Rebelião Houthi no Iêmen

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Rebelião Houthi no Iêmen
Crise Iemenita
Yemen war detailed map.png
Situação do Iêmen:
Data Junho de 2004 - presente
Local Iémen/Iêmen
Desfecho Em andamento
  • Em 2011, após anos de luta, insurgentes Houthis tomam várias cidades do Yêmen e firmam uma administração independente na região de Sa'dah[1] [2] Partes das províncias de Amran, Al Jawf e Hajjah também são tomados.[3]
  • Em setembro de 2014, os rebeldes assumem o controle da capital do país, Saná.[4]
  • Houthis assumem o controle de grande parte do norte do Iêmen. [5]
  • Golpe de Estado contra o presidente bd Rabbuh Hadi e seu governo.[6]
  • Nações do mundo árabe iniciam uma intervenção armada em favor do regime de Hadi.[7]
Combatentes
Iémen/Iêmen

 Arábia Saudita[12]
 Jordânia[13] [14]
 Catar[12]
Kuwait[12]
 Emirados Árabes Unidos[12]
 Bahrein[12]
 Egito[15]
 Marrocos[16]

Apoiado por:
 Estados Unidos[17] [18] [19]

 Turquia
Houthis Logo.png Houthis

Apoiado por:
 Irã[5]

Single Color Flag - FFFF00.svg Hezbollah
Comandantes
Iémen Abd Rabbuh Hadi
(2011-2015)

Iémen Ali Mohsen al-Ahmar
(2011-2014)
[20]
Iémen Ali Abdullah Saleh
(2004-2012)
Iémen Ali Mohammed Mujur
(2007-2012)
Iémen Abdul Qadir Bajamal
(2001-2007)
Iémen Mohammed Basindawa
(2011-2014)
Iémen Ahmed Saleh
(2000-2012)
Iémen Yahya Saleh
(2001-2012)
Iémen Amr Ali al-Uuzali  
Iémen Ali al-Ameri   [21]
Iémen Ahmed Bawazeir   [21]
Arábia Saudita Khalid bin Sultan
(2011-2013)

Arábia Saudita Saleh Al-Muhaya
(1957-2011)
Abdul Malik al-Houthi[22]

Hussein Badreddin al-Houthi 
Yahya al-Houthi
Muhammad al-Houthi
Abdul-Karim al-Houthi
Abdullah al-Ruzami #3
Abu Ali al-Hakem
Yusuf al-Madani 
Taha al-Madani
Abu Haider 
Abbas Aidah 
Mohammad Abd al-Salam
Ali al-Qantawi 
Fares Mana'a4


Iémen Ali Abdullah Saleh (suposto desde 2014)
Iémen Ahmed Saleh (suposto desde 2014)

Iémen Yahya Saleh (suposto desde 2014)
Forças
Governo Iemenita:

30 000[23]

Arábia Saudita:
100 000 soldados (mobilizados)[24]

Jordânia: 2 000 (supostamente)[16]
2 000 (2004)[25]

10 000 (2009)[26]

100 000 (2011)[27] [28]
Baixas
1 000 - 1 300 mortos
6 000 feridos
+ 5 500 mortos
+ 3 000 presos

A Rebelião Houthi no Iêmen, também conhecida como insurgência dos Houthi no Iêmen[29] [30] ou Conflito de Sa'dah, é uma guerra civil pelo controle e poder político no Iêmen.[31] Iniciada em junho de 2004, quando o clérigo dissidente Hussein Badreddin al-Houthi, chefe da seita xiita zaiditas, lançou uma revolta contra o governo iemenita. A maioria dos combates ocorreram na província de Sa'dah, no noroeste do Iêmen, embora alguns dos combates se propaguem aos mohafazah vizinhos de Hajjah, 'Amran, al-Jawf e na província saudita de Jizan. Rapidamente o conflito se espalhou pelo país e se tornou generalizado.

O governo iemenita alegou que os Houthis tentavam derrubá-lo para aplicar a lei religiosa xiita. Os rebeldes contra-argumentam que eles estão "defendendo sua comunidade contra a discriminação" e agressão do governo.[32] As autoridades iemenitas ainda acusavam o Irã de dirigir e financiar a insurgência.[33] Em 2015, os Houthis tomaram a capital do país e destituiram o governo do presidente Abd Rabbuh Hadi. Vários países da região, como a Arábia Saudita e a Jordânia, decidiram iniciar uma intervenção armada para reinstalar Hadi no poder. Enquanto isso, a al-Qaeda se aproveitou do caos da situação para expandir sua base de operações na região.

História[editar | editar código-fonte]

Desde junho de 2004, conflitos violentos ocorridos na província de Sa'dah, noroeste do país, causam mais de 25 mil mortos[34] e provocam deslocamentos populacionais.

Estes conflitos originaram-se a partir duma insurgência contra o governo do Iêmen, iniciada por um imã disidente Badreddin Hussein al-Houthi. O governo iemita acusava o governo iraniano de dirigir e financiar a insurgência.

A um cessar-fogo, negociado em junho de 2007, seguiu-se um acordo de paz em fevereiro de 2008. Em abril do mesmo ano, no entanto, o processo de paz estava correndo risco, na medida em que cada lado do conflito acusava o outro de não implementar determinados aspectos contidos no acordo de paz. Alguns analistas sugerem que a renovação do conflito terá um impacto na situação humanitária na região.[35]

Em maio de 2008, estimava-se que cerca de 77 mil pessoas tinham sido forçadas a abandonar suas casas como resultado do conflito.[36]

Em agosto de 2009, o exército iemenita lançou uma nova ofensiva contra os houthis no norte da província de Saada. Centenas de milhares de pessoas foram deslocadas pelos combates. O conflito assumiu uma dimensão internacional em 4 de novembro de 2009, quando confrontos eclodiram entre os rebeldes do norte e as forças de segurança sauditas ao longo da fronteira comum entre os dois países e os sauditas lançaram uma ofensiva anti-houthi. Os rebeldes acusam a Arábia Saudita de apoiar o governo iemenita em ataques contra eles. O governo saudita negou isso. [37] Os líderes houthis afirmam que o envolvimento dos Estados Unidos na guerra começou em 14 de dezembro de 2009, quando os EUA lançaram 28 ataques aéreos contra as posições insurgentes. [17]

Entre 2009 e 2010, confrontos contra as forças do presidente Ali Abdullah Saleh.[38] Os combates deixaram centenas de mortos. Aproveitando-se do caos e da desordem, grupos de fundamentalistas islâmicos, como a al-Qaeda, começaram a lançar atendados terroristas contra os Houthis e contra o governo central. Apoiando o regime de Saleh, os Estados Unidos começaram a enviar vários drones (veículos aéreos não tripulados) para bombardear alvos dos extremistas islâmicos. Apoio financeiro e militar ao Iêmen também foi oferecido.[39]

No começo de 2011, o povo do Iêmen foi as ruas exigir mudanças no governo. Combates entre forças de segurança e manifestantes deixaram pelo menos 2 mil mortos. No final, o presidente Saleh e o primeiro-ministro Mujawar renunciaram. Um fraco governo de transição assumiu.[40] No meio deste caos, milícias xiitas, lideradas pelos Houthis, começaram a combater grupos salafistas e extremistas, além de também lutar contra as autoridades da nação em Saná.[41] Entre 2012 e 2014, os Houthis ganharam nova importância e mais influência. Além de apoiar a luta armada, eles também organizaram protestos em massa pelo país.[42]

Em 19 de setembro de 2014, os rebeldes atacaram a capital do país, Sana'a, e dois dias depois já haviam capturado vários prédios do governo e expulsaram as forças de segurança de suas posições na capital.[43] Em três dias de luta, mais de 200 pessoas já tinham morrido na capital.[44] No dia 24, autoridades do governo deixaram Saná e o exército e as forças policiais entraram em colapso na região. Insurgentes Houthis e manifestantes anti-governo tomaram as principais ruas da capital. O líder rebelde, Abdul Malik al-Houthi, saudou a 'revolução'. Segundo ele, os Houthis haviam conseguido forçar o governo a atender as demandas populares. Um novo regime seria apontado pela liderança dos rebeldes e de outros movimentos de oposição.[45] Abd Rabbuh Mansur Hadi, o então presidente, alertou para o colapso das instituições do país e afirmou que a nação "caminhava para uma nova guerra civil".[46]

A crise dentro do Iêmen continuou com os Houthis expandindo suas áreas de influência e controle. Militantes da organização na capital do país (a cidade de Saná), atacaram o palácio presidencial ao fim de janeiro de 2015, controlando a sede do governo. O presidente Abd Rabbuh Mansur al-Hadi e vários ministros renunciaram, deixando o país sem uma liderança clara e com várias regiões da nação em anarquia total, controlada por milícias locais.[47] No meio do caos, guerrilheiros islamitas ligados a al-Qaeda começaram a expandir suas zonas de influência no país. Em março de 2015, com os Houthis avançando de forma implacável e com pouco apoio, o presidente Hadi decide fugir do seu esconderijo na cidade de Áden para uma base aérea na Arábia Saudita.[48] As autoridades sauditas então ordenaram vários ataques aéreos (Operação Tempestade Decisiva) contra alvos dos Houthis na capital e em outras áreas, para tentar frear o seu avanço.[49] Outros países árabes também enviaram aviões e tropas para combater os Houthis no Iêmen e ajudar os sauditas a reinstituir Hadi no poder.[50]

Referências

  1. Insurgents take control of Yemeni city - FT.com
  2. Houthi Group Appoints Arms Dealer as Governor of Sa'ada province - Yemen Post English Newspaper Online
  3. The Muslim News Yemen after Saleh: A future fraught with violence, 27 de maio de 2011.
  4. Yemen Leader Warns of Civil War, Rebels Cry 'Victory'
  5. a b "Houthi victories in Yemen make Saudi Arabia nervous", Al Monitor, 15 October 2014.
  6. "HOW AL QAEDA’S BIGGEST ENEMY TOOK OVER YEMEN (AND WHY THE U.S. GOVERNMENT IS UNLIKELY TO SUPPORT THEM)", 22 January 2015.
  7. "Saudi Arabia launches military operation in Yemen to defend president Abd-Rabbu Mansour Hadi". Página acessada em 28 de março de 2015.
  8. Government reinforces army to eradicate Houthis ReliefWeb.
  9. Houthis accuse Yemen's president of arming Al-Qaeda - The Middle East Monitor
  10. PressTV - Saudi, al-Qaeda support Yemen crackdown on Shias, 29 de agosto de 2009.
  11. PressTV - Yemen employs al-Qaeda mercenaries Houthis 28 de octubre de 2009.
  12. a b c d e Gulf Arabs say they are defending Yemen against aggression The Daily Star. Visitado em 26 March 2015.
  13. "Jordanian commandos join war on Houthi fighters", Press TV, 21 November 2009.
  14. "Saudis 'in a panic mode' as Shi'ite rebels move North from Yemen", Worldtribune.com, 4 de dezembro de 2009. Página visitada em 28 de março de 2015.
  15. "Yemen conflict poised to escalate as Egypt says it is ready to send troops". Página acessada em 28 de março de 2015.
  16. a b Canales, Pedro. "Marruecos y Jordania envían tropas de élite para ayudar a los saudíes en Yemen", El Imparcial, 3 December 2009. Página visitada em 29 December 2009. (em Spanish)
  17. a b "US 'sends special forces to Yemen' amid crisis", Press TV, 14 December 2009.
  18. "Yemen seeks US help to quash Houthis", Ahlul Bayt News Agency, 11 November 2009.
  19. #3558 - Houthi TV Airs Footage of US Military Plane in Yemeni Airbase MEMRI
  20. Yemen revolutionaries celebrate deal with government Press TV (2014-09-22).
  21. a b "Ambush kills 3 Yemeni soldiers, 2 top officers", PressTV, 3 November 2009.
  22. Yemen: Houthi leader hails 'revolution' BBC News.
  23. Arrabyee, Nasser. "Yemen's rebels undefeated", Al-Ahram Weekly. Página visitada em 24 de setembro de 2014.
  24. Tracker: Saudi Arabia’s Military Operations Along Yemeni Border - Critical Threats Criticalthreats.org. Visitado em 17 de outubro de 2014.
  25. Thousands Expected to die in 2010 in Fight against Al-Qaeda
  26. Peninsula on the brink
  27. CNN Medics: Militants raid Yemen town, killing dozens, 27 de novembro de 2011.
  28. Houthis Kill 24 in North Yemen, 27 de novembro de 2011.
  29. Hill, Ginny. "Yemen fears return of insurgency", BBC News. Página visitada em 28 de março de 2015.
  30. McGregor, Andrew. (August 12, 2004). "Shi’ite Insurgency in Yemen: Iranian Intervention or Mountain Revolt?" (PDF). Terrorism Monitor 2 (16): 4–6. The Jamestown Foundation.
  31. "Crises multiply for divided Yemen", News.bbc.co.uk.
  32. "Deadly blast strikes Yemen mosque", BBC News, 2008-05-02.
  33. Johnsen, Gregory D.. (February 20, 2007). "Yemen Accuses Iran of Meddling in its Internal Affairs" (PDF). Terrorism Focus 4 (2): 3–4.
  34. "Regime and Periphery in Northern Yemen"
  35. YEMEN: Peace agreement on verge of collapse? - IRIN, 20 de abril de 2008 (em inglês)
  36. YEMEN: Rebel leader calls for international aid, IRIN, 6 de maio de 2008. (em inglês)
  37. "Timeline: Yemen", BBC News, 2009-11-11.
  38. Yemen (2004 – first combat deaths)
  39. Obama Ordered U.S. Military Strike on Yemen Terrorists
  40. Yemen: More than 2,000 killed in uprising
  41. Sectarian clashes continue in north Yemen, dozens killed
  42. Houthi rebels seen gaining new influence in Yemen
  43. Yemen's Houthi rebels advance into Sanaa
  44. Yemen fighting killed at least 200 within week: govt
  45. Yemen: Houthi leader hails 'revolution'
  46. Yemen Leader Warns of Civil War, Rebels Cry 'Victory'
  47. "Yemen President Hadi Resigns After Shiite Rebels Seize Palace". Página visitada em 27 de janeiro de 2015.
  48. Presidente do Iémen foge do país Jornal de Notícias. Visitado em 26 de março de 2015.
  49. "Saudi Arabia begins air strikes against Houthi in Yemen". Página acessada em 26 de março de 2015.
  50. "Saudi and Arab allies bomb Houthi positions in Yemen". Página acessada em 28 de março de 2015.