Culinária do Rio de Janeiro

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A culinária do Rio de Janeiro, também conhecida como culinária carioca e culinária fluminense é consolidada principalmente por influências dos portugueses, indígenas e africanos, mas também recebeu bastante influência dos demais povos europeus, principalmente dos italianos, espanhóis e alemães, especialmente nas últimas décadas, passou-se a adaptar pratos tradicionais de imigrantes sírios, libaneses, árabes, chineses, coreanos, japoneses e suíços à cultura local, utilizando ingredientes brasileiros.

Principais pratos da culinária carioca[editar | editar código-fonte]

Um dos pratos mais tradicionais é a feijoada, prato de herança portuguesa adaptada pelos escravos afro-brasileiros, que inclui feijão preto, arroz branco, couve, farofa, e váriados tipos de carnes bovina e suína. Como relatado pelo mineiro Pedro Nava em seu livro de memórias "Baú de Ossos," a feijoada foi inventada "na velha Rua General Câmara, no restaurante famoso de G. Lobo, cujo nome se dizia contraído em Globo." A feijoada carioca ou feijoada brasileira é evolução de pratos latinos como o cassoulet francês, um ragout de feijão-branco com carne de ganso, de pato ou de carneiro. [1] [1]

A herança da colonização portuguesa pode ser percebida em tradicionais restaurantes da cidade[2], onde pratos à base de bacalhau e frango são servidos diariamente. Como heranças indígena e africana encontra-se facilmente, tanto em restaurantes como em barracas de rua, caruru, biscoito de polvilho, bebida de mate gelado [3], açaí, que é mais consumido misturado a outros ingredientes, como doces, caldas e granola, do que necessariamente puro, onde [4] estes pratos foram incorporados à culinária local, sendo comidas bastante consumidas pelos turistas.

Como os doces mais comuns, de influências múltiplas e adaptações variadas, podemos citar brigadeiro, pavê, pudim, quindim, paçoca, pé de moleque, doce de leite, cajuzinho, beijinho, bolinho de chuva, bolos, compotas, geleias, entre outros.

No centro da cidade, imigrantes sírios e libaneses instalaram uma zona de comércio de tecidos e também de pratos típicos da sírio-libanesa, como quibe, esfirras e tabulé, que se tornaram populares ao gosto carioca. A cultura boêmia da cidade favoreceu a expansão da culinária de múltiplos povos que compõe o Rio de Janeiro, pelos tradicionais botequins da cidade, onde serve-se filé com fritas, casquinha de siri, bolinho de camarão, caldinho de feijão, sopa de ervilha, pizzas, mocotó, caldo verde, aperitivos, como coxinhas, rissole, enroladinho de salsicha, pão de queijo, misto-quente, bolinha de queijo, pastéis, bolinho de bacalhau e empadas. Também tornaram-se comuns as pastelarias chinesas e as barracas coreanas de kimchi, adaptadas ao paladar brasileiro.

O Rio de Janeiro recebeu forte influência regional, principalmente de Minas Gerais, no consumo de caldos, sopas, polenta e pão de queijo, da Bahia, no consumo de frutos do mar e pratos afro-brasileiros e indígenas, como pipoca, canjica, quibebe, acarajé, beiju, bobó de camarão, abará, tapioca, cuscuz, moqueca, farofa, e do Rio Grande do Sul, no consumo de pão de alho e churrasco com molho à campanha.

O chope se tornou uma bebida tradicional na cidade, chegando à cidade com a família real portuguesa em 1808[5], que por ser leve e gelado é uma opção refrescante para as temperaturas altas da capital fluminense.

Duas outras culinárias se tornaram populares na capital fluminense nas três últimas décadas: A chamada culinária natural, também chamada de vegana, onde o Rio de Janeiro tornou-se a sede da primeira escola de culinária saudável do país[6], e a culinária japonesa adaptada aos gostos locais se tornou uma constante presença nos bairros cariocas. As barracas japonesas de yakisoba, as temakerias e rodízios de sushi e sashimi são encontrados facilmente pela cidade.

Outro prato típico do Rio de Janeiro é o Filé a Osvaldo Aranha[7], acompanhado de arroz branco e farofa. Segundo relatos, o famoso político gaúcho ia todos os dias ao mesmo restaurante para comer este mesmo prato, que acabou levando seu nome em homenagem. Outros pratos típicos incluem a Peixada à Brasileira, Sopa à Leão Veloso, o Picadinho Carioca.

A Culinária Fluminense[editar | editar código-fonte]

Apesar da culinária do estado do Rio de Janeiro ser bastante similar a da capital, existem diferenças regionais importantes decorrentes da tradição de tribos indígenas nativas, diferentes povos africanos e diversificadas culturas europeias que colonizaram a região.

Região Serrana[editar | editar código-fonte]

O clima ameno da região serrana fluminense foi favorável para seu desenvolvimento durante o período do Império. A culinária serrana recebeu influência principalmente da culinária suíça, como o fondue, o cordon bleu e o rösti, os alemães, com o chucrute e as salsichas alemães, os italianos, com as massas, como nhoque, espaguete, ravioli e pizza, e os espanhóis, como o ensopado espanhol chamado puchero, os churros, a paelha e o gaspacho. A corte portuguesa criou palácios e fazendas na região, impactando bastante a cultura local.

A produção de cervejas na região teve início no século XIX, cultivo este introduzido por alemães. A primeira cervejaria do Brasil é a Cervejaria Bohemia, foi instalada na região. Algumas de suas cervejarias expandiram seu alcance nacionalmente e na última década uma expansão de cervejarias artesanais vem acontecendo na região, compondo uma rota cervejeira para aficionados da bebida[8].

Região Serrana Sul[editar | editar código-fonte]

Dada à proximidade aos Estado de Minas Gerais, a culinária da região é similar à mineira, com vários restaurantes e hotéis fazenda oferencendo pratos típicos da cozinha Mineira, recebendo influência principalmente da cozinha francesa, como o petit gateau, os profiteroles e o quiche lorraine, a cozinha italiana, alemã e também a portuguesa. No entanto, vale a pena ressaltar que na cidade de Itatiaia, no distrito de Penedo, que por sua pequena colônia finlandesa estabelecida na região, apresenta pratos típicos da culinária finlandesa, adaptados aos ingredientes locais, como os pães de centeio, os pasteis da Carélia e o Maksalaatikko.

Região dos Lagos[editar | editar código-fonte]

A culinária local está diretamente relacionada à cultura da pesca artesanal das cidades da região. Os principais pratos típicos são influenciados por portugueses, indígenas e africanos, com pratos à base de peixes, milho, legumes, bananas e frutos do mar, como a caldeirada, a espada com banana, o camarão na moranga e o curau. A popularização do turismo internacional da região, especialmente em Búzios, trouxe renomados restaurantes de gastronomia internacional, principalmente pratos de influência argentina,[9] que adaptaram pratos internacionais com ingredientes locais, ganhando prêmios de gastronomia do Estado[10].

Norte Fluminense[editar | editar código-fonte]

Em Campos dos Goytacazes, o chuvisco, um doce típico português, feito à base de ovos, é indispensável em celebrações da cidade se tornando parte da identidade dos campistas, que possuem pratos de influência principalmente portuguesa, indígena e africana[11].

Costa Verde[editar | editar código-fonte]

A importância turística da região criou uma cultura gastronômica única na região da costa verde, que liga o litoral fluminense ao litoral paulista. É possível encontrar restaurantes que mesclam a culinária internacional com ingredientes locais, como banana da terra, cachaça e frutos do mar pescados na baía da Ilha Grande. A região possui bastante influência na culinária dos povos indígenas, africanos, portugueses, alemães, ucranianos, como o borsch, os cogumelos e peixes típicos da região, e os poloneses, com o prierogi, o zurek e os bigos. Também é comum na região servir o café colonial, herança destes povos europeus que habitaram a região.

Paraty é uma das principais cidades produtoras de cachaça artesanal do Brasil, atraindo turistas internacionais para seus alambiques, o mais antigo em funcionamento iniciou sua produção no século XIX[12]. A produção da bebida teve seu início no primeiro século da colonização, em 1600, quando a cana de açúcar ainda era o principal produto de exportação da colônia. Ainda é possível tomar cafés adoçados com caldo de cana, uma forma tradicional de adoçar a bebida no interior. Como a cana de açúcar da região não era doce o suficiente para a produção de açúcar refinado, os alambiques despontaram como uma produção alternativa.


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  1. Nava, Pedro (2012). Baú de Ossos. [S.l.]: Cia das Letras 
  2. «Culinária Carioca: o Rio de Janeiro tem comidas típicas?». Leblon All Suites Design Hostel. 27 de maio de 2014. Consultado em 1 de maio de 2019 
  3. Freire, Quintino Gomes (24 de agosto de 2015). «Os 10 pratos típicos do Rio de Janeiro». Diário do Rio de Janeiro. Consultado em 1 de maio de 2019 
  4. «Açaí é termo mais procurado por cariocas em site de delivery de comida; veja preferências». Extra Online. Consultado em 2 de maio de 2019 
  5. «Revista Aventuras na História - Chopp só tem no Brasil». web.archive.org. 1 de julho de 2017. Consultado em 19 de maio de 2019 
  6. «Conheça a primeira escola especializada em alimentação saudável do Brasil». CLAUDIA. Consultado em 2 de maio de 2019 
  7. «Culinária do Rio de Janeiro». Estados e Capitais do Brasil. 26 de fevereiro de 2015. Consultado em 1 de maio de 2019 
  8. «Tour Cervejeiro: Conheça a Rota Cervejeira da Região Serrana do Rio | Go On Viagens e Turismo Blog». goonturismo.com. Consultado em 19 de maio de 2019 
  9. Confira um circuito gastronômico de culinária estrangeira em Búzios, RJ - G1 Região dos Lagos - RJ Inter TV 1ª Edição - Vídeos - Catálogo de Vídeos, consultado em 19 de maio de 2019 
  10. admin (20 de agosto de 2018). «Culinária de Cabo Frio faz sucesso no evento Rio Gastronomia». Ache Lagos Notícias. Consultado em 19 de maio de 2019 
  11. «Culinária do Rio de Janeiro». Estados e Capitais do Brasil. 26 de fevereiro de 2015. Consultado em 1 de maio de 2019 
  12. «Um passeio pela rica gastronomia de Paraty e Angra dos Reis». O Globo. 22 de março de 2018. Consultado em 19 de maio de 2019