Cultura bizantina normando-arábica

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Tarì - moeda de ouro de Rogério II da Sicília, com inscrições árabes, cunhada em Palermo, Museu Britânico

O termo Cultura bizantina normando-arábica,[1] Cultura Normando-Siciliana[2] ou, de forma menos inclusiva, Cultura normando-arábica,[3] (por vezes referida como "Civilização áraber-normanda")[4][5][6][7] refere-se à interação das culturas Normanda, Latina, Árabe e Greco-Bizantina que se seguiu à Conquista normanda do sul da Itália e da conquista Romana do norte da África 1061 até cerca de 1250. Essa civilização resultou de inúmeros intercâmbios nos campos cultural e científico, com base na tolerância mostrada pelos normandos em relação às populações falante de grego e os colonizadores muçulmanos.[8] Como resultado, a Sicília sob os normandos tornou-se uma encruzilhada para a interação entre as culturas Católica normando-latiaa, a Ortodoxa Bizantina e a Árabe islâmica.

Mosaico de estilo bizantino do Cristo Pantocrator na Catedral de Cefalù, erguido por Rogério II em 1131

Conquista normanda da Sicília[editar | editar código-fonte]

Em 965 Muçulmanos completaram a tomada da Sicília do Império Bizantino (romano oriental) iniciada com a queda final e significativa da cidadela grega de Taormina. Setenta e três anos depois, em 1038, as forças bizantinas começaram uma reconquista da Sicília sob o general grego jorge Maniaces. Esta invasão foi apoiada por mercenários nórdicos, guarda varegue, inclusive o futuro rei da Noruega, em uma série de mercenários Nórdicos, incluindo o futuro rei da Noruega Haroldo III, bem como em vários contingentes ítalo-normandos. Embora a morte de Maniakes numa guerra civil bizantina em 1043 reduzisse a força dessa invasão, os normandos acompanharam os avanços feitos pelos bizantinos e completaram a conquista da ilha aos sarracenos. Os normandos se expandram para o sul, como mercenários e aventureiros, impulsionados pelo mito de uma ilha feliz e ensolarada nos mares do sul.[9] O normando Roberto de Altavila, filho de Tancredo de Altavila, Senhor de Cotentin, [[conquista normanda do sul da Itália] invadiu a Sicília]] em 1060. A ilha foi dividida politicamente entre três árabes emirados árabes e a grande Igreja Ortodoxa se rebelou contra os muçulmanos no poder. Um ano depois Messina caiu para as tropas sob a liderança de Roger Bosso (o irmão de Roberto da Altavilla e o futuro Rogério I da Sicília e em 1071 os normandos tomaram Palermo.[10] A perda dessas cidades, cada uma com um porto esplêndido, causou um duro golpe ao poder muçulmano na ilha. Ao final os normandos tomaram toda a Sicília. Em 1091, Noto no extremo sul da Sicília e a ilha de Malta, as últimas fortalezas árabes, cairam para os cristãos.

Até o século XI, o poder muçulmano no Mediterrâneo começou a diminuir[11] Sob o governo normando, Palermo confirmou seu papel como uma das grandes capitais da Europa e do Mediterrâneo.

conquista normanda da África[editar | editar código-fonte]

O Reino da África foi uma extensão da zona fronteiriça do estado Sículo-Normando na antiga Província romana da África. Antes de finalmente ser conquistada pelos muçulmanos, essa província fora reorganizada como exarcado bizantino da África, Ifríquia'em Árabe tunisino, correspondente a Tunísia e partes de Argélia e Líbia hde oje. As principais fontes primárias sobre o reino são árabes (muçulmanas);[12] as fontes latinas (cristãs) são escassas. De acordo com Hubert Houben, uma vez que "África" nunca foi mencionada no título real dos reis da Sicília, "não se deve falar de um "reino normando da África".[13] Em vez disso, a "África Normanda" realmente equivalia a uma constelação de cidades normandizadas ao longo da costa Ifríquia."[14]

A conquista siciliana da África começou sob Rogério II da Sicília em 1146-48. O governo siciliano consistia em guarnições militares nas principais cidades, extorsões na população muçulmana local, proteção dos cristãos e cunhagem de moeda. A aristocracia local foi em grande parte deixada no seu lugar, e os príncipes muçulmanos controlavam o governo civil sob controle siciliano. As conexões econômicas entre a Sicília e a África, que eram fortes antes da conquista, foram fortalecidas, enquanto os laços entre a África e o norte da Itália foram expandidas. No início do reinado de Guilherme I da Sicília, o "reino" da África caiu para os Califado Almóada (1158-60). O legado mais duradouro foi o realinhamento dos poderes mediterrânicos provocados pela sua morte e a paz Siculo-Almoáda finalizada em 1180.

Rogério II retratado num mosaico de estilo árabe na Cappela Palatina
A Tábula (Mapa) Rogerian], desenhada por Dreses para Rogério em 1154, um dos mais avançados mapas mundiais antigos. A indicação Norte está na parte inferior do mapa
Manto de coroação de Rogério II. Possui uma inscrição em árabe com a data Ano da Hégira de 528 (1133-1134)

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Michael Huxley: "The Geographical magazine", Vol. 34, Geographical Press, 1961, p. 339
  2. Gordon S. Brown: "The Norman conquest of Southern Italy and Sicily", McFarland, 2003, ISBN 0786414723, p. 199
  3. Moses I. Finley: "A History of Sicily", Chatto & Windus, 1986, ISBN 0701131551, pp. 54, 61
  4. "In Sicily the feudal government, fastened on a country previously turbulent and backward, enabled an Arab-Norman civilization to flourish." Edwards, David Lawrence (1980). «Religion». Christian England: Its Story to the Reformation. [S.l.: s.n.] p. 148 
  5. Koenigsberger, Helmut Georg. «The Arab-Norman civilization during the earlier Middle-Ages». The Government of Sicily Under Philip II of Spain. [S.l.: s.n.] p. 75 
  6. Dossiers d'Archéologie, 1997: "It is legitimate to speak about an Arab-Norman civilization until the 13th century" (Original French: "on est fondé à parler d'une civilisation arabo-normande jusqu'au XIIIeme siècle" [1]
  7. Abdallah Schleifer: "the monuments of a great Arab-Norman civilization" [2]
  8. Lynn White, Jr.: "The Byzantinization of Sicily", The American Historical Review, Vol. 42, No. 1 (1936), pp. 1-21
  9. Les Normands en Sicile, p. 123.
  10. «Saracen Door and Battle of Palermo». Bestofsicily.com. 2004. Consultado em 28 de novembro de 2016 
  11. Previté-Orton (1971), pp. 507-511.
  12. All the Arabic sources can be found in Michele Amari, Biblioteca arabo-sicula (Rome and Turin: 1880).
  13. Houben, Roger II, 83.
  14. Dalli, "Bridging Europe and Africa", 79.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Pintura árabe feita para os reis normandos (c. 1150) no Palazzo dei Normanni
  • Buttitta, Antonino (ed.). Les Normands en Sicile. Caen: Musée de Normandie. ISBN 8874393288 
  • Amari, M. (2002). Storia dei Musulmani di Sicilia. [S.l.]: Le Monnier 
  • Aubé, Pierre (2006). Les empires normands d’Orient. [S.l.]: Editions Perrin. ISBN 2262022976 
  • Lebédel, Claude (2006). Les Croisades. Origines et conséquences. [S.l.]: Editions Ouest-France. ISBN 2737341361 
  • Lewis, Bernard (1993). Les Arabes dans l'histoire. [S.l.]: Flammarion. ISBN 2080813625 
  • Musca, Giosuè (1964). L'emirato di Bari, 847-871. Bari: Dedalo Litostampa 
  • Previte-Orton, C. W. (1971). The Shorter Cambridge Medieval History. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Taylor, Julie Anne (abril de 2007). «Freedom and Bondage among Muslims in Southern Italy during the Thirteenth Century». Journal of Muslim Minority Affairs. 27 (1): 71–77. doi:10.1080/13602000701308889 
  • Santagati, Luigi (2012). Storia dei Bizantini di Sicilia. [S.l.]: Lussografica