Crítica textual

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Em filologia, crítica textual ou ecdótica (do grego ékdotos: "edito")[1] é a arte cuja finalidade é a de aproximar o texto tanto quanto possível da sua forma originária, isto é, da forma pretendida pelo autor. A ecdótica trata, portanto, de restituir, por meio de minuciosas regras de hermenêutica e exegese, a forma mais próxima do que seria a redação inicial de um texto, a fim de estabelecer a sua edição definitiva.

A crítica textual - também chamada de baixa crítica ou crítica documental - estuda os textos antigos e a sua preservação (ou corrupção) ao longo do tempo, visando reconstituí-los com base na documentação disponível, enquanto a alta crítica tem como foco não só a recuperação do texto em si, mas também outros aspectos, tais como a autoria e o contexto da obra.

História[editar | editar código-fonte]

A princípio, a crítica textual teve como objeto os manuscritos bíblicos antigos. Pelo fato de não existirem mais os autógrafos dos escritos bíblicos, recorre a manuscritos, lecionários, citações nos antigos autores cristãos, óstracos e traduções posteriores. O crítico textual estabelece um "texto original", reconstruído, apoiado nas probabilidades e suposições estabelecidas a partir de todas estas fontes.

A primeira edição impressa do Novo Testamento em grego foi publicada por incumbência do Cardeal Jiménez de Cisneros em Alcalá de Henares (em latim, Complutum). Ela foi preparada em 1502 por eruditos espanhóis. Essa edição era trilíngue no texto hebraico (hebraico, a Vulgata e a Septuaginta) e bilíngue no texto grego (o texto grego e o texto latino). Por esta razão, a edição se chama Poliglota Complutense, sua edição é de 1514 — porém não foi divulgada publicamente, pois aguardava a aprovação eclesiástica.

A primeira edição impressa disponível para o público foi realizada por Erasmo de Roterdão (1469-1536). Um editor da cidade suíça de Basileia, sabendo da edição espanhola, encomendou a Erasmo uma edição grega. Erasmo a preparou às pressas em 1515, publicando-a em 1516. Para a edição, Erasmo utilizou apenas os manuscritos minúsculos do século XII e traduziu do latim para o grego o texto do Apocalipse, ausente dos manuscritos disponíveis. O texto de Erasmo foi base para Lutero elaborar a edição alemã da Bíblia, particularmente a segunda edição de 1519.

Etapas da Crítica Textual[editar | editar código-fonte]

Normalmente são três as principais abordagens fundamentais para a aplicação da crítica textual:

  • Ecletismo
  • Estemática
  • Correção de copistas.

Recentemente novas técnicas - entre elas a cladística, que é a classificação hierárquica das espécies, baseada na ascendência evolutiva, método oriundo da biologia - têm sido adicionadas visando melhor estabelecer o relacionamento entre os manuscritos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Termo usado pelo filólogo francês Dom Henri Quentin (1872-1935), em Essais de critique textuelle (Ecdotique). Paris: Picard, 1926. A palavra Ecdótica porém, já figura no Manuel de Philologie Classique, de Salomon Reinach, 2ª edição, Paris: Librairie Hachette, 1883, p. 31), com a seguinte definição: "A crítica textual é a ciência das alterações às quais os textos são sujeitos, dos meios de reconhecê-los e de remediá-los. A Ecdótica é a arte de publicar os textos". ("La Critique des Textes est la science des altérations auxquelles les textes son sujets, des moyens de les reconnaître et d'y remédier. L'Ecdotique est l'art de publier les textes", apud Crítica textual - conceito, objeto, finalidade, por Maximiano de Carvalho e Silva).