.[3]

De acordo com o Cullavagga XI.I do Vinaya Pitaka,[4] a ocasião que levou Maha Kassapa a dirigir o primeiro concílio remontava a um incidente que teria ocorrido com o bhikkhu Subhadda, esse teria censurado a estrita disciplina em que os monges viviam sob as ordens do contemplativo Gotama e louvado o recente falecimento do mesmo.[5] Maha Kassapa ficou impressionado com aquela reprovação e temia que o Dhamma-Vinaya ensinado pelo Buda pudesse ser corrompido caso os outros monges se comportassem da mesma maneira que Subhadda. Em seguida, Maha Kassapa relata o episódio acontecido para os bhikkhus e decide que seja organizado um concílio com a aprovação da sangha.[6][7] Nesse momento ficaram registrados por meio de uma tradição oral firmemente estabelecida os ensinamentos e exortações do Buda.[8]

Alguns pesquisadores[quem?] acreditam que esse concílio não aconteceu[carece de fontes?] ou tenha sofrido alguma interpolação sectária posterior,[carece de fontes?] para eles[quem?] a contradição reside no modo em como o incidente relacionado a "Subhadda" é relatado no MPS (Maha Parinibbana Sutta) e no Cullavagga (Cv.) XI.I. No MPS, na ocasião em que Subhadda teria contrariado na presença da sangha a estrita disciplina ensinada pelo Buda e demonstrava-se contente pela sua morte, Maha Kassapa somente teria pronunciado aos bhikkhus nada mais que um eventual conselho sobre a impermanência.[9] Por outro lado, no relato trazido pelo Cv. XI.I, Maha-Kassapa teria reagido com seriedade em relação aquilo que foi dito por Subhadda e havia proposto a convocação de um concílio para esmagar o crescimento de tendências heréticas, ele teria aproveitado a oportunidade do momento para a convocação de uma reunião geral.[10]

Segundo o indologista Hermann Oldenberg, não é possível estabelecer uma relação entre esses dois textos, principalmente porque o autor do Mahaparinibbana Sutta não teria registrado nada a respeito do primeiro concílio, isso levaria o leitor a inferir que as duas contas não teriam procedido da mesma fonte.[11] Por outro lado, de acordo com Louis Finot (p. 243-244, 1932), essa conclusão anterior foi fundada em uma má compreensão dos fatos. Segundo ele, não há qualquer contradição entre os dois textos. No MPS, é registrado que Maha Kassapa e seus discípulos caminhavam de Pava em direção a Kusinara e teriam ouvido os últimos acontecimentos após o falecimento do Mestre, alguns monges ainda não tinham superado o acontecido, logo depois Subhadda saudou cinicamente aos monges que eles estariam livres da disciplina. Então, Maha Kassapa aconselhou os monges sobre a impermanência. Em outra ocasião, o Cv. XI.I, apresenta o venerável Maha Kassapa relatando para a sangha dos bhikkhus o incidente com Subhadda.[12]

Segundo Louis Finot, o que agora é conhecido como o MPS por um lado, e o Cv. XI-XII[13] por outro, inicialmente não estavam separados, mas constituíam uma única narrativa contínua a começar pelas viagens do Buda antes de sua morte, o parinibbana e o funeral, mais adiante estariam o primeiro concílio e o segundo concílio, por alguma razão os concílios teriam sido separados dessa continuidade, respectivamente, uma parte do MPS ficou no sutta pitaka e a outra parte sobre os concílios foram atribuídas ao Cullavagga XI e XII, do vinaya pitaka atual, sem quase nenhuma tentativa de fazer eles se encaixarem com essa nova configuração, o que seria responsável por tais inconsistências observadas anteriormente.[14] Alguns trechos contidos no Mahaparinibbana Sutta[15] sugerem que as regras monásticas ainda não estariam tão definidas após a morte do Buda, como no vinaya pitaka atual.

No Mahaparinibbana Sutta, o Buda teria concedido a sangha a permissão de abolir algumas regras menores em razão de seu iminente falecimento, mas não havia dito quais eram elas.[16] Para evitar dissensões a sangha tomou a decisão unânime de manter todas as regras do vinaya, tanto as maiores como as menores. Segundo Louis Finot (p. 245, 1932), o décimo segundo e último capítulo do Cullavagga também deu origem a múltiplas discussões. Isto é, praticamente certo de que a dissensão que surgiu um século após o Parinibbana do Buda, entre os monges ocidentais e orientais, que defendiam, respectivamente, um processo mais ou menos rígido na disciplina, leva-nos de volta a um período em que as regras monásticas ainda não estavam tão definidas como observado no vinaya pitaka atualmentente existente.[17]

Segundo Concílio Budista (444 a.C)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Segundo Concílio Budista

Segundo a tradição Theravada, um século após o parinibbana do Buda (por volta de 444 a.C) ocorreu um incidente com a sangha (assembléia monástica) de Vesali. O Segundo Concílio Budista do qual participaram cerca de 700 bhikkhus de várias cidades e regiões, uma das características notáveis deste concílio é que não foi eleito alguém para presidi-lo,[18] foi convocado pelo rei Calasoca para resolver disputas geradas em torno da admissibilidade de determinadas práticas, dentre elas havia nove pontos de disciplina monástica e uma questão de princípio que estava por trás de todas as práticas dos bhikkhus de Vesali: que seria permissível a um monge ser guiado pelas práticas realizadas pelo seu mestre pessoal (professor, ou tutor). Diante disso algumas regras do vinaya poderiam ser omitidas por um bhikkhu, caso seu mestre não as seguisse ou adotasse. O objetivo desse concílio era julgar dez pequenas infrações ao vinaya cometidas pelos monges de Vesali, dentre elas havia também a questão do manuseio de dinheiro e o consumo de alimentos após o meio dia, conforme demonstrado no Cullavagga XII do Vinaya Pitaka.[19]

De acordo com a tradição Theravada, a sangha de Vesali era mais flexível com relação a disciplina monástica (vinaya), uma das questões principais havia sido a permissão do uso de ouro e prata (que era uma denominação utilizada para incluir o uso de qualquer tipo de dinheiro). O vinaya original proibia os monges de lidarem com o dinheiro, mas a sangha de Vesali acreditava que essa regra era impraticável e por isso a suspenderam. Os monges de Vesali vagavam recebendo e distribuindo moedas de ouro e prata (kahapanas) para a sangha, esse comportamento foi notado e provocou uma grande controvérsia, um certo bhikkhu Yasa visitava a cidade naquele momento e não teria concordado com essas práticas.[20] Segundo a tradição Theravada, um comitê de bhikkhus representando as duas partes decidiu por unanimidade rejeitar todas as nove práticas dos bhikkhus de Vesali e limitar o escopo da questão de princípio. O concilio concluiu com a recitação do vinaya para estabelecer uniformidade.[21] A maioria do concílio votou contra as regras de Vaiśālī, após o que a minoria de monges derrotada retirou-se e formou a escola Mahāsāṅghika.[22][23][24]

A versão do segundo concílio conforme a versão do Śāriputraparipṛcchā da escola mahasamghika é relativamente diferente e mais simples que a anterior. Nessa inscrição, os sthaviras (anciãos) formavam um grupo que queria adicionar mais regras ao vinaya original, mas os mahasamghikas não aceitaram e entenderam isso como uma atitude reformista de apertar a disciplina, o que teria causado a cisão entre os dois grupos. O Śāriputraparipṛcchā relata que um velho monge teria reorganizado e aumentado o vinaya tradicional causando dissensões entre os monges que passaram a exigir a arbitragem do rei e eventualmente precipitando o primeiro cisma. O rei teria considerado que a doutrina representada pelos dois partidos eram do Buda, mas como as preferências de cada um não eram as mesmas, eles não deveriam conviver juntos. Após a tentativa de modificar as regras monásticas, esse pequeno grupo de membros idosos (os sthaviras) se separaram da maioria (mahasangha) que eram os mais conservadores e haviam resistido à tentativa reformista de apertar a disciplina; como os que eram fiéis ao velho vinaya constituíam a maioria, eles passaram a ser chamados de mahāsāṃghikas.[25]

Alguns estudiosos concordam com os mahāsāṃghikas e essa posição é reforçada pelos próprios textos do vinaya, visto que o vinaya associado aos sthaviras possui mais regras que o vinaya mahāsāṃghika. Por exemplo, o patimokkha mahāsāṃghika possui 67 regras na seção śaikṣa-dharma, enquanto que a versão Theravāda conta com 75 regras. Alguns estudiosos acreditam que o vinaya "Mahāsāṃghika" é o verdadeiro e o mais antigo, em concordância com o monge chinês Faxian que teria viajado a Índia para obtê-lo, pois foi considerado o original.[26][27] Entretanto, alguns pesquisadores, discordam dessa versão sobre a precocidade do vinaya "Mahāsamghika", para eles a justificativa anterior baseia-se no fato bem conhecido de que a conta do segundo concílio no vinaya Mahāsamghika, embora substancialmente semelhante ao de outras tradições budistas, é muito mais curta e apenas enumera uma ofensa ao invés das dez infrações encontradas em todas as outras. A relevância desta afirmação desaparece, no entanto, quando é levado em consideração que o vinaya Mahāsamghika regularmente abrevia material narrativo. Esta é uma característica literária do vinaya Mahāsaṅghika em geral e não somente para o segundo concilio.

Os estudiosos consideram que a versão do segundo concílio apresentado pelos mahasamghikas pode ser o resultado de uma revisão editorial posterior deliberada e que a conclusão do monge chinês Faxian reflete as opiniões sectárias da escola de quem o vinaya em questão havia sido obtido, o que seria irrelevante para uma discussão histórica.[28] No que se refere as diferenças entre os patimokkhas que separam o vinaya theravada e mahasamghika, são pequenas orientações sobre boas maneiras de caminhar, contato com os olhos, alongamento, viajar aqui e ali, etc. Essas diferenças não estão relacionadas com o manuseio de dinheiro. Além disso, o simples argumento de que alguns monges (sthaviras) queriam negar o direito de aceitar dinheiro parece pouco razoável, pois outro ponto de vista sugere que alguns (monges de Vesali) queriam eliminar a regra que impedia o uso de dinheiro. O imperador Asoka que patrocinou o terceiro concílio, conforme descrito em seus éditos, disse que "a sangha foi mantida unificada" até aquele momento (do terceiro concílio), ou seja, os cismas teriam ocorrido somente após o reino de Asoka.[29]

Primeiro Cisma na Sangha [Pataliputra I][editar | editar código-fonte]

Algum tempo depois do Segundo Concílio ocorreram cismas dentro da sangha monástica, que resultaram na formação de vários subgrupos como o sthavira nikaya, o mahasanghika nikaya e o sarvastivada. O surgimento dessas escolas às vezes é relacionado ao Segundo Concílio, mas não há provas para esta sugestão: a maioria das contas canônicas iniciais afirmam que aquele conflito havia sido resolvido. Bhikkhu Sujato questiona essa sequência de eventos e concorda que os cismas apenas ocorreram após o reinado de Asoka.[30][31] A tradição Theravada e outras escolas do budismo antigo concordam que o conflito sobre as regras monásticas havia sido resolvido.

Adição de regras ao Vinaya [Versão Śāriputraparipṛcchā][editar | editar código-fonte]

As narrativas que concernem ao segundo concílio são, normalmente, confusas e ambíguas; mas todas elas concordam que o resultado desse evento foi a cisão da sangha entre o sthavira nikāya e o mahāsāṃghika nikāya,[carece de fontes?] embora não seja acordado por todos qual foi a verdadeira causa dessa divisão.[32] De acordo com Andrew Skilton, os problemas das fontes contraditórias são resolvidos pelo Mahāsāṃghika Śāriputraparipṛcchā, que é o primeiro relato sobrevivente do cisma.[33] Segundo Andrew Skilton, um estudo aprofundado da escola Mahāsāṃghika pelos historiadores poderá contribuir para uma melhor compreensão do dhamma-vinaya pré-sectário do que a escola Theravada.[34] Os grupos que se auto denominavam majoritários (mahasanghikas), apenas representavam uma minoria, enquanto os anciãos (sthaviras) correspondiam a maioria ortodoxa.[35]

Os monges de Vesali inicialmente pareciam aceitar o segundo concílio budista, mas eles não estavam satisfeitos, então eles invocaram sua própria reunião que teria lugar em Pataliputra,[36] Yuan Chwang fala de dez mil monges reunidos, provavelmente há uma confusão entre os reis Calasoca e Asoka, alguns historiadores associam esse acontecimento com o terceiro concílio.[37] Não há unanimidade entre os historiadores sobre quando e como isso ocorreu, tornou-se um grande cisma que resultou com a maioria (mahasangha) se recusando a aceitar a adição de regras pela minoria (sthaviras), o grupo mahasanghika também teria levantado dúvidas sobre o status de arhat.[38] Os mahāsāṃghikas compreendiam os sthaviras como um grupo reformador que estava tentando acrescentar mais regras ao vinaya original.[39] No entanto, outro ponto de vista sugere que os mahasamghikas podem ter abolido essas mesmas regras.

As Cinco doutrinas sobre um arhat [Versão Theravada][editar | editar código-fonte]

Os registros Theravada contam outra versão de um cisma que teria ocorrido algum tempo depois da realização do segundo concílio budista, nesse caso o cisma radical na sangha aconteceu em Pataliputra a cerca de 30-40 anos após o incidente em Vesali. Por volta de 35 anos após o termino do segundo concílio havia sido convocado uma reunião que teria lugar em Pataliputra, a história do cisma que muitas vezes é confundida com o segundo concílio diz respeito a Mahadeva, um monge que possuía má reputação (mas certamente era uma figura literária).[carece de fontes?]

A razão do cisma foi doutrinária e envolvia questões cujas respostas não podiam ser encontradas no Canône. Acredita-se que Mahadeva havia proposto cinco doutrinas sobre as quais a assembléia não teria concordado e isso causou o cisma entre duas facções. Nessa conta, a maioria (mahasangha) se uniu a Mahadeva e a minoria (sthaviras) se opunham a ele, o que teria causado uma divisão na sangha.[40][41] As questões em discussão eram as seguintes: (1) que um arahant poderia ser seduzido por outro ser, (2) que um arahant poderia desconhecer certos assuntos, (3) que um arahant poderia ter dúvida, (4) que um arahant poderia receber informações, (ser instruído), por outra pessoa, (5) que alguém poderia realizar o caminho supramundano como resultado de palavras ditas. Os monges desfavoráveis a essas questões formaram o grupo dos "sthaviras" e aqueles que integravam a maioria e eram favoráveis a elas ficaram conhecidos como os "mahāsāṃghikas".[42]

Nas fontes derivadas do ramo Sthavira (Theravada), Mahadeva é considerado como o fundador dos mahāsāṃghikas e constitui a figura que causou a cisão entre os dois ramos.[43] Mahadeva é muitas vezes creditado como uma figura controversa que aparece desempenhando vários papéis nas histórias das primeiras escolas budistas e a existência histórica de tal pessoa é muitas vezes criticada.[carece de fontes?] Mahadeva não corresponde ao cisma primário que teria dividido a sangha em torno das regras monásticas, seu aparecimento é controverso tendo ocorrido muito tempo depois em que já teria acontecido uma cisão entre as escolas sthavira nikāya e a mahāsāṃghika nikāya, essa última já existia naquele momento em consequência do segundo concílio.[44] O Mahavibhasa atribui a divisão entre sthaviras e mahasamghikas durante o reino de Asoka.[45]

O Samayabhedoparacanacakra registra outro personagem chamado Mahādeva que foi o fundador da seita Caitika no 1° ou 2° século a.C.[46][47][48] Alguns estudiosos concluíram que uma associação de "Mahādeva" com o primeiro cisma foi uma interpolação sectária posterior.[49] Jan Nattier e Charles Prebish concordam que Mahadeva foi o último fundador dos Caitikas e afirmaram:

Mahādeva não corresponde ao cisma primário entre mahasamghikas e sthaviras, ele emerge em um período histórico consideravelmente posterior ao que se supunha, e mantém seu lugar no movimento sectário instigando um cisma dentro da já existente escola mahasamghika.[50]

A posição de consenso não associa esse último Mahādeva às cinco teses, a explicação natural seria que isso se tornou uma parte das traduções posteriores de Vasumitra devido à crescente notoriedade de Mahādeva. Os textos mais antigos de Vasumitra assumem que os cinco pontos não foram ensinados por Mahādeva, ao invés disso são listados os nomes das figuras mais conhecidas que aceitaram ou rejeitaram a cinco teorias. Os sthaviras representavam aqueles que não aderiam as cinco doutrinas sobre o arhat. O Kathavatthu é coerente com essa postura e não apresenta uma lista ordenada dos cinco pontos, mas estes possuem uma conexão interna com o cisma mahasamghika, alguns pontos foram adotados pelas escolas que se desenvolveram do ramo mahasamghika. O comentário do Kathāvatthu não pretende fornecer listas exaustivas de escolas para cada tese. Por exemplo, é dito que o primeiro dos cinco pontos foi ocupado por alguns, mas não são mencionados quem são: "como hoje é sabido, os Pubbaseliyas e Aparaseliyas".[51]

Terceiro Concílio Budista [Pataliputra II] (250 a.C)[editar | editar código-fonte]

Asoka e Moggaliputta-Tissa durante a realização do Terceiro Concílio Budista, em Nava Jetavana, Savatthi.
Ver artigo principal: Terceiro Concílio Budista

Após o primeiro cisma foram surgindo sub-ramos da linhagem "sthavira" como os sammitiyas, os sarvastivadins e os vibhajjavadins.[52] Contudo, a narrativa do terceiro concílio não relata sobre a existência de várias escolas budistas reunidas em um concílio. De acordo com a tradição Theravada, por volta de 250 a.C, em Pataliputra (a moderna Patna), teria sido convocado o terceiro concílio budista presidido por Moggaliputta Tissa Thera[53] e patrocinado pelo imperador mauria Asoka. A razão tradicional para a realização deste concílio foi para livrar a sangha da corrupção e dos falsos monges que detinham pontos de vista heréticos. À vista disso havia certos monges que adotavam alguns pontos de vista contraditórios, essas doutrinas permaneceram como parte de algumas escolas budistas que se desenvolveram após o terceiro concílio. Este concílio é reconhecido tanto por fontes mahayana como theravada, embora sua importância seja significativa apenas para este último.[54]

As questões que seriam tratadas eram de natureza doutrinária, o que resultou na compilação do Kathavatthu (Pontos de Controvérsia) pelo venerável Mogaliputta Tissa para refutar uma série de heresias e garantir que o Dhamma fosse mantido em sua originalidade. O imperador Asoka teria perguntado aos monges suspeitos o que o Buda havia ensinado e estes responderam com pontos de vista sobre o eternismo e entre outras ideias que são rechaçadas no Brahmajala Sutta.[55] Posteriormente, ele fez a mesma pergunta aos monges virtuosos e eles responderam que o Buda era um "analista" ou um "professor discriminador" (vibhajjavādin), essa resposta foi confirmada por Mogaliputta Tissa.[56] Esse termo é usado em vários sentidos, e não está claro exatamente o que isso significou naquele contexto. Tradicionalmente, no entanto, os theravadins do Sri Lanka e outras escolas continentais do Budismo Antigo identificaram-se como Vibhajjavada.

Algumas doutrinas que não foram incluídas entre os vibhajjavadins foram adotadas pelos mahāsāṃghikas, sammitīyas (remanescente da escola Puggalavāda), sarvastivadins e entre outros que foram considerados como possuindo "visões equivocadas", conforme os pontos de vista descritos na seção do Kathavatthu (do Abhidharma Pitaka "Theravada").[57][58]

Quarto Concílio Budista [Sri Lanka] (100 a.C) - [Caxemira] (100 d.C)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Quarto Concílio Budista

No século I a.C. foi realizado o quarto concílio no Sri Lanka e tinha como objetivo a compilação do Canône pali, pois as invasões, guerras e fomes apontavam a necessidade de um registro escrito para preservar os ensinamento budistas. O rei Vattagamani convocou o quarto concílio, do qual participaram cerca de 500 bhikkhus que recitaram e escreveram pela primeira vez, sobre folhas de palmeira, os suttas em pali, este concílio é apenas referido nas fontes Theravada.[59] Nos textos da escola Sarvastivada, o quarto concílio teve lugar em Jalandara ou em Caxemira durante o reinado de Kaniska, por volta do ano 100 d.C.

Concílios Modernos[editar | editar código-fonte]

No ano de 1871 decorreu em Rangum um concílio por vezes denominado como o "Quinto Concílio Theravada". Foi convocado pelo rei Mindon Min e o seu objectivo foi revisar os textos pali.

Por último, em Maio de 1954 iniciou-se em Rangum um concílio cujo propósito era recitar e rever o Cânone Pali. Participaram cerca de 25 mil monges budistas de vários países, tendo terminado em Maio de 1956. O discuro da cerimónia de abertura foi da responsabilidade do então primeiro-ministro da Birmânia, U Nu, tendo a data do concílio sido escolhida de modo a coincidir com o aniversário da morte do Buda há 2500 anos (segundo os cálculos Theravada).

Referências

  1. Michael Beisert. ABC do Budismo. Consultado em 26 de janeiro de 2018.
  2. Harvey, Peter (2013). An Introduction to Buddhism: Teachings, History and Practices (2nd ed.). Cambridge, UK: Cambridge University Press. pg. 88.
  3. Harvey, Peter (2013). An Introduction to Buddhism: Teachings, History and Practices (2nd ed.). Cambridge, UK: Cambridge University Press. pg. 88.
  4. Pi Tv Kd 21 Pañ­casati­kak­khan­dhaka. Cullavagga XI - Primeiro Concílio Budista.
  5. Digha Nikaya 16.6.20 E sentado junto com o grupo estava um certo Subhadda, que havia seguido a vida santa já com a idade avançada e ele disse para aqueles bhikkhus: “Já basta, amigos, não chorem, não se lamentem! Ainda bem que nos livramos do Grande Contemplativo. Sempre fomos importunados com as observações dele: ‘Não é apropriado que você faça isso, não é apropriado que você faça aquilo!’ Agora podemos fazer o que quisermos!”
  6. Ver Cv. XI.I
  7. The First Buddhist Council
  8. «Budismo Theravada - Uma Cronologia Histórica» 
  9. Digha Nikaya 16.6.20 "Amigos, já basta desse choro e lamentação! O Abençoado já não lhes disse que todas aquelas coisas que para nós são queridas e estimadas e prazerosas estão sujeitas à mudança, separação e alteração? Então porque tudo isso? Como poderia ser possível que tudo aquilo que nasce, veio a ser, condicionado, que está sujeito à dissolução, não desapareça – isso é impossível."
  10. Ver Cv. XI.I
  11. Locations of Buddhism: Colonialism and Modernity in Sri Lanka
  12. No MPS 16.6.19, é relatado que Maha Kassapa estava caminhando pela estrada principal de Pava a Kusinara, em sua companhia havia uma comitiva de bhikkhus, então ele sentou-se à sombra de uma árvore, naquele momento um certo ajivika se aproximou. O venerável Maha Kassapa logo o avistou e indagou a ele se o mesmo conhecia o Mestre Gotama, o ajivika respondeu que sim e sabia que o Buda havia falecido a pouco mais de uma semana. Ao mesmo tempo, aqueles bhikkhus que ainda não teriam superado o acontecido lamentavam e padeciam pela morte do Buda. Logo em seguida, no MPS 16.6.20, um certo bhikkhu Subhadda se manifesta perante aqueles bhikkhus dizendo que eles não precisam mais sofrer, pois antes as observações do Buda os impediam de fazer certas coisas, agora que o contemplativo Gotama havia falecido eles estariam livres dessa disciplina. Maha Kassapa, ao que parece, repete um ensinamento do Buda aos bhikkhus de que todas as coisas que surgem, nascem, vem a ser, condicionadas estão sujeitas a separação. Nesse episódio não há qualquer menção de Maha Kassapa repreendendo aquilo que foi dito por Subhadda ou pelo menos de modo explícito. Entretanto, mais adiante no Cv. XI.I, Maha Kassapa relata em outra ocasião para a sangha o que havia decorrido naquele instante, ainda surpreendido com o que Subhadda teria dito, então ele assevera a sangha a realizarem um concílio para evitar que tais acontecimentos não venham a corromper o Dhamma.
  13. Ver Cv. XII
  14. Buddhism: Buddhist origins and the early history of Buddhism in South and Southeast Asia
  15. (Digha Nikaya 16.6.3 e 4.) 6.3 "Se desejarem, a Sangha poderá abolir as regras menores depois do meu falecimento. 6.4 Depois do meu falecimento o bhikkhu Channa deve receber a punição de Brahma." "Mas, venerável senhor, o que é a punição de Brahma?" - "Qualquer coisa que o bhikkhu Channa quiser ou disser, nenhum bhikkhu deve falar com ele ou admoestá-lo, ou ensiná-lo." Segundo Louis Finot (1932), antes de morrer, o Buda ordenou que a penalidade de brahmadanda (punição de Brahma) deveria ser infligida ao bhikkhu Channa. Ananda curiosamente ignora o que é o brahmadanda e pede uma definição, que lhe é dada. Como essa penalidade não é mencionada em qualquer lugar no Canône, exceto nas duas passagens paralelas do MPS. VI.4 e Cv. XI, 1, 12-15, dificilmente se pode evitar chegar à conclusão de que a regra sobre o brahmadanda pertencia a um estágio tárdio do Vinaya budista.
  16. Digha Nikaya 16.6.3 "Se desejarem, a Sangha poderá abolir as regras menores depois do meu falecimento." Nota do Tradutor: A Sangha não se beneficiou desta concessão porque Ananda não perguntou quais seriam essas regras menores.
  17. Mahaparinibbana-sutta e Cullavagga
  18. Buddha and Buddhist Synods in India and Abroad - Controversy about President of the Session: Second Synod.
  19. Pi Tv Kd 22 Sat­tasati­kak­khan­dhaka. Cullavagga XII - Segundo Concílio Budista.
  20. Second Buddhist Council: Second Dhamma Sangayana.
  21. «Budismo Theravada - Uma Cronologia Histórica» 
  22. https://www.britannica.com/topic/Buddhist-council
  23. The Second Buddhist Council
  24. O 2° Concílio Budista em Vaisali
  25. Harvey, Peter (2013). An Introduction to Buddhism: Teachings, History and Practices (2nd ed.). Cambridge, UK: Cambridge University Press. pg. 89-90.
  26. Williams, Jane, and Williams, Paul. Buddhism: Critical Concepts in Religious Studies, Volume 2. 2005. p. 190
  27. Skilton, Andrew. A Concise History of Buddhism. 2004. p. 64
  28. Mahasanghika - The Earliest Vinaya?
  29. Bhikkhu Sujato. Sects & Sectarianism. King Aśoka, Minor Pillar Edict, Sāñchī.
  30. Vide o livro Sects & Sectarianism – The Origins of Buddhist Schools, escrito em 2006 pelo Bhikkhu Sujato.
  31. Bhikkhu Sujato. ASOKA & THE FIRST SCHISM, publicado em 23 de agosto de 2012 - 11:46 pm.
  32. Skilton, Andrew. A Concise History of Buddhism. 2004. p. 47
  33. Skilton, Andrew. A Concise History of Buddhism. 2004. p. 48
  34. Skilton, Andrew. A Concise History of Buddhism. 2004. p. 64
  35. O 2° Concilio Budista em Vaisali
  36. Second Buddhist Council
  37. O 2° Concilio Budista em Vaisali
  38. Segundo Concílio Budista
  39. Skilton, Andrew. A Concise History of Buddhism. 2004. p. 64
  40. Skilton, Andrew. A Concise History of Buddhism. 2004. p. 47
  41. The Buddhist Councils - The Story of Early Buddhism
  42. «Budismo Theravada - Uma Cronologia Histórica» 
  43. Walser, Joseph. Nāgārjuna in Context: Mahāyāna Buddhism and Early Indian Culture. 2005. pp. 49-50
  44. Williams, Jane, and Williams, Paul. Buddhism: Critical Concepts in Religious Studies, Volume 2. 2005. p. 188
  45. Walser, Joseph. Nāgārjuna in Context: Mahāyāna Buddhism and Early Indian Culture. 2005. pp. 49-50
  46. Baruah 2000, p. 48.
  47. Bhikku Sujato. Sects & Sectarianism: The Origins of Buddhist Schools. 2006. p. 78
  48. Walser, Joseph. Nāgārjuna in Context: Mahāyāna Buddhism and Early Indian Culture. 2005. pp. 49-50
  49. Walser, Joseph. Nāgārjuna in Context: Mahāyāna Buddhism and Early Indian Culture. 2005. p. 50
  50. Williams, Jane, and Williams, Paul. Buddhism: Critical Concepts in Religious Studies, Volume 2. 2005. p. 188
  51. Bhikkhu Sujato. Was the first schism due to Dhamma or Vinaya? Consultado em 02 de fevereiro de 2018.
  52. Skilton 2004, p. 66-67.
  53. Moggaliputta Tissa
  54. A detailed account in Chinese of the 3rd Buddhist Council is found starting at line T24n1462_p0678b01(00) of the 善見律毘婆沙.
  55. Digha Nikaya 1 - Brahmajala Sutta
  56. http://palikanon.com/english/wtb/u_v/vibhajja_vaada.htm
  57. The Buddhist Way of Life: Its's Philosophy and History. This short survey of the first four Buddhist Councils or Conferences indicates that four chief schools held the field: (1) Theravadins; (2) Mahasanghikas; (3) Sammitiyas; (4) Sarvastivadins. "...(1) Theravadins: '...Two other names for this school are Sthaviravadins and Vibhajjavadins.'"
  58. https://suttacentral.net/kv
  59. «Budismo Theravada - Uma Cronologia Histórica» 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PREBISH, Charles S. - Buddhist Councils em Encyclopedia of Buddhism. Nova Iorque: McMillan USA, 2004. ISBN 0028657187.