Coronel Telhada

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Coronel Telhada
Coronel Telhada.jpg
Coronel Telhada
Deputado Estadual por São Paulo São Paulo
Período 15 de março de 2015
a atualidade
Vereador por São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Período 1 de janeiro de 2013
a 14 de março de 2015
Comandante da ROTA
Período 7 de maio de 2009
a 18 de novembro de 2011
Vida
Nascimento 10 de outubro de 1961 (55 anos)
São Paulo, São Paulo, Brasil
Nacionalidade  brasileiro(a)
Dados pessoais
Cônjuge Ivania Cano Telhada
Partido PSDB
Religião Protestante
Profissão Policial militar
linkWP:PPO#Brasil

Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada (São Paulo, 10 de outubro de 1961), conhecido como Coronel Telhada, é policial militar e político brasileiro, atualmente deputado estadual em São Paulo, pelo Partido da Social Democracia Brasileira, e coronel da reserva da Polícia Militar do mesmo estado. Foi vereador da capital paulista em 2013 e 2014 e, na polícia, atuou pelas Rondas Ostensivas Tobias Aguiar.[1] É integrante da frente política conhecida como bancada da bala.[2]

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Telhada ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 1979, aos dezessete anos. Ingressou na Polícia Militar do Estado de São Paulo em 1983, como aspirante a oficial. Em 23 de junho de 1986, passou a integrar as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, onde permaneceu até ser transferido, em 10 de abril de 1992, em meio a dezenas de investigações sobre violência policial.[3] Foi também um dos fundadores do Grupo de Ações Táticas Especiais da PMESP.[1]

Foi promovido a capitão da PM por bravura em 15 de agosto de 1988 e ferido em serviço duas vezes, em 1990 e 1995.[1] Em 31 de julho de 2010 sofreu um atentado na porta da sua casa, quando seu veículo foi alvejado com mais de dez tiros.[4] No dia seguinte, a PM matou sete pessoas em tiroteios, quantidade mais de seis vezes maior que a média diária da corporação.[5] Foi oito vezes preso por descumprir regulamentos e vinte oito vezes transferido.[3]

Atuou como Subdiretor de Pessoal da PM e Chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento de Área Metropolitano-7, em Guarulhos; e comandou o 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (área central de São Paulo) e o 1º Batalhão de Polícia de Choque “Tobias de Aguiar” – ROTA.[1]

Em 7 de maio de 2009, foi indicado pelo Secretário da Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto para o cargo de Comandante Geral da ROTA.[3] Em 2011, foi transferido para a reserva por possuir mais de 30 anos de serviço e cinco no mesmo cargo, nos termos da Lei Complementar nº 1.150/2011. Com isso, foi promovido ao cargo de coronel.[6]

Política[editar | editar código-fonte]

Câmara Municipal[editar | editar código-fonte]

Telhada candidatou-se pela primeira vez na eleição municipal de São Paulo em 2012, para concorrer ao cargo de vereador pelo Partido da Social Democracia Brasileira. O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação de sua candidatura por incitação à violência.[7] Recebeu, porém, com 89.053 votos, equivalente a 1,56% dos votos válidos no pleito[8], suficiente para ser eleito como o quinto vereador mais votado na eleição.

Na Câmara Municipal de São Paulo, foi fundador da Frente Parlamentar de Segurança Pública[9] e da Frente Parlamentar Cristã de Defesa da Família,[10] e integrou a Comissão de Extraordinária Permanente de Segurança Pública e a Comissão de Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia.[11][12] Em 2015, antes de assumir o cargo de deputado estadual, compôs ainda a Comissão de Educação, Cultura e Esportes e foi substituto na Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher.[13]

Como vereador, sua plataforma política foi majoritariamente voltada à segurança pública e aos interesses dos agentes públicos de segurança. Na área, entre suas propostas estão projetos de lei com o intuito de criar a Secretaria Municipal de Prevenção às Drogas,[14] conceder adicional de periculosidade e de trabalho noturno aos membros da Guarda Civil Metropolitana,[15][16] revogar a disposição legal que proíbe o uso do seguro de vida da GCM para sinistros ocorridos em "bicos",[17] conceder gratuidade nas tarifas de ônibus intermunicipal a integrantes da polícia militar, da polícia civil e da guarda municipal mediante simples apresentação de carteira funcional,[18][19] e conceder gratuidade ou meia-entrada a profissionais de segurança pública.[20][21] Também são seus os projetos de lei que almejam proibir a publicidade de bebidas alcoólicas em rádio e televisão fora do período abrangido entre 21h e 06h[22] e obrigar os estabelecimentos de funcionamento noturno com entretenimento musical a disponibilizarem ao menos 30% de seu horário de funcionamento para a exibição de música ao vivo.[23] Foi um dos coutores da Lei Municipal nº 15.941, de 23 de dezembro de 2013, que autorizou a criação do Parque Municipal Augusta.

Assembleia Legislativa[editar | editar código-fonte]

Nas eleições estaduais no Brasil em 2014, novamente pelo PSDB, elegeu-se a deputado estadual por São Paulo, obtendo a segunda maior votação do estado: 254.074 votos.[24]

Na Assembleia Legislativa de São Paulo, é vice-presidente da Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais e da CPI da Epidemia do Crack. Integra também a Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários, a CPI da Invasão de Terrenos e a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais,[25] fato que causou polêmica entre membros do próprio partido.[26][27] É também vice-líder da bancada tucana na Assembleia Legislativa paulista desde 2015.[28]

Como deputado estadual, é autor de propostas como a proibições dos "pancadões" de funk (que se transformou na Lei Estadual nº 16.049/2015),[29] a obrigatoriedade da identificação dos capacetes motociclísticos com a placa da motocicleta em que forem usados[30] e a criação do subtítulo "policídio" para o registro de ocorrências de homicídio tendo como vítima agentes policiais em exercício da função ou em decorrência dela e seus familiares, em razão dessa condição.[31] Outros de seus projetos em trâmite incluem a criação do "Dia do Policial Militar Evangélico",[32] a regulamentação do uso da fosfoetanolamina sintética,[33] o desmembramento do Corpo de Bombeiros paulista da Polícia Militar[34] e a obrigatoriedade de fornecimento de leitor ótico para conferência de lançamento de consumo em estabelecimentos que adotem comandas eletrônicas.[35]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Telhada é casado com Ivania Cano Telhada desde 18 de maio de 1985.[1] É evangélico e frequenta Congregação Cristã no Brasil, onde também toca clarinete.[3]

É um dos protagonistas do documentário "A Verdadeira História da ROTA" (2014), que estreou nos cinemas de São Paulo em 27 de maio de 2014.[36] É também protagonista da revista "Coronel Telhada em Quadrinhos" que, até maio de 2016, teve apenas duas edições.

Foi homenageado como paraninfo da sessão solene de entrega de de carteiras de 27 de março de 2014 da Ordem dos Músicos do Brasil[37] e a primeira pessoa a ser considerada membro de honra do Abutre's Moto Clube.[38]

É membro consultor da Comissão de Segurança Pública da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil.[39]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Uso indevido de símbolo público[editar | editar código-fonte]

O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura de Telhada, entre outras razões, por conta do uso de símbolos da ROTA e da Polícia Militar em sua campanha, em desrespeito ao art. 40 da Lei nº 9.504/1997. Os símbolos foram retirados da campanha.[7]

K9 Indústria Gráfica[editar | editar código-fonte]

Segundo reportagem do UOL, Telhada pagou R$ 49 mil de sua verba de gabinete, entre agosto de 2013 e maio de 2014, para a K9 Indústria Gráfica, empresa que lançou a revista "Coronel Telhada em Quadrinhos". Segundo o site, no período aludido, o então vereador foi um dos cinco parlamentares que mais gastaram dinheiro público com diagramação, arte e impressão gráfica: R$ 58.381, mais que o dobro do gasto médio dos 55 vereadores. Ainda, subiu o gasto mensal médio de R$ 307 para R$ 6.503 quando passou a contratar os serviços da empresa. De acordo com o parlamentar, a empresa foi escolhida por ser a "mais em conta" e a publicação da revista foi financiada unicamente com dinheiro de patrocinadores.[40]

Separatismo paulista[editar | editar código-fonte]

Após a vitória de Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014, Telhada postou em sua página no Facebook texto no qual defendeu que "chegou a hora de São Paulo se separar do resto" e que o resto do país não deveria se submeter a um "governo escolhido pelo norte e Nordeste".[41][42] Em nota, o PSDB repudiou as ideias e as qualificou como "xenófobas" e "preconceituosas".[43] O Partido dos Trabalhadores pediu a tomada de medidas judiciais contra Telhada por "desrespeitar os princípios fundamentais do estado democrático".[42] Após isso, o parlamentar removeu a nota de sua página e se retratou, afirmando ser contra o separatismo de qualquer região do país e que o termo "independência" que constava no texto se referia a autonomia financeira.[44]

Referências

  1. a b c d e «Dep. Coronel Telhada - ALESP». www.al.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-25. 
  2. «Deputado Cel. Telhada diz que 'infelizmente' matar 'faz parte da ação policial' - BBC Brasil». BBC Brasil. Consultado em 2016-05-25. 
  3. a b c d «Aposentadoria após 36 mortes e 80 elogios - São Paulo - Estadão». Estadão. Consultado em 2016-05-26. 
  4. «'Não tive tempo de reagir', diz policial alvo de atentado em SP». São Paulo. 2010-07-31. Consultado em 2016-05-26. 
  5. «PM mata 7 em SP nas 36h após atentado contra Rota - Geral - Estadão». Estadão. Consultado em 2016-05-26. 
  6. «Lei obriga coronel Telhada a deixar o comando da Rota - São Paulo - Estadão». Estadão. Consultado em 2016-05-26. 
  7. a b «R7 Eleições 2012 - Ministério Público move três ações contra ex-comandante da Rota eleito vereador». R7 Eleições 2012. Consultado em 2016-05-30. 
  8. «Apuração das Eleições 2012 em São Paulo | São Paulo | G1». G1. Consultado em 2016-05-30. 
  9. «legis - Resultado página 1». documentacao.camara.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-30. 
  10. «Resolução CMSP 14/13» (PDF). Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  11. «COMISSÃO EXTRAORDINÁRIA PERMANENTE DE SEGURANÇA PÚBLICA - 2013» (PDF). Câmara Municipal de São Paulo. 
  12. «COMISSÃO DE TRÂNSITO, TRANSPORTE, ATIVIDADE ECONÔMICA, TURISMO, LAZER E GASTRONOMIA - 2014» (PDF). Câmara Municipal de São Paulo. 
  13. «composicao». Comissões da Câmara Municipal têm nova composição. Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 30-05-2016. 
  14. «PL 262/2013». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  15. «PL 52/2014». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  16. «PL 811/2013». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  17. «PL 245/2014». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  18. «PL 61/2013». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  19. «PL 490/2014». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  20. «PL 531/2013». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  21. «PL 65/2013». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  22. «PL 761/2013». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  23. «PL 416/2013». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 31-05-2016. 
  24. «Repositório de dados eleitorais 2014». TSE. Consultado em 15 de novembro de 2014. 
  25. «Dep. Coronel Telhada - ALESP». www.al.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-30. 
  26. «PSDB indica Telhada para Direitos Humanos - Política - Estadão». Estadão. Consultado em 2016-05-30. 
  27. «Deputado tucano alfineta Telhada por polêmica em comissão da Assembleia de SP». HuffPost Brasil. Consultado em 2016-05-30. 
  28. «DOSP 19/03/2015 - Pg. 19 - Legislativo | Diário Oficial do Estado de São Paulo | Diários Jusbrasil». Jusbrasil. Consultado em 2016-05-30. 
  29. «Alckmin sanciona lei que proíbe pancadões no estado de São Paulo». G1. 2015-12-11. Consultado em 2016-05-31. 
  30. «Coronel Telhada quer obrigar placa de moto no capacete - São Paulo - Estadão». Estadão. Consultado em 2016-05-31. 
  31. «Projeto de Lei n° 97, de 2016 ( PL 97 / 16 )». www.al.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  32. «Projeto de Lei n° 1.016, de 2015 ( PL 1016 / 15 )». www.al.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  33. «Projeto de Lei n° 143, de 2016 ( PL 143 / 16 )». www.al.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  34. «Proposta de Emenda à Constituição n° 9, de 2015 ( PEC 9 / 15 )». www.al.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  35. «Projeto de Lei n° 1.159, de 2015 ( PL 1159 / 15 )». www.al.sp.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  36. «Polêmica Rota é tema de documentário». Jornal Cruzeiro do Sul. Consultado em 2016-05-30. 
  37. «Entrega de Carteiras aos Músicos 27/06/2014». www.ombsp.org.br. Consultado em 2016-05-30. 
  38. «Curtas e Grossas, mas rapidinhas...». www.revistamotoclubes.com.br. Consultado em 2016-05-30. 
  39. «Composição — Comissões». www.oabsp.org.br. Consultado em 2015-09-22. 
  40. «Coronel Telhada paga R$ 49 mil de verba pública a empresa que lançou sua HQ». UOL. Consultado em 2016-05-31. 
  41. «Após vitória de Dilma, coronel Paulo Telhada, do PSDB, pede independência do Sul e do Sudeste - Notícias - R7 Eleições 2014». noticias.r7.com. Consultado em 2016-05-31. 
  42. a b «PT-SP protocola representação contra Coronel Telhada - Política - Estadão». Estadão. Consultado em 2016-05-31. 
  43. «PSDB critica ‘ideias xenófobas’ de página de vereador tucano Paulo Telhada; post é apagado - Notícias - R7 Eleições 2014». noticias.r7.com. Consultado em 2016-05-31. 
  44. «Após críticas do PSDB, texto de retratação é publicado em página de vereador tucano Paulo Telhada - Notícias - R7 Eleições 2014». noticias.r7.com. Consultado em 2016-05-31. 

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