Curionópolis

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Município de Curionópolis
"Trinta"
"Cidade do Curió"
Igreja Católica de Nossa Senhora das Graças, em 2017.

Igreja Católica de Nossa Senhora das Graças, em 2017.
Bandeira de Curionópolis
Brasão de Curionópolis
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 10 de maio
Fundação 1977 (41 anos)
Emancipação 10 de maio de 1988 (30 anos)
Gentílico curionopolitano, curionopolense
Prefeito(a) Adonei Sousa Aguiar (DEM)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Curionópolis
Localização de Curionópolis no Pará
Curionópolis está localizado em: Brasil
Curionópolis
Localização de Curionópolis no Brasil
06° 05' 27" S 49° 32' 27" O06° 05' 27" S 49° 32' 27" O
Unidade federativa Pará
Mesorregião Sudeste Paraense IBGE/2008 [1]
Microrregião Parauapebas IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Canaã dos Carajás, Eldorado do Carajás, Marabá, Parauapebas, Sapucaia e Xinguara.
Distância até a capital 630 km
Características geográficas
Área 2 368,698 km² [2]
População 17 453 hab. IBGE/2016[3]
Densidade 7,37 hab./km²
Clima Tropical semiúmido (Aw/As)
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,636 médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 206 707,85 mil IBGE/2014[5]
PIB per capita R$ 11 584,17 IBGE/2014[5]
Página oficial
Prefeitura www.curionopolis.pa.gov.br

Curionópolis é um município brasileiro do estado do Pará. Localiza-se na microrregião de Parauapebas e na mesorregião do Sudeste Paraense. O município tem 17.453 habitantes (IBGE 2017) e 2289 km² de área territorial.

Foi emancipado administrativamente em 1988. O município é notório por abrigar o distrito de Serra Pelada, que foi o local de operações do maior garimpo a céu aberto do mundo, durante a década de 1980.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome "Curionópolis" homenageia o major Sebastião Curió, cacique político local que dirigiu por muito tempo a então vila e atual cidade com pulso forte. Foi um dos responsáveis pela emancipação política do município. A junção do nome "Curió" + "Polis", a grosso modo significa "Cidade do Curió".[6]

O primeiro nome da sede municipal, ainda quando vilarejo, era "Serra Leste", em alusão ao acidente geográfico que estava sob trabalho de prospecção da Rio Doce Geologia e Mineração (DOCEGEO), uma subsidiária da antiga estatal Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).[7] A aglomeração de mais pessoas na localidade a fez ganhar o apelido de "Trinta", em alusão ao referencial rodoviário (Km 30 da PA-275) em que se encontrava. Com a chegada do major Curió, os colonos da área nomearam o local de Curionópolis, em homenagem àquele interventor que havia regularizado a situação do vilarejo.

Em entrevista ao Projeto Rondon, no ano de 2007, Curió declarou que o nome "Curionópolis" foi dado em 1981 pelos moradores da localidade contra sua vontade, pois entendia que homenagens somente deveriam ser dadas aos que já haviam falecido.[8]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localizado a uma latitude 06º06'06" sul e longitude 49º35'53" oeste, estando a uma altitude de 18 metros acima do nível do mar. O município possuía uma população estimada, em 2016, de 17 453 mil habitantes, distribuídos em 2 369 km² de extensão territorial.[9][10]

Limita-se ao norte com Marabá; a leste com Eldorado do Carajás; ao sul com os municípios de Xinguara e Sapucaia, e; a oeste com os municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás.[11]

Solos, topografia e relevo[editar | editar código-fonte]

Vista total do lago da cava do garimpo de Serra Pelada, em 2017, onde anteriormente ficava a colina de Serra Pelada, o mais importante acidente geográfico do município.

Os solos do seu território apresentam variações em relação à sua litologia. Predominam os solos Podzólico Vermelho-Amarelo, textura argilosa cascalhento; Litóficos Distróficos, textura indiscriminada; Cambissolo Distrófico, textura indiscriminada; Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico, textura indiscriminada. Ocorrem, ainda, solos Litólicos Distróficos, textura indiscriminada, e afloramentos rochosos, em associações.[11]

O território curionopolense apresenta formações rochosas de idade pré-cambriana, caracterizadas pelas unidades litoestratigráficas de natureza granito-gnaíssicamigmática, metassedimentar, com vulcanismo subordinado, vulcano-sedimentar tipo greenstone belts e predominante sedimentar. O relevo é relativamente movimentado, diversificado, com áreas serranas, colinosas, tabulares, baixos terraços e várzeas, destacando-se nas primeiras as Serras do Sereno, Leste e do Rabo, pertencentes ao Complexo da Serra dos Carajás. Regionalmente, essas formas de relevo estão inseridas em duas unidades morfoestruturais denominadas de Depressão Periférica do Sul do Pará e de Planalto Dissecado do Sul do Pará.[11]

Com muitos desníveis topográficos, oriundos do contraste entre as áreas baixas das várzeas e dos terraços dos rios com áreas mais elevadas de colinas, a variação altimétrica vai de 60 a 200 metros. O destaque é para a Serra do Buriti, onde se encontra elevações da ordem de 750 metros.[11]

Vegetação e patrimônio natural[editar | editar código-fonte]

A vegetação está representada, principalmente, pela Floresta Equatorial Latifoliada, com variações que favorecem o aparecimento dos subtipos: Floresta Densa Submontana em relevo aplainado e em relevo acidentado e Floresta Aberta Latifoliada. Nas áreas desmatadas, foram plantadas pastagens destinadas à atividade pecuária. Ao longo das margens dos rios e igarapés, encontram-se pequenas faixas de Floresta de Galeria.[11]

As poucas áreas ainda preservadas do município estão ameaçadas e sob forte pressão da mineração industrial, pois encontram-se nas proximidades dos projetos Serra Leste e Cristalino, havendo maior concentração nas Serras do Buriti e da Estrela.[11]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Os principais cursos d'água de Curionópolis são os rios Vermelho e o Parauapebas, que o atravessam seu território no sentido sul-norte, ambos sendo afluentes do rio Itacaiunas. O rio Vermelho tem como afluentes, pela margem esquerda, os igarapés Nova Descoberta, Refúgio, Jacú, Caical e Júlio, além do rio Sereno, que faz limite com Marabá, ao norte. Já o rio Parauapebas, tem, pela margem direita, o rio Surpresa, o riacho Rio Novo e o rio Verde; este último serve de limite oeste com o município de Parauapebas.[11]

O principal curso d'água da sede é o rio Jacarezinho.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Curionópolis insere-se na categoria tropical semi-úmido (Aw/As), da classificação climática de Köppen-Geiger. Caracteriza-se por temperaturas anuais de 26,3ºC, apresentando a média máxima em torno de 32,0ºC e mínima de 22,7ºC; umidade relativa elevada, apresentando oscilações entre as estações mais chuvosas e mais seca, que vão de 90% a 52%, sendo a média real de 78%; o período chuvoso ocorre, notadamente, de novembro a maio, e o mais seco, de junho a outubro, estando o índice pluviométrico anual em torno de 2.000 mm anuais.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O município de Curionópolis está oficialmente subdividido em dois distritos, sendo o maior e mais populoso a sede, que corresponde principalmente à cidade de Curionópolis. O outro distrito recebe o nome de Serra Pelada, correspondendo principalmente à vila homônima.

Além dessas povoações, a municipalidade ainda compõe-se de oito aglomerados populacionais, sendo eles as de PA Alto Bonito, Vila Rica (Vila dos Maranhenses), Vila dos Pretos, Vila Curral Preto, Acampamento União do Axixá, Vila Gurita da Serra (Km 16), Vila Cutianópolis e Acampamento Frei Henri des Roziers.

A sede está subdividida nos seguinte bairros: Alto da Glória, Bairro da Paz, Bandeirantes, Centro, COOFAPAC, Jardim Panorama, Miguel Chamon (Chamonlândia), Planalto, Serra Leste e Setor 31.

História[editar | editar código-fonte]

O "formigueiro humano" subindo as escadarias da mina da Serra Pelada, nas cercanias do ano de 1983.

O município surgiu de dois povoados distintos, onde um deles formado no km 30[12] da rodovia estadual PA-275 hoje é a sede de Curionópolis; o outro povoado é a Serra Pelada, formada ao pé da colina de mesmo nome. Ambos formados em 1979, a época pertenciam ao município de Marabá e somente constituíram município em 1988. Quando da emancipação, era parte do município o distrito de Eldorado (ou "Km 100"), que posteriormente formou o município de Eldorado do Carajás[13].

Embora os vilarejos tenham sido constituídos somente em 1979, os primeiros colonos de Curionópolis fixaram-se na região ainda em 1977, construindo as primeiras propriedades rurais da área.[14]

Primeiros anos e colonização[editar | editar código-fonte]

Formado basicamente por duas frentes distintas, a principal, formadora da sede, foi a vila Trinta iniciada no km 30 da rodovia estadual PA-275. Esta vila foi fundada pelo casal João Patrocínio da Costa (ou João Mineiro) e Maria das Graças Costa, ambos trabalhadores rurais da fazenda de Sebastião Naves; como era comum a parada dos viajantes da rodovia na altura do km 30, utilizando a residência da família Costa como um ponto de referência[12] para alimentar-se e até mesmo dormir, o casal resolveu erguer um barracão para comercializar comida, local que aos poucos acabou por servir de referência para os garimpeiros que usavam aquele ponto da estrada para entrar clandestinamente no garimpo de Serra Pelada[12], já que a entrada oficial era fiscalizada rigorosamente pela Polícia Federal. Posteriormente o pioneiro João Mineiro foi homenageado com seu nome no terminal rodoviário do município, quando ainda vivo.

A segunda frente foi a formadora da Serra Pelada, e se deu em dezembro de 1979[15] quando um vaqueiro (ou garimpeiro) da Fazenda Três Barras, de propriedade de Genésio Silva,[16] encontrou pedras de ouro de aluvião próximo a pés de bananeira, no riacho da Grota Rica.[17] O garimpeiro levou as pedras até Genésio Silva, que destacou um grupo para trabalhar no local. Foi formado inicialmente um acampamento com o nome de Grota Rica, porém ao descobrirem grande quantidade de ouro em uma colina sem vegetação, apelidada de Serra Pelada, a pequena localidade passou a ter o nome de "Serra Pelada". Rapidamente a notícia do ouro foi espalhada, e no primeiro semestre de 1980 cerca de 30 mil garimpeiros já se haviam deslocado para a riquíssima área.[18]

Intervenção federal[editar | editar código-fonte]

A intensa migração para a área chamou atenção do governo militar, que enviou o major Sebastião Curió para servir como interventor local, indicação conseguida graças a sua experiencia durante a Guerrilha do Araguaia. Segundo informações de arquivos do governo datados de 1980, até então secretos, o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) preocupava-se com a jazida de ouro em Serra Pelada[19]. Os militares acreditavam que a presença do major Curió (já cooptado como agente do CIE-SNI) seria fundamental para identificar pessoas na clandestinidade e militantes da esquerda política atraídos para o local[20], além de coibir o grande número de delitos e a crescente violência no local. Na região proliferava a prostituição, e em virtude da existência de grande número de bares, as brigas, tentativas de assassinatos e assassinatos multiplicavam-se.[21]

Segundo a historiadora Tânia Silva, no período mais movimentado da economia do ouro, chegaram a existir cerca de cinco mil mulheres trabalhando em Curionópolis como prostitutas, e; o estigma da violência foi tão forte que, naquele período, as pessoas referiam-se ao vilarejo como "30 de dia e 38 à noite", numa clara alusão à violência e ao revólver calibre 38, de porte comum à época.[21]

O major Curió ordenou a ocupação territorial na região separando as funções dos dois vilarejos, especializando o "Trinta" em centro residencial, comercial e administrativo, devendo receber as mulheres e suas famílias[22], tendo para isso organizado os arruamentos do local e distribuído gratuitamente títulos de posse de terrenos urbanos[8]. O vilarejo do Trinta foi separado em dois setores, sendo o primeiro (km 30) eminentemente residencial e comercial, e o segundo (conhecido como km 31) para abrigar os prostíbulos, bares e outros comércios. No caso da Serra Pelada, o segundo vilarejo, Curió proibiu a presença de mulheres e bebidas no local, sob a justificativa de diminuir as brigas e mortes constantes.[8]

Auge do garimpo e decadência[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Serra Pelada
Avenida Brasil, no bairro Planalto, em dezembro de 2016.

Em 1980 as atividades garimpeiras na Serra Pelada começaram seu período áureo, onde somente neste ano seriam extraídas 7 toneladas de ouro. Inevitavelmente a corrida ao ouro saiu do controle das autoridades locais, e a intervenção federal tornou-se mais intensa, com o fechamento da região do garimpo pela Polícia Federal para impedir a entrada de mais pessoas no local. Como medida para evitar a evasão e o contrabando do ouro, o governo montou na própria vila uma Caixa Econômica Federal, que seria a única compradora legalizada do metal precioso. Para coibir a entrada de mais garimpeiros ilegais, as áreas de lavra e os garimpeiros foram registrados pela Receita Federal; e a área do garimpo e da vila do Trinta (a época já com nome de Curionópolis) foi dotada de infraestrutura de Correios e de um armazém da Cobal, para que não fosse necessário o deslocamento constante de pessoas pela região.[18]

Em 1981, os depósitos de ouro na superfície se esgotaram, sendo necessário adequar o local para prorrogar a extração manual. Neste mesmo ano a Serra Pelada passa a abrigar 80 mil garimpeiros, com a exploração caindo para 2,5 toneladas de ouro. O declínio tornou-se acentuado e, em 1984, a cava do garimpo jé alcançava 200 metros de profundidade, tornado inviável a exploração. Desde este ano a produção foi caindo até que, em 1991, extraiu-se somente 13 quilos de ouro, quando a exploração foi vetada.[23]

A decadência da garimpagem na vila de Serra Pelada refletiu na vida econômica da região, que caiu em grande ostracismo econômico e político, observado pela grande pobreza e concentração de renda.[24] Na segunda metade da década de 1980, a vida econômica da Vila de Curionópolis - que sobrevivia do comércio de motores, combustíveis, equipamentos, venda de alimentos, bebidas, entre outros - passou a orbitar em torno da cooperativa dos garimpeiros COOMIGASP, que é mergulhada em disputas políticas.[18]

Da emancipação à década de 1990[editar | editar código-fonte]

O declínio do ouro e o ostracismo econômico experimentado a partir de 1985, levou Curionópolis a se organizar no intuito de emancipar-se em relação a Marabá. A associação de moradores da vila, com o apoio da cooperativa de garimpeiros e de figuras locais influentes como o major Curió, conseguiram pleitear a realização de um plebiscito. O escrutínio mostrou um resultado superior a 90% de aprovação pela emancipação, número que viabilizou a emancipação local.

Com tal resultado, em 10 de maio de 1988, através da Lei Estadual nº 5.444, Curionópolis foi elevado à condição de município. Sua instalação ocorreu em 1 de janeiro de 1989, com a posse do prefeito Salatiel Almeida, eleito em 15 de novembro de 1988. Na data da instalação, a Vila de Curionópolis foi escolhida como sede, em detrimento da Vila de Serra Pelada e da Vila de Eldorado, por ter melhor infraestrutura que as outras últimas.[22]

Pela Lei nº 5.687, estatuída pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará e sancionada pelo Governador Jader Barbalho, no dia 13 de dezembro de 1991, foi criado o município de Eldorado do Carajás, com área desmembrada do município de Curionópolis.[25] Assim, o município perdia quase metade de suas terras e população antes de completar 3 anos de instalado.

Em 1994/1995, o município sofreu com um surto de febre de oropouche, acometendo cerca de cinco mil dos seus residentes. Os sintomas clínicos incluíam febre, cefaléia, mialgias, artralgias, calafrios, tontura, dor retro-ocular e fotofobia. Foi a maior ocorrência da febre de oropouche já registrada no Brasil.[26]

Embora sua história não seja lembrada pelo Massacre de Eldorado do Carajás, foi em Curionópolis que ocorreram os movimentos que antecederam o episódio fatídico. Em 8 de novembro de 1995, cerca de 3.000 famílias de trabalhadores sem terra -aproximadamente 15 mil pessoas- acamparam no Centro Agropastoril de Curionópolis (CAC), pertencente à prefeitura e ao governo federal. Os trabalhadores cobravam a desapropriação de áreas para assentamento. Sua reivindicação foi tratada com apatia e desdém pelos órgãos responsáveis, fato que levou a ocorrer o episódio no município vizinho, no ano seguinte, com os mesmos trabalhadores que invadiram o CAC.[27][28]

Em 1996 vários distúrbios e escaramuças foram provocados pelos garimpeiros insatisfeitos com as posições do governo de fechamento das zonas de garimpo do município, ocorrendo inclusive a invasão das áreas embargadas de mineração nos arredores da Serra Pelada, como foi o chamado "Movimento para a Derrubada do Muro do Belinho".[29] Dado isto, é solicitado a intervenção da Polícia Federal e do Exército. No mesmo ano, em outubro, a intervenção passa a ser capitaneada pela Polícia Militar do Pará.[30]

Década de 2000[editar | editar código-fonte]

Em 2000 Sebastião Curió, embora tenha sido homenageado com seu nome no próprio município, é eleito pela primeira vez como prefeito. Um das suas primeiras, e mais controversas ações, foi a demissão de praticamente todo o corpo funcional de Curionópolis, inclusive concursados estáveis, sob a alegação de "estado de emergência".[31] Em seu governo, de 2001 a 2008, haviam acusações de existência de grupos de ação contra "pessoas indesejáveis". Seu estilo personalista e autoritário ao administrar a coisa pública chegou a ser comparado como o "último quinhão da ditadura militar".[29]

No ano de 2001, Curionópolis volta ao noticiário em função do assassinato do sindicalista Antonio Clênio Cunha Lemos, na sede do Singbras, nas proximidades do Estádio Municipal, região conhecida como Jacarezinho; o crime nunca foi esclarecido.[32] O próprio Lemos era acusado de assassinato de dois outros garimpeiros, nas disputas de poder pelo controle do sindicato.[33]

Em 4 de novembro de 2005 é aprovada a lei orgânica municipal.[34]

Década de 2010[editar | editar código-fonte]

Avenida Presidente Vargas, no bairro Jardim Panorama, em 2018.

Desde o ano de 2012, quando Curió foi denunciado pelo Ministério Público de Marabá pelos seus crimes durante a ditadura, tornou-se forte o movimento que pede a mudança de nome da cidade, assim como de vários lugares cujo nome homenageia pessoas ligadas à ditadura militar no Brasil. Caso mude sua denominação, o município passaria a se chamar "Serra Leste", a sua denominação mais primitiva.

Devido à recente valorização do ouro no mercado internacional após a Grande Recessão, muitos garimpos até então desativados, passaram a ser reabertos. Entre 2007 e 2014 a empresa de mineração canadense Colossus Minerals Inc. se associou à COOMIGASP, formando a joint venture Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), que explorou de forma mecanizada o ouro de Serra Pelada.[35][36][37] Entretanto, a empresa Colossus declara falência no Canadá e se retira da parceria na empresa SPCDM em 2014. A COOMIGASP passa por seguidas intervenções judiciais ao mesmo tempo. A mina é oficialmente fechada em 2014.[38] As denúncias e as investigações sobre as SPCDM pautam-se sobre desvios de dinheiro,[39] evasão e contrabando de ouro.[40]

Outros projetos minerais reacenderam a economia municipal a partir de 2010, sendo que, o principal destes, é o "Serra Leste", de ferro, que alçou Curionópolis ao quarto lugar em arrecadação de CFEM no Pará, e; o outro projeto, que ainda está em implantação, é o "Cristalino", de exploração de cobre.[41][42]

Economia[editar | editar código-fonte]

Desde o início das atividades de mineração industrial, esta têm sido a principal vocação econômica de Curionópolis, na medida em que gera empregos formais e receitas com arrecadação de impostos e royalties ao caixa da prefeitura.[24]

Agricultura, pecuária e extrativismo[editar | editar código-fonte]

A despeito do peso da mineração industrial, o setor primário ainda é de vital importância para o município, na medida em que gera empregos, arrecadação e supre a municipalidade com itens alimentares e diversos.

As informações da Pesquisa "Produção Agrícola Municipal" de 2015, de responsabilidade do IBGE, apontam que a agricultura de lavoura temporária registrou produção considerável de abacaxi, mandioca e milho, e; a lavoura permanente se concentrou na produção de banana, coco-da-baía, maracujá, goiaba, cajá e abacate. O extrativismo vegetal, embora já quase insipiente, se concentra na extração de castanha-do-brasil e de madeira em tora.[43][44]

A mesma pesquisa do IBGE apontou que, em 2015, os principais rebanhos pecuários eram os bovinos, os equinos e os galináceos. O rebanho bovino era subdividido animais para corte e leite, sendo que o primeiro era, de longe, o mais numeroso.[43]

A agroindústria estava centrada no beneficiamento mínimo de cinco produtos: leite de vaca, ovos de galinha, mel de abelha e polpas de cajá e goiaba. A produção e beneficiamento do cajá é uma das marcas econômicas locais.[43][45]

A mineração artesanal, mais conhecida como garimpo, embora já quase extinta, ainda persiste, pautada no ouro e no manganês.[46] O passivo ambiental da atividade foi o principal fator para que a mesma fosse considerada ilegal.[44]

Indústria e mineração[editar | editar código-fonte]

A indústria em Curionópolis está concentrada na grande mineração industrial ou em atividades a ela correlatas, como peças de reposição para grandes máquinas e tratores.

A mineração industrial, centrada na extração de ferro da mina de Serra Leste, monopolizada pela Vale S.A., é o motor econômico de Curionópolis, principalmente graças à geração de royalties.[44] A expectativa do início da extração do cobre, na mina do Cristalino, fará, certamente, com que o caixa da prefeitura tenha um incremento muito grande de recursos.

A mesma atividade também conta com a extração do ouro na mina da Cutia, na vila de Cutianópolis. A exploração do ouro é feita por sistema de cooperativa, que monopoliza os equipamentos e a extração, dividindo os recursos entre os cooperados.[47]

Comércio e serviços[editar | editar código-fonte]

O setor de comércio e serviços de Curionópolis orbita em torno de Parauapebas. Sua serventia entretanto, é grande para os munícipes, na medida em que fornece acesso a itens básicos para consumo doméstico e de atividades econômicas menores.

A economia do setor terciário gira também em torno dos serviços públicos, com educação, saúde e assistência social. O principal fato gerador é a massa salarial paga aos servidores.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Rodovia PA-275, em 2017, no bairro Da Paz, em Curionópolis.

Transportes[editar | editar código-fonte]

As principais vias de acesso do do município são as rodovias PA-275, que permitem ligação com Parauapebas e Eldorado do Carajás, e; a PA-160, que corta a extremidade sul de Curionópolis.

A principal estrada vicinal é a PA Serra Grande Sereno, que dá acesso ao distrito de Serra Pelada. Há também as importantes vicinais PA Alto Bonito e Cutia.

Embora cerca de 5 km da Estrada de Ferro Carajás (EF-315) atravesse a extremidade norte do município, na região do Rio Surpresa, não há nenhuma estação de passageiros ou cargas em Curionópolis.

Ruas e avenidas[editar | editar código-fonte]

Os principais logradouros da sede municipal são as Avenidas Brasil e Governador Carlos Santos, além das Ruas Tucupi (centro comercial), Açaí e Samaúma. As Avenidas Pará, Maranhão, Minas Gerais e Presidente Vargas também têm importância relativa.

Saúde e morbidade[editar | editar código-fonte]

Em 2017, Curionópolis dispunha de um hospital para atender a população, sendo o estabelecimento público Hospital e Maternidade Municipal Elcione Barbalho (HMMEB), localidade na sede. Já a Serra Pelada possuía uma única unidade de saúde, a UBS Santa Casa da Misericórdia (anteriormente era um hospital). Em todo o município existem diversas clínicas, centros, unidades e postos de saúde.

As morbidades mais relevantes registradas vão desde à leishmaniose, até alta incidência de hanseníase e DST's.[44]

Cabe destacar que a Serra Pelada sofre com altos índices de contaminação de mercúrio e outros metais pesados, resquícios do garimpo artesanal. O consumo de peixes e vegetais irrigados com a água dos depósitos de rejeitos de mineração é a principal fonte dessa contaminação.[48]

Cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Em aspectos culturais, Curionópolis compartilha a mesma formação dos municípios vizinhos onde, em virtude das sucessivas ondas migratórias, houve uma miscigenação e hibridização de costumes, manifestações, práticas, que constituem um perfil único ali registrado.

Já no lazer, o município é muito carente de áreas do tipo.

Manifestações culturais[editar | editar código-fonte]

Imagem de Nossa Senhora das Graças, em 2017, nos momentos prévios do 13º Círio das Graças em Curionópolis.

A principal manifestação cultural do município é o festejo de Nossa Senhora das Graças, a padroeira do município. Durante 10 dias, no mês de novembro, são realizadas celebrações, novenas, carreata, missa sertaneja, passeio ciclístico "Pedalando com Maria", Círio das Crianças e shows católicos, finalizando com o Círio das Graças, em 27 de novembro.[49]

Outra festividade religiosa muito conhecida é a Procissão da Irmã Adelaide, realizada todos os anos, no dia 14 de maio,[50] percorrendo a PA-275, entre Curionópolis e Eldorado. A religiosa católica Irmã Adelaide Molinari foi assassinada em 14 de abril de 1985, por pistoleiros, por engano, no Terminal Rodoviário de Eldorado do Carajás, enquanto aguardava o ônibus para retornar ao seu local de trabalho em Curionópolis. O alvo era Arnaldo Dolcídio Ferreira, delegado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá, que conversava com a Irmã Molinari no momento do crime. Irmã Adelaide é tratada como santa em Curionópolis, lebrada principalmente por seu trabalho em defesa e socorro aos pobres e desamparados.[51]

Há também a procissão de Nossa Senhora Aparecida de Serra Pelada, comemorada todo dia 30 de março; a mesma é a padroeira do distrito.[52]

Outras festividades populares importantes são o Carnaval, as Festas Juninas, a Cavalgada de Curionópolis e da Serra Pelada e a Festa do Cajá.[45]

Lazer[editar | editar código-fonte]

As principais áreas de lazer histórico, arquitetônico e natural são:[50]

  • Distrito de Serra Pelada: área de interesse histórico, porém pouco preservada;
  • Praça do Bida: área de lazer, às margens da PA-275;
  • Praça da Juventude de Curionópolis: local público para prática esportiva;
  • Praça da Juventude de Serra Pelada: local público para prática esportiva;
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora das Graças: principal templo católico da cidade;
  • Primeira Igreja Batista de Curionópolis: principal templo batista da cidade;
  • Teatro Municipal de Curionópolis: espaço de manifestações culturais e de eventos;
  • Corredeiras do Sereno: utilizada pela população como áreas de lazer e contemplação natural.

Esportes[editar | editar código-fonte]

A principal prática esportiva curionopolense é o futebol. É realizado somente de forma amadora ou recreativa, não havendo nenhuma equipe profissional que joga em campeonatos estaduais ou regionais.[53]

Outro esporte muito praticado é o motocross, onde há, inclusive, etapas regionais de competição.[54]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). 10 out. 2002. Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  3. «Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de Referência em 1 de julho de 2016» (PDF). Estimativa Populacional para 2016. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2016. Consultado em 28 de dezembro de 2016. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 21 de setembro de 2013. 
  5. a b «Produtos Interno Bruto dos Municípios Brasileiros: 2010-2014». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 28 de dezembro de 2016. 
  6. Prieto, José Ricardo. (setembro de 2005). «A saga dos pobres em Serra Pelada». Revista A Nova Democracia. IV (26) 
  7. Almeida Filho, João Jaime de Carvalho. (org.). (2006). Diagnóstico Integrado da Socioeconomia do Sudeste do Pará. Parauapebas: Diagonal Urbana. 
  8. a b c UnB Agência (Fevereiro de 2007). «Entrevista – Sebastião Curió Rodrigues de Moura, Parte I - Serra Pelada e Curionópolis.». Brasília: Universidade de Brasília. Blog UnB Agência no Projeto Rondon. 
  9. «Estado Pará, Município de Curionópolis». IBGE. 2015. Consultado em 13 de junho de 2016. 
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