Crioulo

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Crioulo tem significados diferentes em idiomas e regiões diferentes. No Brasil, designa o negro nascido no continente americano, em oposição aos que nasceram na África — por vezes chamados "boçais".[1] Na América espanhola, criollo designa os descendentes de espanhóis nascidos na América, em oposição aos chapetones, nascidos na Espanha. Na forma de colonização espanhola, apenas os chapetones podiam participar da administração colonial, o que descontentava os criollos (mesmo os mais ricos), que não podiam participar da vida política e decidir seus próprios destinos — mesmo os criollos mais ricos.[2]

Na América Espanhola[editar | editar código-fonte]

Eram os descendentes de espanhóis nascidos na América espanhola. Possuíam grandes propriedades e atuavam no comércio. Muitos de seus filhos iam realizar os estudos superiores na Espanha e, ao voltar, exerciam as carreiras de médico, advogado, oficial do exército, entre outras. Os filhos dos grandes aristocratas europeus - em especial espanhóis - que tinham filhos nascidos em terras americanas, chamavam a seus filhos de criollo. O termo era, então, usado como sinônimo para todo aquele que nascesse fora de seu país de origem. Atualmente, o termo apresenta várias nuances desse significado original, dependendo de cada país ou região da América espanhola. Por exemplo, na Argentina, o termo é utilizado geralmente para referir-se a maioria dos descendentes da população da era colonial independentemente de raça, com exceção dos negros de pele escura e dos indígenas atuais (enquanto os ameríndios não-indígenas também são chamados de criollos).

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil do século XIX e anterior, chamava-se de crioulos os escravos não mestiços que tinham nascido no Brasil, diferenciando-os daqueles nascidos na África. Os negros escravizados que sabiam falar português e conheciam os costumes brasileiros (portugueses), eram chamados de "negros ladinos" (derivado de "latinos", mas já com a conotação de "esperto"). Africanos escravizados que desconheciam a língua portuguesa e os costumes da nova terra eram denominados "negros boçais". Certamente, este tom pejorativo contaminou posteriormente o significado de crioulo. Em geral, os escravos mestiços eram apenas chamados de mulatos, já subentendendo-se que sabiam falar português e conheciam os costumes locais como os escravos crioulos.

No Brasil do século XX e atual, a palavra "crioulo" designa pessoas de pele escura descendentes de africanos subsaarianos, incluindo negros e mestiços, e pode ser considerado racialmente ofensivo. Não inclui pessoas de origem asiática, norte-africana, Ameríndios ou qualquer outra que tenha a pele escura.

Na obra de Darcy Ribeiro, cultura crioula refere-se à "configuração histórico‐cultural resultante da implantação da economia açucareira e de seus complementos e anexos na faixa litorânea do Nordeste brasileiro, que vai do Rio Grande do Norte à Bahia", de populações surgidas "da fusão racial de brancos, índios e negros".[3]

No Rio Grande do Sul, estado brasileiro fronteiriço com a Argentina e Uruguai, a palavra "crioulo" é utilizada para designar os descendentes dos antigos colonizadores portugueses, isto é, o gaúcho tradicional, como se pode ver nos nomes do Museu Crioulo e do programa de televisão Galpão Crioulo. Entretanto, cientes do seu uso no resto do Brasil, alguns procuram diferenciar, utilizando a palavra "crioulo" para designar pessoas de pele escura e a palavra espanholizada "criolo" para designar os descendentes brancos dos antigos colonizadores portugueses. Assim, denominam de "Balcão do Criolo" a uma janela do palácio do governo estadual de onde os antigos presidentes da província e governadores costumavam discursar para o povo.

Em Portugal e suas antigas colônias africanas[editar | editar código-fonte]

No mundo lusófono, o termo "crioulo" denomina os filhos de casamentos inter-raciais ou, por extensão, as culturas nascidas do encontro entre o mundo europeu e o africano (como a caboverdiana ou a santomense). Em geral, este termo não tem conotação ofensiva nestas regiões. A conotação desta palavra como miscigenação originou a expressão língua crioula para designar as línguas resultantes da mistura de dois ou mais idiomas distintos, em geral, as que surgiram nos territórios colonizados pelos europeus como mistura de idiomas europeus e não europeus.[carece de fontes?]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 499.
  2. «A Independência da América Latina». Enciclopédia Delta de História do Brasil. [S.l.]: Editora Delta S/A. 1969. p. 1074 
  3. RIBEIRO, Darcy. O Brasil crioulo. In: O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. link. [Cf. p. 274-275.]