Culinária do Rio Grande do Sul

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A culinária do Rio Grande do Sul tem como tradição a carne de charque, o churrasco e as influências sofridas pela Imigração italiana no Brasil e alemã ocorrida durante o século XIX. Da mistura entre a comida indígena, portuguesa e espanhola e do homem do campo surge a chamada cozinha da Campanha e, com características mais urbana, a cozinha da região missioneira. São muito populares pratos como o churrasco, o arroz de carreteiro e o galeto ao Primo Canto,[1] além de receitas mais contemporâneas, como o bauru gaúcho.

O charque[editar | editar código-fonte]

Antigamente, o atual território do Rio Grande do Sul era habitado pelos índios, os "guaranis", que viviam da caça e da pesca. Ocupavam as margens da lagoa dos Patos, o litoral norte e as bacias dos rios Jacuí e Ibicuí incluindo a região noroeste; os pampeanos, que ocupavam a região sul e sudoeste e os jês, talvez os mais antigos habitantes no lado oriental do rio Uruguai. Como tentativa de retirar os "indígenas" da mata para poder catequizá-los, os jesuítas introduziram no Estado o gado. Os índios passaram então a tomar conta do rebanho, que era criado solto, e comer sua carne tendo sempre farta comida a sua disposição e em troca aprendiam com os jesuítas a cultura européia e construíam casas, surgiram assim as missões.

Com a entrada dos tropeiros de São Paulo e Minas Gerais no Sul, os índios foram caçados e levados como escravos e os jesuítas voltaram para a Europa. O gado, como era criado solto, continuou a se reproduzir e se espalhar pelo sul do continente, pois não havia um predador para caçá-lo.

Quando os tropeiros voltaram para o Rio Grande do Sul havia milhares desses animais, o gado selvagem. Começaram, então, a matá-los para lhes extrair o couro cru, que era levado e vendido nos outros Estados. Para conservarem a carne que sobrava e a usarem como alimento em suas longas viagens, os tropeiros começaram a conservá-la rolando-a em sal grosso para desidratá-la surgindo assim o charque.

Churrasco[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Churrasco

Em vista do Rio Grande do Sul ter sido a primeira maior área de criação bovina no país, o gado faz parte da vida dos gaúchos desde o início da colonização, em meados do século XVII, e foi natural o processo da carne assada sobre um fogo de chão se tornar o prato tradicional da região. Esta refeição era de fácil preparo, com poucos ingredientes: somente a carne (abundante na região) e sal grosso, que era espetada e pousada sobre a brasa.

Certamente a carne preferida é a bovina, mas o churrasco do gaúcho contemporâneo também inclui o "salsichão" (linguiça toscana na gíria gaúcha), "coraçãozinho" de galinha, e outras carnes de origem suína e ovina.

Outro tipo de churrasco bastante apreciado é o "xixo", que provavelmente tem origem ou inspiração no "shish" ou "sish kebab" árabe. Tradicionalmente, o xixo gaúcho é um assado onde são espetados — em um espeto grande, não em espetinhos — peças de gado, frango e porco intercalados por pedaços de pimentão verde, vermelho ou amarelo, tomate e cebola, também temperados com sal grosso.[2][3][4]

Arroz de carreteiro[editar | editar código-fonte]

Mais um prato derivado da abundância da carne da região, o também chamado arroz-carreteiro ou simplesmente carreteiro é de fácil preparo, composto basicamente do arroz cozido com pedaços de charque picados.

Colonização alemã[editar | editar código-fonte]

Chucrute (sauerkraut) com salsichas

Imigrantes alemães fixaram-se na Região Sul do Brasil a partir de 1824, instalando-se em pequenas propriedades rurais e diversificando a economia brasileira de então. No começo, os alemães ocuparam a região do Vale do Sinos. Entretanto, após a Guerra dos Farrapos, foram se separando e fundando colônias nas margens de alguns rios. Os colonos passaram a plantar alimentos até então não cultivados no Brasil, como, por exemplo, a batata (o que lhes conferiu o apelido de "alemães batateiros" ou "alemães-batata" pelos brasileiros na época) e a produzir comidas influenciadas por seus costumes.

Eles foram os responsáveis pelo início da produção do queijo colonial, famoso na região da Serra Gaúcha, e da chimia, doce pastoso feito tradicionalmente à base de batata-doce e melaço, além de introduzir comidas típicas de sua cultura, como o Eisbein (joelho de porco cozido), o Apfelstrudel (folheado de maçã), as cucas, o chucrute (Sauerkraut) e os embutidos artesanais (salsichas, linguiças e salames).

Colonização italiana[editar | editar código-fonte]

Foi a partir de 1875 que chegaram os primeiros grupos de italianos no Rio Grande do Sul, vindos de Piemonte e Lombardia, e depois do Vêneto, que se instalaram na região da Serra Gaúcha, mais precisamente na região hoje pertencente ao município de Farroupilha[5].

Introduziram na culinária gaúcha pratos derivados de sua cultura, como as polentas, massas como os tortéis com recheio de moranga e o Galeto ao Primo Canto, além do consumo de frango (talvez derivado das "passarinhadas"). A introdução do cultivo de vinho na região tornou a vinicultura a principal economia dos colonos italianos e posteriormente muito importante do Rio Grande do Sul, também influenciando a culinária gaúcha.

Outros exemplos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. INGRATTA, Giliani. Larousse da Cozinha do Mundo: Américas. Tradução Marcos Maffei. 2. ed. [S.l.]: Larousse do Brasil, 2005. 144 p. ISBN 9788576350606.
  2. Frigorífico Vitello. «Manual do Churrasqueiro: Xixo ou Espetinho Misto». Consultado em 7 de dezembro de 2012 
  3. Saite Tudo Gostoso. «Receita de Xixo Gaúcho». Consultado em 7 de dezembro de 2012 
  4. Jornal O Diário da Encosta da Serra. «Almoço Tradicionalista: Xixo Gaúcho». Consultado em 7 de dezembro de 2012 
  5. Portal Prefeitura de Farroupilha: A cidade


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARRETO, Anita Ribeiro de Menna. 500 Receitas Típicas do Rio Grande do Sul. Editora Livraria do Globo: Porto Alegre, 1950

Ligações externas[editar | editar código-fonte]