Curral Novo do Piauí

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Curral Novo do Piauí
  Município do Brasil  
Hino
Gentílico curralnovense
Localização
Localização de Curral Novo do Piauí no Piauí
Localização de Curral Novo do Piauí no Piauí
Curral Novo do Piauí está localizado em: Brasil
Curral Novo do Piauí
Localização de Curral Novo do Piauí no Brasil
Mapa de Curral Novo do Piauí
Coordenadas 7° 49' 55" S 40° 54' 03" O
País Brasil
Unidade federativa Piauí
Municípios limítrofes Simões, Caridade do Piauí, Betânia do Piauí e Estado do Pernambuco
Distância até a capital Não disponível
História
Fundação 1996 (24 anos)
Aniversário 26 de janeiro
Administração
Prefeito(a) Abel Francisco de Oliveira Júnior (PMDB, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total [1] 765,534 km²
População total (IBGE/2010[2]) 4 870 hab.
Densidade 6,4 hab./km²
Clima Não disponível
Altitude 370 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000 [3]) 0,538 baixo
PIB (IBGE/2008[4]) R$ 13 194,968 mil
PIB per capita (IBGE/2008[4]) R$ 2 618,05

Curral Novo do Piauí é um município brasileiro do estado do Piauí. Localiza-se a uma latitude 07º49'56" sul e a uma longitude 40º54'04" oeste, estando a uma altitude de 370 metros. Sua população estimada em 2004 era de 3 978 habitantes. Possui uma área de 759,79 km².


História[editar | editar código-fonte]

A região sudeste do Piauí é habitada por grupos humanos há muitos milênios, com várias pesquisas arqueológicas apontando o início dessa ocupação por volta de 50 mil ou mesmo 100 mil anos atrás. Essas datações, embora ainda bastante discutidas entre os arqueólogos, foram obtidas em diversos sítios arqueológicos localizados no Parque Nacional Serra da Capivara, como o Toca do Boqueirão da Pedra Furada, Sítio do Meio e Tira-Peia[5]. Trata-se de vários painéis de grafismos rupestres e antigas fogueiras, bem como ferramentas de pedra (referidos mais adequadamente como instrumentos líticos), enterramentos humanos e material cerâmico de grupos indígenas mais recentes[6][7].

Grupos indígenas, agricultores e ceramistas, teriam chegado à região sudeste e sul do Piauí nos últimos 3.000 anos, contudo[8]. Segundo consta, algumas das aldeias deste período eram grandes e circulares, com aproximadamente uma dezena de casas dispostas no perímetro do círculo[9]. Além dos vasilhames cerâmicos, também foram detectados diversos vestígios matérias daquele período, como ferramentas líticas lascadas e polidas, cachimbos e urnas funerárias. Também na Chapada do Araripe foram identificados vestígios arqueológicos de antigos grupos ameríndios, como gravuras e pinturas rupestres, bem como fragmentos de cerâmicas e ferramentas líticas associadas à Tradição Tupiguarani[10]. Essas evidências levaram algumas pesquisas a apontar a região como parte de uma possível rota migratória ligando a Serra da Capivara e o Seridó[10].

Por conseguinte, na área do município de Curral Novo do Piauí são atualmente conhecidos doze sítios arqueológicos relacionados à ocupação desses antigos grupos indígenas. Em sítios como Belém[11], Bonfim 1[12], Bonfim 2[13], Nascente 1[14], Nascente 2[15], Nascente 3[16], Nascente 4[17], Serra Vermelha 2[18], Serra Vermelha 3[19], Serra Vermelha 4[20] e Serra Vermelha 5[21] foram identificados materiais líticos em área de cascalheira, enquanto no Sítio Seu Né[22] haveria inclusive fragmentos de antigos vasilhames cerâmicos.

Assim como no restante do território piauiense, há evidências históricas da presença de diversos grupos indígenas no sudeste do estado, quando da chegada dos primeiros colonizadores europeus. Os Pimenteiras, falantes de um idioma relacionado ao tronco linguístico Karib, habitavam boa parte da região, havendo também relatos da presença dos Jaicó, dos Ichú e Kariri[23]. Todavia, as poucas informações disponíveis a respeito dos primeiros contatos entre europeus e ameríndios na região dificulta bastante o detalhamento do contexto indígena desse período. Uma das fontes mais utilizadas segue sendo as memórias do ouvidor Antonio José de Morais Durão (intitulada “Descrição da Capitania de São José do Piauí”), o qual citou os relatos do Padre Miguel de Carvalho a respeito dos povos indígenas do rio Piauí na segunda metade do século XVIII[24].

Os primeiros dois séculos de ocupação portuguesa das terras meridionais piauienses se desenvolveram de forma um tanto esparsa, apesar da capitania de Pernambuco – uma das mais prósperas nesse primeiro momento – abarcar a área do atual município de Curral Novo do Piauí. A hoje em dia conhecida baixa fertilidade do solo de caatinga da região, pobre em nutrientes e de fácil exaustão, teria limitado a expansão canavieira dos primeiros séculos coloniais[25]. A ocupação sistemática desse vasto sertão teria início efetivo com as frentes pastoris da segunda metade do século XVII, possibilitando o abastecimento de proteína animal aos engenhos espalhados pelo litoral nordestino[26]. Esse momento ficou marcado pela expansão da colonização sobre diversas áreas do sertão, portanto, consideradas capazes de sustentar milhares de cabeças de gado[25]. Esse processo de ocupação resultou também na criação da Capitania de São José do Piauí em 1718, sendo esta desmembrada do então Estado do Maranhão[26].

Contudo, visto que o território piauiense passou a ser um refúgio para as populações indígenas pressionadas pelo avanço europeu sobre seus antigos territórios, novos enfrentamentos ocorreram[27]. Segundo alguns cronistas setecentistas, as populações indígenas “fervilhavam como formiga nos rios do Piauí[28]. Após algumas tentativas de frentes pastoris vindas de Pernambuco e Bahia, se vê a necessidade de promover uma guerra contra os diversos grupos que estavam acuados no território então chamado “Sertões de Rodelas”. Nesse contexto de guerra, escravização e expulsão dos povos indígenas que habitavam a região, destacaram-se as campanhas dos bandeirantes Domingos Jorge Velho e Domingos Afonso Mafrense, contratados especificamente para esta tarefa por famílias importantes do Recôncavo Baiano[26]. Quando Mafrense morreu, por sua vez, as sesmarias recebidas por este no sul do atual território piauiense passaram – por doação determinada pelo mesmo – ao Colégio dos Jesuítas na Bahia, permanecendo assim até a expulsão da Companhia de Jesus da América Portuguesa em 1760, quando são incorporadas pela Coroa Portuguesa[26].

A introdução do chamado gado pé-duro no regime de tropas de vaqueiros abre a possibilidade para que toda a região do sertão nordestino passe a ser ocupada e tenha sua economia interligada a produção primária do Brasil colonial. De acordo com alguns autores, as fazendas e currais piauienses tornaram-se um dos principais produtores de gado vacum e cavalar, tendo os centros urbanos pernambucanos e baianos como mercados consumidores mais frequentes[26]. Entretanto, a intensa atividade pecuária na caatinga exauria os recursos desse bioma, extinguindo sua cobertura vegetal original[25]. O resultado desse processo foi a desertificação de muitas áreas, ocasionando diversos eventos de secas e carestias de recursos para as populações locais ao longo dos séculos subsequentes[29]. Com efeito, a atividade pecuária já mostrava sinais de desgaste claro nas últimas décadas do século XVIII, de certa forma acompanhando o ocaso dos engenhos de açúcar pernambucanos e baianos[26].

De todo modo, no decorrer do século XIX o sistema pastoril manteve-se como principal atividade, apesar da insustentabilidade econômica e social de longo prazo[29]. É através desse processo de ocupação pastoril que o sudeste piauiense (bem como a região onde hoje se insere o município de Curral Novo do Piauí) é ocupado, sendo dada preferência aos locais mais próximos dos principais cursos d’água regionais, como os rios Canindé, Itaim e Piauí. A importância dos rios – bem como sua escassez relativa – no processo de ocupação tanto do sudeste quanto do restante do território piauiense levou alguns autores a considerar a água “o mais importante fio condutor do povoamento do Piauí”[26].

Ao longo do século XIX, estas terras eram parte do distrito de São Raimundo Nonato, criado por decreto em 6 de julho de 1832. Apesar da elevação de São Raimundo Nonato à categoria de vila em 9 de agosto de 1851, a área da atual Curral Novo do Piauí não sofreu mudanças administrativas significativas até 1955, quando torna-se um distrito desse município. Aproximadamente sete anos depois, foi a vez de Curral Novo tornar-se um município, ainda que extinto por uma Resolução do Senado Federal em 1966, sendo reincorporado a São Raimundo Nonato. Apenas em 1989 essa decisão seria revertida, quando recebe o nome atual de Curral Novo do Piauí. Ainda assim, sua área e limites territoriais só seriam definidos legalmente pela Lei Estadual n.º 4.680, de 26 de janeiro de 1994[30].

O nome atual do município remete justamente à atividade econômica responsável pelo processo de ocupação colonial destas terras: a pecuária. Segundo consta, na década de 1940 existia na área um curral onde eram presos animais bovinos selvagens, capturados quando vinham beber água em uma cacimba existente nas proximidades do mesmo. Inicialmente denominado Curral do Angico, a estrutura acabou por se deteriorar ao longo dos anos, o que levou o vaqueiro José Rodrigues – que passava ali com frequência – a construir um novo curral, denominando-o de Curral Novo.

Assim como em outros municípios do Brasil afora, a história de Curral Novo do Piauí também pode ser entendida a partir de algumas de suas manifestações culturais, registradas atualmente (ou em processo de análise) como patrimônio imaterial federal e estadual devido à sua importância. É o caso das Comunidades Quilombolas e do Tambor de Crioula do Piauí, objetos de Inventários Nacionais de Referências Culturais (INRC) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); da Produção Tradicional e Práticas Socioculturais Associadas à Cajuína no Piauí, considerada patrimônio cultural brasileiro desde 15 de maio de 2014[31]; da Festa do Divino da Comunidade de Marmelada e do Modo de Fazer Arte Santeira do Piauí, manifestações artísticas da religiosidade regional, atualmente em processo de instrução para registro enquanto patrimônio cultural brasileiro.

Em relação às típicas manifestações sertanejas, traços comuns a toda as populações nordestinas, consta registrado desde 2018 como patrimônio cultural brasileiro a Literatura de Cordel[31], estando as Matrizes do Forró e o Repente em processo de instrução para registro pelo IPHAN[32]. Constam também como patrimônio imaterial nacional o Ofício dos Mestres de Capoeira e as Rodas de Capoeira, presentes em diversos estados brasileiros[31]. Por fim, a raça de gado Pé-Duro do estado do Piauí é considerada de Relevante Interesse Cultural pela Fundação Cultural do Piauí (FUNDAC) desde 2012[33].

Referências

  1. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  2. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  5. LOURDEAU, Antoine (2019). «A Serra da Capivara e os primeiros povoamentos sul-americanos: uma revisão bibliográfica». Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi. Ciências Humanas, v. 14, n. 2: 367-398 
  6. LUZ, Maria de Fátima (2014). Práticas Funerárias na área Arqueológica da Serra da Capivara, Sudeste do Piauí, Brasil. Recife: UFPE 
  7. PROUS, André (2006). O Brasil antes dos brasileiros: a pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor 
  8. MUTZENBERG, Demétrio (2010). Ambientes de ocupação pré-histórica no boqueirão da pedra furada, Parque Nacional Serra da Capivara – PI. Recife: UFPE. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  9. MARANCA, Sílvia (1987). «Agricultores e ceramistas da área de São Raimundo Nonato». Anais I Simpósio de Pré-história do Nordeste, Clio 04 
  10. a b SENA, Vivian Karla (2007). Caracterização do Padrão de Assentamento dos Grupos Ceramistas no Semi-árido Pernambucano: Um Estudo de Caso dos Sítios Arqueológicos de Araripina –PE. Recife: UFPE 
  11. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  12. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  13. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  14. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  15. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  16. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  17. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  18. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  19. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  20. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  21. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  22. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  23. Nimuendaju, Curt (2017). «Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  24. MORAIS DURÃO, Antônio (1772). MOTT, Luiz Roberto, ed. Documentário: Descrição da Capitania de São José do Piauí – 1772. Piauí: [s.n.] 
  25. a b c VELLOSO, Agnes; SAMPAIO, Everardo; PAREYN, Frans (2002). Ecorregiões: Propostas para o Bioma Caatinga. Recife: Associação Plantas do Nordeste; Instituto de Conservação Ambiental The Nature Conservancy do Brasil 
  26. a b c d e f g ALVES, Vicente (2003). «As bases históricas da formação territorial piauiense». Geosul Florianópolis v. 18, n. 36: 55-76. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  27. CASTELLO BRANCO, Moisés (1984). O Piauí na história militar do Brasil -1759-1984. Teresina: [s.n.] 
  28. NUNES, Odilon (1983). Estudos de História do Piauí. Teresina: COMEPI 2a edição 
  29. a b MARENGO, José (2016). «Drought in Northeast Brazil-past, present, and future». Theoretical and Applied Climatology: 1-12 
  30. «Cidades. Curral Novo do Piauí. Histórico». IBGE. 2017. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  31. a b c «Região Nordeste - Bens Registrados nos Estados». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  32. «Bens Imateriais em Processo de Instrução». IPHAN. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  33. «I-Patrimônio. Piauí – Raça de Gado Pé-Duro». I-PATRIMÔNIO. Consultado em 16 de dezembro de 2019 

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