Conglomerado de mídia

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Um conglomerado de mídia, grupo de mídia, ou instituição de mídia é uma empresa que possui numerosas empresas em vários meios de comunicação de massa; ou seja, na televisão, rádio, publicações, filmes e na internet. De acordo com a revista Nation os "conglomerados de mídia, lutam por políticas que facilitem o seu controle dos mercados em todo o mundo."[1] Existem esses conglomerados nas Américas, Europa e Ásia. Conglomerados de mídia tornaram-se um recurso padrão do sistema econômico global desde 1950.

Em setembro de 2016, foi publicado no The Balance como este tipo de mídia censura informações.[2] Mesmo com a regulamentação da mídia nos Estados Unidos (que visa o liberalismo), alguns críticos, como o jornalista Gustavo Gindre e Enrique J. Saravia, afirmam, entretanto, que o FCC (o órgão regulatório da meios audiovisuais) tem continuamente afrouxado as regras para o setor, permitindo a concentração da mídia norte-americana nas mãos dos grandes grupos de comunicação e minando a participação de determinados setores da sociedade civil na mídia eletrônica.[3]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Críticos acusam os conglomerados maiores de dominar a mídia e usar práticas desleais. Isto pode ser visto através da indústria de notícias, por empresas que se recusam a divulgar ou julgar informações "interessantes" que seria prejudiciais aos seus interesses e contribuir para a fusão de entretenimento e notícias (sensacionalismo) à custa da cobertura de questões sérias. Eles também são acusados ​​de serem uma força que deseja a padronização da cultura (ver a globalização, a americanização), e são um alvo frequente de críticas por vários grupos, que muitas vezes percebem as organizações de notícias como sendo inclinadas para interesses especiais. Há também o problema da concentração da propriedade da mídia, reduzindo em grande parte ambas as propriedades e programação (programas de rádio e TV). Há também uma forte tendência nos Estados Unidos para os conglomerados para eliminar a transmissão local, e em vez disso, usar transmissão automática e rastreamento voz, às vezes de outra cidade ou outro estado. Algumas estações de rádio usam programação alimentadas sem conteúdo local, exceto ao inserir anúncios no rádio.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Mundo[editar | editar código-fonte]

Em 2008, Silvio Berlusconi o dono do principal conglomerado de mídia da Itália, o Berlusconi, iniciou uma série de processos judiciais contra jornalistas que o criticavam. Esta ação dele foi vista pela imprensa fora do seu conglomerado como uma tentativa de censura.[4]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No primeiro semestre de 2013 o Jornalismo B que diz ser uma "mídia contra-hegemônica"[5] republicou uma notícia do Coletiva.Net sobre a decisão da Rede Globo de proibir seus veículos de citarem nomes de redes sociais. O Jornalismo B comentou sobre o assunto e os conglomerados de mídia em geral:

“"A mentalidade empresarial, nos conglomerados de mídia, está sempre acima da mentalidade jornalística. Os interesses privados estão sempre acima dos interesses públicos. O debate, aqui, não passa por saber se nomear a rede social em questão é ou não relevante para a notícia, mas passa, sim, pela opção deliberada, prévia e empresarial – e não editorial – de omitir essa informação. (...) O fato de uma decisão comercial sobrepor-se à prática jornalística não é novidade nesses grupos midiáticos, mas desnuda e denuncia, de uma forma mais palpável, o que recorrentemente afirmamos: não há qualquer compromisso real com a informação, a prática geral é, pelo contrário, de desinformação, e o interesse imediato é o lucro e apenas ele, ainda que, para efetivar-se, precise usar o disfarce da produção de informações e construir para defesa própria o discurso da “liberdade de imprensa”, que, como mostra mais esse caso, nada mais é do que “liberdade de empresa”. (...) A criação de um marco regulatório para a comunicação brasileira urge também nesse sentido, para separar legalmente o que são meras empresas privadas – às quais, portanto, o princípio utilizado pela Globo poderia ser aplicado com correção – e o que são meios de comunicação, e que tipo de linha deve ser seguida nesses casos. É uma definição que não pode passar fundamentalmente por direitos comerciais dos conglomerados, mas pelos direitos da população à informação."[6]

No início do mesmo ano foi publicado por Pedro Rafael um artigo no Brasil de Fato dizendo que a "Rede Globo tem medo da internet". Segundo Pedro Rafael "já faz um tempo que a liberdade de expressão na internet tem incomodado os maiores conglomerados de mídia do país."[7]

“"Os cidadãos são mantidos na ignorância por um sistema (não só de comunicação, também educacional) que ordena os fatos como convém e oculta os que interessa ocultar. A posse de veículos por políticos – algo mais generalizado no Brasil do que em outros países – decorre da origem histórica regional da imprensa, de um lado, e da estratégia montada pelas redes que se instalaram no Brasil com modelos e patrocínio estrangeiro, em particular a Rede Globo: ela assegurou sua hegemonia ao articular-se com as oligarquias regionais preexistentes, de que se originam (ou que representam), em sua maioria, os políticos que chegam ao congresso."[8]

— Em "A grande imprensa é um instrumento de dominação multinacional: Entrevista com Nilson Lage"

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2005 Lílian de Macedo e Valtemir Rodrigues publicaram um artigo destacando os problemas causados à imprensa após a associação dos conglomerados brasileiros, o Grupo Folha e Universo Online (UOL) ao Portugal Telecom. Segundo a opinião dos jornalistas "a fusão do Grupo Folha e Universo On Line (UOL), formando o segundo conglomerado de mídia do Brasil, altera o panorama da comunicação e do jornalismo do país, afirmam especialistas. Com o negócio, a empresa de telefonia Portugal Telecom passa a ter 21,09% de participação, mas o controle acionário continua com a família Frias, do Grupo Folha, com 78,81%." Segundo o jornalista e editor do site Observatório da Imprensa, Alberto Dines:

“"[O] negócio tem uma dimensão jornalística que não pode ser minimizada (...) a fusão é apenas a ponta do iceberg (...) Estamos diante de um vasto conglomerado jamais visto. Não apenas pelas dimensões, mas pelas suas características. Não se trata de um novo conglomerado multimídia como a Globo, mas de um gigante pós-mídia: a produção de informações deixa de ser exclusividade de uma empresa com os compromissos inerentes à atividade jornalística e passa a ser feita por um serviço de telefonia cuja concessão tem outras finalidades (...) Como jogada empresarial a fusão pode ser espetacular, mas como compostura editorial foi, no mínimo, lamentável."”

Para o sociólogo, jornalista e pós-doutor em Comunicação, Venício Lima, as fusões "bagunçam toda a lógica histórica do setor" já que a operadora de telefonia passará a ter controle sobre o jornal de maior circulação do país.

“"São grupos multimídia operando além da concessão autorizada para o mercado (...) Essa é a concretização no Brasil de um movimento crescente de concentração de propriedade que ocorre no mundo inteiro".[9]

Em agosto de 2005 Jack Soifer, do Algarve (Portugal) publicou o artigo chamado "Para que manipular a mídia em Portugal?" onde não criticava um conglomerado de mídia em si, mas sim um geral:

“"Assim começou meu artigo neste Observatório, em 14/12/2004. Nele descrevi como poucas famílias dominam a mídia em Portugal. OK enquanto o grupo é só de mídia, pois usa recursos de um meio para complementar outro. O problema é quando um grupo econômico que atua em cinco ou seis diferentes setores – como cortiça, supermercados, imobiliário, bancário – adquire uma TV. Ele o faz para influenciar a opinião – e assim o governo – com o objetivo de criar um quase-monopólio ou cartel num claro abuso do poder econômico. Isto leva ao corporativismo que dominou Portugal com Antonio Salazar nos idos 1930-60, e que levou Hitler a tentar dominar a Europa. Hoje a guerra usa milhões e televisão em vez de canhões e repressão. Com a mesma meta: levar todos a comprar o mesmo peixe: ontem lutas e sacrifícios, hoje cosméticos e supérfluos."[10]

— O texto foi publicado pelo site brasileiro Observatório da Imprensa

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

  • Ao longo da quarta temporada de Revenge é visto a personagem Margaux manipulando deslealmente o próprio conglomerado de mídia para fins pessoais.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Moglen, Eben, Michael Pertschuck, and Scott Sherman, (1999). "Editorials" (Nation, 269: 18). p. 12. ISSN 0027-8378
  2. Glenn Halbrooks (16 de setembro de 2016). «How Media Censorship Affects the News You See». The Balance (em inglês). Consultado em 27 de março de 2017 
  3. Saravia, 2008, pp. 158
  4. Maurício Stycer (2 de dezembro de 2008). «Dono de conglomerado de mídia, Berlusconi prefere responder a críticas na Justiça». mauriciostycer.ig.com.br. Consultado em 2 de setembro de 2016 
  5. «Sobre a mídia que somos e a mídia que podemos ser». jornalismoB.com. 10 de maio de 2013. Consultado em 2 de setembro de 2016 
  6. «Rede Globo anuncia medida polêmica sobre redes sociais online». jornalismoB.com. 3 de junho de 2013. Consultado em 2 de setembro de 2016 
  7. Pedro Rafael (24 de janeiro de 2013). «"Rede Globo tem medo da internet"». antigo.brasildefato.com.br. Consultado em 2 de setembro de 2016 
  8. Rennan Martins, Nilson Lage (16 de dezembro de 2014). «'Mídia corporativa é a essência do poder'». Observatório da Imprensa. Consultado em 3 de setembro de 2016 
  9. Lílian de Macedo e Valtemir Rodrigues (5 de janeiro de 2005). «Conglomerado Folha-UOL-Portugal Telecom altera panorama da comunicação no país, dizem especialistas». memoria.ebc.com.br. Consultado em 2 de setembro de 2016 
  10. Jack Soifer (22 de agosto de 2005). «Para que manipular a mídia em Portugal?». observatoriodaimprensa.com.br. Consultado em 2 de setembro de 2016 
  11. «Revenge - Bait - Review:"A Step Up."» (em inglês). www.spoilertv.com. 10 de março de 2015. Consultado em 6 de setembro de 2016 
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