Contabilidade social

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No Brasil, Contabilidade Nacional ou Contabilidade Social é uma disciplina da Ciência Contábil[1] que objetiva mensurar os principais agregados macroeconômicos[2]. Trata-se de um sistema contábil que permite a avaliação da atividade econômica. [3]Tem o objetivo de mostrar a situação econômica de um país ou de uma região em termos quantitativos.[4] Não deve ser confundida com a Contabilidade Pública ou Contabilidade Governamental, que advém da lei 4.320/64.[5][6] Também é extensamente estudada por economistas, por sua estreita interação com a macroeconomia.[7][8][9]

A contabilidade social se refere à contabilidade de uma região, nação ou um grupo de nações e aplica técnicas que a diferenciam de outros ramos da contabilidade em razão de ter como objeto de estudo a economia como um todo.[10] Apresenta um conjunto de informações de natureza macroeconômica, sua evolução e sua mensuração através de agregados macroeconômicos.[11][12]

A contabilidade nacional é um instrumento de mensuração da economia de um país formado por um conjunto integrado de equações e contas, fundamentados em conceitos, classificações e normas contábeis internacionalmente aceitas.[13]

A Contabilidade Social trata da mensuração da atividade econômica e social em seu múltiplos aspectos. Assim, a Contabilidade Social apresenta os sistemas contábeis de estatísticas econômicas oficiais e seus instrumentos de análise. Com efeito, deve ser entendida como um sistema contábil que permite a avaliação da atividade econômica em um determinado período.[14]

A tarefa fundamental das contas nacionais são classificar uma imensa variedade de agentes, os fluxos econômicos e os estoques de ativos e passivos num número limitado de categorias essenciais e integrá-las num esquema contábil de forma a obter uma representação completa e clara, ainda que simplificada, do funcionamento da economia. O esquema contábil das contas nacionais tem sua lógica centrada na ideia de reproduzir os fenômenos essenciais da vida econômica de um país: produção de bens e serviços; geração, alocação e distribuição da renda; consumo e acumulação (IBGE, 2008, p. 17)[15].  

A lógica contábil utilizada para organizar o SCN (Sistema de Contas Nacionais) torna possível a representação da atividade econômica em um circuito. Em sua origem encontra-se a atividade produtiva, ou seja, a produção de bens e serviços, responsável pela geração da renda e que viabiliza as etapas de distribuição e de acumulação no decorrer do ciclo econômico. [16]

 Componentes da contabilidade social[3][editar | editar código-fonte]

  • Sistema de Contas Nacionais também identificado como Contas Econômicas.
  • Contas Satélites: suprem a necessidade de desenvolver as capacidades de análise da contabilidade nacional em áreas sociais e ambientais, sem  sobrecarregar ou adulterar o sistema central de contas.
  • Instrumentos analíticos associados à CS: Matrizes de Insumo-Produto e  números índice.
  • O curso de Contabilidade Social tratará de explicar a construção do sistema de Contas Nacionais do Brasil e dos instrumentos analíticos.

Macroeconomia x Contabilidade Social[3][editar | editar código-fonte]

  • Macroeconomia: explica o comportamento agregado da economia e seus desdobramentos.
  • Contabilidade Nacional: fornece as principais medidas - os agregados macroeconômicos.
  • Definição: Contabilidade Nacional é um sistema contábil que permite a avaliação da atividade econômica.
  • O método de avaliação consiste em hierarquizar fatos econômicos, classificar transações relevantes e agrupá-las para serem quantificadas e acompanhadas de forma sistemática e coerente.

Portanto, o acompanhamento dos movimentos de medidas agregadas em macroeconomia é o campo de estudo da teoria macroeconômica. A preocupação com a mensuração dos agregados macroeconômicos é o objeto da Contabilidade Nacional ou Contabilidade Social.[14]

Pressupostos básicos[editar | editar código-fonte]

  • As contas procuram medir a produção corrente;
  • As contas referem-se a um fluxo, normalmente de um ano;
  • A moeda é neutra, no sentido de que é considerada apenas como unidade de medida e instrumento de trocas.

As três óticas de mensuração da atividade econômica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Atividade econômica

São elas o Produto, a Despesa e a Renda[17][16][18]

  • PRODUTO NACIONAL () - É o valor de todos os bens e serviços finais produzidos em determinado período de tempo. Medida do fluxo de produção.

Valor: os preços permitem agregar bens diferentes; moeda é a unidade-padrão de agregação. Bens e serviços finais: não se consideram os bens e serviços intermediários. Período de tempo: mês, ano.

  • DESPESA NACIONAL () - É o valor das despesas dos vários agentes na compra de bens e serviços finais.

Despesas das famílias com bens de consumo, despesas com investimentos das empresas, gastos do governo e gastos do setor externo.

  • RENDA NACIONAL () - É a soma dos rendimentos pagos às famílias, que são proprietárias dos fatores de produção, pela utilização de seus serviços produtivos.
-
  • VALOR ADICIONADO - Consiste no cálculo do que cada ramo da atividade adicionou ao valor do produto final, em cada etapa do processo produtivo.
,
  • POUPANÇA () - É a parcela da não consumida no período, isto é, da renda gerada (salários, juros, aluguéis, lucros), parte não é gasta em bens de consumo.
  • INVESTIMENTO () - É o gasto em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia, isto é, da capacidade de gerar rendas futuras; É o gasto em bens produzidos, que não foram consumidos no próprio período e que serão utilizados para consumo futuro.
  • DEPRECIAÇÃO - É o consumo do estoque de capital físico, em dado período.
  • PRODUTO NACIONAL A PREÇOS DE MERCADO E A CUSTO DE FATORES
PN a preços de mercado () - é o medido a partir dos valores transacionados no mercado (ou seja, medido pelo preço pago pelo consumidor final).
PN a custo de fatores () - é o medido a partir dos valores que refletem os custos de produção, a remuneração aos fatores.
  • Renda Líquida de fatores externos () - é a remuneração dos ativos pertencentes a estrangeiros, divide-se em:
  1. Renda Enviada ao Exterior () - parte do que foi produzido internamente não pertence aos nacionais (capital e tecnologia). A remuneração desses fatores vai para for a do país.
  2. Renda Recebida do Exterior () - recebemos renda devido à produção de nossas empresas operando no exterior.
  • PIB (Produto Interno Bruto) - é a renda devida à produção dentro dos limites territoriais do país.
  • Produto Nacional Bruto () - renda que pertence efetivamente aos nacionais, incluindo a renda recebida de nossas empresas no exterior, e excluindo a renda enviada para o exterior pelas empresas estrangeiras localizadas no Brasil.
  • DESPESA NACIONAL[19]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «RAMIFICAÇÕES E ESPECIALIZAÇÕES DA CONTABILIDADE - http://www.cosif.com.br/». cosif.com.br. Consultado em 18 de outubro de 2017  Ligação externa em |titulo= (ajuda)
  2. Santos, Adalto de Oliveira; Silva, Fernando Benedito da; Souza, Synval de; Sousa, Marcos Francisco Rodrigues de (December 2001). «Contabilidade ambiental: um estudo sobre sua aplicabilidade em empresas Brasileiras». Revista Contabilidade & Finanças. 12 (27): 89–99. ISSN 1519-7077. doi:10.1590/S1519-70772001000300007  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. a b c PUC-RIO, PUC (2007). «Contabilidade Social» (PDF) 
  4. Soares, Maurélio; Scarpin, Jorge Eduardo (2010). «A convergência da contabilidade pública nacional às normas internacionais e os impactos na aplicação da dre na administração direta». Revista Catarinense da Ciência Contábil. 9 (27). ISSN 1808-3781 
  5. LEI No 4.320, DE 17 DE MARÇO DE 1964.
  6. Feijó, Carmem Aparecida; Lima, Fernando Carlos G. de Cerqueira; Filho, Nelson Henrique Barbosa (2001). Contabilidade Social. [S.l.]: Campus. ISBN 9788535228823 
  7. Pereira, Ricardo A. de Castro; Ferreira, Pedro Cavalcanti (June 2010). «Avaliação dos impactos macro-econômicos e de bem-estar da reforma tributária no Brasil». Revista Brasileira de Economia. 64 (2): 191–208. ISSN 0034-7140. doi:10.1590/S0034-71402010000200007  Verifique data em: |data= (ajuda)
  8. Costa, Gomes, Orlando Manuel da (2012-02). «Macroeconomia: Noções Básicas»  Verifique data em: |data= (ajuda)
  9. Bacha, Carlos José Caetano (2004). Macroeconomia aplicada à análise da economia brasileira. [S.l.]: EdUSP. ISBN 9788531408311 
  10. Gonçalves, Cristina; Santos, Dolores; Rodrigo, J.; Fernandes, Sant´Ana. Contabilidade Financeira Explicada: Manual Prático - 2ª edição. [S.l.]: Vida Economica Editorial. ISBN 9789897682759 
  11. Sarmento, Joaquim Miranda (12 de março de 2016). A Nova Lei de Enquadramento Orçamental (N.o 20 da coleção). [S.l.]: Leya. ISBN 9789724065205 
  12. Bêrni, Duilio de Ávila; Lautert, Vladimir (1 de janeiro de 2009). Mesoeconomia: A Mensuração do Esforço Produtivo da Sociedade. [S.l.]: Bookman. ISBN 9788540700550 
  13. IBGE. «Contas Nacionais» (PDF). IBGE 
  14. a b Felippe Cury M. Mathias, João. «Contabilidade Social» (PDF) 
  15. IBGE, João Hallak Neto (2014). «O Sistema de Contas Nacionais» (PDF). IBGE. Consultado em 17 de outubro de 2017 
  16. a b O SISTEMA DE CONTAS NACIONAIS
  17. Contabilidade Social
  18. CONTABILIDADE SOCIAL
  19. APONTAMENTOS SOBRE A MATRIZ DE CONTABILIDADE SOCIAL

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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