Conferência de Potsdam

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Attlee, Truman e Stalin em Potsdam

A Conferência de Potsdam - ocorreu em Potsdam, Alemanha (perto de Berlim), entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945. Os participantes foram os vitoriosos aliados da Segunda Guerra Mundial, que se juntaram para decidir como administrar a Alemanha, que tinha se rendido incondicionalmente nove semanas antes, no dia 8 de maio, Dia da Vitória na Europa. Os objetivos da conferência incluíram igualmente o estabelecimento da ordem pós-guerra, assuntos relacionados com tratados de paz e contornar os efeitos da guerra.

Participantes[editar | editar código-fonte]

Chegou à conferência com um dia de atraso, justificando-se com "assuntos oficiais" que requereram a sua atenção, embora seja possível que, na realidade, Stalin tenha tido problemas cardiovasculares.[1]
Os resultados das eleições britânicas foram conhecidos durante a conferência. Como resultado da vitória do Partido Trabalhista sobre o Partido Conservador, o cargo de primeiro-ministro mudou de mãos.
Stalin sugeriu que Truman fosse o único chefe de estado presente na conferência, sugestão que foi aceita por Churchill.

Primeiros resultados da conferência[editar | editar código-fonte]

Stalin propôs que a Polónia não tivesse direito a uma indemnização directa, mas sim que tivesse direito a 15% da compensação da União Soviética (esta situação nunca aconteceu).
  • Todos os outros assuntos seriam tratados na conferência de paz final, que seria convocada assim que possível.
Antigas e novas fronteiras da Polônia, 1945. O território previamente parte da Alemanha está identificado em rosa. A nova fronteira soviético-polonesa segue aproximadamente a Linha Curzon.

Enquanto que a fronteira entre a Alemanha e a Polónia foi praticamente determinada e tornada irreversível através da transferência forçada de populações, facto acordado em Potsdam, o Ocidente queria que na conferência final de paz se confirmasse a linha Oder- Neisse como marco permanente.

Dado que a Segunda Guerra Mundial nunca foi terminada com uma conferência de paz formal, a fronteira germano-polaca foi confirmada com base em acordos mútuos: 1950 pela República Democrática Alemã, 1970 pela República Federal Alemã e em 1990 pela Alemanha já reunificada (Ver: Reunificação da Alemanha). Este estado de incerteza levou a uma grande influência da União Soviética sobre a Polónia e a Alemanha.

Os aliados ocidentais, especialmente Churchill, mostraram-se desconfiados das jogadas de Stalin, o qual já tinha instalado governos comunistas em países da Europa Central sob sua influência; a conferência de Potsdam acabou por ser a última conferência entre os Aliados.

Durante a conferência, Truman mencionou a Stalin uma "nova arma potente" não especificando detalhes. Stalin, que ironicamente já sabia da existência desta arma muito antes que Truman soubesse da mesma, encorajou o uso de uma qualquer arma que proporcionasse o final da guerra. Perto do final da conferência foi apresentado um ultimato ao império do Japão, ameaçando uma "rápida e total destruição", sem mencionar a nova bomba.

Após a recusa do Japão, ocorreram os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki, com o lançamento de bombas atómicas sobre Hiroshima (6 de agosto) e Nagasaki (9 de agosto). 15 de agosto de 1945 foi o dia V-J (dia da vitória sobre o Japão). Representantes japoneses assinaram a rendição oficial do país em 2 de setembro.

Truman tomou a decisão de usar armamento atómico para acabar com a guerra enquanto esteve na conferência. Ainda que, hodiernamente, a historiografia recente admita que as bombas foram utilizadas com o intuito de apenas abreviar a guerra para que a URSS não avançasse mais na frente oriental.

Territórios ocupados[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1946, o Conselho de Controlo Aliado dividiu a Alemanha em 4 zonas de ocupação controladas por Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido, e França. Estes países ocuparam a Alemanha de 1945 até 1948.

O território austríaco foi igualmente dividido e ocupado, ficando sob controle aliado até 1955. De acordo com o historiador norte-americano Frank McCann,[2] o Brasil teria sido chamado a também ocupar a Áustria.[3][4]

Alemanha ocupada em 1947
Áustria ocupada no período 1945-1955

Precedentes da Conferência de Potsdam[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. John Martin Carroll, George C. Herring. Modern American Diplomacy (1986) p. 131
  2. (em inglês) UNH - Página acessada em 25 de Novembro de 2010.
  3. (em português) Estadão - País foi chamado a ocupar a Áustria. Página acessada em 2 de Janeiro de 2011.
  4. (em português) Mondopost - Brasil foi chamado a ocupar a Áustria. Acessado em 25 de Novembro de 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • de Zayas, Alfred M. A terrible Revenge. Palgrave/Macmillan, New York, 1994. ISBN 1-4039-7308-3.
  • de Zayas, Alfred M. Nemesis at Potsdam. London, 1977. ISBN 0-8032-4910-1.
  • MAGNOLI, Demetrio. História da Paz. São Paulo: Contexto, 2008. 448p. ISBN 8572443967
  • MEE, Charles L. Paz em Berlim: a conferência de Potsdam e seu mister de encerrar a Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. ISBN 978-85-209-1978-1
  • Naimark, Norman. Fires of Hatred. Ethnic Cleansing in Twentieth. Century Europe. Cambridge, Harvard University Press, 2001.
  • Prauser, Steffen and Rees, Arfon. The Expulsion of the "German" Communities from Eastern Europe at the End of the Second World War Florence, Italy, European University Institute, 2004.