Conflitos armados em Myanmar

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Conflitos armados em Myanmar
Conflitos armados em Myanmar
Conflict zones in Myanmar.png
Mapa das zonas de conflito em Mianmar (Birmânia). Os estados e regiões afetados pelos combates durante e após 1995 são destacados em amarelo.
Data 2 de Abril de 1948[1] – presente
Local Myanmar (Burma)
Situação Em curso
  • Insurgência desde 1948, pouco depois de Mianmar ter se tornado independente do Reino Unido
  • Grandes conflitos étnicos em Kachin, Kayah, Kayin, Rakhine e Shan
  • Em 2011, a junta militar no poder renuncia ao governo oficial sobre Mianmar
  • Numerosos cessar-fogos e acordos de paz assinados por vários grupos após as reformas políticas pelo governo
  • Violência esporádica contínua entre forças do governo e grupos insurgentes
Mudanças territoriais Zonas autônomas auto-administradas criadas para minorias étnicas em 2010
Beligerantes
 Myanmar

Apoiado por:
 China[2][3][4]
 Russia[5][6][7]

Grupos insurgentes:[a]

Frente Democrática de Todos os Estudantes da Birmânia (desde 1988)
Exército do Arracão (desde 2009)
Exército de Salvação Rohingya do Arracão (desde 2016)
Exército Democrático Budista dos Karen-5 (desde 2010)
Organização pela Independência Kachin (desde 1961)

União Nacional Karen (desde 1949)

Partido Progressista Nacional Karenni (desde 1949)

Exército de Libertação Nacional Mon (desde 1958)
Exército da Aliança Democrática Nacional de Myanmar (desde 1989)
Exército da Aliança Nacional Democrática (desde 1989)
Exército do Estado de Shan - Norte (desde 1971)
Exército do Estado de Shan - Sul (desde 1996)
Exército de Libertação Nacional Ta'ang (desde 1992)
Partido Unido do Estado de Wa (desde 1989)

... e outros
Apoiado por:
 China (alegado; desde 1968)[b]

Comandantes
Win Myint
(Presidente de Mianmar)

Aung San Suu Kyi
(Conselheiro de Estado de Myanmar)
Sein Win
( Ministro da Defesa)
Min Aung Hlaing
(Comandante-em-chefe)
Soe Win
(Vice-Comandante-em-Chefe)

Twan Mrat Naing

Ataullah abu Ammar Jununi
Saw Mo Shay
N'Ban La[15]
Htang Gam Shawng
Saw Mutu Say Poe
Pheung Kya-shin
Yang Mao-liang
Tar Aik Bong
Tar Bone Kyaw
Bao Youxiang
Wei Hsueh-kang

Unidades
Tatmadaw
  • Insurgentes armados locais[18]
  • Voluntários estrangeiros[19][20]
Forças
492.000[d] 600[22]–1.000[23]

1.500[18]–2.000+[24]
1.500[18]
10.000–12.000[25]
6.000[23]–7.000[26]
500[23]–1.500[26]
800+[27]
3.000–4.000[28]
3.000[29]–4.000[18]
8.000[18]
6.000[26]–8.000[18]
1.500[30]–3.500[31]
20.000[32]–25.000[33]
Números desconhecidos de várias outras facções
Total:
70.000–75.000[18]

   
130.000[38]–250.000[39] mortos

600.000–1.000.000 civis deslocados[40]


a Apenas grupos com números significativos e/ou atividade recente são exibidos. Para uma lista completa veja aqui.
b Suposto apoio chinês ao Partido Comunista da Birmânia de 1968 a 1988[12] e à Aliança do Norte e ao Exército do Estado Unido de Wa a partir de 1989[41]
c Apoio estadunidense para forças do Kuomintang apenas.[12]
d O número mostrado inclui pessoal não envolvido diretamente no conflito.[42]

Os conflitos armados em Mianmar/Birmânia refere-se à violência interna no país, tanto por motivos políticos como por razões étnicas, entre vários grupos armados e o governo daquele país. Esses conflitos iniciaram-se com a independência de Myanmar (antiga Birmânia ou Burma) em Abril de 1948. Sucessivos governos centrais combateram uma miríade de rebeliões separatistas e comunistas. As primeiras insurreições contra o Estado birmanês são as do Partido Comunista da Birmânia e a União Nacional Karen (KNU), que luta pela independência de um Estado karen no sul da Birmânia. Outras rebeliões étnicas eclodiram no início dos anos 1960, depois que o governo central se recusou a considerar um Estado federado. Desde o início da década de 1980, porém, as insurgências de extrema-esquerda desapareceram em grande parte, principalmente por causa da queda do comunismo na Europa e da desintegração da União Soviética no final da Guerra Fria.

Estas insurreições foram apoiadas por alguns países estrangeiros, agravando o isolamento diplomático da Birmânia e a desconfiança e preocupação dos birmaneses em relação as minorias e as potências estrangeiras. Por exemplo, o Reino Unido apoiou os karens já em 1949. Facções religiosas armadas (muçulmanas e cristãs) também participaram dos combates contra a junta militar birmanesa.

Também no norte do país se instalaram tropas chinesas nacionalistas que fugiram para a Birmânia depois de sua derrota em 1949, desde então, o general chinês Li Mi lançou repetidos ataques no sul da China, entre 1953 e 1954 diante da pressão da Birmânia e da China cerca de 7.000 soldados do KMT foram transportados de helicóptero para Taiwan, incluindo seu comandante, mas nas áreas do norte do Laos, Birmânia e Tailândia outros 7.000 passaram a exercer o comércio de ópio.[43]

Atualmente, cada vez mais organizações estão lutando principalmente contra o governo. Como resultado dos conflitos, milhares de refugiados de Mianmar vivem na vizinha Tailândia e em outros países da região, além de centenas de milhares de pessoas deslocadas internamente.

O conflito centra-se principalmente na luta contra regime militar que governou o país de 1962 a 2011. O conflito foi rotulado como a guerra civil mais longa do mundo[44] e tem recebido atenção internacional como resultado da Revolta 8888 em 1988, do trabalho da ativista Aung San Suu Kyi, os protestos anti-governamentais no final de 2007, e a devastação causada pelo ciclone Nargis, que deixou mais de 80.000 mortos e 50.000 desaparecidos, em meados de 2008.

Os birmanes constituem o principal grupo étnico do país, estes mantem com outras importantes minorias (os shan, os karens, além dos arracaneses, chineses, indianos, mons, jingpos, karennis, chins, kachins) constantes conflitos e confrontos étnicos graves.[45] As principais frentes são:

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lintner, Bertil; Wyatt (maps prepared by), David K. (1990). The rise and fall of the Communist Party of Burma (CPB). Ithaca, N.Y.: Southeast Asia Program, Cornell University. p. 14. ISBN 0877271232 
  2. «China's Xi Jinping Pledges Support for Myanmar's Peace Process». Radio Free Asia (em inglês) 
  3. «China offers Myanmar support to end ethnic unrest near border». South China Morning Post (em inglês) 
  4. Chang, Jennifer; Spencer, Kay; Staats, Jennifer (2 de setembro de 2016). «China's Role in Myanmar's Peace Process». United States Institute of Peace (em inglês) 
  5. «Burma and Russia to Increase Military Cooperation». The Irrawaddy. 21 de Novembro de 2013 
  6. Kovalev, Alexey (15 de Setembro de 2017). «Putin's Surprise Myanmar Challenge from Chechnya». EurasiaNet 
  7. «Russia, Myanmar Sign Military Cooperation Agreement». www.defenseworld.net 
  8. Vojni leksikon [Military Lexicon] (Beograd: Vojnoizdavacki zavod, 1981), p. 71.
  9. Bertil Lintner, Burma in Revolt: Opium and Insurgency since 1948, p. 154.
  10. NARA, RG 59, 690B.9321/12-2253, Memorandum of Conversation between General Ne Win and the Army and Air Attachés of the U.S. Embassy in Burma, December 22nd 1953.
  11. Čavoški, Jovan. Arming Nonalignment: Yugoslavia's Relations with Burma and the Cold War in Asia (1950-1955). Washington, D.C.: Cold War International History Project, Woodrow Wilson International Center for Scholars, 2010. Print.
  12. a b c d e f Richard Michael Gibson (2011). The Secret Army: Chiang Kai-shek and the Drug Warlords of the Golden Triangle. [S.l.]: John Wiley and Sons. pp. 85–90. ISBN 978-0-470-83018-5 
  13. Lintner, Bertil. «Recent Developments on Thai-Myanmar Border. IBRU Boundary and Security Bulletin»: 72 
  14. Alfred W. McCoy, with Cathleen B. Read and Leonard P. Adams II. "The Shan Rebellion: The Road to Chaos", from The Politics of Heroin in Southeast Asia: CIA Complicity in the Global Drug Trade 2003 ed. [S.l.]: Lawrence Hill Books. ISBN 1-55652-483-8. Arquivado do original em 23 de setembro de 2011 
  15. Kumbun, Joe (2 de janeiro de 2018). «Analysis: KIO Kicks Off New Year with New Leadership». The Irrawaddy 
  16. CNN, Katie Hunt. «Myanmar Air Force helicopters fire on armed villagers in Rakhine state». CNN 
  17. «Border Guard Force Scheme | Myanmar Peace Monitor». www.mmpeacemonitor.org. Myanmar Peace Monitor 
  18. a b c d e f g «Armed ethnic groups | Myanmar Peace Monitor». www.mmpeacemonitor.org (em inglês). Myanmar Peace Monitor 
  19. Swain, Rob (29 de dezembro de 2012). «We Don't Always Get the War We Want». VICE (em inglês) 
  20. Bleming, Thomas James (2007). War in Karen Country: Armed Struggle for a Free and Independent Karen State in Southeast Asia. New York; Bloomington, Ind.: iUniverse. ISBN 0-595-69327-X. OCLC 609978846 
  21. Heppner & Becker, 2002: 18–19
  22. «All Burma Students' Democratic Front (ABSDF) | Myanmar Peace Monitor». mmpeacemonitor.org (em inglês). Myanmar Peace Monitor 
  23. a b c I. Rotberg, Robert (1998). Burma: Prospects for a Democratic Future. [S.l.]: Brookings Institution Press. ISBN 0815791690 
  24. «'I Want to Stress That We Are Not the Enemy'» 
  25. «Kachin Independence Organization (KIO) | Myanmar Peace Monitor». mmpeacemonitor.org (em inglês). Myanmar Peace Monitor 
  26. a b c Burma center for Ethnic Studies, Jan. 2012, "Briefing Paper No. 1" http://www.burmalibrary.org/docs13/BCES-BP-01-ceasefires(en).pdf
  27. «New Mon State Party (NMSP) | Myanmar Peace Monitor». www.mmpeacemonitor.org (em inglês). Myanmar Peace Monitor 
  28. «47 Govt Troops Killed, Tens of Thousands Flee Heavy Fighting in Shan State». irrawaddy.org 
  29. «NDAA | Myanmar Peace Monitor». www.mmpeacemonitor.org (em inglês). Myanmar Peace Monitor 
  30. «PSLF/TNLA | Myanmar Peace Monitor». www.mmpeacemonitor.org (em inglês). Myanmar Peace Monitor 
  31. Larsen, Niels (23 de Abril de 2015). «On Patrol With Myanmar Rebels Fighting Both the Army and Drug Addiction - VICE News». VICE News (em inglês) (Crime and Drugs) 
  32. Johnson, Tim (29 August 2009). China Urges Burma to Bridle Ethnic Militia Uprising at Border. The Washington Post.
  33. Davis, Anthony. «Wa army fielding new Chinese artillery, ATGMs». IHS Jane's Defence Weekly. Arquivado do original em 23 de Julho de 2015 
  34. Pavković, 2011: 476
  35. Lintner, Bertil (1999). Burma in revolt: opium and insurgency since 1948 2nd ed. Chiang Mai: Silkworm Books. ISBN 978-974-7100-78-5 
  36. «Armed forces - Myanmar». www.nationsencyclopedia.com. Encyclopedia of the Nations 
  37. U Thant Myint (2006). The River of Lost Footsteps - Histories of Burma. [S.l.]: Farrar, Straus and Giroux. pp. 274–289. ISBN 978-0-374-16342-6 
  38. «Modern Conflicts - Death Tolls PDF» (PDF). Arquivado do original (PDF) em 20 de Julho de 2011 
  39. «De re militari: muertos en Guerras, Dictaduras y Genocidios» 
  40. Janie Hampton (2012). Internally Displaced People: A Global Survey. London: Routledge. ISBN 978-1-136-54705-8.
  41. Vrieze, Paul. «Into Myanmar's Stalled Peace Process Steps China». VOA (em inglês) 
  42. International Institute for Strategic Studies; Hackett, James (ed.) (2010). The Military Balance 2010. London: Routledge, pp. 420-421. ISBN 1-85743-557-5.
  43. Kaufman, Victor S. "Trouble in the Golden Triangle: The United States, Taiwan and the 93rd Nationalist Division". The China Quarterly. No. 166, Jun., 2001. p.440.
  44. Patrick Winn (13 de Maio de 2012). «Myanmar: ending the world's longest-running civil war». Pittsburgh Post-Gazette 
  45. Guerra Étnica da Birmânia - Infopédia