Coração

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Coração
Heart tee four chamber view.jpg
As quatro câmaras (dois átrios e dois ventrículos) do coração humano.
ECG Principle fast.gif
Condução cardíaca em um eletrocardiograma.
Latim 'cor'
Sistema Cardiovascular

O coração é um órgão muscular presente nos humanos e em outros animais que bombeia o sangue através dos vasos sanguíneos do sistema circulatório.[1] O sangue fornece ao corpo oxigénio e nutrientes e ajuda a eliminar resíduos metabólicos.[2] Nos humanos, o coração situa-se na cavidade torácica entre os pulmões, num espaço denominado mediastino.[3]

O coração humano divide-se em quatro cavidades. Na parte superior situam-se as aurículas direita e esquerda e, na parte inferior, os ventrículos direito e esquerdo.[4][5] É comum designar o conjunto da aurícula e do ventrículo direitos por "coração direito" e o conjunto equivalente do lado esquerdo por "coração esquerdo".[6] Num coração saudável, as válvula cardíacas fazem com que o sangue dentro do coração flua em sentido único, impedindo o seu refluxo.[3] O coração é envolvido pelo pericárdio, uma membrana protetora em forma de saco que contém uma pequena quantidade de líquido. A parede do coração é constituída por três camadas: o epicárdio, o miocárdio e o endocárdio.[7] O coração dos restantes mamíferos e das aves apresenta igualmente quatro cavidades.[4] O coração dos peixes apresenta apenas duas cavidades, uma aurícula e um ventrículo, enquanto o dos répteis apresenta três cavidades.[5]

O coração bombeia sangue ao ritmo determinado por um grupo de células marca-passo situadas no nódulo sinoatrial. Estas células produzem uma corrente elétrica que percorre o nódulo atrioventricular e o sistema de condução elétrica do coração, provocando a sua contração a um ritmo regular. O coração recebe o sangue pobre em oxigénio da circulação sistémica, que entra na aurícula direita pelas veias cava superior e inferior e daí passa para o ventrículo direito. Do ventrículo direito o sangue é bombeado para a circulação pulmonar, onde liberta dióxido de carbono e recebe oxigénio. O sangue oxigenado regressa então à aurícula esquerda e daí passa para o ventrículo esquerdo, onde é bombeado para a artéria aorta, entrando novamente na circulação sistémica.[8] Em repouso, o coração bate a um ritmo de aproxidamente 72 batimentos por minuto.[9] O exercício físico aumenta temporariamente o ritmo cardíaco, embora a longo prazo contribua para diminuir o ritmo em repouso e seja benéfico para a saúde do coração.[10]

As doenças cardiovasculares foram a causa de morte mais comum em todo o mundo em 2008, sendo responsáveis por 30% dos óbitos.[11][12] Mais de três quartos dessas mortes foram causadas pela doença arterial coronária e por acidentes vasculares cerebrais.[11] Os fatores de risco incluem fumar, ter excesso de peso, falta de exercício físico, colesterol elevado, hipertensão arterial e diabetes descontrolada, entre outros.[13] As doenças cardiovasculares muitas vezes não apresentam sintomas ou podem causar dor no peito ou falta de ar. O diagnóstico baseia-se geralmente na avaliação do historial médico, na auscultação dos sons cardíacos com um estetoscópio e na realização de exames como o eletrocardiograma ou ecografia.[3] Os especialistas que se focam nas doenças do coração denominam-se cardiologistas, embora o tratamento possa envolver diversas especialidades médicas.[12]

Sistema cardiovascular[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Sistema cardiovascular

O sistema cardiovascular, ou sistema circulatório, é constituído pelo coração e pelos vasos sanguíneos. O coração, embora seja um órgão único, pode ser descrito como um conjunto de duas bombas que fazem circular o sangue de forma contínua em dois circuitos distintos: a circulação sistémica e a circulação pulmonar. Os vasos sanguíneos transportam o sangue rico em oxigénio e nutrientes para todas as células do corpo.[14]

Circulação sistémica e circulação pulmonar[editar | editar código-fonte]

O coração atua no sistema circulatório de forma semelhante a uma bomba, fazendo o sangue circular em dois circuitos diferentes: a circulação sistémica, que leva o oxigénio a todas as células do corpo, e a circulação pulmonar, que transporta o sangue para os pulmões, onde recebe oxigénio.

O coração atua de forma semelhante a uma bomba hidráulica, fazendo com que o sangue circule no sistema cardiovascular de forma contínua. O sistema cardiovascular divide-se em dois circuitos distintos: a circulação pulmonar, que transporta o sangue para os pulmões onde se dão as trocas gasosas, e a circulação sistémica, que fornece sangue a todos os órgãos do corpo, incluindo aos pulmões e ao próprio coração.[14]

O coração esquerdo irriga a circulação sistémica, bombeando sangue arterial rico em oxigénio para a maior artéria do corpo, a artéria aorta. A aorta ramifica-se em inúmeras artérias que levam o o sangue a todas as células do corpo. Nas células, o sangue liberta oxigénio e nutrientes e recolhe dióxido de carbono e outros resíduos metabólicos. O sangue venoso, pobre em oxigénio, regressa ao coração pelas veias.[14][15][7]

O coração direito irriga a circulação pulmonar. A aurícula direita recebe o sangue venoso da circulação sistémica, pobre em oxigénio. Daí passa para o ventrículo direito, onde é bombeado para a artéria pulmonar e entra na circulação pulmonar. Nos pulmões, o sangue liberta o dióxido de carbono e recebe o oxigénio inalado pelo sistema respiratório. O sangue rico em oxigénio regressa então ao coração esquerdo pelas veias pulmonares. Entra pela aurícula esquerda e daí passa para o ventrículo esquerdo, onde é novamente bombeado para a circulação sistémica, repetindo-se o ciclo. As válvulas cardíacas fazem com que o sangue flua em sentido único e ajudam a manter a pressão necessária.[14][15][7]

Localização e morfologia do coração[editar | editar código-fonte]

O coração humano situa-se no mediastino médio, um espaço na caixa torácica entre os pulmões. Pesa em média entre 250 e 350 gramas e tem o tamanho aproximado de um punho cerrado.

O coração humano situa-se na caixa torácica, no espaço do mediastino médio à altura das vértebras dorsais T5 a T8. É envolvido por um saco com duas membranas denominado pericárdio, que o une ao mediastino.[16] A superfície posterior do coração encontra-se adjacente à coluna vertebral e a superfície anterior encontra-se adjacente ao osso esterno e às costelas.[7] A parte superior do coração é o nó de ligação de vários vasos sanguíneos de grande dimensão: a veia cava, a artéria aorta e a artéria pulmonar. A parte superior do coração situa-se à altura da terceira cartilagem costal.[7] O vértice inferior do coração, o ápex cardíaco, situa-se à esquerda do esterno, a aproximadamente 8–9 cm da linha médio-esternal, entre a união das quarta e quinta vértebras, perto da articulação com as respetivas cartilagens costais.[7]

Grande parte do volume do coração está ligeiramente orientado para o lado esquerdo do tórax, embora muito raramente possa estar orientada para o lado direito. A percepção de se encontrar no lado esquerdo é ainda ampliada pelo facto do coração esquerdo ser a parte maior e mais forte, dado que tem a função de bombear o sangue para todo o corpo. Como o coração se situa entre os pulmões, o pulmão esquerdo é ligeiramente menor que o pulmão direito e apresenta uma forma que permite encaixar o coração.[7]

O coração tem forma cónica, estando a base orientada para a parte superior do corpo e o ápice para a parte inferior.[7] A massa de um coração adulto é de 250 a 350 gramas.[17] O coração é geralmente do tamanho de um punho cerrado, medindo em média 12 cm de comprimento, 8 cm de largura e 6 cm de espessura.[7] No entanto, os atletas de competição podem apresentar corações de tamanho muito maior devido ao efeito do exercício físico no músculo cardíaco, de forma semelhante à resposta no músculo esquelético.[7]

Anatomia[editar | editar código-fonte]

Parede cardíaca[editar | editar código-fonte]

Camadas da parede cardíaca, incluindo o pericárdio visceral e parietal.
O padrão complexo e em torvelinho do músculo miocárdio permite ao coração bombear sangue de forma mais eficaz.

A parede do coração é constituída por três camadas: o endocárdio, o miocárdio e o epicárdio. Estas camadas estão envolvidas por um saco com duas membranas denominado pericárdio. O endocárdio é a camada mais interior do coração. É constituída por um revestimento de tecido epitelial escamoso simples e reveste as cavidades e as válvulas cardíacas. Forma uma camada contínua com o endotélio das veias e das artérias e encontra-se unida ao miocárdio por uma camada fina de tecido conjuntivo.[7] O endocárdio segrega endotelina, que pode ter uma função na regulação da contração do miocárdio.[7]

A camada intermédia da parede do coração é o miocárdio, que é o músculo cardíaco. Trata-se de uma camada de tecido muscular estriado envolvida por uma estrutura de colagénio. O padrão do músculo cardíaco é intrincado e complexo, de modo a permitir ao coração bombear sangue com maior eficácia. As células musculares fazem uma espiral à volta das cavidades do coração, em que os músculos exteriores formam um 8 à volta das aurículas e das bases dos grandes vasos, e os músculos interiores formam um 8 à volta dos dois ventrículos em direção ao ápex.[7]

O pericárdio envolve o coração e é constituído por duas membranas: uma membrana serosa interna denominada epicárdio e uma membrana fibrosa externa. Por sua vez, o epicárdio, divide-se em pericárdio visceral e pericárdio parietal. Dentro destas camadas existe a cavidade pericárdica, que contém o liquido pericárdico que lubrifica o coração.[7][18] O pericárdio ajuda a regular o ritmo cardíaco e é através do epicárdio que os vasos sanguíneos e os nervos irrigam o músculo cardíaco.[7]

Cavidades[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Aurícula e Ventrículo
Ilustração frontal de um coração humano. As setas brancas indicam o sentido de circulação do sangue. 1. Aurícula direita; 2. Aurícula esquerda; 3. Veia cava superior; 4. Veia cava inferior; 5. Artérias pulmonares esquerda e direita; 6. Veias pulmonares; 7. Válvula mitral; 8. Válvula aórtica; 9. Ventrículo esquerdo; 10. Ventrículo direito; 11. Veia cava inferior; 12. Válvula tricúspide; 13. Válvula pulmonar

O coração humano possui quatro cavidades, ou câmaras: duas aurículas na parte superior e dois ventrículos na parte inferior. As aurículas recebem o sangue, enquanto os ventrículos têm a função de o bombear. O conjunto da aurícula e ventrículo direitos denomina-se "coração direito" e, da mesma forma, o conjunto da aurícula e ventrículo esquerdos denomina-se "coração esquerdo".[6]

As aurículas estão separadas dos ventrículos pelas válvulas auriculoventriculares presentes no septo atrioventricular. Os ventrículos estão separados entre si pelo septo interventricular.[19] As duas aurículas estão separadas entre si pelo septo interauricular, enquanto os dois ventrículos são separados pelo septo interventricular. O septo interventricular é muito mais espesso que o septo interauricular, uma vez que durante a contração os ventrículos geram uma pressão muito superior.[7] A separação das cavidades pode também ser observada por sulcos presentes na superfície externa do coração. O sulco coronário separa as aurículas dos ventrículos, enquanto os sulcos interventriculares anterior e posterior separam os ventrículos.[19]

O septo atrioventricular que separa as aurículas dos ventrículos é formado pelo esqueleto cardíaco, uma estrutura de tecido conjuntivo fibroso onde também se apoiam os anéis fibrosos das válvulas cardíacas. O esqueleto cardíaco tem também a função de conduzir os estímulos elétricos através do coração, uma vez que o colagénio não é condutor de eletricidade.[7][20] Na aurícula superior direita existe uma estrutura com a forma de orelha denominada apêndice auricular direito e outra na aurícula superior esquerda denominada apêndice auricular esquerdo.[21]

Coração direito[editar | editar código-fonte]

O coração direito é constituído por duas cavidades, a aurícula direita e o ventrículo direito, separados pela válvula tricúspide.[7] A aurícula direita recebe sangue de forma quase contínua a partir das duas principais veias do corpo, a veia cava superior e inferior. A aurícula direita recebe ainda uma pequena quantidade de sangue da circulação coronária através do seio coronário, situado imediatamente acima da abertura da veia cava inferior.[7] Na parede da aurícula situa-se também uma depressão denominada fossa oval, a qual é um vestígio de uma abertura durante o desenvolvimento fetal denominada forame oval.[7] A maior parte da superfície interna da aurícula direita é lisa, embora a fossa oval seja rugosa e a superfície anterior possua cristas de músculo pectíneo.[7]

A aurícula direita encontra-se ligada ao ventrículo direito pela válvula tricúspide.[7] As paredes do ventrículo direito encontram-se revestidas com trabéculas cárneas, colunas de músculo cardíaco revestidas por endocárdio. Para além destas colunas, as paredes são também reforçadas por uma banda de músculo cardíaco denominada trabécula septomarginal, a qual é também fundamental para a condução dos impulsos elétricos cardíacos. Esta estrutura tem origem na parte inferior do septo interventricular e atravessa o espaço interior do ventrículo direito para se ligar ao músculo papilar inferior.[7] Quando se contrai, o ventrículo direito bombeia o sangue para o tronco da artéria pulmonar. A passagem do sangue entre o coração direito e o tronco pulmonar é controlada pela válvula pulmonar. O tronco divide-se então nas artérias pulmonares direita e esquerda, que transportam o sangue pobre em oxigénio para cada um dos pulmões.[7]

Coração esquerdo[editar | editar código-fonte]

O coração esquerdo possui duas cavidades: a aurícula esquerda e o ventrículo esquerdo, separados pela válvula mitral.[7] A aurícula esquerda recebe o sangue oxigenado que regressa dos pulmões através de uma das quatro veias pulmonares. Tal como a aurícula direita, a aurícula esquerda é revestida por músculo pectíneo.[22] A aurícula esquerda encontra-se ligada ao ventrículo esquerdo pela válvula mitral.[7]

O ventrículo esquerdo é muito mais espesso em comparação com o direito, uma vez que exerce uma força muito superior para bombear o sangue para todo o corpo. Tal como o ventrículo direito, também apresenta trabéculas cárneas, mas não possui trabécula septomarginal. O ventrículo esquerdo bombeia o sangue para o corpo através da válvula aórtica para a artéria aorta. Por cima da válvula aórtica encontram-se dois pequenos orifícios que transportam sangue para o próprio coração, através da artéria coronária esquerda e direita.[7]

Válvulas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Válvulas cardíacas
Ilustração em que foram removidas ais aurículas e os maiores vasos sanguíneos, permitindo observar as quatro válvulas.[7]

O coração possui quatro válvulas que regulam a passagem do sangue entre as suas cavidades. Existe uma válvula entre cada aurícula e ventrículo e uma válvula à saída de cada ventrículo.[7] As válvulas entre as aurículas e os ventrículos são denominadas válvulas auriculoventriculares. Entre a aurícula direita e o ventrículo direito situa-se a válvula tricúspide. Esta válvula apresenta três cúspides[23] ligados às cordas tendinosas e três músculos papilares, denominados anterior, posterior e septal, de acordo com a sua posição.[23] Entre a aurícula esquerda e o ventrículo esquerdo situa-se a válvula mitral. Esta válvulaé por vezes denominada bicúspide, por ter dois cúspides, um anterior e um posterior. Estes cúspides também estão ligados pelas cordas tendinosas aos dois músculos papilares que se projetam da parede ventricular.[24]

Os músculos papilares estendem-se a partir das paredes do coração para as válvulas através de ligações cartilaginosas denominadas cordas tendinosas. Estes músculos impedem as válvulas de regredir quando se fecham.[25] Durante a fase de relaxamento do ciclo cardíaco, os músculos papilares estão igualmente relaxados e a tensão nas cordas tendinosas é reduzida. Assim que as cavidades do coração se contraem, também se contraem os músculos papilares. Isto cria tensão nas cordas tendinosas, o que ajuda a manter os cúspides das válvulas auriculoventriculares no lugar e impede-as de serem projetadas para as aurículas.[7] [nota 1]

À saída de cada um dos ventrículos existem duas válvulas adicionais. A válvula pulmonar situa-se na base da artéria pulmonar. Esta válvula apresenta três cúspides que são se encontram ligados a quaisquer músculos papilares. Quando o ventrículo relaxa, o sangue flui da artéria regressando ao ventrículo. Este refluxo preenche a válvula em forma de bolsa, o que exerce pressão contra os cúspides, que se fecham para selar a válvula impedindo assim esse refluxo. A válvula aórtica situa-se na base da artéria aorta e também não se encontra ligada aos músculos papilares. Também apresenta três cúspides que se fecham com a pressão do sangue que regressa da aorta.[7]

Circulação do sangue nas cavidades[editar | editar código-fonte]

Circulação do sangue nas cavidades do coração.

O coração direito recolhe o sangue desoxigenado a partir de duas grandes veias, a veia cava superior e a veia cava inferior. A veia cava superior recolhe o sangue proveniente das regiões do corpo acima do diafragma e descarrega-o na parte superior e posterior da aurícula direita. A veia cava inferior recolhe o sangue proveniente das regiões do corpo abaixo do diafragma e descarrega-o na parte posterior da aurícula, por baixo da abertura da veia cava superior. Imediatamente por cima do orifício da veia cava inferior encontra-se o orifício do seio coronário. O seio coronário descarrega na aurícula direita o sangue desoxigenado da circulação coronária. O sangue acumula-se na aurícula direita de forma contínua. Quando a aurícula se contrai, o sangue é forçado a passar para o ventrículo direito através da válvula tricúspide. Assim que o ventrículo se contrai, a válvula tricúspide fecha-se e o sangue é bombeado para o tronco pulmonar através da válvula pulmonar. O tronco pulmonar ramifica-se em artérias pulmonares e em artérias progressivamente mais pequenas até chegar aos vasos capilares que irrigam os pulmões. Ao passar nos alvéolos pulmonares, o dióxido de carbono é substituído por oxigénio.[7]

O sangue oxigenado é então transportado pelas veias pulmonares até à aurícula esquerda, de onde é bombeado para o ventrículo esquerdo através da válvula mitral. Daí, é bombeado para a artéria aorta através da válvula aórtica, onde entra novamente na circulação sistémica. A aorta é uma artéria de grande dimensão que se ramifica em muitas artérias menores, depois em arteríolas e finalmente em vasos capilares. Nos vasos capilares, o oxigénio e os nutrientes do sangue são recolhidos pelas células para que os possam usar nos processos metabólicos. As células libertam para o sangue dióxido de carbono e outros resíduos metabólicos.[7] O sangue capilar, agora desoxigenado, é transportado pelas vénulas e veias, que descarregam na veia cava superior, entrando novamente no coração direito.[7]

Circulação coronária[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Circulação coronária
A vermelho, a irrigação arterial para o coração. A azul, outras regiões.

Tal como todas as células no corpo, o tecido cardíaco necessita de oxigénio, de nutrientes e de uma forma de remover resíduos metabólicos. Esta função é desempenhada pela circulação coronária, que engloba as artérias, veias e vasos linfáticos que irrigam o coração. A corrente sanguínea através dos vasos coronários tem intensidade variável, em picos e quebras, de acordo com o ciclo de relaxamento ou contração do músculo cardíaco.[7]

O tecido do coração recebe sangue de duas artérias que têm início pouco acima da válvula aórtica: a artéria coronária esquerda e a artéria coronária direita. Pouco depois de deixar a aorta, a artéria coronária esquerda bifurca em duas: a artéria descendente anterior esquerda e a artéria circunflexa esquerda. A artéria descendente anterior esquerda ramifica-se depois em pequenas artérias que irrigam o tecido do coração e a parte anterior, exterior e o septo do ventrículo esquerdo. A artéria circunflexa esquerda irriga a parte posterior e inferior do ventrículo esquerdo. A artéria coronária direita irriga a aurícula direita, o ventrículo direito e as partes mais inferiores do ventrículo esquerdo. No entanto, existe uma variação significativa entre pessoas na anatomia das artérias que irrigam o coração. Em 90% das pessoas, a artéria coronária direita também irriga sangue para o nódulo atrioventricular e, em 60% das pessoas, para o nódulo sinusal.[26][7]

O seio coronário é uma grande veia que termina na aurícula direita e que recebe a maior parte do sangue venoso do coração. Recolhe o sangue da veia cardíaca maior, com origem na aurícula esquerda e em ambos os ventrículos, da veia cardíaca posterior, com origem na parte posterior do ventrículo esquerdo, da veia cardíaca média, com origem na parte inferior dos ventrículos, e da veia cardíaca menor.[27] As veias cardíacas anteriores recolhem o sangue da parte anterior do ventrículo direito e descarregam diretamente na aurícula direita.[7]

Sistema de condução elétrica e músculo cardíaco[editar | editar código-fonte]

Os batimentos cardíacos são o resultado de contrações do músculo miocárdio. Estas contrações são provocadas por estímulos elétricos rítmicos produzidos pelas células marca-passo do nódulo sinusal, situado na parede da aurícula direita. Os impulsos fazem com que as aurículas se contraiam, forçando o sangue a passar para os ventrículos. Os impulsos elétricos do nódulo atrioventricular fazem com que os ventrículos se contraiam, bombeando o sangue. Depois da contração, os ventrículos relaxam, a pressão diminui e são novamente preenchidos com sangue. Este processo tem o nome de ciclo cardíaco. O período de contração denomina-se sístole e período de relaxamento diástole. O ritmo cardíaco em repouso de um adulto é, em média de 70 batimentos por minuto, sendo mais elevado em crianças e idosos. O ritmo cardíaco aumenta temporariamente durante a prática de exercício físico vigoroso, excitação emocional ou situações de febre, e diminui ao dormir.[15]

Sistema de condução elétrica[editar | editar código-fonte]

O coração possui um sistema excitatório que lhe permite gerar impulsos elétricos rítmicos e um sistema de condução que lhe permite conduzir rapidamente esses impulsos. Os impulsos provocam a contração rítmica das células cardíacas, provocando o batimento cardíaco. Esses impulsos elétricos são denominados potenciais de ação cardíacos e são produzidos por alterações químicas nas células marca-passo do nódulo sinusal.[15]

O ritmo cardíaco normal em repouso do coração é denominado ritmo sinusal. Este ritmo é produzido pelo nódulo sinusal, um grupo de células marca-passo situadas na parede superior da aurícula direita, perto da união com a veia cava superior.[28] Estas células produzem um potencial de ação a partir do movimento de eletrólitos específicos para dentro e para fora das céulas. Esse potencial de ação cardíaco, ou impulso elétrico, propaga-se depois para as células nas proximidades.[29]

Quando as células do nódulo sinusal se encontram em repouso, as suas membranas possuem carga negativa. A rápida afluência de iões de sódio faz com que essa carga se torne positiva. Este fenómeno tem o nome de despolarização e ocorre de forma espontânea.[7] Assim que uma célula marca-passo atinge uma carga positiva suficientemente elevada, os canais de sódio fecham-se e começam a entrar na célula iões de cálcio. Pouco depois, os canais de cálcio fecham-se e os canais de potássio abrem-se, permitindo ao potássio sair da célula. Isto faz com que a célula adquira novamente uma carga negativa, um fenómeno denominado repolarização. Quando o potencial da membrana atinge aproximadamente −60 mV, os canais de cálcio fecham-se e o processo repete-se.[7]

Todos os iões passam pelos canais iónicos na membrana das células sinoatriais. Como o potássio e o cálcio só se começam a deslocar para dentro e para fora da célula quando esta tem uma carga suficientemente elevada, diz-se que estes canais são dependentes de voltagem.[7] Os iões deslocam-se das áreas onde estão concentrados para áreas onde não estão. É por esta razão que o sódio se move do exterior para o interior da célula, e o potássio se move do interior para o exterior da célula. O cálcio tem uma função essencial. O seu afluxo através de canais lentos permite às células sinoatriais terem um período refratário prolongado enquanto têm carga positiva. Os iões de cálcio também se combinam com a proteína troponina C para ativar a contração do músculo cardíaco, e separam-se para ativar o relaxamento.[30]

O sinal elétrico gerado pelo nódulo sinoatrial percorre a aurícula direita de forma radial e chega à aurícula esquerda através do feixe de Bachmann, fazendo com que ambas as aurículas se contraiam ao mesmo tempo.[31][32][33] Em seguida, o sinal passa para o nódulo atrioventricular, situado na parte inferior do septo atrioventricular. O septo faz parte do esqueleto cardíaco, o qual é constituído por tecido colaginoso que o sinal elétrico não consegue atravessar, o que força o sinal a passar apenas pelo nódulo auriculoventricular.[7] O sinal percorre então o feixe de His e os seus dois ramos através dos ventrículos do coração. Nos ventrículos, o sinal é transportado por um tecido especializado denominado fibras de Purkinje, que por sua vez transmitem o sinal elétrico ao músculo cardíaco.[34]

Estrutura do músculo cardíaco[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Músculo cardíaco e Miocárdio

Existem dois tipos de células no músculo cardíaco: os cardiomiócitos, células musculares com a capacidade de se contraírem facilmente, e as células marca-passo do sistema condutor. As células musculares constituem a maioria (99%) das células nas aurículas e nos ventrículos. Estas células contrácteis estão ligadas por discos intercalares que possibilitam uma resposta rápida aos impulsos do potencial de ação cardíaco das células marca-passo. Os discos intercalares fazem com que as células atuem como sincícios e possibilitam as contrações que bombeiam o sangue através do coração e para as principais artérias do corpo.[7] As células marca-passo correspondem a 1% das células e constituem o sistema de condução elétrica do coração. São geralmente muito mais pequenas que as células contractéis e possuem poucas miofibrilhas, o que limita a sua capacidade de contração. Em muitos aspetos, a sua função é semelhante à dos neurónios.[7] O músculo cardíaco possui auto-ritmicidade, a capacidade de iniciar um potencial de ação cardíaco a um ritmo fixo, propagando rapidamente o impulso elétrico de modo a contrair todo o coração.[7]

Irrigação nervosa[editar | editar código-fonte]

Irrigação nervosa autónoma do coração

Embora o coração possua o seu próprio sistema excitatório, também é irrigado por nervos do sistema nervoso simpático e parassimpático. Estes nervos não ativam o batimento cardíaco, mas são capazes de influenciar o seu ritmo e força de contração.[35]

O coração recebe sinais nervosos do nervo vago e de nervos no tronco simpático. Estes nervos atuam para influenciar, e não controlar, o ritmo cardíaco. Os nervos simpáticos também influenciam a força da contração cardíaca.[36] Os sinais que são transmitidos por estes nervos têm origem em dois centros cardiovasculares no bulbo raquidiano. O nervo vago do sistema nervoso parasimpático atua para diminuir o ritmo cardíaco, enquanto os nervos do tronco simpático atuam para aumentar o ritmo cardíaco.[7] Estes nervos formam uma rede nervosa em redor do coração denominada plexo cardíaco.[7][37]

O nervo vago é um nervo comprido e sinuoso que tem origem no tronco cerebral e que fornece estímulos parasimpáticos a várias órgãos no tórax e no abdómen, entre os quais o coração.[38] Os nervos do tronco simpático têm origem nos gânglios torácicos T1 a T4 e terminam nos nós sinusais e auriculoventricular, nas aurículas e nos ventrículos. Os ventrículos são mais ricamente inervados por fibras simpáticas do que parasimpáticas. A estimulação simpática provoca a libertação do neurotransmissor noradrenalina na junção neuromuscular dos nervos cardíacos. Isto diminui o período de repolarização, aumentando assim o ritmo de despolarização e contração, o que aumenta o ritmo cardíaco. Abre também os canais iónicos de cálcio e de sódio, permitindo um afluxo de iões de carga positiva.[7] A noradrenalina liga-se ao receptor adrenérgico beta 1.[7]

Os centros cardiovasculares no tronco cerebral influenciam o ritmo cardíaco através do nervo vago e do tronco simpático.[39] Estes centros recebem dados de uma série de recetores bioquímicos, incluindo barorrecetores que detectam o alargamento dos vasos sanguíneos, e quimiorrecetores, que detectam a quantidade de oxigénio e de dióxido de carbono no sangue e o seu pH. Através de uma série de reflexos, estes ajudam a regular e manter a circulação do sangue.[7]

Os barorrecetores são recetores sensoriais situados no seio aórtico, no corpo carótido, nas veias cavas, nos vasos pulmonares e no próprio coração. O exercício físico, o aumento da pressão arterial e alterações na distribuição do sangue fazem com que estes recetores estiquem. Quando se encontram suficientemente esticados, enviam sinais ao cérebro para que diminua a estimulação simpática e aumente a estimulação parasimpática do coração, aumentando assim o ritmo cardíaco. Quando a pressão desce novamente, os centros cariovasculares aumentam a estimulação simpática e diminuem a estimulação parassimpática.[7][40]

O aumento da pressão sanguínea na aurícula direita ou na veia cava desencadeia o reflexo de Bainbridge, que aumenta o ritmo cardíaco.[41][7] Os quimiorrecetores presentes no corpo carótido ou adjacentes à aorta são sensíveis aos níveis de oxigénio e dióxido de carbono no sangue, sendo ativados quando os níveis gasosos se encontram reduzidos.[42]

Ciclo cardíaco[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Ciclo cardíaco, Sístole e Diástole

O ciclo cardíaco denomina um batimento cardíaco completo, composto pela sístole, diástole e o momento de pausa.[9] O ciclo tem início com a contração das aurículas e termina com o relaxamento dos ventrículos. A sístole a é contração das aurículas ou dos ventrículos. A diástole é o relaxamento das aurículas ou dos ventrículos e o momento em que se enchem novamente de sangue. As aurículas e os ventrículos funcionam em conjunto. Quando os ventrículos se contraem durante a sístole, as aurículas estão relaxadas e a receber sangue. Quando os ventrículos estão relaxados durante a diástole, as aurículas contraem-se para bombear sangue para os ventrículos. Esta coordenação assegura que o sangue é bombeado para o corpo de forma eficaz.[7]

No início do ciclo cardíaco, imediatamente antes da diástole, tanto as aurículas como os ventrículos se encontram relaxados. Como o sangue flui das áreas de maior pressão para as áreas de menor pressão, quando ambas as cavidades se encontram relaxadas o sangue flui para as aurículas. À medida que as aurículas se vão enchendo, a pressão aumenta de tal forma que o sangue flui para os ventrículos. No fim da diástole, as aurículas contraem-se, fazendo com que mais sangue flua para os ventrículos. Isto faz com que aumente a pressão nos ventrículos. Assim que os ventrículos atingem a diástole, o sangue é bombeado para a artéria pulmonar (no vaso do ventrículo direito) ou para a artéria aorta (no caso do ventrículo esquerdo).[9]

Quando as válvulas atrioventriculares (tricúspide e mitral) se encontram abertas para o sangue fluir para os ventrículos, as válvulas aórtica e pulmonar encontram-se encerradas de modo a impedir que o sangue regresse para os ventrículos. Quando a pressão ventricular é maior do que a pressão auricular, as válvulas tricúspide e mitral fecham-se. Quando os ventrículos se contraem, a pressão força as válvulas aórtica e pulmonar a abrir. Assim que os ventrículos relaxam, as válvulas aórtica e pulmonar fecham-se novamente em resposta à diminuição da pressão.[9]

Ritmo cardíaco[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ritmo cardíaco

O ritmo cardíaco, ou frequência cardíaca, é o número de vezes que o coração bate por minuto. Esse batimento pode ser dividido em várias fases a que se dá o nome de ciclo cardíaco. O ritmo cardíaco normal em repouso denomina-se ritmo sinusal. O ritmo sinusal de um adulto é, em média, de 70 batimentos por minuto (bpm), podendo variar entre 60 e 100 bpm. O ritmo sinusal é mais elevado em crianças e idosos. Um recém-nascido pode chegar aos 129 bpm, valor que vai gradualmente diminuindo ao longo do crescimento.[43] O ritmo sinusal de um atleta de competição pode ser inferior a 60 bpm. Durante exercício físico vigoroso, o ritmo cardíaco atinge 150 bpm, podendo atingir um máximo de 200–220 bpm.[7]

O ritmo cardíaco é influenciado por diversos fatores. O ritmo cardíaco aumenta temporariamente durante a prática de exercício físico vigoroso, excitação emocional ou situações de febre, e diminui ao dormir.[15] A idade, temperatura corporal, taxa metabólica basal podem também afetar o ritmo cardíaco. Níveis excessivos das hormonas epinefrina, norepinefrina e hormonas da tiroide podem aumentar o ritmo cardíaco. Os níveis de eletrólitos, incluindo cálcio, sódio e potássio, podem também influenciar a velocidade e regularidade do ritmo cardíaco. O ritmo pode também aumentar em situações de baixo oxigénio no sangue, baixa pressão arterial e desidratação.[7]

Sons cardíacos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Sons cardíacos
Os sons cardíacos são causados pelo encerramento das válvulas cardíacas.

Um dos métodos mais simples para verificar o estado de saúde do coração é a auscultação com um estetoscópio.[7] Geralmente, num coração saudável ouvem-se apenas dois sons, denominados S1 e S2. O primeiro som cardíaco, S1, é o som gerado pelo encerramento das válvulas auriculoventriculares durante a contração ventricular. O segundo som cardíaco, S2, é o som das válvulas aórtica e semilunar a encerrar durante a diástole ventricular.[7] Cada som é constituído por dois componentes, que são o resultado da ligeira diferença de tempo entre o encerramento das duas válvulas.[44] O S2 pode-se dividir em dois sons distintos, quer como resultado da inspiração, quer como resultado de problemas cardíacos ou valvulares.[44]

No entanto, podem ser auscultados outros sons associados a ritmos de galope, os quais podem ser um sintoma de problemas cardíacos. A presença de um terceiro som cardíaco, o S3, geralmente indica um aumento de volume do sangue no ventrículo. Um quarto som cardíaco, o S4, é geralmente denominado "galope auricular" e é produzido pela passagem forçada do sangue num ventrículo rígido. A presença combinada dos sons S3 e S4 é denominada "galope quádruplo".[7]

Os sopros cardíacos são sons cardíacos anormais que tanto podem ser benignos como patológicos.[45] Um exemplo de sopro cardíaco é o sopro de Still, que pode estar presente em crianças, mas que não manifesta sintomas e desaparece durante a adolescência.[46] Nos casos de pericardite, em que as membranas inflamadas podem friccionar entre si, é possível auscultar um som denominado atrito pericárdico.[47]

Importância clínica[editar | editar código-fonte]

Os médicos especialistas no coração são os cardiologistas. No tratamento das doenças cardiovasculares podem estar envolvidas diversas especialidades.[48]

Doenças cardiovasculares[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Doença cardiovascular

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo.[49] A maior parte das doenças cardiovasculares não é transmissível e está relacionada com o estilo de vida e outros fatores. A prevalência aumenta em função da idade.[49] Em 2008, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 30% dos óbitos em todo o mundo.[11] A percentagem varia entre países, desde 28% a 40% em países desenvolvidos.[12]

Doenças isquémicas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Doença arterial coronária
A doença arterial coronária é causada por aterosclerose, a acumulação de placas de material degenerativo nas artérias do coração.

A doença arterial coronária é causada por aterosclerose, a acumulação de placas de material degenerativo nas paredes interiores das artérias que provoca o seu estreitamento e diminui o fluxo sanguíneo para o coração.[50] Uma placa estável pode causar dores no peito ou falta de ar durante o exercício físico ou em repouso, ou não manifestar sintomas. A rotura de uma placa pode bloquear um vaso sanguíneo e provocar isquemia do músculo cardíaco, causando angina instável, um enfarte do miocárdio[51] ou, em casos mais graves, uma paragem cardio-respiratória.[52] Entre os fatores de risco para a aterosclerose e para a doença arterial coronária estão a obesidade, hipertensão arterial, diabetes não controlada, fumar e colesterol elevado.[49][50]

Doenças inflamatórias[editar | editar código-fonte]

A cardiomiopatia é a deterioração da capacidade de contração do músculo cardíaco, o que pode provocar insuficiência cardíaca. Embora as causas não sejam totalmente compreendidas, as causas identificadas incluem o consumo excessivo de álcool, toxinas, doenças sistémicas como a sarcoidose e doenças congénitas. A cradiomiopatia é classificada em função da forma como afeta o músculo cardíaco. A doença pode fazer com que o coração aumente de tamanho (cardiomiopatia hipertrófica), pode restringir as paredes do coração (cardiomiopatia restritiva) ou pode fazer com que o coração dilate (cardiomiopatia dilatada).[53] A cardimioopatia hipertrófica é muitas vezes subdiagnosticada e pode provocar paragem cardiorrespiratória em atletas jovens..[7]

A inflamação do pericárdio denomina-se pericardite. Esta doença pode ter causa infecciosa, como mononucleose infecciosa, citomegalovírus, vírus de Coxsackie, tuberculose ou febre Q, ou em doenças sistémicas como amiloidose ou sarcoidose, tumores ou níveis excessivos de ácido úrico. Esta inflamação afeta a capacidade do coração em bombear sangue. Quando se verifica acumulação de líquido no pericárdio, a condição é denominada derrame pericárdico. Quando este derrame, ou um trauma, causam insuficiência cardíaca aguda, a condição é denominada tamponamento cardíaco.[54] Este processo pode comprimir o coração. O líquido pode ser removido através de um procedimento denominado pericardiocentese.[55]

Sopros cardíacos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Sopro cardíaco
Fonograma com diferentes sons cardíacos e respetivos problemas.

Os sopros cardíacos são sons cardíacos anormais que podem ser um sinal de outras doenças cardíacas. Existem vários tipos de sopros, tanto benignos como sinais de uma doença.[56] Em condições normais é possível auscultar-se dois sons cardíacos. Os sons anormais tanto podem ser sons adicionais como sopros causados pela circulação do sangue entre os dois sons. Os sopros são classificados de 1 a 6, em função do volume, e avaliada a sua relação com os sons cardíacos e posição no ciclo cardíaco. São também avaliadas outras características, como a sua propagação para outros locais, alterações conforme a posição da pessoa, a frequência do som e o local em que são ouvidos com maior intensidade.[56] Os sopros podem ser o resultado de valvulopatias causadas pelo estreitamento ou regurgitação de qualquer uma das principais válvulas, como é o caso da estenose aórtica, regurgitação mitral ou prolapso da válvula mitral. Podem também ser o resultado de uma série de outras doenças, entre as quais Comunicação interauricular ou interventricular.[56] Podem também ser causados por infeções, como a endocardite infecciosa ou febre reumática, em particular nos países em vias de desenvolvimento.[57]

Arritmias[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Arritmia cardíaca

As anomalias no ritmo sinusal normal do coração podem impedir o coração de bombear sangue de forma adequada. As doenças deste grupo são geralmente identificadas num eletrocardiograma. As arritmias podem causar ritmos cardíacos irregulares ou ritmos cardíacos regulares, mas a velocidades anormais. O ritmo cardíaco anormalmente elevado denomina-se taquicardia, sendo classificada em supraventricular ou ventrocular, dependendo da origem. O ritmo cardíaco anormalmente baixo denomina-se bradicardia. A taquicardia define-se geralmente por um ritmo cardíaco superior a 100 bpm e bradicardia por um ritmo cardíaco inferior a 60 bpm.[58] Uma assístole é a paragem do ritmo cardíaco. Um ritmo aleatório e variável é classificado como fibrilação auricular ou fibrilação ventricular, dependendo se a atividade elétrica tem origem nas aurículas ou nos ventrículos.[58] Uma anomalia na condução elétrica pode causar um atraso ou alterações na ordem de contrações do músculo cardíaco. Isto pode ser o resultado de uma doença, como o bloqueio de ramo, ou de uma doença congénita, como o síndrome de Wolff-Parkinson-White.[58]

Outras[editar | editar código-fonte]

A insuficiência cardíaca é uma condição em que o coração não consegue bombear sangue em quantidade suficiente para responder às necessidades do corpo.[50] É geralmente uma condição crónica, associada à idade e que se vai agravando gradualmente.[59] A doença pode afetar cada um dos lados do coração de forma independente. A insuficiência do lado esquerdo pode levar à insuficiência do lado direito através da deformação do músculo. Quando o coração não consegue bombear sangue suficiente, o sangue pode-se acumular ao longo do corpo causando congestão pulmonar e edema pulmonar, inchaço dos pés, diminuição da tolerância ao exercício físico ou outros sinais, como aumento de tamanho do fígado, sopros cardíacos ou aumento da pressão venosa jugular. Entre as causas mais comuns de insuficiência cardíaca estão a doença arterial coronária, valvulopatias e doenças do músculo cardíaco.[60]

O coração pode ser afetado por doenças congénitas, ou doenças de nascença. Entre estas doenças estão um forame oval que não foi devidamente encerrado durante o desenvolvimento, condição que se verifica em até 25% da população;[61] comunicação interventricular ou interauricular; doenças congénitas das válvulas (como a estenose aórtica congénita); ou doenças relacionadas com os vasos sanguíneos e circulação do sangue, como persistência do canal arterial ou coarctação da aorta.[62][63] Apesar de congénitas, estas doenças podem manifestar sintomas a qualquer idade. Quando o sangue desoxigenado passa do coração direito para o esquerdo, como na tetralogia de Fallot, a condição é facilmente observável à nascença, já que faz com que a pele do bebé apresente um tom azul. Um problema cardíaco de nascença pode afetar a capacidade de crescimento da criança.[62] Alguns casos resolvem-se com o tempo e são considerados benignos. Outros podem não manifestar sintomas e serem diagnosticados por acaso num exame cardíaco. As doenças congénitas são na maior parte dos casos detectadas com um ecocardiograma.[63]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

As doenças cardíacas são diagnosticadas com base no historial clínico, no exame físico pelo médico e em vários exames, dos quais os mais comuns são análises ao sangue, ecocardiogramas, eletrocardiogramas e exames imagiológicos. Em alguns casos podem ser necessários exames invasivos, como cateterismo cardíaco.[64]

Exame físico[editar | editar código-fonte]

O exame físico consiste na inspeção e palpação do peito com as mãos e na auscultação do coração com um estetoscópio.[65][66] O exame permite também observar eventuais sinais médicos presentes nas articulações ou mãos da pessoa. Também é medida e auscultada a pulsação, geralmente na artéria radial perto do pulso, de modo a avaliar o ritmo e força. É medida a pressão arterial, geralmente com um esfigmomanómetro. Observa-se também eventuais alterações da veia jugular. É apalpado o peito para detectar eventuais vibrações e depois auscultado com um estetoscópio. Esta avaliação permite detectar a presença de sopros cardíacos ou sons cardíacos adicionais.[66]

Análises ao sangue[editar | editar código-fonte]

As análises gerais ao sangue permitem avaliar o estado geral de saúde da pessoa e determinar a presença de fatores de risco de doenças cardiovasculares. Entre os parâmetros mais comuns estão um hemograma, que permite detectar anemia, e a medição dos metabólitos, que permite detectar alterações nos eletrólitos. Pode também ser realizado um perfil lipídico e um exame à glicose em jejum para avaliar os níveis de colesterol e diabetes. Em muitos casos pode ser necessário um coagulograma para determinar a dose correta de anticoagulantes.[67]

Entre os exames específicos, podem ser realizados exames à troponina. A troponina é um biomarcador específico para doenças cardíacas, sensível à insuficiência no fornecimento de sangue pelo coração, sendo libertada 4 a 6 horas após a lesão e atingindo um pico entre as 12 e 24 horas.[68] Podem também ser realizados exames ao peptídeos natriuréticos cerebrais, um biomarcador cujos níveis aumentam na presença de maior esforço do ventrículo esquerdo e permite avaliar a insuficiência cardíaca.[69] O exame CPK-MB oferece informação sobre o fornecimento de sangue do coração, embora seja menos específico e sensível do que os biomarcadores.[70]

Eletrocardiograma[editar | editar código-fonte]

Ciclo cardíaco num eletrocardiograma.

Um eletrocardiograma (ECG) é um exame que regista a atividade elétrica do coração por meio de elétrodos colocados na pele.[71] O ECG permite detectar distúrbios no ritmo cardíaco e detectar quando não existe irrigação sanguínea suficiente no coração.[71] Em alguns casos, pode haver suspeita de anomalias que não são imediatamente observáveis no ECG. Nestes casos, pode ser realizado uma prova de esforço que provoque essa anomalia. Quando a anomalia não se manifesta na data do exame, é possível usar durante alguns dias um ECG portátil, como um monitor Holter.[71]

Existem três principais parâmetros de avaliação num eletrocardiograma: a onda P, o complexo WRS e a onda T. A onda P corresponde à despolarização auricular, o complexo QRS à despolarização ventricular e a onda T à repolarização ventricular.[71][7] Uma variação no registo no sentido descendente significa que a carga das células se está a tornar mais positiva (despolarização), enquanto que no sentido descendente significa que a carga das células se está a tornar mais negativa (repolarização).[71]

Imagiologia[editar | editar código-fonte]

Estão disponíveis vários exames imagiológicos para avaliar a anatomia e função cardíacas. Os mais comuns são a ecocardiografia, angiografia, tomografia computorizada, ressonância magnética e tomografia por emissão de positrões. Um ecocardiograma é uma ecografia do coração que permite avaliar a função cardíaca, detectar doenças nas válvulas e procurar anomalias. A ecocardiografia pode ser realizada pelo exterior do peito (ecocardiografia transtorácica) ou com uma sonda no esófago (ecocardiografia transesofágica). Um relatório ecocardiográfico geralmente inclui informação sobre a largura e eventual dilatação das válvulas, eventuais regurgitações de sangue e informação sobre o volume de sangue no fim da sístole e da diástole.[72] As ecocardiografias podem ser realizadas em situações em que o corpo esteja mais stressado, como em provas de esforço, o que permite detectar sinais de insuficiente irrigação sanguínea.[66] As tomografias e os raios-X ao tórax permitem avaliar a morfologia do coração e da aorta, detectar sinais de edema pulmonar e indicar se existe derrame pericárdico à volta do coração.[66]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Aplicação de um stent.

Estão disponíveis vários fármacos e técnicas cirúrgicas para o tratamento de doenças cardíacas. O tratamento passa também por medidas para prevenir a ocorrência da doença, prevenir o aparecimento de ateroesclerose ou diminuir o agravamento dos sintomas. Entre as principais medidas de prevenção estão deixar de fumar, diminuir o consumo de bebidas alcoólicas, praticar exercício físico e modificar a dieta de modo a diminuir o consumo de gordura e açúcar. Os medicamentos permitem também controlar a diabetes. Os níveis de colesterol podem ser diminuídos com estatinas.[67] Em muitas das doenças cardíacas, incluindo fibrilhação auricular, valvulopatias, e após cirurgia cardíaca, são administrados em simultâneo anticoagulantes como a aspirina, varfarina ou clopidogrel, de modo a diminuir o risco de AVC ou de trombose.[67]

No tratamento de doenças isquémicas podem ser usados nitroglicerina, betabloqueadores e, no contexto de um episódio agudo, analgésicos fortes como a morfina e outros opiáceos. Muitos destes fármacos oferecem ainda outros benefícios protetores, ao diminuir a ação do sistema simpático ou dilatar os vasos sanguíneos.[67] Para o tratamento de doenças relacionadas com o ritmo cardíaco são usados antiarrítmicos, cardioversão e implantes. Alguns antirrítmicos atuam nos canais de eletrólitos para modificar o potencial de ação cardíaco., como é o caso dos bloqueadores dos canais de cálcio ou bloqueadores dos canais de sódio. Outros interferem com a estimulação do coração pelo sistema nervoso simpático, como é o caso dos betabloqueadores. Outros ainda modificam o movimento do sódio e do potássio pelas membranas celulares, como a Digoxina.[73] A atropina é usada no tratamento de ritmos lentos e a amiodarona no tratamento de ritmos irregulares. A arritmia causada por fibrilação auricular pode também ser tratada com cardioversão elétrica. Nos casos de ritmo cardíaco lento ou bloqueio cardíaco é possível implantar um pacemaker ou desfibrilhador.[67]

Nos casos em que é necessária cirurgia cardíaca, esta pode ser aberta ou, de forma menos invasiva, através da inserção de pequenos arames pelas artérias periféricas, a que se dá o nome de angioplastia coronária. Esta intervenção é geralmente realizada no contexto de uma síndrome coronária aguda e pode ser usada para inserir um stent coronário.[74] Um exemplo deste tipo de intervenção é a ponte de safena, em que se faz uma ponte nas artérias bloqueadas do coração usando vasos sanguíneos recolhidos noutras partes do corpo, permitindo ao sangue voltar a fluir normalmente.[74] Nas valvulopatias pode ser realizadas cirurgias para reparação ou substituição das válvulas.[74]

Noutros animais[editar | editar código-fonte]

A estrutura do coração varia entre as diferentes classes do reino animalanimal. Cefalópodes têm dois "corações branquiais" e um "coração sistêmico". Nos vertebrados, o coração está na parte anterior da cavidade do corpo, dorsal ao intestino. É sempre envolto por um pericárdio, que normalmente é uma estrutura distinta, mas pode ser contínua com o peritônio em peixes sem mandíbula e cartilaginosos. O peixe-bruxa, de maneira única entre os vertebrados, também possui uma segunda estrutura assemelhada a um coração na cauda.[75]

Mamíferos[editar | editar código-fonte]

O coração das aves e mamíferos é semelhante, possuindo dois átrios e dois ventrículos, porém a artéria aorta das aves curva-se para direita, enquanto nos mamíferos, curva-se para a esquerda.

O tamanho do coração é proporcional ao tamanho do animal e de seu sistema vascular sanguíneo. O coração da baleia azul por si só é do tamanho de um carro pequeno,[76] já o coração de um ser humano adulto é do tamanho de uma mão adulta fechada.

Peixes[editar | editar código-fonte]

A circulação é fechada, simples e completa. Simples, pelo fato de que o sangue passa uma vez pelo coração, a cada ciclo de circulação, porém, o sangue rico em oxigênio se mistura com o que contém grande quantidade de gás carbônico. Peixes primitivos têm um coração de quatro cavidades, mas as cavidades estão organizadas sequencialmente. Dessa forma este coração primitivo é bastante diferente dos corações de quatro cavidades de mamíferos e aves. A primeira cavidade é o seio venoso, que coleta sangue não oxigenado do corpo através das veias hepática e cardinal. A partir daqui, o sangue flui para a aurícula e depois para o potente ventrículo muscular onde a ação principal de bombeamento terá lugar. A quarta e última cavidade é o cone arterial, que contém várias válvulas e envia sangue para a aorta ventral. A aorta ventral distribui sangue para as brânquias, onde é oxigenado e flui, através da aorta dorsal, para o resto do corpo. (Nos tetrápodes, a aorta ventral foi dividida em duas; uma metade forma o aorta ascendente, enquanto a outra forma a artéria pulmonar).[75]

No peixe adulto, as quatro cavidades não estão dispostas em uma linha reta mas, em vez disso, tomam uma forma de S, com as duas últimas cavidades deitadas acima das duas anteriores. Este padrão relativamente mais simples é encontrado em peixes cartilagíneos e no peixe actinopterígeo. Nos teleósteos, o cone arterioso é muito pequeno e pode ser mais precisamente descrito como parte da aorta, em vez do próprio coração. O cone arterial não está presente em qualquer amniota, presumivelmente tendo sido absorvido nos ventrículos ao longo da evolução. Do mesmo modo, enquanto o seio venoso está presente como uma estrutura vestigial em algumas aves e répteis, é em outros casos absorvido dentro da aurícula direita e não é mais distinguível.[75]

Anfíbios[editar | editar código-fonte]

Possuem coração com duas aurículas e um ventrículo.

Répteis[editar | editar código-fonte]

A maioria dos répteis possui duas aurículas e um ventrículo incompletamente separados, ocorrendo a mistura de sangue arterial com venoso, exceto crocodilianos, possuem dois átrios e dois ventrículos. Nos crocodilianos, portanto, ocorre uma menor mistura dos sangues arterial e venoso. Também existe o chamado "septo de sabatier" que atua em répteis crocodilianos.

Invertebrados[editar | editar código-fonte]

Nos anelídeos o coração é formado por cinco pares de vasos, situados ao redor do esôfago, que impelem o sangue para o vaso ventral. Já nos moluscos o coração tem posição dorsal, localizando-se no interior de uma cavidade pericárdica, recebendo sangue proveniente dos órgãos respiratórios por intermédio das veias. Nos crustáceos há um coração dorsal recebendo das brânquias sangue arterial que será distribuído para o corpo. Já nos insetos, trata-se de um órgão tubuloso, dorsal ao abdômen, apresentando pequenas câmaras contrácteis, os ventriculites, assim como nos aracnídeos, quilópodes e diplópodes.

Notas

  1. Note-se que não são os músculos que fazem com que as válvulas se abram. A abertura é o resultado da diferença de pressão entre o sangue nas aurículas e nos ventrículos.[23]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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