Curopalata

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Curopalates)
Ir para: navegação, pesquisa
soldo de Justino II (r. 567–578)

Curopalata (em grego: κουροπαλάτης; transl.: Kouropalatēs; em latim: curopalates; em latim: cura palatii , "[O único] encarregado do palácio")[1] era um título cortesão bizantino, um dos mais altos da época do imperador Justiniano (r. 527–565) até o período Comneno no século XII.[2] A variante feminina, ostentada pela esposa dos curopalatas, era curopalatissa (em grego: κουροπαλάτισσα; transl.: kouropalátissa).

História e função[editar | editar código-fonte]

Soldo de Miguel I Rangabe (r. 811–813) e seu coimperador Teofilacto

O título é atestado no século V no mesmo nível dum homem espetacular (vir spectabilis) e superior a um castrense do palácio (castrensis palatii), tendo como função a manutenção do palácio imperial (como o mordomo da Europa Ocidental).[3] Quando o imperador Justiniano I fez seu sobrinho e herdeiro Justino II um curopalata em 552, no entanto, o ofício ganhou um novo significado,[4] e tornou-se uma das dignidades mais exaltadas, ficando próximo de césar e nobilíssimo e, como eles, era inicialmente reservado para os membros da família imperial. Ao contrário deles, contudo, não foi concedido a importantes governantes estrangeiros, principalmente do Cáucaso. Assim, desde a década de 580 à de 1060, 16 príncipes e reis georgianos adquiriram títulos honoríficos, bem como, depois de 635, várias dinastias armênias.[2][5]

De acordo com o Cletorológio de Filoteu, escrito em 899, a insígnia do título era uma túnica, manto e cinto vermelhos. Sua premiação pelo imperador bizantino significou a elevação do destinatário para o ofício.[6] Por volta dos séculos XI-XII, a dignidade havia perdido seu significado anterior:[7] foi concedida como um título honorífico a generais fora da família imperial, e suas funções foram aos poucos sendo suplantadas pelo protovestiário, cuja função original era limitada à custódia do guarda-roupa imperial.[8] O título sobreviveu até o período paleólogo, mas era usado raramente.[1]

Curopalatas proeminentes[editar | editar código-fonte]

Soldo de Artabasdo (r. 741–743) e seu coimperador Nicéforo
Selo de Miguel Contostefano, curopalata e duque de Antioquia, c. 1055.

Referências

  1. a b Kazhdan 1991, p. 1157
  2. a b Toumanoff 1963, p. 202; 388
  3. Bury 1911, p. 33
  4. «Justin II (565-578 A.D.).» (em inglês). Consultado em 21-11-2012. 
  5. Rapp 2003, p. 374
  6. Bury 1911, p. 22
  7. Holmes 2005, p. 87
  8. Kazhdan 1991, p. 1749
  9. a b c d e f g h Bury 1911, p. 34
  10. Martindale 1992, p. 164
  11. Varzos 1984, p. 41–42, 49
  12. «Niketas Kastamonites». Consultado em 23/01/2016. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bury, John B. (1911). The Imperial Administrative System of the Ninth Century: With a Revised Text of the Kletorologion of Philotheos (Londres: Oxford University Press). 
  • Holmes, Catherine (2005). Basil II and the Governance of Empire (976–1025) Oxford University Press [S.l.] ISBN 978-0-19-927968-5. 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641 (Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press). ISBN 0-521-20160-8. 
  • Rapp, Stephen H.John; Arnold Hugh Martin Arnold; J. Morris (2003). Studies In Medieval Georgian Historiography: Early Texts And Eurasian Contexts (Lovaina: Éditions Peeters). ISBN 90-429-1318-5. 
  • Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History (Washington: Georgetown University Press).