Cucurbita

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Variedades e cores do gênero Cucurbita.
Variedades e cores do gênero Cucurbita.
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Cucurbitales
Família: Cucurbitaceae
Género: Cucurbita
L.
Espécies
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Cucurbita é um género botânico representativo da família das cucurbitáceas (Cucurbitaceae), a mesma família da melancia, do melão, do maxixe, do chuchu e do pepino. É um género conhecido por espécies de uso popular, por exemplo: Cucurbita moschata, Cucurbita maxima, Cucurbita pepo, Cucurbita argyrosperma e Cucurbita ficifolia, popularmente chamadas de morangas, abóboras, jerimuns, mogangos e gilas.

A história taxonómica deste género iniciou-se em 1753 com o trabalho clássico de C. Linnaeus em Species Plantarum, onde diversas espécies de cucurbitáceas foram incluídas no mesmo e posteriormente transferidas para outros géneros, por exemplo: Cucurbita lagenaria = Lagenaria siceraria e Cucurbita citrullus = Citrullus lanatus.[1]

Todas as espécies são nativas do Novo Mundo, de regiões tropicais e subtropicais, delimitação geográfica explicada pelo fator de vulnerabilidade e intolerância às baixas temperaturas e geadas.[1]

México é o provável centro de origem e diversidade do gênero, uma vez que a maioria de seus táxons se conformam dentro de seu território, sendo a ocorrência de 15 espécies dentre as 23 classificadas, incluindo seus ancestrais silvestres (C. pepo ssp. fraterna, C. argyrosperma ssp. sororia)[2].

As cinco espécies cultivadas são todas mesofíticas de ciclo biológico anual, exceto C. ficifolia, uma espécie perene.[3]

As características peculiares das espécies do género Cucurbita são indivíduos monóicos, ausência de probractea, flores grandes campanuladas e frutos sulcados sem acúleos. Na domesticação, devido à polinização cruzada, há grande variedade de formas, cores e textura dos frutos, bem como de outras características das plantas.

Embora a antiga domesticação pelos índios tenha diminuído em escala as espécies selvagens, ela contribuiu para que as espécies conhecidas não fossem extintas junto com os seus principais dispersores: os mastodontes e megatérios.[4]

Registros arqueológicos sugerem que Cucurbita foi uma das primeiras plantas a ser cultivada nas Américas, formando o complexo olerícola denominado "três irmãs" juntamente com o milho e feijão, a base nutricional de civilizações pré-colombianas do ocidente.[5] A cultura da abóbora fez parte substancial na base da alimentação da civilização olmeca há cerca de 9 mil anos, que posteriormente foi absorvida pelas civilizações azteca, inca e maia. Hoje está bastante difundida no Brasil e em Portugal.

O género Cucurbita inclui cerca de 20-27 espécies.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Derivada do latim cucurbĭta (forma de cabaça).

"Abóbora" vem do latim hispânico apopores.[6] "Jerimum" e "jerimu" vieram do tupi yuru'mu.[7]

Conservação[editar | editar código-fonte]

  • Pode-se manter conservada a abóbora por cerca de três meses após a colheita, a temperatura ambiente, em local fresco e seco, sempre com o cabinho. Dessa forma, conservar-se-á por mais tempo.
  • para congelar, corte a abóbora em cubos ou fatias, com uma pré-cozedura em água fervente por 3 minutos ou em microondas por 4 minutos. Acondicione-a em saco de plástico, retire o ar com uma bombinha de vácuo e leve ao congelador. A abóbora também pode ser congelada na forma de puré.

Consumo[editar | editar código-fonte]

  • Pode ser consumida de várias formas, devido à sua versatilidade e variedade, como saladas, cozidos, refogados, sopas, curau, puré, pães, bolos, pudins e doces.
  • Ramos e brotos são usadas na receita mineira conhecida como Cambuquira.
  • As sementes torradas podem ser consumidas como aperitivo, sendo além de saborosas, muito ricas em nutrientes, especialmente ferro.
    • Lave bem as sementes, seque-as em um pano limpo ou papel absorvente, tempere com sal e leve ao forno quente por cerca de 40 minutos. Mexa de vez em quando para que fiquem torradas por igual.(Essa receita é padrão e muito usada na culinária).

Observações[editar | editar código-fonte]

  • De um modo geral, deve apresentar-se com a casca sem brilho. Caso contrário, isso indica que foi colhida muito nova, não amadureceu totalmente e sua qualidade cai substancialmente.
  • Não compre frutos machucados e com ferimentos em sua casca, sinais de mofo ou podridão. Apesar da aparente resistência ao manuseio, os frutos apodrecem muito mais rapidamente, na sua parte interna, a partir do ferimento ou machucado externo.

Propriedades Fitoterapêuticas[editar | editar código-fonte]

  • O suco extraído das flores é bom para o estômago (estomáquico), sendo também usado, externamente, para dor de ouvido.
  • As folhas e flores pisadas (amassadas, espremidas, socadas - até virar uma pasta) são usadas em fricções para tratar a erisipela, uma inflamação aguda da pele que provoca seu enrubecimento.
  • As sementes são vermífugas (contra vermes), mas de efeito lento. Usar as sementes trituradas em forma de sucos contra a febre e inflamações das vias urinárias (fazer sucos com as sementes moídas).
  • A polpa da abóbora, cozida, atua como emoliente (que alivia as dores de uma superfície interna e irritada). E pode ser usado também como "Esfoliante Estomacal" que pode ser beneficiado como uma laxante.
  • As sementes são ricas em compostos antioxidantes e têm potencial para ser usadas como nutracêutico.[8]
  • A abóbora é um fruto rico em vitamina A que também fornece vitaminas do complexo B, cálcio e fósforo, possui poucas calorias e é de fácil digestão.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b LIRA-SAADE, R. (1995). Estudios Taxonómicos y Ecogeográficos de las Cucurbitaceae Latinoamericanasde Importancia Económica. Itália: IPGRI. 2 páginas 
  2. Saade R, Lira (2020). Comisión nacional para el conocimiento y uso de la biodiversidad C. [S.l.: s.n.] 
  3. WHITAKER & BEMIS (1964). WHITAKER & BEMIS. [S.l.: s.n.] 
  4. Kistler, Logan (5 de dezembro de 2015). «Após extinção de grandes mamíferos, índios domesticaram a abóbora.». FOLHA de S. Paulo. Consultado em 6 de março de 2020 
  5. (NEE, 1990) (WHITAKER & BEMIS, 1975). [S.l.: s.n.] 
  6. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.10
  7. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.987
  8. Macedo, Catarina; Silva, Ana Margarida; Ferreira, Ana Sofia; Moreira, Manuela M.; Delerue-Matos, Cristina; Rodrigues, Francisca (janeiro de 2022). «Microwave- and Ultrasound-Assisted Extraction of Cucurbita pepo Seeds: A Comparison Study of Antioxidant Activity, Phenolic Profile, and In-Vitro Cells Effects». Applied Sciences (em inglês) (3). 1763 páginas. doi:10.3390/app12031763. Consultado em 9 de fevereiro de 2022 

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]