Covent Garden

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Interior do mercado em Covent Garden.

Covent Garden é um distrito de Londres, Inglaterra, localizado nas partes situadas mais a leste da cidade de Westminster, e no canto sudoeste do borough londrino de Camden.

A área é dominada por estabelecimentos comerciais, que oferecem compras e entretenimento, além de performances de rua. A Royal Opera House, célebre sala de concertos conhecida corriqueiramente como "Covent Garden", se localiza no distrito, bem como a área de Seven Dials.

O distrito é delimitado pelas ruas High Holborn, ao norte, Kingsway, a leste, Strand, ao sul, e Charing Cross Road, a oeste. A Covent Garden Piazza localiza-se no centro geográfico dessa área, onde havia um célebre mercado de flores, frutas e legumes, que existiu do século XVI até 1974, quando as vendas por atacado passaram a ser realizadas no New Covent Garden Market ("Novo Mercado de Covent Garden"), em Nine Elms.

Algumas regiões de Londres próximas a Covent Garden são Soho, St James's, Bloomsbury e Holborn.

Início da história[editar | editar código-fonte]

Covent Garden em 1572 por Ralph Agas, com o muro ao redor dele marcados em verde

O caminho de Strand, na borda sul do que viria a se tornar o Covent Garden, foi utilizado durante o período romano como parte de uma rota para Silchester, conhecida como "Iter VIII" no Itinerário de Antonino,[1] e que mais tarde tornou-se conhecida pelo nome de Akeman Street.[2] [3] Escavações realizadas na Igreja de St Martin-in-the-Fields, em 2006, revelaram a presença no local de uma sepultura romana, indicando que ele talvez tivesse à época uma importância religiosa.[4] Durante muito tempo, acreditou-se que a área ao norte de Strand teria permanecido inabitada até o século XVI; porém, as teorias de Alan Vince and Martin Biddle de que ali teria existido um povoamento anglo-saxão, a oeste da antiga cidade romana de Londínio, foram confirmadas por escavações em 1985 e 2005. Essa descoberta revelou também que Covent Garden foi o centro de uma cidade comercial chamada Lundenwic, que teria se desenvolvido por volta do ano 600,[5] [6] e se estendido desde Trafalgar Square até Aldwych.[7] Alfredo, o Grande, teria gradualmente transferido o povoado para a cidade de Londínio, a partir de 886 em diante, não deixando vestígios da antiga localidade, cujo terreno voltou a ser usado como campo.[5]

Por volta de 1200, surge a primeira menção sobre um jardim de abadia em um documento que se referia a um "jardim murado de propriedade dos monges beneditinos da Abadia de São Pedro, Westminster"[8] . Um documento posterior, datado do período entre 1250 e 1283, faz referência ao "jardim do Abade e do Convento de Westminster"[8] . Por volta do século XIII, tal área foi transformada em um quadrilátero de 40 acres (16 hectares) composto por pomares, prados, pastagens e terras cultiváveis, localizado entre as atuais ruas St. Martin's Lane e Drury Lane e Floral Street e Maiden Lane.[9] O uso da denominação "Covent", um termo anglo-francês para designar uma comunidade religiosa, equivalente a "monastério" ou "convento",[10] [11] surge em um documento de 1515, quando a Abadia, que já vinha sublocando terrenos ao norte de Strand para a construção de pousadas e hortos, arrendou o jardim murado referindo-se a ele como "um jardim chamado Covent Garden" — denominação que passou a ser usada oficialmente a partir de então.[8]

Geografia[editar | editar código-fonte]

OpenStreetMap de Covent Garden

O Covent Garden encontra-se localizado entre as ruas High Holborn, ao norte, Drury Lane, a leste, Strand, ao sul, e St. Martin's Lane, a oeste.[12] Sua principal rota viária é a Long Acre, no sentido nordeste da St. Martin's Lane em direção à Drury Lane.[13]

Na área ao sul de Long Acre está localizado a Royal Opera House, o mercado local e a praça central, assim como a maioria dos edifícios luxuosos, teatros e locais de entretenimento da região, incluindo o Theatre Royal e o London Transport Museum. Já o norte de Long Acre é dedicado a pequenos comércios varejistas centrados entre Neal Street, Neal's Yard e Seven Dials, embora essa área também possua edifícios residenciais, como o Odhams Walk, construído em 1981, onde funcionava a antiga editora de livros Odhams[14] , e que atualmente abriga mais de 6.000 moradores.[15]

A Shelton Street, paralela à Long Acre na porção norte, marca a fronteira entre as regiões londrinas (boroughs) de Westminster e Camden.[16]

Economia[editar | editar código-fonte]

Queijo loja fora Neal's Yard - parte da economia de varejo de Covent Garden

A economia da região depende essencialmente do comércio e do entretenimento. Em 1979, o Covent Garden Market foi reaberto como um centro comercial. Atualmente, um dos locais mais famosos e populares ali é o Apple Market, uma subseção pequena do mercado principal.[17] O corredor central do Apple Market é composto por cafés, bares e lojas, que vendem principalmente antiguidades, joias, roupas e souvenires; há ainda algumas lojas casuais no Jubilee Hall Market, na parte sul da praça. A Long Acre possui também uma variedade de lojas de roupa e boutiques, e a Neal Street é conhecida pelo seu grande número de lojas de calçados. O London Transport Museum e a entrada lateral para a bilheteria da Royal Opera, assim como outros estabelecimentos, também estão localizados na praça. Durante os anos 1970 e 1980, a casa de eventos Rock Garden foi bastante popular artistas dos movimentos Punk e New Wave.[18]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Um artista de rua no espaço designado pelo desempenho da igreja de São Paulo

A região do Covent Garden sempre foi tradicionalmente associada tanto ao comércio quanto ao entretenimento, o que continua acontecer nos dias atuais.[19] No Covent Garden estão localizados, por exemplo, 13 teatros e mais de 60 pubs e bares, a maioria na parte sul da Long Acre, em torno da principal área comercial do antigo mercado.[20] [21] A área conhecida como Seven Dials, no norte de Covent Garden, abrigou em 1977 o clube de punk rock The Roxy,[22] e continua até hoje a despertar o interesse do público jovem graças à existência de lojas de roupas descoladas e antenadas com as tendências modernas.[23]

Performances de rua[editar | editar código-fonte]

A primeira menção de uma apresentação artística na Grã-Bretanha foi registrada pelo cronista Samuel Pepys, que viu uma performance na praça de Covent Garden em maio de 1662.[24] No século XVIII, improvisações musicais eram realizadas na localidade por William Cussans.[25] Atualmente, o Covent Garden é a única região de Londres autorizada a ter animações de rua e os artistas apresentam-se em horários pré-determinados em vários estabelecimentos ao redor do mercado, incluindo North Hall, West Piazza e South Hall Courtyard. O pátio central é dedicado exclusivamente a apresentações de música clássica. No mercado de Covent Garden há performances de rua todos os dias do ano, exceto no Natal. As apresentações acontecem ao longo de todo o dia e duram aproximadamente 30 minutos. Em março de 2008, a administradora do mercado, a CapCo, propôs a redução dessas apresentações para um show de 30 minutos a cada hora.[26]

Pubs e bares[editar | editar código-fonte]

A área de Covent Garden tem mais de 60 pubs e bares, [20] sendo vários deles sediados em edifícios tombados pelo governo por sua relevância histórica.[27] Alguns, como o "The Harp in Chandos Place", chegaram até mesmo a ser reconhecidos pela qualidade de seus serviços; entre os prêmios concedidos ao The Harp's, estão o London Pub of the Year, de 2008, e o National Pub of the Year, de 2011[28] . O "The Lamb & Flag", na Rose Street possui a reputação de ser o pub mais antigo da região.[29] Embora as informações não sejam muito claras, os primeiros registros de um pub no local são de 1772, quando era chamado de "Cooper's Arms"; o nome mudaria para "Lamb & Flag" em 1833.[30] Esse pub tornou-se famoso por realizar lutas de boxe sem luvas durante o século XIX, quando adquiriu o apelido de "Bucket of Blood".[31] O beco ao lado do bar foi palco de um ataque a John Dryden em 1679 por capangas contratados por John Wilmot, o 2º conde de Rochester,[32] com quem ele tinha uma antiga rivalidade.[33]

Referências

  1. «ANTONINE ITINERARY». www.roman-britain.org. Consultado em 2010-07-31. 
  2. Thomas Codrington, Roman Roads in Britain Society for Promoting Christian Knowledge, London, 1903 (republished on LacusCurtius) [S.l.] Consultado em 2010-07-31. 
  3. J.S. Cockburn, H.P.F. King, K.G.T. McDonnell (Editors). Archaeology - The Romano-British Period: A History of the County of Middlesex: Volume 1, 1969 Victoria County History [S.l.] pp. 64–74. Consultado em 2010-07-31. 
  4. «BBC NEWS» news.bbc.co.uk [S.l.] 2006-12-01. Consultado em 2010-07-31.  Texto " England " ignorado (Ajuda); Texto " London " ignorado (Ajuda); Texto " Ancient body prompts new theories " ignorado (Ajuda)
  5. a b "King Alfred's London and London's King Alfred", John Clark, "London Archaeologist" Volume 9 No.2 Autumn 1999
  6. Jim Leary. «PCA - News - Highlights - 15-16 Bedford Street». www.pre-construct.com. Consultado em 2010-08-13. 
  7. «Museum of London - Early years of Lundenwic». www.museumoflondon.org.uk. Consultado em 2010-07-27. 
  8. a b c Burford, E.J. (1986). Wits, Wenchers and Wantons - London's Low Life: Covent Garden in the Eighteenth Century Hale [S.l.] pp. 1–3. ISBN 0709026293. 
  9. F. H. W. Sheppard (General Editor). «Survey of London: volume 36: Covent Garden: The Bedford Estate - Covent Garden and the seven acres in Long Acre, 1970». English Heritage. pp. 19–21. Consultado em 2010-08-01.  Texto " British History Online " ignorado (Ajuda)
  10. «Online Etymology Dictionary». www.etymonline.com. Consultado em 2010-07-31. 
  11. The Concise Oxford Dictionary, page 202, H W Fowler and F G Fowler, Clarendon Press, Fourth Edition, 1951
  12. Christopher Hibbert, Ben Weinreb, The London Encyclopaedia, pp 213-214 Pan Macmillan, 2008, ISBN 1405049243 [S.l.] Consultado em 2010-07-28. 
  13. «Covent Garden London : 200 years of history for London streets including ghosts, fire, disaster, joy, heroes and villains, markets, architecture, Events, Historic Celebrities». www.coventgarden.uk.com. Consultado em 2010-07-30. 
  14. «Odhams Walk». showcase.homesandcommunities.co.uk. Consultado em 2010-07-30. 
  15. «About Us». www.coventgarden.org.uk. Consultado em 2010-07-30. 
  16. «Camden elections 2010». www3.camden.gov.uk. Consultado em 2010-07-28. 
  17. London Covent Garden
  18. Pete Frame. Pete Frame's rockin' around Britain: rock'n'roll landmarks of the UK and Ireland, 1999 Music Sales Group [S.l.] p. 122. Consultado em 2010-09-22.  Texto "ISBN 0711969736 " ignorado (Ajuda)
  19. Party Earth publisher=Party Earth LLC, 2010. Party Earth - Europe, 4th Edition [S.l.: s.n.] p. 330. ISBN 0976112078. Consultado em 2010-08-25. 
  20. a b «pubs in Covent Garden. Find pub reviews for pubs in London, UK and Ireland». www.fancyapint.com. Consultado em 2010-07-30.  Texto " fancyapint? " ignorado (Ajuda)
  21. «Theatres Index Page». www.covent-garden.co.uk. Consultado em 2010-08-25. 
  22. «Roxy music» (London: guardian.co.uk). 2007-10-04. Consultado em 2010-08-25.  Texto " Music " ignorado (Ajuda); Texto " guardian.co.uk " ignorado (Ajuda)
  23. "Neal Street", The Open Guide to London online retrieved 19 July 2008
  24. «Covent Garden and the Story of Punch and Judy». CoventGardenLife.com. Consultado em 2008-03-31. 
  25. John Thomas Smith, 1829, Cussans's biography in Nollekens and his times, volume 2. p. 285-286
  26. «Buskers fear 'thin end of wedge'» BBC News [S.l.] 2008-03-27. Consultado em 2008-03-28. 
  27. «CAMRA London Pubs Group - past Pub Crawls». www.camranorthlondon.org.uk. Consultado em 2010-07-30. 
  28. «The Harp in Covent Garden: a national treasure». MorningAdvertiser.co.uk. //plus.google.com/+morningadvertiser/posts. Consultado em 2015-11-12.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  29. «The Lamb and Flag, Westminster, London WC2E 9EB». Pubs.com. Consultado em 2010-07-30. 
  30. F. H. W. Sheppard (General Editor) (1970). Survey of London: volume 36: Covent Garden: King Street and Floral Street Area — Rose Street English Heritage [S.l.] pp. 182–184. Consultado em 2010-07-30. 
  31. Darwin Porter, Danforth Prince, Frommer's England 2008 Frommer's [S.l.] 2007. p. 215. ISBN 047013819X. Consultado em 2010-07-30. 
  32. John Richardson, The Annals of London University of California Press [S.l.] 2000. p. 156. ISBN 0520227956. Consultado em 2010-07-30. 
  33. «John Wilmot, 2nd Earl of Rochester». www.luminarium.org. Consultado em 2010-08-02. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

As autoridades locais
Comunidade
História