Crocidura russula

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCrocidura russula
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Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Placentalia
Ordem: Soricomorpha
Família: Soricidae
Género: Crocidura
Espécie: C. russula
Nome binomial
Crocidura russula
Hermann, 1780

A Crocidura russla é uma espécie de musaranho, um pequeno mamífero terrestre, pertencente à ordem Eulipotyphla e à família Soricidae. Encontra-se distribuído na Europa e no norte de África.

Descrição física[editar | editar código-fonte]

O musaranho-de-dentes-brancos é um mamífero pequeno (62,0-84,0 mm), com peso entre os 7 e os 14 gramas. Possui um crânio estreito e alongado (relativamente a outros representantes da sua família Soricidae), um focinho pontiagudo, e as orelhas e os olhos são pequenos. A cauda é pequena e é coberta de alguns pêlos curtos e outros longos (López-Fuster, 2002). A cor do pêlo varia com a idade, estação de ano e localização geográfica. Em geral, a cor é castanho-acinzentado no Verão e cinza-escuro no Inverno. O ventre é cinza-claro e as fêmeas têm três pares de mamas inguinais. A sua fórmula dentária é 3.1.1.3/1.1.1.3 (López-Fuster, 2002). É um ser diplóide com 42 cromossomas (2n=42) (López-Fuster, 2002).

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Esta espécie ocorre no oeste e no Sul da Europa (incluindo algumas ilhas do mar Mediterrâneo e do Oceano Atlântico). Também ocorre no norte da África, em Marrocos, Tunísia e Argélia (Ramalhinho et al., 1999). A população em Grã Canária, ilha pertencente ao arquipélago das Canárias, foi introduzida a partir de Espanha continental (Vogel et al., 2003; Hutterer et al., 1992). O musaranho-de-dentes-brancos ocorre desde o nível do mar até aos 1 200 metros de altitude. Porém já foram encontrados exemplares desta espécie a 2 000 metros de altitude em habitats mediterrâneos, o que poderá indicar adaptabilidade da espécie a grandes altitudes (Palomo e Gisbert, 2002).

Habitat e ecologia[editar | editar código-fonte]

No Mediterrâneo, o musaranho-de-dentes-brancos ocorre numa grande variedade de habitats, incluindo os maquis mediterrâneos, ambientes abertos, bordas florestais com vegetação abundante no solo, campos cultivados, áreas urbanas, áreas montanhosas e terrenos junto a rios (Palomo e Gisbert, 2002). No norte da Europa e a grandes altitudes a espécie é sinantrópica, pois vive em estreita proximidade com seres humanos, nas suas casas e jardins (Ramalhinho et al. 1999). Em Marrocos o musaranho-de-dentes-brancos ocorre nas regiões montanhosas (Aulagnier et al., 2008). O musaranho-de-dentes-brancos alimenta-se de pequenos invertebrados, como gastrópodes, aracnídeos e larvas de lepidópteros (borboletas). Ocasionalmente ingerem alimentos de origem vegetal (López-Fuster, 2002). É uma espécie relativamente social. O território que ocupa é pequeno e sobrepõe-se com musaranhos de outra (Crocidura suaveolens) e da mesma espécie que partilham o mesmo território. No inverno, é comum o uso de ninhos compartilhados e a taxa metabólica é reduzida em 20% (López-Fuster, 2002). Durante a época de reprodução geralmente formam casais estáveis e as fêmeas aumentam a sua territorialidade (López-Fuster, 2002).

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Como na maioria dos musaranhos, a época de reprodução acontecesse se as condições ambientais o permitirem. A época reprodutiva tem início em Fevereiro e termina em Setembro, porém em regiões com condições ambientais desejáveis a época reprodutiva pode ser mantida ao longo de todo o ano. A gestação dura entre 27 e 30 dias, nascendo em médias 3,65 crias nuas e cegas, e pesando aproximadamente 1 grama (Palomo e Gisbert, 2002). Entre a primeira e a segunda semana de vida, as crias abrem olhos, começam a ouvir nitidamente e o corpo fica coberto de pêlo. Após terminado o período de lactação, as crias estão aptas a viverem de forma independente (López-Fuster, 2002).

Predação[editar | editar código-fonte]

O musaranho-de-dentes-brancos é predado por diversas aves de rapina (como a coruja-das-torres (Tyto alba) e o bufo-real (Bubo bubo)) e também por alguns carnívoros, como a gineta (Genetta genetta), a raposa-vermelha (Vulpes vulpes) e a doninha (Mustela nivalis) (López-Fuster, 2002; Spitzenberger, 2005).

Factores de Ameaça[editar | editar código-fonte]

Devido aos seus hábitos sinantrópicos, os seres humanos usam pesticidas e outros produtos químicos tóxicos para erradicar a espécie nas suas imediações, pois vêm o musaranho-de-dentes-brancos como um transportador de doenças graves (Ramalhinho et al., 1999). No entanto, não é considerada uma ameaça séria já que não a coloca em risco de extinção. A população da Ilha de Grã Canária está em declínio devido à rápida urbanização e ao aumento da desertificação (Aulagnier et al., 2008).

Conservação[editar | editar código-fonte]

O musaranho-de-dentes-brancos está classificado como espécie com estatuto de conservação Pouco Preocupante (LC) segundo a Lista Vermelha da IUCN, devido a ser uma espécie muito comum na sua distribuição geográfica e não apresentar ameaças sérias que coloquem em risco de extinção (Aulagnier et al., 2008). O musaranho-de-dentes-brancos encontra-se protegido, fazendo parte da lista de espécies do Anexo III da Convenção de Berna, ocorrendo em várias áreas protegidas onde se distribui geograficamente. As populações desta espécie que habitam a Ilha de Grã Canária, encontram-se protegidas sob lei Espanhola (Aulagnier et al., 2008).


Referências[editar | editar código-fonte]

  • Aulagnier, S., Hutterer, R., Amori, G., Kryštufek, B., Yigit, N., Mitsain, G. e Palomo, L.J. (2008). Crocidura russula. Em: IUCN 2013. IUCN Red List of Threatened Species. Versão 2013.2. <www.iucnredlist.org>. Acedido em 9 de Maio de 2014.
  • Hutterer, R., Maddalena, T. e Molina, O. M. (1992). Origin and evolution of the endemic Canary Island shrews (Mammalia: Soricidae). Biological Journal of the Linnean Society46: 49-58.
  • Kraft, R.., (2000). Ehemalige und aktuelle Verbreitung von Hausspitzmaus, Crocidura russula (Hermann, 1780), und Gartenspitzmaus, Crocidura suaveolens (Pallas, 1811), in Bayern. Bonner Zoologische Beiträge 49: 115-129.
  • López-Fuster M. J., (2002). Atlas de los mamíferos terrestres de España. L. J. P. Muñoz, e J. Gisbert (2002). Dirección general de conservación de la naturaleza, Sociedad española para la conservación y estudios de los mamíferos, & Sociedad española para la conservación y estudio de los murciélagos. Madrid.
  • Palomo, L. J. e Gisbert, J. (2002). Atlas de los mamíferos terrestres de España. Dirección General de Conservación de la Naturaleza. SECEM-SECEMU, Madrid, Spain.
  • Ramalhinho, M. G., Libois, R. eFons, R. (1999). Crocidura russula. Em: A. J. Mitchell-Jones, G. Amori, W. Bogdanowicz, B. Kryštufek, P. J. H. Reijnders, F. Spitzenberger, M. Stubbe, J. B. M. Thissen, V. Vohralík and J. Zima, The Atlas of European Mammals, Academic Press, London, UK.
  • Spitzenberger, F. (2005). Rote Liste der Säugetiere Österreichs. Em: K. P. Zulka, Rote Listen gefährdeter Tiere Österreichs, Böhlau, Wien, Köln, Weimar. Tosh, D. G., Lusby, J., Montgomery, W. I. e O'Halloran, J. (2008). First record of greater white-toothed shrew Crocidura russula in Ireland. Mammal Review
  • Vogel, P., Cosson, J. F. e Lopez Jurado L. F. (2003). Taxonomic status and origin of the shrews (Soricidae) from the Canary islands inferred from a mtDNA comparison with the European Crocidura species. Molecular Phylogenetics and Evolution 27(2): 271-82.