Corredor bioceânico

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O corredor bioceânico, Ferrovia Bioceânica, Ferrovia Transoceânica ou Ferrovia Transcontinental Brasil-Peru[1][2][3] é um dos projetos da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA). Constitui-se de aproximadamente 4 mil km de estradas que atravessarão o continente sul-americano no sentido leste-oeste, a partir do Porto de Santos, cortando a Bolívia e chegando aos portos chilenos de Arica e Iquique. Assim os bolivianos poderão dispor de maior facilidade de transporte e acesso para o mar.[4]

Os investimentos previstos no projeto serão financiados pela Corporação Andina de Fomento (CAF), pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela União Europeia.

A Bolívia terá o maior aporte de recursos (cerca de 373 milhões de dólares estadunidenses), destinados à pavimentação de 611 quilômetros de estradas entre Puerto Suarez, na fronteira com o Brasil, e Santa Cruz de la Sierra. No Chile, os investimentos são de 93,22 milhões de dólares estadunidenses, para a pavimentação de 50 quilômetros de estradas e construção de aduana.

O trecho brasileiro já está pavimentado porém carece de obras de recuperação e melhoria, para as quais estão previstos 132,86 milhões de dólares estadunidenses.

A rota principal e mais tradicional é que passa por Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

História[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a ideia do corredor bioceânico remonta ao projeto de ferrovia denominada Ferrovia Transulamericana, idealizada na década de 1950, com o objetivo de ligar o Oceano Atlântico ao Pacífico, entre o Peru e o litoral da Bahia. A concepção incluía a implantação de um porto em Campinho, na baía de Camamu, pelas características oceanográficas favoráveis.[5] O trajeto ligando o litoral baiano e a região oeste foi defendido por Vasco Azevedo Neto durante sua vida como deputado federal, engenheiro civil e professor universitário.[6] Também como antecedentes e alternativas, há ainda estudos de 1938 sobre a Estrada de Ferro Brasil-Bolívia e a conexão entre os dois litorais pelo "Corredor Ferroviário Bioceânico ParanaguáAntofagasta", do Eixo Capricórnio da IIRSA.[7]

O projeto não avançou durante décadas até ser incluído no Plano Nacional de Viação por meio da Lei 11 772, de 17 de setembro de 2008, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como "Ferrovia Transoceânica".[8] Entretanto, foi dividido nas seguintes partes: Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL, EF-334, Ilhéus/BA–Figueirópolis/TO),[9] Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO, EF-246 ou EF-354, Uruaçu/GO–Vilhena/RO)[10] e um trecho entre Campinorte (GO) até o Porto do Açu (RJ).

Designada como EF-354 (também identificada como EF-246), uma ferrovia diagonal em bitola larga (de 1,6 metro), foi dividida em três grandes trechos no território brasileiro:

A Lei 11.772 também outorgou à VALEC a construção, uso e gozo do trecho da ferrovia entre Campinorte (GO) e Porto Velho (RO), chamada Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), que foi tratado como trecho prioritário devido a outros interesses nacionais envolvidos. Entre Campinorte (GO) e Vilhena (RO) são 1 641 quilômetros, além da extensão de aproximadamente 770 quilômetros até Porto Velho.[11]

Até 2009 somente o trecho entre Campinorte (GO) e Vilhena (RO) teve seu pré-projeto concluído e foram estimados que a extensão desse trecho será de 1 641 quilômetros a um custo de 5,25 bilhões de reais em bitola larga, permitindo uma velocidade de até 120 quilômetros por hora.[12] O início da construção da ferrovia, estava previsto para o mês de abril de 2011, segundo o presidente da VALEC (que está a cargo da construção)[13] Mas atualmente as obras não começaram.[11]

Em 2014, uma parceria foi acertada pela ex-Presidente Dilma Rousseff e os governos peruano e chinês, para o financiamento e o compartilhamento dos estudos da construção da ferrovia.[14] Em junho de 2015, o governo chinês aprovou o financiamento da obra pelo AIIB (banco de infraestrutura chinês), porém aceitou financiar somente o trecho entre a Ferrovia Norte-Sul e o litoral do Oceano Pacífico, deixando de fora o trecho entre a FNS e o litoral fluminense (até o Porto do Açu).[15] A construção seria iniciada ainda em 2015, porém o prazo previsto não foi cumprido.[16]

Após as reuniões de governantes do G20, na China em setembro de 2016, o Governo Chinês entrou em acordo com o Governo Brasileiro, prometendo investimentos múltiplos no país sul-americano, ente os quais, a efetiva construção da Ferrovia Transoceânica,[16] a qual neste momento já possuía o projeto de análise de viabilidade econômica concluído, que abrirá a rota de exportação pelo Pacífico, barateando custos de transporte de minérios e grãos para o país asiático.[16][17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Ferrovia Bioceânica, que liga Brasil ao Pacífico, enfrenta problemas para implantação». Senado Federal. 8 de agosto de 2017 
  2. «Goiás terá rota para o Oceano Pacífico» 
  3. «Brasil sugere percurso alternativo para a Ferrovia Transoceânica». Macauhub. 9 de fevereiro de 2018 
  4. "Pour le Brésil, l'Amérique du Sud est déjà un partenaire commercial plus important que les États-Unis". (em francês)
  5. «Transportes e Logística: os modais e os desafios da multimodalidade.» (PDF). Salvador: FUNDAÇÃO LUÍS EDUARDO MAGALHÃES. Cadernos FLEM (4). 2002. Consultado em 1 de outubro de 2014 
  6. «Morre o grande idealizador da Ferrovia Oeste-Leste». Tribuna da Bahia. 2 de outubro de 2010 
  7. [1]
  8. «EMI-3-MT-MP-MF-Mpv-427-08». www.planalto.gov.br. Consultado em 26 de novembro de 2018 
  9. «Ferrovia bioceânica é viável, dizem chineses em audiência pública». Senado Federal. 18 de abril de 2017 
  10. «Governo Federal apresenta projeto de nova ferrovia entre Uruaçu/GO e Vilhena/RO». DNIT 
  11. a b CanalRural (5 de outubro de 2013). «ANTT apresenta três alternativas de traçado da Ferrovia de Integração Centro-Oeste». Canalrural 
  12. [2]
  13. [3]
  14. Mundo, Gerardo Lissardy Da BBC. «A polêmica ferrovia que a China quer construir na América do Sul». BBC News Brasil. Consultado em 26 de novembro de 2018 
  15. «Países fecham acordo para a criação da ferrovia bioceânica Peru-Brasil». uol.com.br. 11 de dezembro de 2014 
  16. a b c http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-grri/brasil-china-complementaridade-ou-dependencia
  17. «Ferrovia Bioceânica, para ligar o Brasil ao Pacífico, é viável, indica estudo». Folha de S.Paulo 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]