Cultura Racional

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Cultura Racional é uma cultura [nota 1] brasileira derivada do espiritismo fundada em meados da década de 1930 pelo médium carioca Manoel Jacintho Coelho, então presidente de um centro espírita denominado Tenda Espírita Francisco de Assis. A Cultura Racional tem como base uma série de mil livros denominados Universo em Desencanto [nota 2], uma enciclopédia extensiva das ciências terrenas e espirituais.

Segundo a definição da própria obra, a Cultura Racional é:

Origens

A Cultura Racional surgiu em 1935, em um Centro Espírita, de nome “Tenda Espírita Francisco de Assis”, na cidade do Rio de Janeiro, Rua Lopez da Cruz, Méier. [2]

Segundo a história narrada no Livro: O Cavaleiro da Concórdia, que conta um pouco da vida de Manoel Jacintho Coelho, foi no ano de 1933, quando Manoel, na época com 29 anos, começou a ter visões de uma luz prateada brilhante, e que lhe aparecia variando de cores, tamanho e intensidade. E Junto com esta luz, uma voz começou a comunicar-se:

Nesta época, Manoel trabalhava como funcionário do Ministério das Relações Exteriores, no Palácio do Itamaraty, que foi sede dos três primeiros Governos Republicanos. Getúlio Vargas presidia o Governo Provisório, governo este, que para se manter na normalidade de regime republicano, precisou elaborar um anteprojeto de nova Constituição, projeto este, que teve a contribuição do Senhor Manoel, e que um ano depois viria a tornar-se a nova constituição de 1934. Como todo brasileiro, Manoel, alimentava um sonho: o da reconstitucionalização do País. [6][7]

Além de funcionário público, Manoel, neste mesmo período, costumava se apresentar nos bares da Lapa como músico, um músico excelente, segundo seus próprios amigos das noites cariocas, dentre os quais: Agenor de Oliveira, o Cartola, Jacob do Bandolim, Jackson do Pandeiro, Pixinguinha, e outros tantos da mesma época. Filho de músicos, o pai tinha sido regente e a mãe professora de piano, Manoel herdou o gosto pela música. Seu instrumento foi o violão de sete cordas. [8]

Ainda como médium, Manoel dedicava o pouco tempo que tinha atendendo os necessitados na Tenda Espírita Francisco de Assis. Sem fazer distinção, atendia a todos, rico ou pobre, influente ou sem prestígio. Tratava todos com muito amor, generosidade e paciência. “A Tenda Espírita Francisco de Assis é uma casa de caridade. Lá ninguém pagava nada." [9]

A Cultura Racional mesmo tendo se originado em uma Tenda Espírita, deixa claro em toda sua obra, não se tratar de espiritismo.

Assim, Cultura Racional nega, em primeiro momento, seu caráter espiritual e religioso, se apresentando não como uma doutrina ou uma religião, mas sim, como a continuação de todos estes movimentos espirituais, religiosos, filosóficos e científicos. Em outras palavras, a Cultura Racional tem a proposta de complementar tais segmentos, e não de oposição ou descriminação. Por isso, a Cultura Racional se considera como um conhecimento transcendental de união cultural, e não de divisão. Sendo assim, os estudantes da Cultura Racional se esforçam em dizer que na verdade fazem parte de um movimento cultural, e não de religião ou espiritismo filosófico.

Somente após um determinado tempo de estudo, a pessoa vem a saber através de um livro que, a Cultura Racional dependendo do contexto, pode ser interpretada como uma religião:

Doutrina

Uma vez tendo proximidade com a Umbanda, a Cultura Racional continuou no início como vertente dela, embora com roupagem nova e linguagem alterada [15], caracterizada pelo que ficou conhecido entre os estudantes como a salinha, onde os médiuns incorporavam as entidades e davam consultas para as pessoas, membros ou não. Essa salinha existiu, funcionando como ponto aglutinador dos que procuravam ter seus problemas resolvidos. As consultas como forma de caridade existiu na época em que os primeiros livros Universo em Desencanto ainda estavam sendo ditados. O uso das vestimentas da cor branca como na Umbanda e da saudação praticada pela mesma (salve)[16], mostra bem a similaridade entre elas.

Na Umbanda, o uso da roupa branca é justificada assim:

Na Cultura Racional:

Uma vez que própria Cultura Racional se propõe como a continuação da Umbanda, sob esta ótica deve ser analisada pois assim fica compreensível não só suas origens, mas também seu desenvolvimento e o alcance das pessoas que vieram a se tornar adeptas, seguidoras ou simpatizante da mesma. Nesse contexto, fica patente a experiência e a vivência umbandística de seu fundador, senhor Manoel Jacintho Coelho, que durante muito tempo militou entre os umbandistas, como ele próprio relata.

Assim, a vivência da Umbanda foi a matéria principal em torno da qual foram se reunindo os adeptos da Cultura Racional, principalmente na figura do seu líder maior, senhor Manoel, um mestre espiritual muito respeitado. Por se identificar nos cultos da Umbanda, de uma tenda espírita organizada e estabelecida, a Cultura Racional já nasceu familiarizada no campo espiritual e material, com seguidores e colaboradores, muitos dos quais iriam se manter e arregimentar os parentes e amigos nos anos seguintes, possibilitando a continuidade da mesma.

Apesar de apresentar características semelhantes e às vezes idênticas aos ensinamentos da Umbanda, a Cultura Racional tem os livros como carro chefe da "salvação", tendo em vista q todos os ensinamentos necessários estão contidos nos livros.


A gênese do universo segundo a Umbanda:

Na Cultura Racional:

Na Cultura Racional, a figura do Orixá Exu, Exu de Umbanda é referenciada, indicando os graus de transformações das classes de vida na qual a pessoa pode vir a se transformar pelo uso do seu livre-arbítrio.


História

Após a publicação dos primeiros exemplares da série Universo em Desencanto, em meados da década de 1930, a elaboração dos livros persistiu nas décadas posteriores, tendo mudado sua sede, do Méier para Jacarepaguá, depois para Belford-Roxo onde foi erguido o Palácio da Cultura Racional[23].

Na década de 1970, a Cultura Racional mudou-se para a atual sede, em Nova Iguaçu, onde se encontra até hoje. Nesse período, o movimento começou a ser frequentado por alguns artistas e famosos, dentre os quais estava o músico Tim Maia, que deu grande visibilidade à Cultura Racional, fazendo-a viver o seu auge. Enquanto esteve na Cultura Racional, o cantor gravou dois álbuns que anos mais tarde se tornariam um grande sucesso de crítica chamados Tim Maia Racional, Vol. 1 e Tim Maia Racional, Vol. 2.[24] Em 2011, a Editora Abril lançou um terceiro álbum inédito gravado pelo cantor em 1976.[25]

O fundador da Cultura Racional, Manoel Jacintho Coelho, morreu em 1991, deixando suas filhas como administradoras do seu patrimônio.[26][27]

Notas

  1. A palavra "cultura" de forma simplificada significa: um "conjunto de conhecimentos".
  2. Os livros da Cultura Racional se chamam Universo em Desencanto - Imunização Racional, nenhum possui o título de Cultura Racional.

Referências

  1. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 1º Vol. da Obra. Belford Roxo, RJ: Racional-Gráfica.
  2. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 1º Vol. da Réplica. Belford Roxo, RJ: Racional-Gráfica. Página visitada em 21/01/2017.
  3. ELIAS, Jorge. Cavaleiro da Concórdia: O Homem do Outro Mundo. Belford Roxo, RJ: Racional-Gráfica.
  4. ELIAS, Jorge. Cavaleiro da Concórdia: O Homem do Outro Mundo. Belford Roxo, RJ: Racional-Gráfica.
  5. ELIAS, Jorge. Cavaleiro da Concórdia: O Homem do Outro Mundo. Belford Roxo, RJ: Racional-Gráfica.
  6. ELIAS, Jorge. Cavaleiro da Concórdia: O Homem do Outro Mundo. Belford Roxo, RJ: Racional-Gráfica, 1988. Página visitada em 21/01/2017.
  7. SOUSA, Rainer Gonçalves. "Constituição de 1934"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiab/constituicao-1934.htm>. Acesso em 21 de janeiro de 2017. 
  8. ELIAS, Jorge. Cavaleiro da Concórdia: O Homem do Outro Mundo. Belford Roxo, RJ: Racional-Gráfica, 1988. Página visitada em 21/01/2017.
  9. ELIAS, Jorge. O Cavaleiro do Concórdia: O Homem do Outro Mundo. Belford Roxo, RJ: Racional-Gráfica, 1988. Página visitada em 21/01/2017.
  10. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 1º Vol. da Obra 1º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, s.d. Pp 15
  11. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 1º Vol. da Obra 1º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, s.d. pp. 141
  12. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 1º Vol. da Obra 1º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, pp. 141
  13. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 1º Vol. da Obra 1º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, s.d. pp. 176~177
  14. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 33º Vol. do Histórico 2º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, s.d. pp. 148~153
  15. SUENAGA, Cláudio Tsuyoshi. Cultura Racional: O desencanto da seita. Revista UFO, Edição 49. https://www.ufo.com.br/artigos/cultura-racional-o-desencanto-da-seita Acessado em 20 de junho de 2014.
  16. Guia de Referência - Exus e Pombas Giras. http://www.guia.heu.nom.br/exu_e_pombas_giras.htm Acessado em 20 de junho de 2014
  17. Sociedade Espiritualista Guerreiros da Luz - Por que usamos a roupa branca? http://www.terreirotioantonio.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=76:por-que-usamos-a-roupa-branca&catid=34:documentos&Itemid=55 Acessado em 05 de março de 2014
  18. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 1º Vol. 1 da TRÉPLICA 1º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, s.d. Pp 75
  19. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 10º Vol. da Obra 1º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, s.d. Pp. 79~107.
  20. A Umbanda. Disponível em http://www.pegue.com/religiao/umbanda.htm, acessado em 12 de agosto de 2014
  21. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 1º Vol. da Obra 1º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, s.d. pp. 38
  22. COELHO, Manoel Jacintho. Universo em Desencanto: Imunização Racional, 651º Vol. da Histórico 1º ed. Ed. Gráfica Racional, Belford Roxo, RJ, s.d. Pp. 12~13.
  23. ELIAS, Jorge. O Cavaleiro da Concórdia, O homem de outro mundo. 1º ed, Racional Gráfica Editora LTDA, 1988, Belford Roxo, RJ. Pp.116
  24. Os 100 maiores discos da Música Brasileira - Revista Rolling Stone, Outubro de 2007, edição nº 13, página 115
  25. «TIM MAIA volume 10 chega às bancas». Dinap. 27/05/2011 
  26. Neumann, Ricardo. A CULTURA RACIONAL E A CIRCULARIDADE CULTURAL. Tese de Mestrado. Florianópolis 2008. Disponível na Internet em http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pdf/st8/Neumann,%20Ricardo.pdf. pp.1 Acesso em 26 de Março de 2013
  27. Pronunciamento da Sra. Atna Jacintho Coelho - http://racional.weebly.com/comunicados.html, acessado em 31 de Julho de 2014

Ligações externas