Crise migratória na Europa

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Editado pela última vez em 21 de outubro de 2015.
Serviço Naval Irlandês a resgatar imigrantes de um barco superlotado como parte da Operação Tritão, junho de 2015.
Migrantes na fronteira da Grécia com a Macedônia, próximo a cidade de Gevgelija (24 de agosto de 2015).

A Crise migratória na Europa,[1] também conhecida como crise migratória no Mediterrâneo[2] e crise de refugiados na Europa,[3] é como se denomina a atual situação humanitária crítica que se tornou mais grave no ano de 2015, por conta do aumento descontrolado de refugiados solicitantes de asilo, imigrantes econômicos e outros imigrantes, que em conjunto partem, principalmente, de África e do Oriente Médio para países europeus.[4]

A crise surgiu como consequência do crescente número de migrantes irregulares que chegam (ou tentam chegar) aos estados membros da União Europeia, através de perigosas travessias no mar Mediterrâneo e no Bálcãs, procedentes de África, Oriente Médio e Ásia do Sul. A maioria destes movimentos migratórios caracterizam-se por ser migração forçada de vítimas de conflitos armados, perseguições, pobreza, mudanças climáticas e violações massivas dos direitos humanos, além da ação massiva de grupos de tráfico ilegal que exploram migrantes vulneráveis.[5]

Trata-se da maior crise migratória e humanitária na Europa após a Segunda Guerra Mundial. Segundo o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, é uma "crise mundial que necessita de resposta europeia".[6]

Causas[editar | editar código-fonte]

Entre 2007 e 2011, um grande número de imigrantes ilegais provenientes do Médio Oriente e África cruzaram a fronteira entre a Turquia e a Grécia, levando a Grécia e a Agência de Proteção das Fronteiras Europeias (Frontex) para atualizar os controlos nas fronteiras. Em 2012, o fluxo de imigrantes para a Grécia por terra diminuiu 95% após a construção de uma cerca em parte da fronteira grego-turca, que não segue o curso do rio Maritsa (Evros). Em 2015, a Bulgária seguiu com a atualização de uma cerca de fronteira para impedir os fluxos migratórios através da Turquia. Em particular, o reavivamento do conflito na Líbia, no rescaldo da guerra civil tem contribuído para uma escalada de partidas daquele país[7] .

O naufrágio de migrantes ocorrido em 2013 na costa da Ilha de Lampedusa envolveu mais de 360 mortes, levando o governo italiano a estabelecer Operação Mare Nostrum, uma operação naval de grande escala que envolvia busca e salvamento, com alguns migrantes trazidos a bordo de um navio de assalto anfíbio naval. Em 2014, o governo italiano terminou a operação, citando custos a ser demasiado grande para um Estado da UE (União Europeia) sozinho gerir; A Frontex assumiu a principal responsabilidade pelas operações de busca e salvamento. A Frontex nomeou a operação de Tritão. O governo italiano solicitou fundos adicionais da UE para continuar a operação, mas os Estados-Membros não ofereceram o apoio solicitado. O governo do Reino Unido citou temores de que a operação atuasse como um involuntário fator de atração incentivando mais migrantes para tentar a travessia marítima e, assim, levando a mais mortes trágicas e desnecessárias. O seu orçamento mensal é estimado em 2,9 milhões[8] .

Números[editar | editar código-fonte]

Migrantes que cruzaram as fronteiras da UE
em 2014 por região de origem[9]
Síria 66.698
Eritreia 34.323
África subsaariana 26.341
Afeganistão 12.687
Mali 9.789
Gâmbia 8.642
Nigéria 8.490
Somália 7.440
Palestina 6.418
Senegal 4.769
Marrocos 116[10]
Outros 34.597
Total 220.194

Segundo a Organização Internacional de Migração, até 3.072 pessoas morreram ou desapareceram em 2014 no Mediterrâneo durante a tentativa de migrar para a Europa. As estimativas globais são de que mais de 22 mil imigrantes morreram entre 2000 e 2014.

Em 2014, 283.532 migrantes irregulares entraram na União Europeia, sobretudo seguindo a rota do Mediterrâneo Central, Mediterrâneo Oriental e rotas dos Bálcãs Ocidentais. 220.194 migrantes atravessaram fronteiras marítimas da UE na Europa Central, Oriental e Ocidental do Mediterrâneo (um aumento de 266% em relação a 2013). Metade deles tinha vindo da Síria, Eritreia e do Afeganistão.

Em 2015 até o mês de setembro, a OIM (Organização Internacional de Migração) afirmou que o número de imigrantes havia batido a marca de 350.000.[11]

A Alemanha estimou em 800.000 o número de pessoas que pedirão asilo a algum país da União Europeia em 2015[12] .

Rotas[editar | editar código-fonte]

Pedidos de asilo na UE e EFTA e rotas migratórias na primeira metade de 2015 segundo a Eurostat.

A partir de agosto de 2015, a Frontex reconheceu as seguintes rotas gerais sobre mar e em terra utilizados pelos imigrantes ilegais e traficantes de seres humanos para entrar na UE[13] :

Uma vez na Europa, os imigrantes tentam chegar aos países mais ricos, como França, Alemanha e Reino Unido. Muitos, para tentar chegar ao Reino Unido pelo Eurotúnel, ficam acampados em Calais, na França, onde se arriscam em caçambas de caminhões, o que levou os governos francês e britânico a intensificar a fiscalização na passagem, gerando atrasos. [14] No início de setembro de 2015, a crise se intensificou na Hungria, pois é parte da principal rota que leva imigrantes do Oriente Médio, principalmente da Síria para países mais ricos, notadamente a Alemanha. A massa de gente tentando tomar trens para o país levou ao fechamento da Estação Central de Budapeste, mas foi reaberta no final da primeira semana do mês. [15] .

O aumento do fluxo contínuo levou a Hungria a fechar a fronteira com a Sérvia, ao mesmo tempo que construiu uma segunda barreira na sua fronteira com a Croácia[16] .

Com a fronteira fechada entre a Sérvia e a Hungria, a Croácia tornou-se a rota mais utilizada para os que pretendem chegar ao centro e norte da Europa. O crescente fluxo de imigrantes levou a Eslovénia a barrar comboios vindos da vizinha Croácia[17] .

Reações[editar | editar código-fonte]

Nos termos da Convenção de Dublin, se uma pessoa que entrou com pedido de asilo num país da UE atravessa as fronteiras ilegalmente para outro país, eles serão devolvidos para o primeiro. Diante do agravamento da crise migratória em 2015, a Hungria tornou-se sobrecarregada por pedidos de asilo e suspendeu parte dos acordos firmados na Convenção. Seguindo este mesmo caminho, em 24 de Agosto, a Alemanha decidiu também suspender a Convenção de Dublin no que diz respeito refugiados sírios para poder processar seus pedidos de asilo que já haviam dado entrada. Em 2 de setembro de 2015, a República Checa também decidiu desafiar a Convenção de Dublin para atender aos pedidos de refugiados sírios que já haviam solicitado asilo em outros países da UE e que chegavam ao país.

No inicio de setembro de 2015 a Alemanha afirmou que facilitará a entrada de imigrantes e os pedidos de asilo para viver em seu território, dessa forma o país espera receber até 400 mil refugiados só em 2015.[18]

Em 11 de setembro a Comissão Europeia discutiu planos para tentar distribuir entre os países-membros da UE 160 mil refugiados, porém a proposta foi prontamente rejeitada pela Chéquia, Hungria, Polónia e Eslováquia.[19]

Reações internacionais[editar | editar código-fonte]

  • Flag of the United Nations.svg ONU - As Nações Unidas elogiaram o plano europeu para receber os refugiados, ao mesmo tempo em que cobrou dos Estados Unidos uma ação para ajudar a superar a crise[20] .
  •  Brasil - A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, afirmou em pronunciamento à nação no Dia Nacional do Brasil por meio da internet que o país "está aberto a receber refugiados em meio à crise migratória internacional, apesar do momento de superação de dificuldades enfrentadas pelo país"[21] .
  •  Chile - O governo chileno afirmou que dará asilo a famílias sírias e que já deu início ao exame de antecedentes necessário para acolher as famílias sírias[22] .
  •  Estados Unidos - Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, determinou que sua equipa de governo estude uma forma de oferecer asilo para até 10 mil sírios em 2016[23] .
  •  Islândia - Mais de 11 mil famílias islandesas se ofereceram para receber refugiados em suas casas[24] .
  •  Rússia - O Presidente russo, Vladimir Putin, apontou os Estados Unidos como responsável pela crise migratória na Europa devido sua política externa para o Oriente Médio. Moscovo também afirmou que a Europa só sairá da crise se seguir o caminho russo, que diante da Crise ucraniana acolheu em seu território quase 1 milhão de ucranianos[25] .
  •  Síria - Bashar al-Assad, Presidente da Síria, disse que a própria Europa como o principal responsável pela crise de imigrantes ao apoiar (o que ele chamou de) "grupos terroristas" para tirá-lo do poder[26] .
  •  Portugal - Mais de 1.500 refugiados foram aceites em Portugal, apesar da crise financeira sofrida atualmente pelo país, este não pôs de lado a solidariedade, a mostrou-se de "braços abertos "para acolher as famílias de refugiados.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. El País. Crise migratória se intensifica e se espalha pela Europa. Agências, El País. Disponível em <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/02/internacional/1441183350_554595.html>. Acesso em setembro de 2015
  2. MELO, Karine. União Europeia se reúne para discutir crise migratória do Mediterrâneo. Agência Brasil. Disponível em <http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2015/04/uniao-europeia-se-reune-para-discutir-crise-migratoria-do>. Acesso em setembro de 2015
  3. Agência Lusa. Conselho de Segurança da ONU vai discutir crise de refugiados na Europa. Agência Brasil. Disponível em <http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2015/09/conselho-de-seguranca-da-onu-vai-discutir-crise-de-refugiados-na>. Acesso em setembro de 2015
  4. DUARTE-PLON, Leneide. Imigração e refugiados na Europa - O desafio do século. Carta Maior, 2015; Paris. Disponível em <http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Imigracao-e-refugiados-na-Europa-O-desafio-do-seculo/6/34349>. Acesso em setembro de 2015
  5. CAMPOS, Amanda. Entenda a crise migratória na Europa. IG, São Paulo. Disponível em <http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-08-29/entenda-a-crise-migratoria-na-europa.html>. Acesso em setembro de 2015
  6. YÁRNOZ, Carlos. Bruxelas pede solidariedade aos países diante da crise migratória mundial. El País, 2015. Disponível em <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/08/31/internacional/1441011455_240909.html>. Acesso em setembro de 2015
  7. LUSA. Merkel recebe Rajoy com a crise migratória a dominar a agenda do encontro. RTP; Agosto de 2015. Disponível em <http://www.rtp.pt/noticias/mundo/merkel-recebe-rajoy-com-a-crise-migratoria-a-dominar-a-agenda-do-encontro_n854907>. Acesso em setembro de 2015
  8. Jornal Notícias. CRISE MIGRATÓRIA NO MEDITERRÂNEO: Mais de 100 mil pessoas chegaram à Europa este ano. Jornal Notícias. Disponível em <http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/internacional/37958-crise-migratoria-no-mediterraneo-mais-de-100-mil-pessoas-chegaram-a-europa-este-ano>. Acesso em setembro de 2015
  9. Annual Risk Analysis 2015 Frontex.
  10. "Italy Arrests Ship's Captain and Crew Over Suffocation Deaths of 49 Migrants", New York Times, 18 Agosto 2015. Página visitada em 1 Setembro 2015.
  11. Agência Brasil. Comissão Europeia prepara sistema permanente para receber imigrantes. Agência Brasil, 2015. Disponível em <http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2015-09/comissao-europeia-prepara-sistema-permanente-para-gestao-de-imigrantes>. Acesso em setembro de 2015
  12. AFP. Europa enfrenta a mais grave crise migratória desde 1945. RBS; Paris, 2015. Disponível em <http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/09/europa-enfrenta-a-mais-grave-crise-migratoria-desde-1945-4847498.html>. Acesso em setembro de 2015
  13. BBC Brasil. As perigosas rotas de migração para entrada na Europa. BBC, 2015. Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/10/131028_mapa_imigracao_lk>. Acesso em setembro de 2015
  14. http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/eurotunel-sofre-17-mil-tentativas-de-invasao-durante-madrugada.html
  15. http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/09/desde-o-comeco-do-ano-150-mil-imigrantes-entraram-na-hungria.html
  16. Reuters apud SAPO. Hungria termina vedação de arame farpado na fronteira com a Croácia. Sic Notícias, 2015. Disponível em <http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/crise-migratoria/2015-09-19-Hungria-termina-vedacao-de-arame-farpado-na-fronteira-com-a-Croacia>. Acesso em Setembro de 2015
  17. Tribuna do Norte. Governo esloveno barra trens vindos da Croácia. Bahia, 2015. Disponível em <http://tribunadonorte.com.br/noticia/governo-esloveno-barra-trens-vindos-da-croa-cia/324865>. Acesso em setembro de 2015
  18. DW. Alemanha espera receber até 400 mil refugiados em 2015. Disponível em <http://www.dw.com/pt/alemanha-espera-receber-at%C3%A9-400-mil-refugiados-em-2015/a-18430510>. Acesso em setembro de 2015
  19. DW. Alemanha espera receber até 400 mil refugiados em 2015. Disponível em <http://www.dw.com/pt/alemanha-espera-receber-at%C3%A9-400-mil-refugiados-em-2015/a-18430510>. Acesso em setembro de 2015
  20. REUTERS. ONU elogia plano europeu para refugiados; diz que UE tem de respeitar direito ao asilo. Reuters Brasil, 2015. Disponível em <http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN0RB18S20150911>. Acesso em setembro de 2015
  21. REUTERS. Brasil está aberto a receber refugiados apesar do momento difícil do país, diz Dilma. Disponível em <http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/brasil-esta-aberto-a-receber-refugiados-apesar-do-momento-dificil-do-pais-diz-dilma-6xxur515xui2et97nrkhkuzme>. Gazeta do Povo. Acesso em setembro de 2015
  22. JARA, Antonio de la. Chile dará refúgio a famílias sírias afetadas por guerra civil. DCI. Disponível em <http://www.dci.com.br/internacional/chile-dara-refugio-a-familias-sirias-afetadas-por-guerra-civil-id494381.html>. Acesso em setembro de 2015
  23. Correio da Bahia. Obama pretende receber 10 mil refugiados sírios nos EUA em 2016. Salvador, 2015. Disponível em <http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/obama-pretende-receber-10-mil-refugiados-sirios-nos-eua-em-2016/?cHash=717abfc5a20f863778f7b29bc65f5de5>. Acesso em setembro de 2015.
  24. BBC Brasil. O outro lado da crise migratória: islandeses oferecem suas casas a refugiados. Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150903_crise_migratoria_islandeses_mdb>. Acesso em setembro de 2015
  25. BOL. Putin responsabiliza EUA por crise de refugiados na Europa. UOL, 2015. Disponível em <http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2015/09/04/putin-responsabiliza-eua-por-crise-de-refugiados-na-europa.htm>. Acesso em setembro de 2015.
  26. RC/rtr/dpa. Assad culpa Europa por crise migratória. Terra, 2015. Disponível em <http://noticias.terra.com.br/assad-culpa-europa-por-crise-migratoria,5c40232a425370ee2edf107844d121c6heao0k7v.html>. Acesso em setembro de 2015