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Cosac Naify

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(Redirecionado de Cosac & Naify)
Cosac Naify
Editora
Fundação1996
Fundador(es)Charles Cosac
Michael Naify
SedeSão Paulo
Proprietário(s)Charles Cosac
Michael Naify
Pessoas-chaveCharles Cosac
Michael Naify
Simone Cosac Naify
ProdutosLivros
DivisõesAdulto
Infantojuvenil
Websitecosacedicoes.com.br

Cosac Naify ([koˈzak ˈnejfi]) é uma editora brasileira fundada por Charles Cosac e Michael Naify em 1996 em São Paulo, que publicava livros de arte, arquitetura, cinema, dança, design, fotografia, infantojuvenil, literatura, moda, música, antropologia, sociologia, e teatro. Era conhecida por suas edições de luxo.[1]

Após 8 anos fechada, a editora reabriu em 2023 com o nome Cosac Edições.[2]

Histórico

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A história da Cosac Naify começou em junho de 1997, quando as livrarias brasileiras receberam o volume Barroco de Lírios,[3] de Tunga. Com mais de dez tipos de papéis e 200 ilustrações, o livro criado por um dos principais artistas contemporâneos do mundo tinha recursos como a fotografia de uma trança que, desdobrada, chegava a um metro de comprimento.

Primeiro, vieram as artes plásticas, área na qual a editora publicou mais de cem títulos, incluindo 50 monografias sobre artistas brasileiros e títulos da crítica de arte nunca antes traduzidos para o português, como os três volumes de História da arte italiana,[4] de Giulio Carlo Argan, e Piero della Francesca, de Roberto Longhi, com introdução de Carlo Ginzburg.

A editora também publicou ficção, em edições de títulos como Os Miseráveis, Anna Kariênina e Moby Dick, além de nomes da literatura moderna como o americano William Faulkner e o brasileiro João Antônio. Também publica o espanhol Enrique Vila-Matas, os russos Dostoiévski, Gontcharov e Turguêniev, o argentino Alan Pauls, o alemão Ingo Schulze, o mexicano Mario Bellatin, o francês J. M. G. Le Clézio (Prêmio Nobel de 2008), entre outros. Editou obras de Murilo Mendes, Glauber Rocha e Manuel Bandeira. A editora também publicou ensaístas recentes (que viveram ou vivem até o século XXI), tais como: Bento Prado Jr., Fernando Novais, Davi Arrigucci Jr., Ismail Xavier, Eduardo Viveiros de Castro e Ferreira Gullar.

Os títulos infantojuvenis englobam desde obras como O livro inclinado (1909), de Peter Newell, e Na noite escura (1958), de Bruno Munari; até livros feitos por jovens criadores brasileiros, como Lampião & Lancelote, de Fernando Vilela, um dos livros brasileiros mais premiados de todos os tempos, inclusive pela Feira de Bologna,[5] que em 2010 premiou Tchibum!'.

Outro carro-chefe da Cosac são os livros de arquitetura. A editora publica a obra do Prêmio Pritzker de 2006, Paulo Mendes da Rocha, num catálogo que tem obras de e sobre alguns dos criadores mais importantes da arquitetura brasileira: de Oscar Niemeyer a Vilanova Artigas, de Lucio Costa a Joaquim Guedes, de Vital Brazil a Lina Bo Bardi. Em 2015 lançou O complexo arte arquitetura, de Hal Foster.

Encerramento das atividades

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Em 30 de novembro de 2015, Charles Cosac anuncia o encerramento das atividades da editora. Dentre as causas do fechamento da Cosac Naify, Charles elencou a crise econômica brasileira, a alta do dólar, o aumento da inflação e a burocrática legislação vigente no país.[6] A Amazon e a Cosac Naify fecharam um acordo para que todos os livros disponíveis no estoque da editora, bem como possíveis reimpressões do catálogo e lançamentos anteriormente previstos até 2017, sejam disponibilizados exclusivamente na Amazon.com.br.

Retomada das atividades

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Oito anos depois o encerramento das atividades da Cosac & Naify, Charles Cosac, radicado novamente em São Paulo, reativou o CNPJ de sua extinta editora e a reformulou sob o nome "Cosac" – Michael Naify, seu sócio original, deixou o mercado editorial e voltou-se a uma carreira como fotógrafo. Em entrevista publicada no dia 22 de novembro de 2023 pela Folha de S.Paulo, ele declarou que a nova editora operará em menor escopo, com foco majoritariamente voltado para livros fotográficos sobre joias, artes plásticas e publicações de cunho acadêmico.

O primeiro lançamento da nova empreitada é um livro do artista plástico Siron Franco, e entre os demais projetos em andamento estão uma caixa com dois volumes de livros fotográficos que exploram a temática da joalheria afro-brasileira na Bahia dos séculos XVIII e XIX, com foco no trabalho de Florinda Anna do Nascimento, alforriada que tornou-se uma reconhecida ourives. Entre os planos, estão eventuais reedições de trabalhos originalmente publicados pela antiga Cosac & Naify, como coletâneas de ensaios de Ismail Xavier. Na entrevista à Folha, Cosac ressaltou que a nova editora não participará de eventos literários de maior porte, e apontou que a distribuição dos novos lançamentos será restrita a um número seleto de livrarias e ao varejo digital, em uma abordagem que busca distância do mercado editorial tradicional.[2]

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Referências

  1. Filho, Antonio Gonçalves (30 de novembro de 2015). «Referência no mercado por livros de arte de luxo, Cosac Naify fecha as portas»Subscrição paga é requerida. Estadão. Consultado em 16 de abril de 2021 
  2. a b Perassolo, João (22 de novembro de 2023). «Editora Cosac Naify renasce como Cosac oito anos depois de fechar e chocar mercado»Subscrição paga é requerida. Folha de S.Paulo. Consultado em 23 de novembro de 2023 
  3. «Barroco de Lírios». Tunga. Consultado em 24 de dezembro de 2025 
  4. Machado, Cassiano Elek (8 de novembro de 2003). «Obra de Argan sintetiza história artística italiana»Subscrição paga é requerida. Folha de S.Paulo. Consultado em 3 de agosto de 2015 
  5. Stevens, Iona Teixeira (28 de março de 2013). «Brazilian Publishers Thrive at Bologna Children's Book Fair». publishnewsbrazil.com (em inglês). Consultado em 3 de agosto de 2015. Arquivado do original em 23 de dezembro de 2014 
  6. «Dono da Cosac Naify explica os motivos para o fechamento da editora». GloboNews (Vídeo). G1. Consultado em 3 de dezembro de 2015 
  7. «O vermelho e o negro». CosacNaify. Consultado em 25 de dezembro de 2025. Arquivado do original em 22 de setembro de 2004