Conceição Evaristo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Conceição Evaristo
A escritora Conceição Evaristo durante debate no Festival Latinidades 2013
Nome completo Maria da Conceição Evaristo de Brito
Nascimento 29 de novembro de 1946 (75 anos)
Belo Horizonte, Minas Gerais
Nacionalidade Brasileira
Ocupação Escritora, poetisa, romancista e ensaísta
Prémios Prêmio Jabuti de Literatura 2015, Faz a Diferença - Categoria Prosa 2017, Prêmio Cláudia - Categoria Cultura 2017
Género literário Romance, conto, poesia
Movimento literário Pós-modernismo
Magnum opus Ponciá Vicêncio
Conceição Evaristo em entrevista no ano de 2017, aqui falando sobre Escrevivência.
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Conceição Evaristo

Maria da Conceição Evaristo de Brito (Belo Horizonte, 29 de novembro de 1946) é uma linguista e escritora brasileira. Agora aposentada, teve uma prolífica carreira como pesquisadora-docente universitária.[1]

É uma das mais influentes literatas do movimento pós-modernista no Brasil, escrevendo nos gêneros da poesia, romance, conto e ensaio. Como pesquisadora-docente, seus trabalhos focavam na literatura comparada.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Conceição nasceu em 29 de novembro de 1946.[2] Sua mãe, Joana Josefina Evaristo, a teve na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Segundo relato da própria Conceição, trata como pai a Aníbal Vitorino, que se tornou seu padrasto ainda na infância.[3] Viveu seus primeiros anos na favela do Pindura Saia, uma comunidade extinta na década de 1970, localizada da zona sul de Belo Horizonte. Sua família era muito pobre e numerosa, tendo nove irmãos, sendo a segunda mais velha.[2]

Carreira acadêmica e profissional[editar | editar código-fonte]

Sua mãe a incentivou a estudar o primário e o ginásio em outra região da cidade, que tinha escolas mais prestigiadas, pois considerava que as escolas da região da favela eram menos favorecidas e limitariam o aprendizado dela. Mais tarde, saiu da favela para poder conciliar os estudos do curso normal enquanto trabalhava como empregada doméstica. Concluiu o curso normal em 1971, já aos 25 anos.[2]

Mudou-se então para a cidade do Rio de Janeiro, em 1973, onde passou num concurso público para o magistério, permanecendo ligada aos quadros do município até o ano de 2006; neste ínterim, nas décadas de 1970 e 1980, também foi professora da rede municipal de Niterói.[2]

Prestou vestibular em 1987 para o curso de letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguindo bolsa de pesquisas durante o período. Formou-se no ano de 1990.[4][5] No seio da universidade, ainda na década de 1980, entrou em contato com o grupo Quilombhoje, que a incentivou a iniciar sua escrita. Estreou na literatura em 1990 com obras publicadas na série Cadernos Negros, publicada pela organização.[6]

Entre 1992 e 1996 cursou mestrado em letras-literatura brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).[2]

A partir de 1999 licenciou-se da prefeitura do Rio de Janeiro e passou a lecionar na Universidade Federal Fluminense (UFF), mantendo este vínculo até o ano de 2011.

Em 2008 ingressou no doutorado em letras-literatura comparada da Universidade Federal Fluminense, concluindo os estudos em 2011.[7]

Após seu doutoramento, serviu como professora em diversas instituições, tais como o Middlebury College, a PUC-Rio, a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Carreira como escritora[editar | editar código-fonte]

Suas obras, em especial o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe. Seu primeiro romance, Ponciá Vicêncio foi foco de pesquisa acadêmica pela primeira vez, no Brasil, em 2007[8]. A obra foi traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos em 2007.[9][10]

Em 2017, Conceição Evaristo foi tema da Ocupação do Itaú Cultural de São Paulo. Já em 2019, Conceição Evaristo foi a grande homenageada da Bienal do Livro de Contagem.

No dia 18 de junho de 2018, Conceição Evaristo oficializou sua candidatura à Academia Brasileira de Letras, entregando a carta de autoapresentação para concorrer à cadeira de número 7, originalmente ocupada por Castro Alves. Segundo o Portal da Literatura Afro-Brasileira, a autora escreveu na carta: “Assinalo o meu desejo e minha disposição de diálogo e espero por essa oportunidade”.[11] A eleição ocorreu em 30 de agosto, Conceição recebeu um voto, acabou eleito o cineasta Cacá Diegues. [12]

Obras[editar | editar código-fonte]

Romance[editar | editar código-fonte]

Poema[editar | editar código-fonte]

Contos[editar | editar código-fonte]

  • Histórias de leves enganos e parecenças (Editora Malê, 2016)

Participações em antologias[editar | editar código-fonte]

  • Cadernos Negros (Quilombhoje, 1990)
  • Contos Afros (Quilombhoje)
  • Contos do mar sem fim (Editora Pallas)
  • Questão de Pele (Língua Geral)
  • Schwarze prosa (Alemanha, 1993)
  • Moving beyond boundaries: international dimension of black women’s writing (1995)
  • Women righting – Afro-brazilian Women’s Short Fiction (Inglaterra, 2005)
  • Finally Us: contemporary black brazilian women writers (1995)
  • Callaloo, vols. 18 e 30 (1995, 2008)
  • Fourteen female voices from Brazil (EUA, 2002), Estados Unidos
  • Chimurenga People (África do Sul, 2007)
  • Brasil-África
  • Je suis Rio, éditions Anacaona, juin 2016.

Obras publicadas no exterior[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Conceição Evaristo: Poemas da recordação e outros movimentos». Portal Vermelho. Vermelho.org.br. 27 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 9 de agosto de 2017 
  2. a b c d e «Conceição Evaristo: biografia, principais obras - Brasil Escola». Meu Artigo Brasil Escola. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  3. «Conceição Evaristo». Literafro. 23 de abril de 2021 
  4. DUARTE, Eduardo de Assis. «O Bildungsroman afro-brasileiro de Conceição Evaristo». Rev. Estud. Fem. vol.14 no.1 Florianópolis Jan./abril 2006. Scielo.br 
  5. «Coquetel de lançamento - Conceição Evaristo e Amélia Dalomba». NEAA. Uel.br. 7 de dezembro de 2011 
  6. «Maria da Conceição Evaristo, a voz da mulher negra na literatura». R7.com. 11 de julho de 2019. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  7. Cultural, Instituto Itaú. «Conceição Evaristo». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  8. Santos de Araújo, Flávia (30 de abril de 2007). «Uma escrita em dupla face: a mulher negra em Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo» (PDF). PPGL UFPB  line feed character character in |titulo= at position 45 (ajuda)
  9. ARRUDA, Aline Alves. «Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo: Um Bildungsroman Feminino e Negro» (PDF). Literafro - UFMG. Letras.ufmg.br [ligação inativa]
  10. «Conceição Evaristo - Lançamento do livro "Insubmissas lágrimas de mulheres"». Geledés Instituto da Mulher Negra. Geledes.org.br. 7 de dezembro de 2011 
  11. «Conceição Evaristo entrega carta oficializando sua candidatura à Academia Brasileira de Letras - Negro Belchior». Negro Belchior. 19 de junho de 2018 
  12. «Como a escritora negra Conceição Evaristo perdeu sua cadeira na ABL». The Intercept. 30 de agosto de 2018 


Ligações externas[editar | editar código-fonte]