Coquetel

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Um Martini, um coquetel popular.

Um coquetel (português brasileiro) ou cacharolete ou cocktail (português europeu) é uma mistura de duas ou mais bebidas (normalmente uma delas é alcoólica) à qual costumam ser adicionados outros ingredientes, como gelo, açúcar, mel, entre outros. É servido em festas e eventos sociais.[1]

Origem e história[editar | editar código-fonte]

Um coquetel sendo preparado

Não é clara a origem do coquetel como conhecemos hoje. A mistura de bebidas alcoólicas com outros líquidos é feita desde a Grécia Antiga, quando misturava-se água ou mel ao vinho.[2] O termo em si surgiu na Inglaterra em 1798 para se referir a alguns tipos de bebidas.[3] Jornais e revistas estadunidenses também começaram a usar o termo pouco tempo depois para se referir a misturas alcoólicas. Por volta de 1860, Jerry Thomas lançou o primeiro livro de receitas de drinks americano. Nele, um coquetel era uma mistura que continha ao menos um licor na composição. Algumas das receitas com cocktail no nome também continham os bíteres como opção de ingrediente para esse tipo de bebida, o que era inédito até então.[4] Alguns exemplos de coquetéis populares atualmente que seguem esse antigo padrão de receita são o Manhattan, o Old Fashioned e o Sazerac, por exemplo.[5]

O termo highball apareceu pelo primeira vez durante os anos 1890 para distinguir um coquetel composto apenas por uma bebida destilada e um outro ingrediente (suco, refrigerante, açúcar etc.).[6] Outros termos mais antigos, como ponches, sours, toddies, entre outros, usados para certas "famílias" de drinques – receitas que compartilham um mesmo tipo de ingrediente e preparo –, foram incorporados com o tempo ao significado do termo "coquetel".

A primeira cocktail party registrada foi realizada em maio de 1917, em St. Louis (Missouri), por Julius S. Walsh. Com mais de 50 convidados, a festa durou pouco mais de uma hora, começando pela manhã até o almoço à uma hora da tarde. O local da festa ainda existe: Lindell Boulevard, 4510. Em 1924, a arquidiocese de St. Louis comprou a mansão de Walsh e a usa como residência desde então.[7]

Durante a Lei seca nos Estados Unidos (1920–1933), os coquetéis e drinques se tornaram extremamente populares – misturar destilados a sucos, xaropes e açúcar se tornou uma prática comum para mascarar a baixa qualidade das bebidas alcoólicas disponíveis.[8] Os coquetéis eram servidos em estabelecimentos conhecidos como speakeasy, bares ilegais da época. Os drinques eram servidos bem doces e preparados de maneira desleixada (sem se atentar às proporções e doses, por exemplo), o que facilitava a ingestão rápida – uma consideração importante, já que o local podia ser invadido pelas autoridades a qualquer momento.[9]

Os coquetéis passaram por um período de decadência durante a década de 1960 até o começo da década seguinte, sendo poucos os drinques daquela época que ainda são servidos atualmente.[10] Eles voltaram à popularidade com a explosão das misturas de vodca nos anos 1980.[11] O período do começo dos anos 2000 até hoje é conhecido como renascença na cultura dos drinques, com o resgate da mitologia dos drinques e atenção aos detalhes de como os drinques eram preparados antes da lei seca nos Estados Unidos.[8]

Usos e termos semelhantes[editar | editar código-fonte]

Muito se usa o termo "coquetel" para distinguir qualquer mistura entre bebidas (alcoólicas ou não). No entanto, apesar de o termo ser abrangente, "drinque" é o vocábulo correto – termos como sour, punch, cobbler, crusta ou flip, por exemplo, existem há mais tempo que cocktail. O termo highball derivou como uma classe dentro dos coquetéis, por exemplo. É comum chamar misturas com duas partes apenas de duos e com três de trios.[12]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem do termo cocktail é incerta. O primeiro registro do termo para não se referir a cavalos foi no The Morning Post and Gazetteer em Londres, na Inglaterra, no dia 20 de março de 1798:[13] No contexto do texto, o termo refere-se a drinques franceses, o que pode indicar uma origem francesa da palavra.

A primeira definição de Cocktail, por Harry Croswell

Mr. Pitt,
two petit vers of "L'huile de Venus"
Ditto, one of "perfeit amour"
Ditto, "cock-tail" (vulgarly called ginger)

Senhor Pitt,
dois pequenos vermes de "O óleo de Vênus"
Idem, um de "amor perfeito"
Idem, coquetel (vulgarmente chamado de gengibre)

O Oxford English Dictionary cita o termo como de origem estado-unidense.[14] O primeiro registro americano apareceu no jornal The Farmer's Cabinet, no dia 28 de abril de 1803:[15]

Drank a glass of cocktail—excellent for the head...Call'd at the Doct's. found Burnham—he looked very wise—drank another glass of cocktail.
Bebi um copo de coquetel - excelente para a cabeça... Perguntei ao doutor de Burnham - ele pareceu bem sábio - bebi outro copo de coquetel.

A primeira definição de cocktail como uma bebida alcoólica apareceu no The Balance and Columbian Repository (Hudson, Nova Iorque) no dia 13 de maio de 1806; o editor Harry Croswell respondeu à pergunta, "O que é um cocktail?":

Cock-tail é um destilado estimulante, composto por alcoólicos de qualquer tipo, açúcar, água e bíteres – é vulgarmente chamado de "drinque amargo" e supostamente é uma excelente poção eleitoral, já que deixa o coração forte e corajoso, ao mesmo tempo que confunde a cabeça. Isto é dito pois, é de grande uso de um candidato democrata: porque uma pessoa que engoliu um copo disso, é capaz de engolir qualquer outra coisa.[nota 1][16]

Alguns autores teorizam que o termo cocktail seja uma corrupção de cock ale.[17][18]

Já o termo coquetel também tem sua origem discutida. Termos semelhantes existem em línguas próximas ao português como coquetier, termo francês que se refere aos copos usados para servir ovo cozido e, raramente, bebidas.[19] No entanto, muitos autores afirmam que ele vem direto do vocábulo inglês cocktail.[1]

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Margarita, um dos mais populares drinques em bares e eventos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Listas

Mídia

Notas

  1. Traduzido de "Cock-tail is a stimulating liquor, composed of spirits of any kind, sugar, water, and bitters — it is vulgarly called bittered sling, and is supposed to be an excellent electioneering potion, in as much as it renders the heart stout and bold, at the same time that it fuddles the head. It is said, also to be of great use to a democratic candidate: because a person, having swallowed a glass of it, is ready to swallow any thing else."

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b «Coquetel». Michaelis, Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  2. «Sociedade Grega». História do Mundo UOL. 2016. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  3. «The Cocktail's Origin, The Racecourse, The Ginger, Part I» (em inglês). Beer et seq. Janeiro de 2017. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  4. Thomas, Jerry (1862). How to Mix Drinks, or the Bon Vivant's Companion (em inglês). Estados Unidos: [s.n.] ISBN 978-1-5059-6519-3 
  5. Kappeler, George J. (1895). Modern American Drinks (em inglês). Estados Unidos: [s.n.] ISBN 978-1-4404-2971-2 
  6. «Highball» (em inglês). Online Etmology Dictionary. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  7. «St. Louis -- Party Central» (em inglês). Eric Felten, Wall Street Journal. Outubro de 2007. Consultado em 23 de setembro de 2017. (pede subscrição (ajuda)) 
  8. a b «Prohibition's Effect on Modern Mixology» (em inglês). The Straight Up. Janeiro de 2013. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  9. «A History of Prohibition with 7 Prohibition-Era Cocktail Recipes» (em inglês). Whiskey Tango Globetrot. Dezembro de 2015. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  10. «Cocktail history: You don't want to know what your parents were drinking in 1966» (em inglês). Off-ramp. Dezembro de 2016. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  11. Parsons, Brad Thomas (2011). Bitters: A Spirited History of a Classic Cure-All, with Cocktails, Recipes, and Formulas (em inglês). Estados Unidos: Ten Speed Press. ISBN 978-1-6077-4072-8 
  12. DeGroff, Dale (2003). Craft of the Cocktail (em inglês). Estados Unidos: Proof Publishing Limited. ISBN 978-0-9545-8690-4 
  13. «The surprising history of the cocktail» (em inglês). The Telegraph. Dezembro de 2012. Consultado em 23 de setembro de 2017. Arquivado do original em 29 de Janeiro de 2017 
  14. «Cocktail» (em inglês). Oxford English Dictionary. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  15. «Cocktail: What is it, and Where Did the Word Come From?» (em inglês). Gaz Regan. Março de 2012. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  16. «The Balance and Columbian Repository» (PDF) (em inglês). Imbibe Magazine. 13 de Maio de 1806. Consultado em 23 de setembro de 2017. Arquivado do original (PDF) em Julho de 2014 
  17. Powers, Madelon (1999). Faces Along the Bar: Lore and Order in the Workingman's Saloon (em inglês). Estados Unidos: University of Chicago Press. ISBN 978-0-2266-7769-9 
  18. Smith, Christy M. (2004). Verbivore's Feast: A Banquet of Word & Phrase Origins (em inglês). Estados Unidos: Farcountry Press. ISBN 978-1-5603-7265-3 
  19. «Origem da Palavra Coquetel». Origem da Palavra. Junho de 2016. Consultado em 23 de setembro de 2017 

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

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