Conde de Vila Flor

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Armas de Manuel chefe, in Livro do Armeiro-Mor (fl 57r) (1509)

O título de conde de Vila Flor foi um título nobiliárquico de Portugal, instituído em 23 de Julho de 1661, em plena Guerra da Restauração, por carta régia de D. Afonso VI de Portugal a favor de D. Sancho Manuel de Vilhena.

Este D. Sancho Manuel descendia por legítima varonia de Don Juan Manuel de Villena, Mordomo-mor do Imperador Carlos V e cavaleiro do Tosão de Ouro, descendente também por varonia de D. Henrique Manuel de Vilhena, Conde de Seia e Sintra, meio-irmão da rainha D. Constança Manuel, casada com D. Pedro I de Portugal. Este era por sua vez filho do Infante João Manuel de Castela, o autor do célebre El conde Lucanor, neto de Fernando III de Castela e Beatriz da Suábia.

Anselmo Braamcamp Freire na sua obra Brasões da Sala de Sintra dedica o capítulo XVII, no Vol. III, aos Manuel.1

Titulares[editar | editar código-fonte]

Serviu na Guerra da Restauração como Mestre de Campo General (posto hoje equivalente a Tenente-General), Governador das Armas (posto equivalente a Marechal) da Província do Alentejo e Comandante-Chefe das forças portuguesas, tendo sido vencedor da batalha do Ameixial em 1663, e tendo-se destacado ainda nas outras principais batalhas do conflito, a Batalha das Linhas de Elvas em 1659 e a Batalha de Montes Claros em 1665. Foi nomeado Vice-Rei do Brasil, falecendo antes de tomar posse do cargo. Era senhor de Vila Flor, Alcaide-Mor de Alegrete, Comendador de Santa Maria de Pernes. Pelo seu casamento com Ana de Noronha, filha de Gaspar de Faria Severim, Secretário de Estado das Mercês, veio a herdar a família a casa Severim de Noronha. Morou no Palácio de Arroios.

Foi igualmente militar, com a patente de coronel, e foi um dos toureiros presentes no casamento de D. Pedro II de Portugal (a par do Conde da Atalaya), apresentando-se então com mais de "150 lacaios".

Era seu irmão o grande Princípe-Grão-Mestre da Ordem Soberana e Militar de Malta, D. António Manuel de Vilhena, um dos mais importantes na história da Ilha de Malta. Mandou construir o Forte Manuel e o Teatro Manuel na capital Valeta, o Palácio Vilhena na velha capital Mdina, etc., tendo dado o seu nome igualmente ao Burgo Vilhena fora das muralhas da capital. Por estas e outras construções as armas da família são hoje uma vista comum nessas paragens. Floriana em Malta foi criada em homenagem a seu pai o Conde de Vila Flor.

Foi governador do Maranhão.

Foi Marechal do Exército e herói das Guerras Liberais e foi por quatro vezes Presidente do Conselho de Ministros.

Foi o vencedor da Batalha da Asseisseira, entrou em Lisboa dia 24 de Julho e assinou em nome de D. Pedro IV de Portugal a Convenção de Évora Monte. Teve a excepcional honra de ser sepultado no panteão real.

Depois da implantação da república portuguesa foram titulares:

  • D. Tomás Maria Martinho de Almeida Manoel de Vilhena, 8.º Conde de Vila Flor, autorização de D. Manuel II relativamente aos títulos da casa, 6.º neto do primeiro Conde e primo do anterior. Morou no Palácio de Arroios e depois no Palácio Vila Flor à Costa do Castelo.

Foi Governador Civil de Braga, Governador da Madeira, Chefe do Governo de D. Manuel II de Portugal no exílio, Senador, Grã-Cruz de Nossa Senhora da Conceição, Grande-Oficial de São Gregório Magno da Santa Sé e de Carlos III da Espanha, Cavaleiro de Honra e Devoção SMOM, Sócio correspondente da Academia de História de Madrid.

Foi professor do Instituto Superior de Agronomia, director da Estação Agronómica Nacional, Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção da Ordem de Malta, aí Presidente da Assembleia dos Cavaleiros, e campeão-nacional de espada em esgrima.

Foi escritora, Sócia Correspondente da Academia Brasileira de Ciências, Artes e Letras, assessora do Prof. Aníbal Cavaco Silva, na sua primeira legislação como primeiro-ministro, e candidata pela oposição monárquica em 1966, Dama de Honra e Devoção SMOM, Grã-Cruz do Mérito da Casa Real. Morou no Palácio Vila Flor à Costa do Castelo.

Foi cavaleiro tauromáquico, tendo tirado a alternativa com Manuel Conde, apresentava-se como D. Francisco Azarujinha. Foi Presidente do Conselho de Administração da Ápis, SA, fábrica então da família. Morou no Chalet Azarujinha até à sua venda no final dos anos 80 e depois no Palácio Vila Flor à Costa do Castelo.

É Professor da Faculdade de Direito de Lisboa, doutor em Direito e advogado. Docente convidado em diversas universidades nacionais e estrangeiras (FDUNova, FLetrasUL, ISG, e em Angola, Cabo Verde e Guiné). É vice-delegado de São Maurício e São Lázaro, Comendador de São Miguel da Ala, Cavaleiro do Santo Sepúlcro. Membro do Conselho Fiscal do INP (a antigo vogal da Comissão Jurídica do CN), membro do Conselho Consultivo da ANHP e anterior director da mesma, Vice-Presidente da Comissão Portugal-Brasil da SHIP, membro do Conselho de Jurisdição da CR.

Armas[editar | editar código-fonte]

As armas dos Manuel condes de Vila Flor eram: escudo esquartelado: I e IV de vermelho, com uma asa de ouro, terminada por mão de carnação, empunhando uma espada de prata, guarnecida de ouro; II e II de prata, com um leão de azul (ou de negro) armado e lampassado de vermelho.2 Timbre: os móveis do I quartel.3

Estas armas encontram-se no Livro do Armeiro-Mor (fl 57r) e no Livro da Nobreza e Perfeiçam das Armas (fl 11v), e ainda na Sala de Sintra. No Thesouro de Nobreza as armas do Conde de Vila Flor são idênticas (fl 24r), enquanto as armas de Manuel apresentam as mesmas peças, mas com a disposição dos quartéis erradamente alterada (fl 29r).

Note-se que neste último armorial as armas do Conde da Atalaia, também no fólio 24r, são idênticas às do Conde de Vila Flor, apesar de, de acordo com a tese de Braamcamp Freire, minoritária, os condes da Atalaia não partilharem a mesma ascendência dos Manuel de Castela.4

Propriedades[editar | editar código-fonte]

Os condes de Vila Flor habitaram o Palácio de Arroios, na freguesia de São Jorge de Arroios em Lisboa, onde o filho do 2.º Conde de Vila Flor recebeu o seu tio Grão-Mestre em magnífico jantar e onde se hospedou durante meses S.A.R. o duque de Sussex, irmão do Rei de Inglaterra a convite do Conde de Alpedrinha. Esse Palácio foi vendido pelos herdeiros, designadamente por D. Tomás de Almeida Manoel de Vilhena, 8.º Conde, na última década do século XIX, e demolido, mais tarde, na década de 1950. Também pertenceu a esta família o Palácio do Sobralinho, no concelho de Vila Franca de Xira, posteriormente propriedade de Armindo Monteiro, depois da família Espírito Santo e actualmente propriedade da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira desde 1993. O Palácio Vila Flor em S. João da Praça, outro dos Palácios da Casa, está hoje dividido em apartamentos. O Palácio Pancas, dos Condes de Alpedrinha, foi perdido no início do séc. XIX e os Palácios ao Campo de Santana (antigo Instituto Oftalmológico e o da actual Embaixada de Itália) dos Condes de Azarujinha, vendidos, bem como foi vendido o Chalet Azarujinha no Estoril e a Quinta do Porto (também dos Azarujinha) em Massamá. A família mantém o actual Palácio Vila Flor, à Costa do Castelo, e o Palácio dos Condes de Azarujinha na Azaruja, bem como, certos ramos, o Solar de Gogim. A mãe do actual Conde mora em Sintra numa casa nobre que pertenceu no séc. XIX aos O´Neill.

Referências

  1. FREIRE, Anselmo Braamcamp: Brasões da Sala de Sintra, Vol. III, p. 1-41
  2. Descrição heráldica in ACADEMIA PORTUGUESA DA HISTÓRIA: Livro do Armeiro-Mor, p. XLVIII
  3. Descrição heráldica in FREIRE, Anselmo Braamcamp: Op. cit., Vol. I, p. 36
  4. Id., Ibid., Vol. III, p. 26-27 e seguintes para os progenitores dos Manuel condes da Atalaia (1583) [para os Melo condes de Atalaia (1466) ver Ibid., p. 289-290, e ainda Vol. I, p. 411-421]:

    Do bispo D. João e de Justa Rodrigues nasceram os dois referidos filhos, João Manuel, e Nuno Manuel. Porque adoptaram êles êste apelido? Em atenção a sua mãe ter sido ama do senhor D. Manuel, depois duque de Beja e ùltimamente rei de Portugal, que a ela e aos filhos dispensou a mais rasgada e decidida protecção. Não há, não pode haver, outra razão. E as armas dos Manuéis de Castela porque foram tomadas? Por quê? Por isto que Rèsende já nêsses tempos escrevia na sua Miscellania: "pois toma dom quem ho quer / e as armas nobres tambem / toma, quem armas não tem, / e dá o dom a mulher (Décima 231). Quem sabe se o gordo cronista não estava exactamente pensando nos Manuéis, quando da pena lhe saíram aqueles versos? Quem sabe?

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Livro do Armeiro-Mor (1509). 2.ª edição. Prefácio de Joaquim Veríssimo Serrão; Apresentação de Vasco Graça Moura; Introdução, Breve História, Descrição e Análise de José Calvão Borges. Academia Portuguesa da História/Edições Inapa, 2007
  • Livro da Nobreza e Perfeiçam das Armas (António Godinho, Séc. XVI). Fac-simile do MS. 164 da Casa Forte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Introdução e Notas de Martim Albuquerque e João Paulo de Abreu e Lima. Edições Inapa, 1987
  • FREIRE, Anselmo Braamcamp: Brasões da Sala de Sintra. 3 Vols. 3.ª Edição, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1996
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