Convento de Nossa Senhora das Graças (Castelo Branco)

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Convento de Nossa Senhora das Graças
Convento graça.jpg
Apresentação
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Localização
Endereço

O Convento de Nossa Senhora das Graças, também conhecido pelos albicastrenses simplesmente por Convento da Graça, é um convento situado junto à saída norte da cidade de Castelo Branco. Actualmente é a sede da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco[1].

História[editar | editar código-fonte]

Rodrigo Rebelo, oriundo de Castelo Branco, determinou[2] que com os seus bens se construísse um convento no lugar de Mércoles, onde havia já um antigo culto e veneração à Virgem Maria; determinou também que com os seus bens se devia dotar o convento com rendas suficientes para sustentar seis frades[3][4].

No entanto, a irmã e testamenteira não respeitou a sua última vontade e, passado alguns anos, construiu apenas uma pequena capela[5]; a capela, que tinha efetivamente seis pequenas celas e que construíu junto à entrada norte de Castelo Branco, no lugar do actual Convento e não no lugar de Mércoles, e cujo padroado pertenceu aos descendentes da filha[6], ficou conhecida com o nome de conventinho e foi inicialmente, em 1519 e de acordo com as disposições de Rodrigo Rebelo, ocupado por religiosos da Ordem de São Francisco. Um ano depois, os religiosos de S. Francisco, ao tomarem conhecimento de que tinham á disposição rendas fixas (rendas que lhes haviam sido destinadas por Rodrigo Rebelo) e porque isso ia contra a sua Regra, abandonaram o local deixando o conventinho ao abandono[7].

Convento da Graça

Por alvará, o rei D. João III ordenou então ao Ouvidor do Mestrado da Ordem de Cristo de Castelo Branco, Sebastiao da Fonseca, que desse posse do conventinho aos religiosos da Ordem de Santo Agostinho[nota 1] e que se lhes entregasse o testamento de Rodrigo Rebelo para que requeressem o que lhes era devido[9].

“Lc.do bastião da fonseca eu el rey vos envyo munto saudar. Ei por bem e vois mando pello assi sentir por serviço de Deus e meu, que tanto que vos esta for dada deis e entregueis ao provincial da hordem de Santo Agostinho destes reinos o mosteiro novo que se fez ma Vylla de Castello Bramquo com todas as cousas que ha dita casa pertencem. E assi lhe fareis dar e entregarho treslado do testam.o de R.o rabelo que ho dito mosteiro mandou fazer: para requererem há execução delle a quem pertencer há cerca das missas e de qualquer outra cousa que ho dito R.o rabelo na dita caza mandou que se fisesse por sua allma. Por tanto hei por serviço de Deus há dita caza ser dada ha dita hordem por aver poucas della nestes reynos: cumprio assi. Escrita em almeirim a quinze dias de nobr.o, ante.o pais o fez anno de mil e quinhentos e binte Simquo”
— Alvará de D. João III[10]

Depois de cumprido o alvará, em 1526, sendo o prior da província de Portugal da Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho, o Reverendo Padre Frei André Torneiro, os religiosos da Ordem de Santo Agostinho, também conhecidos por Gracianos por terem a sua sede no convento da Gaça em Lisboa[nota 2], tomaram posse. Em Castelo Branco o convento da Ordem recebeu igualmente a invocação de Nossa Senhora das Graças[nota 3].

Muitos conventos da Província Agostiniana serviam a comunidade e a chegada dos Agostinianos a Castelo Branco correspondeu a um periodo de prosperidade da Ordem, salienta-se o contributo ao ensino público: no Convento da Graça de Castelo Branco leccionavam Filosofia Racional os bispos da Guarda[11]. Após a reforma da Ordem, foram instituídos em Portugal os Agostinianos Decalços[nota 4], pelo que a Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho tomou a designação de Ordem dos Ermitas Calçados de Santo Agostinho.

Em 1834, após a extinção das Ordens Religiosas, por Portaria de 18 de Setembro, a rainha D. Maria II autorizou que o Convento passasse para as mãos da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, para onde a Instituíção transladou o hospital da cidade - o hospital Bartolomeu da Costa - e, actualmente, é a sede da Instituição.

Convento[editar | editar código-fonte]

Claustro do Convento da Graça

No Convento da Graça encontrava-se a sepultura de Simão da Costa, o pai de Bartolomeu da Costa.

O actual edificio foi construído ao lado do conventinho (o conventinho ficou a ser a Igreja do convento) e é um exemplo da Arquitectura Chã, tão característica do final do séc XVI, do qual ressalta a estrutura clara e robusta do claustro. Por trás do altar-mor da Igreja da Graça encontra-se a Capela (carneiro) dos Fonsecas, construída por Diogo da Fonseca (um de quatro irmãos ilustres de Castelo Branco) para servir de mausoléu à sua família.

Notas e referências

Notas

  1. "Por tanto ei por serviço de Deus ha dita Casa ser dada a dita hordem, por aver poucas dellas nestes reynos"[8]
  2. "O nome do Convento [e a invocação] mudou, de Santo Agostinho para Nossa Senhora da Graça, em virtude do lendário episódio da aparição da imagem aos pescadores de Cascais"[8]
  3. "Frei Francisco do Monte rubiano decretou, em 1340, que todos os conventos a fundar e mesmo os já fundados tivessem de adoptar o título de Nossa Senhora da Graça"[8]
  4. "Em 1664 operou-se em Portugal a Criação dos Agostinianos Descalços pela mão de Frei Manuel da Conceição. O primeiro convento da Ordem, no monte Olivete, no lugar do grilo em em Lisboa sugerirá o nome de grilos em distiçao dos gracianos"[8]

Referências

  1. Porfirio da Silva, Memorial Chronológico e descriptivo da Cidade de Castello Branco, Lisboa, 1853
  2. por testamento de 31 de Dezembro de 1510
  3. Castro e Silva, Misericórdia de Castelo Branco - Apontamentos Históricos, SCMMCB, Castelo Branco, 1891
  4. Carlos Azevedo, Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho em Portugal, CEHR, Lisboa, 2011
  5. Monographia de Castello branco, António Roxo, 1890
  6. Figuas Ilustres de Castelo Branco; Manuel da Silva Castelo Banco
  7. Carlos Azevedo, Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho em Portugal, CEHR, Lisboa, 2011
  8. a b c d Azevedo, Carlos (2011). Ordem dos Ermitas de santo Agostinho em Portugal. [S.l.: s.n.] 
  9. Alvará de D. João III, 1525
  10. Treslado de 5 de Janeiro de 1526, feito a requerimento de Fr. Vasco
  11. Carlos Azevedo, Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho em Portugal, p. 23, CEHR, Lisboa, 2011
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