Conscienciologia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Waldo Vieira, fundador e líder da conscienciologia.

A conscienciologia é um movimento dissidente do Espiritismo e de influência Nova Era de cunho pseudocientífico[1] [2] [3] [4] [5] [6] fundado pelo médico e médium brasileiro Waldo Vieira.[7] Vieira propõe o estudo "da consciência de forma integral",[8] [9] corroborando a veracidade de fenômenos parapsíquicos, como a experiência extracorporal, e a serialidade da vida humana através da reencarnação. [1] [10] No contexto da conscienciologia, a consciência, também chamada de ego, alma, espírito, self ou individualidade, possua uma existência própria que transcenderia a vida biológica.[11] [10]

Autodenominada uma "ciência não convencional"[7] , adota o que chama de "paradigma consciencial", cuja abordagem seria também subjetiva e não somente objetiva e dando ênfase ao experimentalismo em constrate com a metodologia científica padrão[1] [10] . A conscienciologia surgiu como projeciologia, que atualmente é descrita por seus adeptos como subcampo de pesquisa mais aplicado. Ambas compartilham do mesmo paradigma, sendo por isso consideráveis componentes de uma mesmo sistema, por tal descritos juntamente na literatura.[2] [4]

A conscienciologia propõe um conjunto de neologismos que caracterizam um jargão cientificista próprio,[1] [12] como por exemplo a palavra "ressoma" para substituir "reencarnação".

Embora parte da escassa literatura científica sobre a conscienciologia classifique-a como um fenômeno religioso (do movimento New Age ou das religiosidades pós-tradicionais) dissidente do Espiritismo[4] e identifque sua proposta cientificista como uma continuação da teodicéia da Allan Kardec[2] , seus adeptos rejeitam qualquer conotação religiosa às suas práticas.[2] [13]

Princípios[editar | editar código-fonte]

Imagem alegória da projeção astral, conceito fundamental da conscienciologia.

As práticas e doutrinas do espiritismo de Kardec constituem a matriz original do movimento conscienciológico e projeciológico. Seus aderentes preconizam a existência de múltiplas vidas, energias e dimensões extra-físicas, experiência fora-do-corpo bem como no processo de evolução ao longo das reencarnações. Os adeptos da conscienciologia, no entanto, sustentam que tais conceitos não tem origem em crenças religiosas, nas na constatação de sua veracidade através da investigação e experimentação.[9] [14] [15] Desta forma, a conscienciologia se aproxima do projeto original de Allan Kardec, isto é, transformar o espiritismo em um campo científico.[12]

Paralelamente, em contraste com o espiritismo de Kardec, que acredita na evolução através da caridade e da expiação terrestre, a conscienciologia preconiza a evolução através do aquisição de cons, que seria a medida mínima de lucidez consciencial.[2] Vieira classifica os indivíduos conforme seu grau de consciência: os humanos pouco desenvolvidos estão na categoria comotosos; os mais alto grau de evolução é chamado de serenão. Líderes religiosos como Jesus Cristo e Buda estão na categoria pré-serenão, isto é, são indivíduos em alto nível de evolução da consciência, mas ainda imperfeitos. [2]

Os conscienciólogos adotam o que denominam princípio da descrença definido pelo lema "Não acredite em nada, experimente e tire suas próprias conclusões"[16] [9] , tipificando um traço distintivo da paraciência em relação à religião: a valorização do empirismo (ainda que um "paraempirismo" de sustentação subjetiva) em oposição a crenças com base na tradição e na fé. [9]

Campus da Conscienciologia em Foz do Iguaçu.

A conscienciologia compartilha com outras paraciências da Nova Era a crença na possibilidade de controle das bioenergias, da paranormalidade e da projetabilidade pelo exercício de técnicas mentais. [9] [14] [15] Defendem também que todos são capazes de ver, ouvir e conversar com pessoas mortas e a saída da consciência do corpo acontece durante o sono profundo.[17]

Waldo Vieira, fundador na conscienciologia, permaneceu como líder do grupo e principal formulador de seu ideário. Exerce liderança do tipo carismática, apresenta-se tal qual alguns gurus indianos com fisionomia peculiar, porta vasta barba branca, veste-se sempre de roupas brancas e alega possuir dons de mediunidade, projetibilidade, clarividência e manipulação de energias para cura e materializações. [1] [9] [2] Segundo Vieira, esta apresentação é intencional e visa marcar sua presença, fazendo-se lembrar por quem já o viu.[15] Atualmente Vieira e os concienciólogos vêem a conscienciologia como independente da presença de Vieira.[carece de fontes?]

Homo sapiens sereníssimus[editar | editar código-fonte]

Homo sapiens sereníssimus ou serenão é nome dado às consciências que atingiram o mais alto grau de evolução na vida terrestre. Ao final dessa última vida intrafísica ele passa a condição de consciência livre, onde inicia um novo ciclo evolutivo. [18] Estimam os conscienciólogos que existem pelo menos 232 serenões intrafísicos (encarnados) e aproximadamente 2000 serenões extrafísicos (desencarnados) no planeta Terra.[19] Segundo eles, os serenões já foram denotados em outras situações como Bodhisattvas, Avatares, Mestres Ascensionados, Espíritos de Luz, Espíritos Planetários, Arcanjos e Elohins.[20]

O serenão é definido por Vieira como "uma consciência altamente evoluída, um verdadeiro epicentro de energias conscienciais de alta potência que opera de forma serena, destituído das emoções a que estamos habituados". Ainda segundo ele, o serenão também aparentarai ter grande tranqüilidade, equilíbrio, maturidade, discernimento, cosmoética, completo controle biológico da fisiologia do corpo, inclusive das funções vegetativas, do cerebelo, do sistema nervoso autônomo e do próprio metabolismo, empregando 100% da capacidade cerebral na forma de múltiplas inteligências.[21]

Segundo Viera, o serenão nunca deixa transparecer as imensas capacidades que possui, sendo o completo anonimato da sua condição uma de suas principais características. [21]


Referências

  1. a b c d e Stoll, Sandra Jacqueline. (2002). "Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil". Revista de Antropologia 45 (2). DOI:10.1590/S0034-77012002000200003. ISSN 0034-7701.
  2. a b c d e f g Ronaldo. Fluxos do Espiritismo Kardecista no Brasil:Dentro e Fora do Continum Mediúnico. Marília: [s.n.], 2011.
  3. Dawson, Andrew. New Era, New Religions: Religious Transformation in Contemporary Brazi. 1 ed. Andershot: Ashgate Publishing, 2007. p. 24.
  4. a b c Valle, Edênio. (2001). "L'illusione religiosa in un movimento parareligioso del Brasile" (em italiano). Revista de Estudos da Religião - REVER (1). São Paulo: Pós-Graduação em Ciências da Religião - PUC - São Paulo. ISSN 1677-1222. Visitado em 11 de dezembro de 2014.
  5. Ciência & Sociedade w3.ufsm.br (última atualização: 2010). Visitado em 30 de julho de 2011.
  6. Raymundo de Lima. (março de 2010). "Ciência, pseudociência e o fascínio popular". Revista Espaço Acadêmico (106). ISSN 1519-6186. Visitado em 7 de setembro de 2012.
  7. a b Chico Xavier (homenageado); Waldo Vieira (entrvistado). (Abril de 2010). O médium Chico Xavier [Especial]. Brasil: Globo News.
  8. Rocha, Cristina; Vásquez, Manuel A. (Eds). The Disapora Of Brazilian Religions, pp. 339-362 (Chapter "The Niche Globalization of Projectiology: Cosmology and Internationalization of a Brazilian Parascience", by Anthony D’Andrea). Koninklijke Brill NV, 2013. ISBN 978 90 04 23694 3
  9. a b c d e f D'Andrea, Anthony. O self Perfeito e a Nova Era: Individualismo e Reflexividade em Religiosidades Pós-Tradicionais. 1 ed. Chigaco: Edições Loyola, 2000.
  10. a b c A conscienciologia de Waldo Vieira - Entrevista com Mabel Teles JC Online (2010). Visitado em 27 de setembro de 2012 de 31 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 31 de dezembro de 2014.
  11. Leite, Thiago (2012). Revolução Paradigmática da Conscienciologia Associação Internacional dos Campi de Pesquisa da Conscienciologia. Visitado em 27 de setembro de 2012.
  12. a b Macedo Ferreira, Patrícia. (setembro 2012). "Terapêuticas Mediúnicas e o Saber Secular - Conjunções e Paradoxos". Anais do XV Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste e Pré-Alas Brasil. Teresina: Universidade Federal do Piauí. Visitado em 10 de dezembro de 2014.
  13. da Luz, Marcelo. Onde a Religião Termina?. 1ª ed. Foz do Iguaçu, PR Brasil: EDITARES, 2011. 486 p. ISBN 978-85-98966-39-7 (17 x 23 cm; 0,9 kg)
  14. a b Globo Repórter - Recursos científicos são usados para estudar fenômenos que não compreendemos g1.globo.com (2013).
  15. a b c Kojunski, Mariana (2014). Papo sério com Waldo Vieira 100fronteiras.com. Cópia arquivada em 29 de novembro de 2014.
  16. Bruno Torturra Nogueira. (09/12/2009). ""TE PEGO LÁ FORA"". Revista TRIP (#184). Visitado em 12.09.12.
  17. Lima, Mariana (29 de julho de 2013). Especialista fará palestra aos adeptos e estudiosos da Conscienciologia em Mana A Crítica Notícias. Visitado em 31 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 31 de dezembro de 2014.
  18. Vieira, Waldo. 700 Experimentos da Conscienciologia. Rio de Janeiro: IIP, 1994.
  19. Machado, Cesar de Sousa. Consciências Superevoluídas. Brasília: [s.n.], 2003.
  20. Cesar de Souza Machado. (15/10/2003). "Serenões: Consciências Superevoluídas" (html). 'Metaconsciencia.com'. Visitado em 26/09/2012.
  21. a b [Vieira, Waldo]. 700 Experimentos da Conscienciologia (em português). 1ª ed. Rio de Janeiro, RJ - Brasil: Instituto Internacional de Porjeciologia, 1994. 1058 p. ISBN 85-86019-05-4 (21 x 27 cm; 2,7 kg)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Vieira, Waldo; 700 Experimentos da Conscienciologia, IIP, Rio de Janeiro (1994)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]