CouchSurfing
Logotipo usado desde 2013 | |
| Tipo de sítio | Rede social virtual |
|---|---|
| Fundador(es) | Casey Fenton |
| Cadastro | Necessário (para realizar qualquer atividade) |
| Lançamento | 4 de fevereiro de 2003 em Nova Hampshire , Estados Unidos |
| Sede | Sao Francisco, Califórnia, Estados Unidos |
| Área(s) servida(s) | Em todo o mundo |
| Endereço eletrônico | couchsurfing |
| Estado atual | Ativo |
Couchsurfing é uma rede de troca de hospedagem que permite aos seus utilizadores solicitar estadias gratuitas de curta duração em casas particulares ou interagir com outras pessoas interessadas em viagens. O serviço está disponível através de sítio web e aplicação móvel. Os membros podem solicitar alojamento publicamente ou diretamente a outros membros, utilizar a opção "hangout" para se encontrarem com outros viajantes, ou aderir e criar eventos.[1] Os membros configuram perfis de utilizador nos quais outros membros podem publicar recensões.[2]
Funciona através de um modelo de negócio por subscrição e, embora os anfitriões não possam cobrar pela hospedagem, em alguns países os membros têm de pagar uma quota para aceder à plataforma.[3]
História
[editar | editar código]Conceção (1999–2004)
[editar | editar código]O Couchsurfing foi concebido pelo programador informático e natural do New Hampshire, Casey Fenton, em 1999, quando tinha 21 anos.[4][5][6]
A ideia surgiu quando Fenton encontrou um voo barato de Boston para a Islândia, mas não tinha alojamento. Para resolver a situação, invadiu uma base de dados da Universidade da Islândia e enviou mensagens eletrónicas aleatórias a 1500 estudantes a pedir hospedagem. Recebeu entre 50 e 100 respostas positivas e acabou por ficar hospedado em casa de uma cantora islandesa de rhythm and blues.[5]
Durante o voo de regresso a Boston concebeu a ideia de criar um sítio web que facilitasse este tipo de trocas. Registou o domínio couchsurfing.com a 12 de junho de 1999.[5][7]
Fenton também se inspirou numa viagem ao Egito realizada dois anos antes, durante a qual um habitante local o havia guiado pela região.[8]
A Couchsurfing International Inc. foi constituída a 2 de abril de 2003 como uma corporação sem fins lucrativos no estado do New Hampshire,[9] com a intenção de solicitar isenção fiscal ao abrigo da secção 501(c)(3) do código tributário norte-americano.
O sítio web foi lançado oficialmente a 12 de junho de 2004,[5] com a colaboração de Dan Hoffer, Sebastien Le Tuan e Leonardo Silveira.[6]
Desenvolvimento do sítio por voluntários (2006–2011)
[editar | editar código]
Entre 2006 e 2011, o desenvolvimento da plataforma realizou-se principalmente em eventos denominados Couchsurfing Collectives, encontros onde membros da comunidade colaboravam voluntariamente para melhorar o sítio web.[5] Estes encontros realizaram-se em Montreal, Viena, Nova Zelândia, Roterdão, Costa Rica, Samara, Alasca, Istambul e Tailândia.[8][5][10]
No entanto, o código desenvolvido de forma coletiva apresentava numerosos erros de software e as falhas do sistema eram frequentes. Muitos membros consideravam que o sítio deveria ser refeito de raiz.[8] Os Collectives foram também dificultados por problemas legais e fiscais em vários países, bem como pela participação de alguns voluntários com pouco compromisso.[8]
Em junho de 2006, uma falha na base de dados provocou a perda irreversível de grande parte do conteúdo do sítio.[5][11] Fenton publicou uma mensagem em linha a pedir ajuda à comunidade.[12] Durante um Collective em Montreal, os participantes angariaram 8000 dólares em donativos e comprometeram-se a reconstruir o sítio.[5]
Em 2007, o volume de pesquisas de couchsurfing.org no Google Trends ultrapassou o do Hospitality Club.[13]
Conversão em empresa com fins lucrativos e financiamento (2011)
[editar | editar código]A organização solicitou o estatuto 501(c)(3) como entidade sem fins lucrativos em novembro de 2007, mas a autoridade fiscal norte-americana recusou o pedido no início de 2011.[4][14]
Em agosto de 2011, foi constituída uma nova empresa com fins lucrativos no Delaware, também denominada Couchsurfing International, Inc., que angariou 7,6 milhões de dólares numa primeira ronda de financiamento liderada pela Benchmark Capital e pela Omidyar Network.[15] Esta nova entidade adquiriu os ativos da organização original do New Hampshire, que foi dissolvida em novembro de 2011.[9]
A conversão em empresa privada gerou rejeição entre muitos membros, uma vez que contrariava os princípios fundadores de operar como organização sem fins lucrativos.[4] Posteriormente, o Couchsurfing obteve a certificação temporária de B Corporation, embora esta tenha sido revogada pouco depois.[16]
Em agosto de 2012, a companhia recebeu mais 15 milhões de dólares de investimento liderado pela General Catalyst Partners, com a participação da Menlo Ventures, Benchmark e Omidyar, atingindo um total de 22,6 milhões de dólares angariados.[17] Nesse mesmo ano lançou as aplicações móveis para iOS e Android.[18]
Mudanças na direção (2012–2015)
[editar | editar código]
Tony Espinoza, ex-vice-presidente e gerente-geral de jogos sociais na MTV, foi diretor executivo entre abril de 2012 e outubro de 2013.[19] Durante a sua gestão, a base de utilizadores duplicou, embora muitos novos membros tivessem demonstrado menos interesse em hospedar viajantes ou manter o espírito de reciprocidade característico da comunidade.[8] As tensões internas conduziram à demissão de Casey Fenton, que ainda assim manteve o seu lugar no conselho de administração.[8]
A empresa estabeleceu escritórios em São Francisco.[20] No final do mandato de Espinoza, a companhia havia consumido metade do seu financiamento e despedido 40% do pessoal.[8]
Jennifer Billock, responsável pelo marketing de produto, assumiu o cargo de diretora executiva em outubro de 2013.[21]
Novo investimento (2015)
[editar | editar código]Em 2015, o Couchsurfing necessitava de financiamento adicional, mas não cumpria os requisitos para uma ronda de investimento Série C. A companhia recebeu então uma injeção de capital por parte de Dugan Katragadda (Valencia Street Capital), liderada por Patrick Dugan, antigo funcionário da NetSuite, Piper Jaffray, Palantir Technologies e Practice Fusion.[22]
Este investimento permitiu reestruturar o conselho de administração e supôs a saída definitiva de Casey Fenton da gestão operacional.[8] Posteriormente, Fenton fundou a empresa Upstock Inc.[23]
Em junho de 2016, a empresa incorporou na sua aplicação móvel a funcionalidade "Hangouts", que permitia aos membros encontrarem-se rapidamente com outros utilizadores próximos.[24]
Mudança para modelo de subscrição (2020)
[editar | editar código]A 14 de maio de 2020, durante a pandemia de COVID-19, o Couchsurfing adotou um modelo de negócio baseado em subscrição, exigindo aos utilizadores de alguns países o pagamento de uma quota mensal de 2,39 dólares norte-americanos ou de uma quota anual de 14,29 dólares para aceder à plataforma.[25][26]
A companhia justificou a decisão pela crise financeira derivada da pandemia, alegando que tinha reduzido salários, cancelado contratos e eliminado o seu espaço de escritório antes de tomar a medida.[26] Contudo, a alteração foi aplicada de forma imediata e sem aviso prévio à comunidade: os utilizadores que não pagaram a quota viram as suas contas bloqueadas, incluindo o acesso às suas recensões, mensagens e contactos acumulados ao longo de anos.[27]
Redesenho da plataforma (2026)
[editar | editar código]A 6 de maio de 2026, o Couchsurfing anunciou o lançamento de uma nova versão do seu sítio web e aplicação móvel, reconstruídos de raiz. A companhia comunicou a alteração através de duas publicações no seu blogue oficial: uma nota intitulada A New Chapter. Same Magic. a 6 de maio[28] e um texto explicativo assinado por Mike Joy, Why We Did This, a 8 de maio.[29] Neste último, a empresa atribuiu a decisão às limitações técnicas da plataforma anterior, cuja arquitetura datava essencialmente de 2012, o que dificultava a manutenção e a incorporação de novas funcionalidades.[29]
Segundo a companhia, o redesenho baseou-se em estudos sobre o comportamento real dos utilizadores, incluindo padrões de interação com fotografias e elementos do perfil considerados relevantes na decisão de contactar outro membro.[29] A estrutura dos perfis foi modificada para incorporar atributos descritivos sobre estilo de vida e hábitos quotidianos, a par da descrição textual tradicional.
Entre as alterações funcionais introduzidas figuram a integração de fóruns temáticos e geográficos dentro da plataforma (Communities), uma ferramenta para apresentar contactos entre membros (Introductions), uma versão redesenhada da funcionalidade Hangout com um mapa de localização aproximada dos utilizadores próximos, e uma secção de eventos locais selecionados (Curated Events).[28] Foram eliminadas algumas funcionalidades preexistentes, como o indicador Last Login («Último início de sessão»), substituído por um algoritmo que pondera a atividade recente, os interesses comuns e as ligações partilhadas.[29]
O lançamento foi acompanhado por problemas de desempenho, estabilidade e processamento de pagamentos de subscrição durante as primeiras 24 horas, atribuídos pela companhia ao volume de tráfego recebido.[29] A totalidade dos perfis existentes foi migrada para a nova plataforma, embora os membros tivessem de completar um novo processo de inscrição.[29]
Segurança
[editar | editar código]
A segurança no Couchsurfing depende de três fatores principais:
- Recensões pessoais: comentários que outros utilizadores escrevem no perfil descrevendo a sua experiência. Podem ser positivas, negativas ou neutras. É igualmente possível especificar o grau de amizade com a pessoa em questão.
- Níveis de verificação: desde o nível básico até à verificação do nome e morada com cartão de crédito.
- Avais (vouch): credenciais que outros utilizadores atribuem a pessoas de confiança comprovada. Embora atualmente já não possam ser concedidos, continuam visíveis nos perfis das pessoas que os obtiveram.
Existem várias recomendações para evitar problemas relacionados com a segurança no Couchsurfing, nomeadamente:
- Examinar os perfis com atenção e ler várias recensões.
- Confiar nos instintos pessoais.
- Em caso de dúvida sobre o anfitrião, optar por casais ou famílias.
- Comunicar sempre com o anfitrião através da plataforma.
- Avisar um familiar ou amigo sobre o local da estadia.
- Não deixar objetos de valor (cartões de crédito, passaporte, dinheiro) na bagagem deixada em casa do anfitrião.
Outras plataformas de troca de hospitalidade
[editar | editar código]Referências
- ↑ Manzanilla, Ale (2 de maio de 2017). «Cómo funciona CouchSurfing. Guía para principiantes». Descúbrete Viajando (em espanhol). Consultado em 18 de junho de 2020
- ↑ «How can I submit references and feedback for other members?». Couchsurfing FAQs (em inglês). Consultado em 18 de junho de 2020
- ↑ «Verification Payment Questions». Couchsurfing FAQs (em inglês). Consultado em 18 de junho de 2020
- 1 2 3 Lapowesky, Issie (29 de maio de 2012). «Couchsurfing Dilemma: Going for Profit». Inc.
- 1 2 3 4 5 6 7 8 Camillo, Angelo A. (17 de agosto de 2015). Handbook of Research on Global Hospitality and Tourism Management. [S.l.]: IGI Global. ISBN 9781466686076
- 1 2 Moran, Gwen (9 de dezembro de 2011). «How CouchSurfing Got its Start, and Landed VC Millions». Entrepreneur
- ↑ «Whois Record for CouchSurfing.com»
- 1 2 3 4 5 6 7 8 Fedorov, Andrew (15 de setembro de 2021). «Paradise lost: The rise and ruin of Couchsurfing.com». Input
- 1 2 «Business Information: COUCHSURFING INTERNATIONAL INC.». New Hampshire Department of State
- ↑ Barnett, George A. (7 de setembro de 2011). Encyclopedia of Social Networks. [S.l.]: SAGE Publications. ISBN 9781506338255
- ↑ Arrington, Michael (29 de junho de 2006). «CouchSurfing Deletes Itself, Shuts Down». TechCrunch
- ↑ Fenton, Casey (28 de junho de 2006). «Help! - Innodb and MyISAM accidental DROP DATABASE – 112 tables gone forever?». forums.mysql.com
- ↑ Rustam Tagiew; Dmitry I. Ignatov; Radhakrishnan Delhibabu (2015). Hospitality Exchange Services as a Source of Spatial and Social Data?. (IEEE) International Conference on Data Mining Workshop (ICDMW). Atlantic City. pp. 1125–1130. arXiv:1412.8700
. doi:10.1109/ICDMW.2015.239 - ↑ Longenecker, Justin G.; Petty, J. William; Palich, Leslie E.; Hoy, Frank (15 de janeiro de 2016). Small Business Management: Launching & Growing Entrepreneurial Ventures. [S.l.]: Cengage. ISBN 9781305405745
- ↑ Predefinição:Citar imprensa
- ↑ «Myths and Facts: Couchsurfing's conversion to a B Corp». Couchsurfing. 14 de setembro de 2011
- ↑ Gallagher, Billy (22 de agosto de 2012). «CouchSurfing Raises $15 Million Series B From General Catalyst Partners, Menlo Ventures, Others». TechCrunch
- ↑ Graham, Jefferson (12 de outubro de 2013). «Couchsurfing your way to a free place to stay». USA Today
- ↑ Vivion, Nick (11 de outubro de 2013). «CouchSurfing CEO steps down amid layoffs, uncertainty». Phocuswire
- ↑ «Office Envy: Inside CouchSurfing's San Francisco workspace». CNBC. 12 de fevereiro de 2016
- ↑ Lunden, Ingrid (10 de outubro de 2013). «Tony Espinoza Steps Down As CEO Of Couchsurfing, Jennifer Billock Steps Up As Interim As Startup Lays Off Staff, "Doubles Down" On Mobile». TechCrunch
- ↑ «Dugan Katragadda, L.P.». U.S. Securities and Exchange Commission. 10 de outubro de 2020
- ↑ «The Story of Couchsurfing.com with Founder Casey Fenton». Under 30 Experiences. Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ Wira, Ni Nyoman (23 de junho de 2016). «Couchsurfing to introduce new "hangout" feature». The Jakarta Post
- ↑ Ferrarese, Marco (24 de junho de 2020). «Pandemic hits 'couchsurfing' travel bug». Nikkei Asian Review
- 1 2 Hopest, James (22 de maio de 2020). «The Death of Couchsurfing?». Medium (em inglês)
- ↑ «Is This Finally The End Of Couchsurfing? (And What's Next?)». Bren on The Road (em inglês). Consultado em 11 de maio de 2026
- 1 2 «A New Chapter. Same Magic.». Couchsurfing Blog (em inglês). 6 de maio de 2026. Consultado em 11 de maio de 2026
- 1 2 3 4 5 6 Joy, Mike (8 de maio de 2026). «Why We Did This». Couchsurfing Blog (em inglês). Consultado em 11 de maio de 2026