Concerto de Ano Novo de Viena

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O Concerto de Ano Novo, realizado pela Filarmônica de Viena (em alemão Das Neujahrskonzert der Wiener Philharmoniker) é um concerto despecial de música clássica que é realizado em todos os anos no dia 1 de Janeiro, na sala grande do Musikverein em Viena, na Áustria. O concerto é televisionado e assistido por um bilião de pessoas em mais de cinquenta países.

Música e Local[editar | editar código-fonte]

O concerto inclui peças da família Strauss (Johann Strauss I, Johann Strauss II, Josef Strauss e Eduard Strauss), mas aconteceram ocasiões de serem interpretadas peças de outros compositores austríacos, como Joseph Hellmesberger, Joseph Lanner, Wolfgang Amadeus Mozart, Carl Otto Nicolai, Emil von Reznicek, Franz Schubert, Franz von Suppé, Karl Michael Ziehrer e Josef Haydn. Em 2009, foi a primeira vez que uma obra de Joseph Haydn foi tocada (o quarto movimento da Sinfonia Nº45, tocada para celebrar o segundo centenário da morte de Haydn).

Normalmente são tocadas doze peças, com uma duração de aproximadamente duas horas, com uma pausa de trinta minutos. O concerto tem polkas, valsas e marchas. O concerto acaba tradicionalmente com três encores. O primeiro é normalmente uma polka rápida (música tradicional austríaca), a segunda é a famosa valsa, o Danúbio Azul, de Johann Strauss II, em que, também segundo a tradição, os primeiros acordes são interrompidos com aplausos de reconhecimento da audiência, após o que o maestro e a orquestra endereçam, coletivamente, ao público os seus votos de Feliz Ano Novo. Segue-se então a interpretação do Danúbio Azul, após isso, o concerto encerra com a Marcha Radetzky. Durante a execução desta composição alegre e festiva, a audiência é convidada, pelo maestro, a participar, aplaudindo ao ritmo indicado pelo maestro, que se vira ao público.

Os concertos de Ano Novo são realizados no Salão Maior (em alemão Großer Saal) do Musikverein desde 1939. A partir de 1980, as flores que decoram profusamente a sala são ofertas da cidade de Sanremo, na Itália. Durante o concerto, algumas peças são acompanhadas por ballet, com a participação ao vivo ou gravada em diversos monumentos famosos da Áustria (Palácio de Schönbrunn, Schloss Esterházy, a Ópera Estatal de Viena, por exemplo) e partes do Musikverein, por dançarinos do Ballet da Ópera Estatal de Viena.

História[editar | editar código-fonte]

O concerto de Ano Novo da Filarmônica de Viena realizou-se pela primeira vez em 1939, dirigido pelo maestro Clemens Krauss. Nesse ano, no que foi a primeira e última vez, o concerto realizou-se no dia 31 de Dezembro. Do seu programa apenas constaram obras de Johann Strauss II. O programa do primeiro concerto era:

  • "Morgenblätter", Op. 279
  • "Annen-Polka", Op. 117
  • Csárdás da ópera Ritter Pázmán
  • "Kaiser-Walzer", Op. 437
  • "Leichtes Blut", Polka schnell, Op. 319
  • "Ägyptischer Marsch", Op. 335
  • "G'schichten aus dem Wienerwald", Walzer, Op. 325
  • "Pizzicato-Polka"
  • "Perpetuum mobile", ein musikalischer Scherz, Op. 257
  • Ouverture da operetta Die Fledermaus

Nesse primeiro ano não houve encores (cuja tradição se teria iniciado apenas em 1945). Surpreendentemente, o Danúbio Azul foi apresentado pela primeira vez em 1945, e só como encore. Só no ano seguinte interpretar-se-ia pela primeira vez a Marcha Radetzky, também como encore. As duas peças fariam frequentemente parte do programa, mas só a partir de 1958 se estabeleceria permanentemente a tradição de encerrar o concerto com estas duas peças como encore. A partir deste ano só excepcionalmente se quebraria a tradição, nomeadamente em 1967, com o maestro Willi Boskovsky, que incluiu o Danúbio Azul no programa principal do concerto, e em 2005, quando Lorin Maazel terminou com o Danúbio Azul, não executando a Marcha Radetzky, em sinal de respeito com as vítimas do Terramoto do Índico de 2004.

Maestros[editar | editar código-fonte]

Boskovsky, director musical da orquestra de 1936 a 1979, dirigiu a orquestra nos concertos de Ano Novo de 1955 a 1979. Em 1980, Lorin Maazel tornou-se o primeiro maestro não austríaco num concerto de Ano Novo, tendo-o feito também nos 7 anos seguintes. A partir de 1987 institui-se a tradição de convidar anualmente um maestro reputado, seleccionado por votação entre os membros da orquestra, para dirigir o concerto de Ano Novo. O primeiro foi Herbert von Karajan (pensa-se que a tradição de rotação de maestros foi pensada como forma de homenagear o velho maestro austríaco).

Maestro Anos
ÁustriaClemens Krauss 1939, 1941–1945, 1948–1954
ÁustriaJosef Krips 1946–1947
ÁustriaWilli Boskovsky 1955–1979
Estados UnidosLorin Maazel 1980–1986, 1994, 1996, 1999, 2005
ÁustriaHerbert von Karajan 1987
ItáliaClaudio Abbado 1988, 1991
ÁustriaCarlos Kleiber 1989, 1992
ÍndiaZubin Mehta 1990, 1995, 1998, 2007, 2015[1]
ItáliaRiccardo Muti 1993, 1997, 2000, 2004
ÁustriaNikolaus Harnoncourt 2001, 2003
JapãoSeiji Ozawa 2002
LetóniaMariss Jansons 2006, 2012, 2016[2]
FrançaGeorges Prêtre 2008, 2010
ArgentinaDaniel Barenboim 2009, 2014[3]
ÁustriaFranz Welser-Möst 2011,[4] 2013[5]
Venezuela Gustavo Dudamel 2017[6][7]

Audiência[editar | editar código-fonte]

O concerto é muito popular em toda a Europa e, mais recentemente, em todo o mundo. A procura de bilhetes é tanta que é necessário efectuar um pré-registo com um ano de antecedência que possibilita a participação no sorteio dos bilhetes não reservados para o concerto do ano seguinte. Muitos bilhetes estão pré-reservados para algumas famílias austríacas, sendo herdados de geração em geração.

O concerto é transmitido pela televisão desde 1991, com direcção de Brian Large, através da rede da Eurovisão.

Gravações[editar | editar código-fonte]

A Decca Records disponibilizou comercialmente os primeiros LPs de gravações do concerto a partir de 1979 (a sua primeira edição de LPs digitais), celebrando o 25º aniversário dos concertos, nesse ano com direcção de orquestra de Willi Boskovsky.

Editora Anos
Decca Records 1979, 2008–2011
Deutsche Grammophon 1980–1988, 1991, 2003–2007
Sony Classical Records 1989–1990, 1992, 1994–1995, 2012–2016
Philips Classics Records 1993, 2002
BMG 1996, 1998–1999
EMI 1997, 2000
Teldec 2001

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Gravações[editar | editar código-fonte]

Referências