Correio Braziliense (1808)

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Frontispício da edição de julho de 1817:
Porcaria dos governadores de Portugal, prohibindo o Correio Braziliense.

Correio Braziliense ou Armazém Literário foi um mensário português publicado por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (à época grafado "Hippólyto") em Londres[1]. Precursor dos chamados "jornais de Londres" em particular, e dos jornais portugueses no exílio em geral (1808-1820), é também considerado o primeiro jornal brasileiro. Circulou de 1 de junho de 1808 a 1 de dezembro de 1822, contando 175 números, agrupados em 29 volumes, editados durante 14 anos e 7 meses, ininterruptamente, com marcante pontualidade[1].

Características[editar | editar código-fonte]

Editado para o Mundo Lusíada, o jornal tinha (como hoje conserva a versão moderna homônima, Correio Braziliense, de Brasília) como divisa os seguintes versos de Luís de Camões publicados nos Lusíadas, canto VII, estrofe 14:

Na quarta parte nova os campos ara
E, se mais mundo houvera, lá chegara

Através desse veículo, remetido clandestinamente para o Brasil, Hipólito da Costa defendia ideias liberais como a de uma monarquia constitucional e o fim da escravidão, dando ampla cobertura à Revolução Pernambucana de 1817 e aos acontecimentos de 1821 e de 1822 que conduziriam à Independência do Brasil.

O periódico era dividido em quatro segmentos:

  • Política, com a transcrição de documentos oficiais acerca dos negócios nacionais e estrangeiros; essa era, sem dúvida, a seção mais destacada do jornal.
  • Comércio e Artes, contendo as publicações referentes ao comércio nacional e internacional. Hipólito sempre teve interesse com assuntos de Economia Política.
  • Literatura e Ciências, com as informações de novas publicações na Inglaterra e Portugal, transcrições de obras científicas ou literárias, com respectivos comentários.
  • Ciências e Miscelânea, como o nome indica, assuntos diversos, novidades do Brasil e Portugal e temas polêmicos. Continha duas subseções:
    • Reflexões, com os comentários dos principais acontecimentos, brasileiros ou portugueses, que o jornal divulgava.
    • Correspondência, comunicações oriundas dos leitores (assinadas, anônimas ou com pseudônimos).

O desconforto causado à Coroa Portuguesa pela publicação do periódico levou a que a mesma patrocinasse, à época, também em Londres, a publicação d’O Investigador Portuguez em Inglaterra, visando diminuir sua influência. Posteriormente, a partir de 1813, a Coroa viria a pagar mil libras esterlinas por ano (equivalentes a 500 assinaturas) a Hipólito da Costa, por meio de um amigo seu, Heliodoro Jacinto de Araújo Carneiro, o que teria abrandado o tom das críticas do jornalista a partir de então.

Após a independência, Hipólito da Costa encerrou a publicação do jornal, visto que já não fazia sentido editar um jornal no exterior com o país independente.

Informações gerais[editar | editar código-fonte]

O nome 'brasiliense' (como seria grafado hoje) devia‐se à aversão de Hipólito ao gentílico ‘brasileiro’, por este denominar originalmente a atividade de extrator de pau‐brasil, exercida por índios que o vendiam aos europeus e acabaram por emprestar o nome a todos os habitantes da América portuguesa.

Em formato de livro, não tinha colunas nas páginas. Não havia anúncios. Para manutenção do jornal, de periodicidade mensal, eram necessárias 300 assinaturas pontuais.

  • Páginas por edição: geralmente, de 70 a 140
  • Maior número de páginas: 236 (Nº 51, agosto de 1812)
  • Menor número de páginas: 48 (Nº 175, dezembro de1822)
  • Total de páginas: 21.525
  • Subtítulo: “Armazém Literário”

Algumas campanhas preconizadas no Correio Braziliense[editar | editar código-fonte]

Entre as campanhas preconizadas pelo Correio de 1808, destacam-se:

  • Liberdade de imprensa
  • Garantia da propriedade
  • Introdução do júri
  • Responsabilidade dos ministros
  • Publicação dos orçamentos e das contas do Tesouro público
  • Segurança de ninguém ser preso sem culpa formada (visto que Hipólito fora preso pela Inquisição)
  • Reconhecimento do direito de associação e de petição
  • Acesso de todos aos cargos públicos, eliminando-se os favoritismos
  • Abolição da Inquisição, do juízo da inconfidência, dos foros especiais e das penas infamantes
  • Mudança da Capital para o interior do País
  • Combate ao despotismo dos governantes e às instituições anacrônicas
  • Imigração europeia a determinados cultivos (colonos de várias origens: alemães, italianos, holandeses, irlandeses, escoceses, húngaros, etc.)
  • Abolição da escravatura, de maneira gradual e controlada
  • Instalação de alto-fornos no Brasil (precursores da implantação da siderurgia no Brasil: Hipólito da Costa e José Bonifácio de Andrade e Silva)
  • Promoção do progresso do Brasil, erguendo-o da situação de colônia à Nação

Opositores do Correio Braziliense[editar | editar código-fonte]

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Diversos periódicos foram lançados em Londres, Paris, Hamburgo e Lisboa, para combaterem as idéias e ideais do Correio Braziliense. Os seus principais opositores foram:

  1. "Argus Lusitano" ou "Cartas Analíticas", Londres (1809), em 4 edições
  2. "O Investigador Portuguez em Inglaterra", Londres (1811-1819), em 23 volumes
  3. "O Espelho Político e Moral", Londres (1813-1814)
  4. "Microscópio de Verdades" ou "Óculo Singular", Londres (1814), em 7 edições
  5. "O Portuguez" ou "Mercúrio Político", Londres (1814-1821), em 12 volumes
  6. "O Observador Lusitano em Pariz" ou "Collecção Literária, Política e Comercial", Paris (1815)
  7. "O Espectador Português", Londres (1816-1817), em 2 volumes
  8. "Anais das Ciências, das Artes e das Letras, Paris (1818)
  9. "Le Plenipotentiaire de la Raison", Hamburgo (1818)
  10. "O Campeão Portuguez" ou "O Amigo do Rei e do Povo", Londres (1820-1821), em 4 volumes
  11. "O Padre Amaro" ou "Sovela Política, Histórica e Literária", Londres (1820)
  12. "Azorrague das Cortes Novas", Londres (1820)
  13. "O Contemporâneo Político e Literário", Paris (1820)
  14. "Folhetos portugueses contra o Correio"
  15. "Abelha do meio-dia", Lisboa (1809)
  16. "Reflexões sobre o Correio Braziliense", Lisboa (1809), em 8 fascículos

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • COSTA, Fernando Hippólyto da. Hipólito da Costa: Cronologia do fundador da imprensa brasileira. Natal: 2008.
  • DOURADO, Mecenas. Hipólito da Costa e o Correio Braziliense. Rio de Janeiro: F. Bastos, 1957.
  • FERREIRA JUNIOR, José. Capas de jornal: a primeira imagem e o espaço gráfico visual. São Paulo: Senac São Paulo.
  • LUSTOSA, Isabel. O Nascimento da Imprensa Brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
  • NOBLAT, Ricardo. O que é ser Jornalista. Rio de Janeiro: Record, 2004.
  • RIZINNI, Carlos de Andrade. Hipólito da Costa e o Correio Braziliense. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1957.
  • SOBRINHO, Barbosa Lima. Antologia do Correio Braziliense. Rio de Janeiro: Editora Cátedra, 1977.

Referências

  1. a b «Hipólito José da Costa». Museu da Comunicação Hipólito José da Costa. Consultado em 2 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada em 26 de julho de 2013 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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