Crochê

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Detalhe de motivo
Toalha de crochê

Crochê ou croché (crochet, francês: [kʁɔʃɛ][1]) é uma espécie de artesanato feito com uma agulha especial, dotada de um gancho. Consiste em produzir um trançado semelhante ao de uma malha rendada.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra crochê é derivada do francês antigo crochet , um diminutivo de croche, por sua vez, das línguas germânicas croc , ambos significando "gancho" Foi usado na produção francesa de renda do século XVII, onde o termo "crochetage" designava um ponto usado para unir peças separadas de renda. A palavra "crochet" subseqüentemente passou a descrever o tipo específico de tecido e a agulha de gancho usada para produzi-lo.[2]

Origem[editar | editar código-fonte]

Agulhas de pastor
Agulhas de crochê modernas

As primeiras instruções publicadas conhecidas para crochê, usando explicitamente esse termo para descrever o trabalho em seu sentido atual, apareceram na revista holandesa Penélopé em 1823, incluindo uma gravura colorida mostrando cinco estilos de bolsa, dos quais três para serem confeccionados com fios de seda.[3] A primeira é o "crochê aberto simples " (crochet simple ajour ), uma malha de arcos de ponto em corrente. A segundo começa em uma forma semi-aberta (demi jour ), onde arcos de ponto de corrente alternam-se com segmentos igualmente longos de crochê deslizante e que fecham com uma estrela feita com "pontos de crochê duplo (dubbelde hekelsteek: "ponto alto").[4] The third purse is made entirely in double-crochet. The instructions prescribe the use of a tambour needle (as illustrated below) and introduce a number of decorative techniques.

A referência mais antiga datada, em inglês, são roupas feitas de tecido produzido por laços de fios feitos com gancho - tricô de pastor - aparece em As memórias de uma senhora das montanhas , de Elizabeth Grant (1797–1830). O diário, em si, é datado de 1812, mas não foi gravado em sua forma publicada posteriormente até algum momento entre 1845 e 1867, e a data real da publicação foi primeiramente em 1898.[5] No entanto, o volume de 1833 da revista Penélopé descreve e ilustra um gancho de pastor e recomenda seu uso para crochê com fios mais grossos.[6]

Em 1444, um dos numerosos livros sobre o crochê que começaram a aparecer na década de 1840 afirma que "As agulhas de crochê, às vezes chamadas de "ganchos de pastor", são feitas de aço, marfim ou madeira. Elas têm um gancho em uma extremidade, de forma semelhante a um anzol, pelo qual a lã ou a seda é capturada e puxada através do trabalho. Estes instrumentos podem ser encontrados em vários tamanhos...[7]

Dois anos depois, o mesmo autor escreve "Crochê, —uma espécie de tricô originalmente praticada pelos camponeses na Escócia, com uma pequena agulha com gancho chamada gancho de pastor, - nos últimos sete anos, auxiliada pelo bom gosto e pela moda, obteve preferência sobre todas as outras obras ornamentais de natureza semelhante. Deriva seu nome atual do francês; o instrumento com o qual é trabalhado sendo por eles, de sua forma torta, denominado 'crochê'. Esta arte atingiu seu mais alto grau de perfeição na Inglaterra, de onde então se introduziu na França e na Alemanha, e ambos os países, embora injustificadamente, reivindicaram a invenção".[8]

Um livro de instruções de 1846 descreve Pastor ou crochê simples como o que atualmente é chamado de ponto de crochê simples ponto deslizante.[9] It similarly equates "Double" and "French crochet".[10] Não obstante a afirmação categórica de origem puramente britânica, há evidências sólidas de uma conexão entre o bordado de tambor francês e o crochê. O bordado de tambor francês foi ilustrado em detalhes em 1763 na Encyclopédie de Diderot. A ponta da agulha mostrada é indistinguível da de uma agulha de crochê que se encontra atualmente e o ponto de corrente separado de um suporte de tecido é um elemento fundamental dessa última técnica. As instruções de 1823 na Penélopé afirmam inequivocamente que a ferramenta do tambor foi usada para fazer crochê e o primeiro livro de instruções da década de 1840 usa os termos tambour e crochet como sinônimos.[11] This equivalence is retained in the 4th edition of that work, 1847.[12]

Em 1800, a francesa Éléonore Riego de la Branchardière desenhou padrões que podiam ser facilmente duplicados e publicou em livros para que outras pessoas pudessem copiar os desenhos.[13] Os trabalhos com a técnica do crochê podem ser realizados com qualquer tipo de fio ou material, a depender da peça a ser executada - uma toalha delicada ou uma colcha, um casaco, um tapete resistente etc.

Pontos básicos do crochê[14]
Crochet chain.svg
corrente (c.)
É um nó corrediço e ponto básico usado para iniciar trabalhos tanto os lineares quanto os circulares
Morse code dot.svg
ponto baixíssimo (p. bxmo.)
É o ponto mais plano de todos e usado em várias situações como unir carreiras, voltar ou avançar um caminho além de srvir para unir motivos
Multiplication Sign.svg ponto baixo (p.b.)
É o ponto mais usado e a base para todos os outros pontos, é um ponto curto e compacto. Também representado por Crochet single crochet.svg
Crochet half double crochet.svg
meio ponto alto (m.p.a.)
É um ponto mais largo e um pouco mais alto que o ponto baixo, permite criar um tecido denso mas não muito rígido
Crochet double crochet.svg
ponto alto (p.a.)
Usado geralmente sozinho e em combinações para criar padrões texturizadas, é mais alto que o meio ponto alto e permite criar um tecido leve
Crochet double triple.svg
ponto alto duplo (p.a.d.)
É como o ponto alto porém por ser duplo é mais alto, usado em sequência permite criar um tecido leve
Crochet triple triple.svg
ponto alto triplo (p.a.t.)
É o ponto mais alto de todos, por criar um tecido bastante leve, é usado para criar rendas

Variedades de crochê[editar | editar código-fonte]

Toalhas de crochê filé

Crochê filé ou filet[editar | editar código-fonte]

O crochê filé consiste em um trabalho plano e geométrico, usando somente os pontos corrente e ponto alto para formar uma rede (filé ou filet), é um trabalho inspirado no Filet Brodé (bordado filé)[15] que é feito sobre uma rede previamente tecida que então é preenchida com pontos para formar padrões de flores, animais etc.[16]

Crochê de grampo[editar | editar código-fonte]

O crochê de grampo é confeccionado usando a agulha de crochê para tecer em uma peça de metal ou madeira com o formato de U (ou formato de grampo de cabelo), o fio é envolto nas hastes da peça e então entre as hastes, com a agulha de crochê comum, criam-se amarrações com pontos básicos de crochê. Esse tipo de crochê permite criar tiras de renda que são posteriormente unidas para formar um tecido bastante leve.[17]

Renda de crochê irlandesa, final do século XIX. O design deste exemplo é estreitamente baseado no estilo Flamengo do século XVII.

Crochê irlandês[editar | editar código-fonte]

No século 19, a Irlanda estava enfrentando a Grande Fome, o trabalho de renda em crochê foi introduzido como uma forma de alívio[18] a produção da renda era uma maneira alternativa de ganhar dinheiro para asa trabalhadores irlandeses empobrecidas.[19] Homens, mulheres e crianças aderiram a uma cooperativa para fazer crochê e produzir produtos para ajudar, também começaram a surgir escolas para ensinar o crochê. Os professores foram treinados e enviados por toda a Irlanda para ensinar esse ofício. Quando os irlandeses imigraram para as Américas, eles levaram consigo o crochê.[20] A Mademe Riego da Blanchardiere é geralmente creditada como a inventora do Crochet Irlandês, publicando o primeiro livro de padrões em 1846. As rendas irlandesas se tornaram populares na Europa e na América e foram feitas em quantidade até a Primeira Guerra Mundial.[21]

Crochê peruano ou broomstick (cabo de vassoura)[editar | editar código-fonte]

O crochê peruano também conhecido como broonstick combina o uso de agulhas de crochê comum e uma agulha ou cilindro - tradicionalmente um cilindro de madeira como o cabo de vassouras ; a fundação do trabalho consiste em fazer correntes que então são passadas através do cilindro formando laços que depois são unidos formando o tecido.[17]

Crochê tunisiano[editar | editar código-fonte]

O crochê tunisiano também conhecido como crochê afegão é considerado uma mistura de crochê com o tricô, é confeccionado com uma agulha parecida com a agulha comum de crochê porém com o cabo comprido de modo a acomodar vários pontos para então serem trabalhados.[22] É sempre trabalhado da direita para a esquerda e praticamente todos os padrões começam com uma carreira de correntes, como no crochê e então de pontos básicos tunisianos que recolhem cada corrente na agulha.[23] Foi uma forma de crochê popular durante a Era Vitoriana mas que acabou sendo esquecida no século 20.[24]

Processo de produção[editar | editar código-fonte]

Exemplo de gráfico de crochê
  • Motivos, são os desenhos como flores, folhas etc geralmente confeccionados em separado e depois unidos como no crochê irlandês[25]
  • Padrões, a textura ou relevo repetitivo do tecido de crochê, como xadrezes, listras, conchas etc.
  • Gráfico, é a representação gráfica de um motivo, padrão ou peça de crochê
  • Receita, é a descrição textual de uma trabalho em crochê

O trabalho de crochê geralmente se inicia após uma sequência de pontos chamados de ponto corrente, os pontos são geralmente contados e podem depender de números de pontos pares ou ímpares ou números múltiplos de números específicos para assim possibilitar a execução dos motivos, padrões ou do formato da peça.

As peças circulares, como toalhas redondas, cestos, chapéus, são iniciadas a partir do centro evoluindo para fora e então para cima se quiser formar um tubo; já a peça inicialmente tubular é trabalhada sobre uma sequência de correntes unidas no final, formando um círculo e então trabalhadas de baixo para cima, formando assim um tubo, em ambos os tipos de peça, circular ou tubular, o trabalho é confeccionado somente do lado direito do tecido de crochê. [26]

As peças lineares, como faixas e barrados, são trabalhadas a partir das sequência de correntes e então ao fim da carreira o trabalho é virado para o lado do avesso, ou seja, o trabalho linear possui carreiras alternadas de direito e avesso.[26] esse trabalho evolui de baixo para cima, ou seja, é iniciado pela parte de baixo.[27]

Referências

  1. «crochet». Wordreference.com. Consultado em 28 de abril de 2012 
  2. Santina M. Levey; Victoria and Albert Museum (1983). Lace: A History (em inglês). [S.l.]: Victoria & Albert Museum. p. 92. ISBN 978-0-901286-15-4 
  3. Penélopé, of maandwerk aan het vrouwelijk geslacht toegewijd: bevattende, de beschrijving en afbeelding van allerhande soorten van vrouwelijke handwerken, benevens eenige lektuur over onderwerpen uit den vrouwelijken kring. [S.l.]: G.J.A. Beyerinck. 1831. pp. 90–94 
  4. Sarah Hazell, 200 Crochet Stitches, Search Press, Kent, 2013, ISBN 978-1-84448-963-3
  5. [1] Elizabeth Grant, The Memoirs of a Highland Lady, John Murray, London, 1898 p. 182.
  6. A. B. Van Meerten, Penélopé, of, Maandwerk aan het vrouwelijk geslacht toegewijd, Amsterdam, 1833, pp. 152
  7. Miss Lambert, Hand-book of Needlework, New York City, 1842, p.92
  8. Miss Lambert, My Crochet Sampler, Londres, 1844, pp. 9-10
  9. Nancy Nehring, Learn Slip Stitch Crochet, Annie's Attic, Berne IN, 2008, ISBN 1596352159, p. 2
  10. Mlle. Riego de la Branchardiere, Knitting, Crochet, and Netting, Londres, 1846, p.57
  11. [2] Mrs. Gaugain, The Lady's Assistant for Executing Useful and Fancy Designs in Knitting, Netting and Crotchet Work, Edinburgh, 1840
  12. [3] Jane Gaugain, The Lady's Assistant for Executing Useful and Fancy Designs in Knitting, Netting and Crochet Work, 4th ed., 1847
  13. Riego de la Branchardiere, Eleonore: Knitting, Crochet, and Netting, With Twelve Illustrations. London: S. Knights, 1846.
  14. Susan Brittain (9 de fevereiro de 2011). Crochet Patterns For Dummies. [S.l.]: John Wiley & Sons. pp. 39–40. ISBN 978-1-118-05070-5 
  15. Mrs. F. W. Kettelle (24 de maio de 2012). Filet Crochet: Projects and Charted Designs (em inglês). [S.l.]: Courier Corporation. p. 11. ISBN 978-0-486-15633-0 
  16. Pauline Turner (19 de janeiro de 2015). Crochet Lace: Techniques, Patterns, and Projects (em inglês). [S.l.]: Dover Publications. pp. 36–37. ISBN 978-0-486-80228-2 
  17. a b Stephanie J Milne (1 de junho de 2007). Handmade Style: Crochet (em inglês). [S.l.]: Allen & Unwin. p. 9. ISBN 978-1-74266-598-6 
  18. «Crochet | craft». Encyclopedia Britannica 
  19. Irish Crochet Lace Exhibit Catalog Arquivado em 2010-06-01 no Wayback Machine. Lacis Museum of Lace and Textiles. 2005.
  20. «Crochet History - Crochet Guild of America (CGOA)». www.crochet.org. Consultado em 22 de janeiro de 2017 
  21. Art That Saved the Irish From Starvation by Zelda Bronstein. Berkeley Daily Planet, 19 de abril de 2005.
  22. Dueep J. Singh; John Davidson (31 de janeiro de 2015). A Beginner's Guide to Tunisian Crochet. [S.l.]: Mendon Cottage Books. p. 5. ISBN 978-1-311-75688-6 
  23. Margaret Hubert (2012). First Time Tunisian Crochet: Step-by-Step Basics Plus 5 Projects (em inglês). [S.l.]: Creative Publishing international. p. 3. ISBN 978-1-58923-772-8 
  24. Angela Grabowski (2004). Encyclopedia of Tunisian Crochet (em inglês). [S.l.]: LoneStar Abilene Publishing, LLC. pp. 7–8. ISBN 978-0-9749725-5-8 
  25. Camille Clavi (1 de novembro de 2013). Simple Crochet Motifs: 20 Patterns for Stylish Accessories (em inglês). [S.l.]: Stackpole Books. p. 4. ISBN 978-1-4617-5167-0 
  26. a b James Walters (19 de março de 2014). Crochet Workshop (em inglês). [S.l.]: Courier Corporation. pp. 176–177. ISBN 978-0-486-49620-7 
  27. «Gráficos: você sabe como fazer a leitura correta?». Linhas Círculo. 20 de abril de 2019. Consultado em 14 de dezembro de 2019 
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Links externos[editar | editar código-fonte]