Cultura Mushabiana

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A Cultura Mushabiana desenvolveu-se no Vale do Nilo entre 14500-11000 AP e foi considerada como precursora da cultura natufiana, a cultura que segundo evidências arqueológicas desenvolveu os primeiros processos agrícolas conhecidos.[1] [2] Segundo evidências arqueológicas os mushabianos migraram para a região do Levante onde fundiram-se com a cultura Kebarana: "Os sítios mushabianos do Sinai são interpretados como restos de grupos móveis enxertados fora da região do Nilo, atraídos pela expansão do meio ambiente".[3] Esse argumento é considerado por meio da ocorrência precoce da técnica de microburils no Vale do Nilo: "No entanto, a recente descoberta do uso ainda mais antigo de microburils na bacia Azraq fundamentalmente enfraquece o argumento, e pode até indicar a difusão desta técnica em outra direção".[4] Fellner acredita que a cultura mushabiana deriva da Cultura Nizzaniana do Negev.[4]

A indústria lítica mushabiana é caracterizada por lamelas arqueadas, pontas La Mouilla, lunates helwanianos, triângulos escalenos e truncados produzidos com a técnica microburils; a economia baseia-se, segundo os líticos, em exploração vegetal.[5]

Fusão Mushabiana-Keberana[editar | editar código-fonte]

Análises modernas, comparando 24 medidas craniofaciais revelam uma população predominantemente cosmopolita no âmbito do pré-neolítico, neolítico e idade do bronze do Crescente Fértil, apoiando a visão de uma população diversificada por povos que ocuparam a região durante este período de tempo.[6] [7] Em particular, evidências mostram uma forte presença africana subsaariana na região, especialmente entre os natufianos epipaleolíticos de Israel.[6] [8] [9] [10] Estes estudos afirmam que ao longo do tempo as influências subsaarianas teriam se "diluído" na imagem genética devido à miscigenação entre os imigrantes neolíticos do Oriente Próximo e caçadores e coletores autóctones que eles entraram em contato.

Ricaut et al. (2008)[7] associa influências subsaarianas detectadas nas amostras natufianas com a migração de linhagens E1b1b da África Oriental para o Levante, e depois para a Europa. Entrando no mesolítico superior na cultura natufiana, o E1b1b1a2 (E-V13) sub-clado tem sido associado com a expansão da agricultura do Oriente Médio para a Europa, durante ou pouco antes da transição para o neolítico. Linhagens E1b1b1 são encontradas em toda a Europa, mas são distribuídas ao longo de um declive do Sul para o Norte, com um modo E1b1b1a nos Bálcãs.[11] [12] "Recentemente, tem sido proposto que E3b originou-se na África subsaariana e se expandiu para o Oriente Próximo e norte da África no final do Pleistoceno. Linhagens E3b teriam então sido introduzidas a partir do Oriente Próximo para a Europa do Sul por agricultores imigrantes, durante a expansão neolítica".[12] Além disso "uma população mesolítica carregando linhagens do Grupo III com a mutação M35/M215 expandiu-se para o norte da África subsaariana para o Norte da África e Levante. A população de agricultores do Levante que se dispersou na Europa durante e após o neolítico transportou essas linhagens africanas do grupo III M35/M215, juntamente com uma aglomeração de linhagens do Grupo VI é caracterizado pelas mutações M172 e M201.[11]

Referências

  1. Bar-Yosef 1987, p. 29
  2. Bar-Yosef 1998, pp. 159–177
  3. Bar-Yosef 1995, p. 55
  4. a b Fellner 1995, p. 25
  5. Mushabian (em inglês). Página visitada em 12 de março de 2012.
  6. a b Brace 2006, pp. 242-247
  7. a b Ricaut 2008, pp. 535-564
  8. Barker 2002, pp. 151–161
  9. Bar-Yosef 1987, pp. 29-38
  10. Kislev 2006, pp. 1372–1374
  11. a b Underhill 2001, pp. 43–56
  12. a b Cruciani 2004, pp. 1014-1022

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Brace, Loring; et al. (2006). "The questionable contribution of the Neolithic and the Bronze Age to European craniofacial form". Proceedings of the National Academy of Sciences 103 (1).
  • Ricaut, F. X.. (2008). "Cranial Discrete Traits in a Byzantine Population and Eastern Mediterranean Population Movements". Human Biology 80.
  • Barker, G.. Transitions to farming and pastoralism in North Africa. [S.l.: s.n.], 2002.
  • Kislev, M. E.. (2006). "Early domesticated fig in the Jordan Valley" 312.
  • Lancaster, Andrew. (2009). "Y Haplogroups, Archaeological Cultures and Language Families: a Review of the Multidisciplinary Comparisons using the case of E-M35". Journal of Genetic Genealogy 5.
  • Underhill. (2001). "The phylogeography of Y chromosome binary haplotypes and the origins of modern human populations".
  • Cruciani, F.. (2004). "Phylogeographic analysis of haplogroup E3b (E-M215) y chromosomes reveals multiple migratory events within and out of Africa" 74.
  • Bar-Yosef, Ofer. (1987). "Pleistocene connexions between Africa and Southwest Asia: an archaeological perspective". African Archaeological Review 5. DOI:10.1007/BF01117080.
  • Bar-Yosef, Ofer. (1998). "The Natufian Culture in the Levant, Threshold to the Origins of Agriculture". Evolutionary Anthropology 6. DOI:<159::AID-EVAN4>3.0.CO;2-7 10.1002/(SICI)1520-6505(1998)6:5<159::AID-EVAN4>3.0.CO;2-7.
  • Bar-Yosef, Ofter. The Origins of Agriculture in the Near East In Price. [S.l.: s.n.], 1995.
  • Fellner, R. O.. Cultural Change and the Epipalaeolithic of Palestine. [S.l.: s.n.], 1995.