Convento de Nossa Senhora das Graças (Castelo Branco)

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Convento e Igreja da Graça
Castelo Branco April 2015-3.jpg
Apresentação
Tipo
Estatuto patrimonial
Monumento de Interesse Municipal (d)Visualizar e editar dados no Wikidata
Localização
Endereço
Coordenadas

O Convento de Nossa Senhora das Graças, também conhecido pelos albicastrenses simplesmente por Convento da Graça, é um convento situado junto à saída norte da cidade de Castelo Branco. Actualmente é a sede da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco[1].

História[editar | editar código-fonte]

A actual Convento tem origem no conventinho, um pequeno convento que foi construído em 1519 por disposição testamentária de Rodrigo Rebelo[nota 1]. O conventinho foi inicialmente ocupado por frades franciscanos e, em 1526, depois de cinco anos de abandono, foi entregue aos frades agostinianos que lhe deram a invocação de Nossa Senhora das Graças. Quando o edifício do actual Convento da Graça foi construído, o conventinho ficou apenas a ser igreja do Convento e em 1834 passou a ser pertença da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco.

Convento da Graça

Porém, uns anos mais tarde, por Alvará Real, D. João III ordenou então ao Ouvidor do Mestrado da Ordem de Cristo de Castelo Branco, Sebastiao da Fonseca, que desse posse do conventinho aos religiosos da Ordem de Santo Agostinho[nota 2] e que se lhes entregasse o testamento de Rodrigo Rebelo para que requeressem o que lhes era devido[3].

“Lc.do bastião da fonseca eu el rey vos envyo munto saudar. Ei por bem e vois mando pello assi sentir por serviço de Deus e meu, que tanto que vos esta for dada deis e entregueis ao provincial da hordem de Santo Agostinho destes reinos o mosteiro novo que se fez ma Vylla de Castello Bramquo com todas as cousas que ha dita casa pertencem. E assi lhe fareis dar e entregarho treslado do testam.o de R.o rabelo que ho dito mosteiro mandou fazer: para requererem há execução delle a quem pertencer há cerca das missas e de qualquer outra cousa que ho dito R.o rabelo na dita caza mandou que se fisesse por sua allma. Por tanto hei por serviço de Deus há dita caza ser dada ha dita hordem por aver poucas della nestes reynos: cumprio assi. Escrita em almeirim a quinze dias de nobr.o, ante.o pais o fez anno de mil e quinhentos e binte Simquo”
— Alvará de D. João III[4]

Depois de cumprido o alvará, em 1526, sendo o prior da província de Portugal da Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho, o Reverendo Padre Frei André Torneiro, os religiosos da Ordem de Santo Agostinho, também conhecidos por Gracianos por terem a sua sede no convento da Gaça em Lisboa[nota 3], tomaram posse. Em Castelo Branco o convento da Ordem recebeu igualmente a invocação de Nossa Senhora das Graças[nota 4].

Em 1834, após a extinção das Ordens Religiosas, por Portaria de 18 de Setembro, a rainha D. Maria II autorizou que o Convento passasse para as mãos da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, para onde a Instituíção transladou o hospital da cidade - o hospital Bartolomeu da Costa - e, actualmente, é a sede da Instituição.

Convento[editar | editar código-fonte]

Claustro do Convento da Graça

Muitos conventos da Província Agostiniana serviam a comunidade e a chegada dos Agostinianos a Castelo Branco correspondeu a um periodo de prosperidade da Ordem, salienta-se o contributo ao ensino público: no Convento da Graça de Castelo Branco leccionavam Filosofia Racional os bispos da Guarda[5]. Após a reforma da Ordem, foram instituídos em Portugal os Agostinianos Decalços[nota 5], pelo que a Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho tomou a designação de Ordem dos Ermitas Calçados de Santo Agostinho. No Convento da Graça encontrava-se a sepultura de Simão da Costa, o pai de Bartolomeu da Costa.

O actual edificio foi construído ao lado do conventinho (o conventinho ficou a ser a Igreja do convento) e é um exemplo da Arquitectura Chã, tão característica do final do séc XVI, do qual ressalta a estrutura clara e robusta do claustro. Por trás do altar-mor da Igreja da Graça encontra-se a Capela (carneiro) dos Fonsecas, construída por Diogo da Fonseca (um de quatro irmãos ilustres de Castelo Branco) para servir de mausoléu à sua família.

Notas e referências

Notas

  1. Rodrigo Rebelo determinou em seu tetamento que com os rendimentos da sua fazenda se construísse um convento[2]
  2. "Por tanto ei por serviço de Deus ha dita Casa ser dada a dita hordem, por aver poucas dellas nestes reynos"[2]
  3. "O nome do Convento [e a invocação] mudou, de Santo Agostinho para Nossa Senhora da Graça, em virtude do lendário episódio da aparição da imagem aos pescadores de Cascais"[2]
  4. "Frei Francisco do Monte rubiano decretou, em 1340, que todos os conventos a fundar e mesmo os já fundados tivessem de adoptar o título de Nossa Senhora da Graça"[2]
  5. "Em 1664 operou-se em Portugal a Criação dos Agostinianos Descalços pela mão de Frei Manuel da Conceição. O primeiro convento da Ordem, no monte Olivete, no lugar do grilo em em Lisboa sugerirá o nome de grilos em distiçao dos gracianos"[2]

Referências

  1. Porfirio da Silva, Memorial Chronológico e descriptivo da Cidade de Castello Branco, Lisboa, 1853
  2. a b c d e Azevedo, Carlos (2011). Ordem dos Ermitas de santo Agostinho em Portugal. [S.l.: s.n.] 
  3. Alvará de D. João III, 1525
  4. Treslado de 5 de Janeiro de 1526, feito a requerimento de Fr. Vasco
  5. Carlos Azevedo, Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho em Portugal, p. 23, CEHR, Lisboa, 2011
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