Cuidado parental

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Cuidados parentais)
Ir para: navegação, pesquisa
Searchtool.svg
Esta página foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa (desde fevereiro de 2008). Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo.
Ameerega trivittata transportando seus girinos nas costas.

Cuidado parental representa um mecanismo de seleção pós-copula [1], no qual progenitores utilizam de estratégias que aumentem a sobrevivência seus descendentes, mas em contrapartida acabam por reduzir sua própria sobrevivência e/ou possibilidades de reproduções futuras [2]. Dessa forma, parentais que investem muito em um baixo número de filhotes tendem a diminuir o número total de filhotes produzidos ao longo da vida, mas individualmente os filhotes apresentam maior sobrevivência. São exemplos de cuidado parental: suprir a prole de alimento, construir ninhos e abrigos, proteger contra predação, e transmitir calor. Estratégias de cuidado parental são observadas tanto em vertebrados como invertebrados.  

Considerando que a seleção natural age sobre o indivíduo, o cuidado parental pode parecer paradoxal, já que os pais se prejudicariam em benefício do filhote. Isto abriria margem para interpretações de seleção em nível de grupo, o que é fortemente rejeitado pelos especialistas[3]. O cuidado parental difere de seleção de grupo pelo grau de relação dos provedores de cuidado parental com a prole [4][5][6].

Mamíferos[editar | editar código-fonte]

Em humanos, assim como em outros mamíferos placentários, fêmeas carregam um embrião em desenvolvimento dentro de seus corpos. Tal comportamento, apresenta um elevado custo em termos de energia para as mães, mas confere proteção extra para o embrião em desenvolvimento.

Mamíferos são um dos táxons com maior número de trabalhos reportando cuidado parental [7]. Ainda que apenas uma pequena parte dos mamíferos apresentam cuidado parental [8][9], e uma menor porção se reproduza de forma socialmente monogâmica [10]. Na prática tal interesse se dá pela proximidade filogenética de humanos Homo sapiens com as demais espécies do táxon. Isso fica evidente pelo elevado número de estudos envolvendo primatas [11].

Mamíferos apresentam duas grandes adaptações para o cuidado da prole, a gestação (desenvolvimento do embrião dentro do corpo da mãe) e a produção de leite. Quando machos de mamíferos executam cuidado parental, os custos envolvidos tendem a ser elevados. Machos que cuidam da sua prole tendem a sofrer mudanças na massa corporal e níveis hormonais [12][13][14][15]. Em humanos, a criação de filhos pode representar um dos principais componentes do orçamento familiar [16]

Aves[editar | editar código-fonte]

Indivíduo adulto de Sabiá coleira, Turdus albicollis, encubando ovos no ninho.

Aves são um dos principais táxons com estudos envolvendo cuidado parental. Neste grupo, grande parte das espécies (aproximadamente 90%) apresentam sistema reprodutivo de monogamia social [17], onde machos e fêmeas contribuem para o cuidado da prole, contudo trapaças como a realização de fertilização extra par são observadas em várias ordens [18] . Tal característica, faz deste táxon um excelente objeto de estudo de custos e benefícios de investimento em cuidado parental. Estudos indicam que componentes similares do cuidado parental de aves e mamíferos são convergências evolutivas [12]. Em aves a necessidade de investimento parental requerido pós-eclosão ou nascimento, e tido como base para separação da estratégia reprodutiva em dois grupos: precocial e altricial. Em alguns grupos de aves, como pombas (Columbidae), flamingos (Phoenicopteridae) e alguns pinguins (Spheniscidae) é observado uma característica peculiar no investimento parental para o grupo: o "leite de pomba". O "leite de pomba" ou "Crop milk" (em inglês) consiste na reunião de elementos secretados pela parede da moela dos parentais diluído em água. Estudos indicam que tal secreção é uma importante fonte de energia e nutrientes, tais como carotenoides, para aves em seus primeiros estágios de vida[19].

Anfíbios[editar | editar código-fonte]

Diversas espécies de anfíbios, como a Hyalinobatrachium yaku e a Rheobatrachus sp., apresentam cuidado parental [20]. Este grupo apresenta uma elevada diversidade de estratégias de cuidado parental assim como uma elevada diversidade de estratégias reprodutivas. Seis padrões gerais de cuidado parental são reconhecidos para anfíbios, sendo eles: cuidados de ovos, transporte de ovos, cuidado de girinos, transporte de girinos, alimentação de girinos, e gestação interna no oviduto (viviparidade) [20] .

Répteis[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos filhotes de répteis eclodem dos ovos depois de um longo período após os parentais se afastarem dos ovos. Algumas espécies de lagartos e cobras guardam os ovos. Cobras do gênero Pythons incubam seus ovos por um tempo, mas após o nascimento dos filhotes não há maior investimento no cuidado da prole. Dentre os repteis, apenas os crocodilianos e seus relativos tendem a cuidar dos ovos e filhotes.

Peixes[editar | editar código-fonte]

Exemplo de Cavalo Marinho macho gravido

O cuidado parental evoluiu em diversos grupos de peixes. Na família Syngnathidae (ex. cavalos marinhos) apresentam uma estratégia reprodutiva onde os machos se tornam grávidos, ao passo que as fêmeas provem pouco ou nenhum investimento pós-fecundação. Em outras espécies, machos assumem papel de proteger os ovos antes destes eclodirem.

O comportamento de incubação oral, apresentado por alguns peixes, consiste  em um adulto guardar os filhotes em sua boca, por extensos períodos de tempo. Este comportamento, parece ter evoluído independentemente em diversas família de peixe[21].

Invertebrados[editar | editar código-fonte]

Alguns insetos, mas principalmente Hymenoptera, investem substancialmente no cuidado da prole. O tipo de cuidado e quantidade de cuidado dispendido variam. Vespas solitárias constroem ninhos para seus jovens, provem alimento para estes e selam o ninho. Após o nascimento os jovens se alimentam unicamente do alimento deixado pelo adulto na construção do ninho [22].  Em vespas sociais, adultos constroem ninhos para o desenvolvimento dos seus filhotes, e provem alimento para o desenvolvimento dos mesmos. Em contraste, abelhas jovens crescem em colônias, onde os ovos são postos principalmente pela rainha, e os filhotes são cuidados pelas operarias [23]Escarabeídeos  e  Lepidoptera também apresentam cuidado parental. Borboletas ovopositam sobe locais onde seus filhotes serão capazes de se alimentar. Grilos também são conhecidos por colocarem seus ovos em pontos ótimos para o desenvolvimento de filhotes. Muitas espécies de Hemiptera cuidam dos seus filhotes. Algumas espécies da famílias de Belostomatidae, como o gênero Abedus apresetam cuidado parental.

Modelos teóricos de cuidado parental[editar | editar código-fonte]

Exemplo de filhotes de Beija-flor protegidos por um ninho construído pelos seus parentais.

De forma geral, fêmeas tendem a despender maior cuidado parental que os machos[24]. Modelos matemáticos sugerem que o custo para os machos no cuidado parental seja maior que nas fêmeas, especialmente devido à incerteza da paternidade[25]. Ainda controlando o efeito da filogenia, em espécies onde o cuidado parental é elevado tende-se a observar baixas taxas de fertilização extra-par[26]. Tal observação indica que exista seleção se machos que despendem cuidado parental com filhotes que não sejam geneticamente relacionados ao mesmo. 

Referências

  1. Birkhead TR (2010). «How stupid not to have thought of that: post-copulatory sexual selection». Journal of Zoology. doi:10.1111/j.1469-7998.2010.00701.x 
  2. Trivers R (1972). Parental investment and sexual selection in Sexual Selection & the Descent of Man. Chicago: Aldine 
  3. SMITH, J. MAYNARD. «Group Selection and Kin Selection». Nature. 201 (4924): 1145–1147. doi:10.1038/2011145a0 
  4. Hamilton WD (1963). «The evolution of altruistic behavior». The American Naturalist 
  5. Hamilton WD (1964). «The genetical evolution of social behaviour. I». The American Naturalist 
  6. Hamilton WD (1964). «The genetical evolution of social behaviour. II». Journal of Theoretical Biology 
  7. Gubernick DJ (1981). Parental care in mammals. New York: Plenum Press. 459 páginas 
  8. Kleiman DG, Malcolm JR (1981). The evolution of male parental investment in mammals. In: Parental care in mammals. [S.l.]: Springer. pp. pp 347–387 
  9. Woodroffe R; Vincent A (1994). «Mother's little helpers: patterns of male care in mammals.». Trends in Ecology & Evolution 
  10. Barash DP, Lipton JE (2002). The myth of monogamy: Fidelity and infidelity in animals and people. [S.l.]: Macmillan 
  11. Wright PC (1990). «Patterns of paternal care in primates». International Journal of Primatology. doi:10.1007/BF02192783 
  12. a b Farmer CG (2000). «Parental care: the key to understanding endothermy and other convergent features in birds and mammals». The American Naturalist 
  13. Reburn, Catharine J.; Wynne-Edwards, Katherine E. (1 de abril de 1999). «Hormonal Changes in Males of a Naturally Biparental and a Uniparental Mammal». Hormones and Behavior. 35 (2): 163–176. doi:10.1006/hbeh.1998.1509 
  14. Wynne-Edwards, Katherine E. (1 de setembro de 2001). «Hormonal Changes in Mammalian Fathers». Hormones and Behavior. 40 (2): 139–145. doi:10.1006/hbeh.2001.1699 
  15. Ziegler TE (2000). «Hormones associated with non-maternal infant care: a review of mammalian and avian studies». Folia Primatologica 
  16. «Custo de um filho pode chegar a R$ 2 milhões. Como fazer? | EXAME.com - Negócios, economia, tecnologia e carreira». exame.abril.com.br. Consultado em 20 de maio de 2017 
  17. Lack D (1968). Ecological adaptations for breeding in birds. [S.l.]: Chapman and Hall 
  18. Griffith SC, Owens IPF, Thuman KA (2002). «Extra pair paternity in birds: a review of interspecific variation and adaptive function». Molecular Ecology 
  19. Eraud C , Dorie A, Jacquet A, Faivre B (2008). «The crop milk: a potential new route for carotenoid-mediated parental effects». Journal of Avian Biology. doi:10.1111/j.0908-8857.2008.04053.x 
  20. a b Crump ML (1996). «Parental care among the Amphibia». Advances in the Study of Behavior 
  21. Helfman G, Collette BB, Facey DE, Bowen BW (2009). The Diversity of Fishes: Biology, Evolution, and Ecology. [S.l.]: Wiley-Blackwell 
  22. Grissell, E. E. (8 de janeiro de 2014). «Potter Wasps of Florida, Eumenes spp. (Insecta: Hymenoptera: Vespidae: Eumeninae)». edis.ifas.ufl.edu (em inglês). Consultado em 20 de maio de 2017 
  23. Janine WY, Joel M, Kölliker M. «The evolution of parental care in insects: the roles of ecology, life history and the social environment» 
  24. Queller, David C. (22 de novembro de 1997). «Why do females care more than males?». Proceedings of the Royal Society of London B: Biological Sciences (em inglês). 264 (1388): 1555–1557. ISSN 0962-8452. doi:10.1098/rspb.1997.0216 
  25. Jennions, Michael D.; Petrie, Marion (1 de fevereiro de 2000). «Why do females mate multiply? A review of the genetic benefits». Biological Reviews. 75 (1): 21–64. ISSN 1469-185X 
  26. Matysiokova B, Remes V (2013). «Faithful females receive more help: the extent of male parental care during incubation in relation to extra-pair paternity in songbirds». Journal of Evolutionary Biology. doi:10.1111/jeb.12039 
Ícone de esboço Este artigo sobre Biologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.