Cuíca-cauda-de-rato

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Jupati. Para outros significados, veja Guaiquica. Para outros significados, veja Chichica.
Como ler uma infocaixa de taxonomiaCuíca-cauda-de-rato
Vieraugen-Opossum (Metachirus nudicaudatus).jpg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Marsupialia
Ordem: Didelphimorphia
Família: Didelfídeos
Subfamília: Didelfíneos
Género: Metachirus
Burmeister, 1854
Espécie: M. nudicaudatus
Nome binomial
Metachirus nudicaudatus
(Desmarest, 1817)
Distribuição geográfica
Brown Four-eyed Opossum area.png

A cuíca-cauda-de-rato[2] (nome científico: Metachirus nudicaudatus), também conhecida por mucura-de-quatro-olhos, japuti[3] ou cuíca-marrom[4] é um marsupial da família dos didelfiídeos (Didelphidae), de porte médio e hábito noturno, terrestre, sendo encontrado no México, Costa Rica, Nicarágua, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Brasil, Colômbia, Panamá, Paraguai, Peru, Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina.[1] Vive em média de 3 a 4 anos e sua longevidade é afetada por ser frequentemente vitimas de atropelamentos. É semelhante ao Philander opossum, mas de pelagem marrom e cauda inteiramente desprovida de pelos.[5] Uma densidade de 25,6 por quilômetro quadrado foi relatada perto de Manaus, no Brasil. Seu cariótipo tem 2n = 14 e FN = 24.[6]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Seus nomes populares derivam do tupi-guarani: cuíca advém de *ku'ika;[7][8] mucura de mukúra;[9] e jupati deriva do tupi-guarani yupa'ti.[3][10]

Características[editar | editar código-fonte]

O animal apresenta o corpo com comprimento de aproximadamente de 10 a 15 centímetros e peso entre 90 a 110 gramas por isso demostram a fragilidade e ao sinal de perigo foge entre folhas da mata com muita agilidade e rapidez.[11]

Essa espécie tem coloração geral mais escura em tom canela, com o topo da cabeça mais escura e manchas sobre os olhos laranja-avermelhado. A cauda nua é muito longa em relação ao comprimento do corpo e não apresenta prolongamento de pelos na base da cauda.[12]

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Apresenta um comportamento tranquilo, geralmente não atacam por iniciativa própria, somente tentam se defender de predadores, abrindo a boca expondo assim seus afiados dentes e emitindo um som rouco e longo.[11]

Hábitos alimentares[editar | editar código-fonte]

Os gambás marrons de quatro olhos são basicamente insetívoros, como esses animais raramente saem do solo da floresta sua dieta se torna restrita a itens da serapilheira. Sua dieta também inclui invertebrados, algumas frutas e sementes, pequenos vertebrados, como mamíferos, répteis e anfíbios, bem como ovos.[13]

Predação[editar | editar código-fonte]

A cuíca-cauda-de-rato é facilmente encontrada no conteúdo estomacal de diversas espécies predadoras como as corujas, harpias e carcarás, dentre as aves, e por espécies de felinos como jaguatiricas, gato-do-mato, gato-maracajá, onças, onça-pardas, jaguarundis e também por canídeos como raposa e cachorro vinagre.[13]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

As cuícas dependem de períodos de maior calor e umidade no ar para reprodução, já que as ninhadas necessitam de temperaturas altas para o desenvolvimento dos embriões. Após a gestação, com duração aproximada de 15 dias, dão a luz a cerca de 7 a 14 filhotes por ninhada.[5]

Como marsupiais as cuícas possuem uma bolsa no ventre que funciona como um segundo útero, chamada de marsúpio. Nesta bolsa se encontram as mamas que vão alimentar os filhotes até estarem prontos para saírem sozinhos.[5]

Habitat e ecologia[editar | editar código-fonte]

Esta espécie é normalmente encontrada em matas perenes maduras em planícies e contrafortes, e ocasionalmente em floresta secundária decídua ou densa. Os indivíduos parecem preferir florestas maduras com pouca vegetação rasteira, embora também possam estar presentes na vegetação densa. Os ninhos são localizados dentro de ocos de árvores ou perto do solo, bem escondidos.[1]

Estado de conservação[editar | editar código-fonte]

Atualmente, as cuícas são consideradas uma espécie pouco preocupante. Seu estado de conservação foi determinado devido ao grande tamanho da sua população, grande distribuição geográfica e tolerância a ambientes perturbados por humanos.[1]

A destruição de seu habitat é a maior ameaça humana às cuícas. Em países da América Latina, elas são caçadas para alimentação, como também por serem pragas agrícolas que se alimentam de campos de milho e culturas de frutas, causando prejuízo aos agricultores.[1]

Referências

  1. a b c d e Brito, D.; Astúa, D.; Lew, D.; de la Sancha, N. (2021). «Brown Four-eyed Opossum - Metachirus nudicaudatus». Lista Vermelha da IUCN. União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). p. e.T40509A197311536. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-1.RLTS.T40509A197311536.en. Consultado em 17 de julho de 2021 
  2. «Cuíca e carnaval». Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. 2016 
  3. a b «Japuti». Michaelis. Consultado em 17 de julho de 2021 
  4. Martins, Fernando (2007). Identificação de Marsupiais do estado do Pará com base na análise da microestrutura dos pêlos (PDF). Curitiba: Departamento de Zoologia, Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná. p. 15 
  5. a b c Andrade, Antenor; Pinto, Sergio Correia; Oliveira, Rosilene Santos de (2006). Animais de Laboratório: criação e experimentação. Manguinhos, Rio de Janeiro: Fiocruz. ISBN 9788575413869 
  6. Eisenberg, John F.; Redford, Kent H. (15 de maio de 2000). Mammals of the Neotropics, Volume 3: The Central Neotropics: Ecuador, Peru, Bolivia, Brazil. Chicago: Imprensa da Universidade de Chicago. pp. 77–78. ISBN 978-0-226-19542-1. OCLC 493329394 
  7. Houaiss, verbete cuíca
  8. «Cuíca». Michaelis. Consultado em 17 de julho de 2021 
  9. «Mucura». Michaelis. Consultado em 17 de julho de 2021 
  10. Houaiss, verbete jupati
  11. a b Seamons, G. R. (julho de 2006). «Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference (3rd edition)». Reference Reviews. 20 (5): 41–42. ISSN 0950-4125 
  12. Vieira, C. L. G. C. (2006). Sistemática do jupati Metachirus Burmeister, 1854 (Mammalia: Didelphimorphia) (PDF). Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais 
  13. a b Gardner, A.L. (2005). «Metachirus nudicaudatus». In: Wilson, D.E.; Reeder, D.M. Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference 3.ª ed. Baltimore, Marilândia: Imprensa da Universidade Johns Hopkins. p. 12. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494