Congelamento de preços

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O congelamento de preços é uma medida econômica considerada radical, utilizada para o combate de surtos inflacionários ou mesmo hiperinflação. Um exemplo desse evento ocorreu no Brasil, como parte do Plano Cruzado, em fevereiro de 1986. Em geral, os governos recorrem ao controle de preços depois de terem inflacionado a oferta de moeda e de a população ter começado a se queixar do decorrente aumento dos preços.[1]

Episódios de congelamento de preços[editar | editar código-fonte]

Europa[editar | editar código-fonte]

  1. Em 301 d.C, o imperador romano Diocleciano congelou os preços, mas o plano foi mal-sucedido e ele foi rapidamente ignorado.
  2. Em setembro de 1939, a França declarou congelamento de preços.
  3. Em agosto de 1993, a Iugoslávia, em guerra civil, tentou um congelamento de preços [2]

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

  1. Durante a segunda guerra mundial através da OPA (office of price administration), [3] [4] visava controlar os preços frente a crescente inflação enfrentada por muitos países durante aquele período.
  2. Em 15 de agosto de 1971, o presidente estadunidense Richard Nixon anunciou o congelamento de preços e salários por 90 dias [5].

América Latina[editar | editar código-fonte]

  1. Na década de 80, a Argentina, que enfrentava uma inflação de cerca de 1000% ao ano, congelou os salários pelo valor do último mês [6].
  2. Em 2013, a Argentina durante o governo de Cristina Kirchner Congelou preços de combustíveis[7], produtos de supermercados[8] e Eletrodomésticos [9] para ganhar popularidade e buscar a reeleição.
  3. Em fevereiro de 1986, os preços brasileiros foram congelados. Na época (1985 e 1986), os salários reais e os níveis de emprego vinham crescendo a taxas elevadas, causando forte pressão de demanda. Sendo o congelamento de preços mais efetivo para o setor oligopolizado e para as grandes empresas (mais facilmente fiscalizadas) e menos efetivo para os setores competitivos e para as pequenas empresas (impossíveis de serem fiscalizadas), a reposição das margens de lucros "congelados" abaixo da média do período anterior originou uma inflação residual e um crescente desequilíbrio na estrutura de preços relativos. Em janeiro de 1987, ocorre descongelamento de preços[10].
  4. Em 1988/1989, durante o Plano Verão, o governo brasileiro voltou a congelar preços [11]
  5. Em 10 de maio de 2011, o governo brasileiro determinou que a BR Distribuidora, empresa controlada pela Petrobras, reduzisse os preços da gasolina e do etanol entre 6% e 10%, numa maneira de reduzir os preços dos combustíveis. As ações da petrobras caíram com a decisão[12].

Vantagens[editar | editar código-fonte]

Para a teoria de inflação inercial, os instrumentos convencionais (monetaristas ou keynesianos) de combate à inflação não funcionarão enquanto prevalecerem os níveis elevados de inflação inercial. Nesta circunstância, restariam duas alternativas: uma gradual e uma heterodoxa: o congelamento de preços[13].

Desvantagens[editar | editar código-fonte]

Em situações de congelamento de preços, é comum o desabastecimento ou venda com ágio.

Levado ao desabastecimento, pelo preço do produto estar fixado pelo governo abaixo de seu preço de mercado, os supermercados não tem como recomprar do fornecedor o produto fixado, por exemplo, do leite, ou os pequenos produtores, aqueles que estão produzindo a custos mais elevados, passam a sofrer prejuízos, visto que o preço decretado pelo governo é inferior aos custos do produto. E como não pode ter prejuízos com o leite, restringe a venda deste produto para o mercado. Pode vender algumas de suas vacas para o matadouro; pode também, em vez de leite, fabricar e vender derivados do produto, como coalhada, manteiga ou queijo. e então o governo passa a controlar o preço dos insumos dos produtores de leite, e este vem a faltar no mercado também, e logo o governo estará controlando toda a economia.[1]

O congelamento de preços também dificulta a mensuração da inflação (cálculo dos índices de inflação). No Plano Cruzado, por exemplo, os produtos eram vendidos com ágio, sendo este valor adicional absorvido apenas parcialmente pelas metodologias de índices de preços. Outra situação em que o erro de coleta se manifesta é na situação de desconto generalizado, onde a existência do desconto para venda a vista decorre da tentativa de antecipação, por parte dos agentes econômicos, a um possível congelamento [14].

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Von Mises, Ludwig (2009). As Seis Liçoes 7ª ed. ed. São Paulo: Instituto Mises Brasil. ISBN 978-85-62816-01-7 
  2. NIELSEN, Bent. On the Explosive Nature of Hyper-Inflation Data. In: Economics, Vol. 2, 2008-21, June 24, 2008. Disponível em: <http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1726816>. Acesso em: 07 de setembro de 2011.
  3. Christopher J. Tassava. The American Economy during World War II.Disponível em: <https://eh.net/encyclopedia/the-american-economy-during-world-war-ii/>. Acesso em: 05 de março de 2018.
  4. Von Mises, Ludwing; Martins, Raul (2018). Burocracia. [S.l.]: Vide Editorial. 152 páginas. ISBN 9788595070295 
  5. WEISE, Charles L. Political constraints on monetary policy during the Great Inflation.Disponível em: <http://mpra.ub.uni-muenchen.de/8694/1/MPRA_paper_8694.pdf>. Acesso em: 07 de setembro de 2011.
  6. GARDENALLI e CARVALHO.Plano de estabilização econômica. In: Revista de Economia Política, volume 6, número 3, julho-setembro 1986. Disponível em: <http://www.rep.org.br/pdf/23-9.pdf>. Acesso em: 07 de setembro de 2011.
  7. «Combustíveis entram na lista de congelamento de preços na Argentina - Economia - Estadão». economia.estadao.com.br. Consultado em 16 de março de 2018 
  8. «Congelamento de preços na Argentina é uma história que se repete». O Globo. 6 de fevereiro de 2013 
  9. «Congelamento de preços se estende ao setor de eletrodomésticos na Argentina». O Globo. 5 de fevereiro de 2013 
  10. ARANDIA, Alejando Kahara. O mercado de trabalho frente á crise dos anos 80 e aos planos de estabilização. Vol. 18, No 4 (1991). Disponível em: <http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/view/380/612>. Acesso em: 07 de setembro de 2011.
  11. CEZAR, Nilza Moreira. AGROPECUÁRIA: Brasil Novo colhe as frustrações de safra da Nova República. In: IEFEE, Vol. 18, No 4 (1991). Disponível em: <http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/view/375/607>. Acesso em: 07 de setembro de 2011.
  12. GRADILONE, Cláudio. Petrobras: boa para o motorista, não para o sócio. In: Istoé, edição 710, maio 211. Disponível em: <http://www.istoedinheiro.com.br/blogs-e-colunas/coluna/14_ARTIGO/?month=5&year=2011>. Acesso em: 07 de setembro de 2011.
  13. PEREIRA, Luís Carlos Bresser. Os dois congelamentos de preços do Brasil. In: Revista de Política econômica, volume 8, número 4, outubro-dezembro 1988. Disponível em: <http://www.rep.org.br/pdf/32-4.pdf>. Acesso em: 07 de setembro de 2011.
  14. SILVA, César Augusto Tiburcio. Avaliação da dispersão nos níveis de preços. Caderno de Estudos nº03, São Paulo, FIPECAFI – Março/1992.Disponível em: <http://www.eac.fea.usp.br/cadernos/completos/cad04/avaliacao3.pdf>. Acesso em: 07 de setembro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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