D. Mona

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D. Mona
A equipa artística de D. Mona (Anabela Pires, Mónica Kahlo, Sílvia Raposo e Margarida Camacho)
Nascimento 20 de agosto de 2017 (1 ano)
Lisboa
Nacionalidade português
Ocupação Teatro
Atividade Artes do espectáculo

D. Mona é um projecto criado em Agosto de 2017 pela encenadora e actriz Mónica Kahlo e pela antropóloga e investigadora Sílvia Raposo como um espaço de reflexão e experimentação artísticas[1]. Assume-se como uma cooperativa pluriartística liderada por mulheres, contando com as intérpretes Margarida Camacho, Anabela Pires e Liane Bravo na residência. Entre as produções da companhia, destacam-se os espectáculos Não Kahlo (em espanhol No Kahlo) [2][3][4][5] e Kusama e Warhol: o maior roubo da pop.

A Companhia[editar | editar código-fonte]

D. Mona é um laboratório de experimentação que procura converter as limitações em abordagens estéticas, defendendo que "é preciso dizer rosa em vez de dizer ideia", numa estratégia poético-performativa de bricolage cultural, inversão de categorias histórico-sociais e nomadismo artístico. Pode-se ler na descrição do site:

D. Mona situa-se num lugar de fronteira entre a performance, as artes plásticas, a dança contemporânea, a arte literária, a etnografia e o audiovisual. Trata-se de um laboratório que procura pensar e criar o híbrido artístico a partir da ironia, do grotesco e da metamorfose, apresentando uma continuidade com a história marginal da arte que procura instalar aí a subversão através de uma imagética que apela à mistura e à contaminação[6]. Referem a encenadora Mónica Kahlo e a produtora Sílvia Raposo a respeito do projecto:

Não Kahlo da Companhia D. Mona
Queremos parir um tigre, que devore Shakespeare, Brecht, Van Gogh, Artaud, Cicciolina, Rivera, Abu-lughod, Heiner Müller, Monet, Foucault, Fassbinder, Ed Wood, Pina, Gauguin, Stanislavski, Beckett, Frida, Cesariny, Beethoven, Fernando Pessoa e mais os planetas desertos, que também mandam coisas, para os digerir e cuspir na caixa preta. Eis o nosso pós-Pollock pós-moderno!
 
Mónica Gomes e Sílvia Raposo[7].

Não Kahlo[editar | editar código-fonte]

Não Kahlo é um espectáculo produzido pelas produções D. Mona, com texto e encenação de Mónica Kahlo e Sílvia Raposo e interpretação de Mónica Kahlo, Sílvia Raposo, Margarida Camacho e Anabela Pires[8]. O espectáculo propõe uma abordagem pluriartística, passando pela performance, as artes plásticas, a dança contemporânea, a arte literária, a etnografia ou o audiovisual[9][10][11]. Pode-se ler na sinopse do espectáculo:

Não Kahlo é canibalista. Comeu a orelha direita de Van Gogh. Não Kahlo é cleptomaníaca. Roubou as rosas de Santa Isabel para adornar os cabelos de Frida. Não Kahlo é contra-hegemónica. Arrancou o bigode de Dali para fazer a peruca de Barloff. Não Kahlo é inconformada. Abriu a vala de Shakespeare para desenterrar a caveira de Yorick. Não Kahlo é amante. As suas criações são exercícios espirituais. Não Kahlo é iconoclasta. Subtraiu um prego à cruz e pregou-o na lista telefónica. Não Kahlo é a acção de se desdobrar em infinitas mulheres.
 
Sinopse[7][12][13][14].

O espectáculo destaca-se por ser multilingue (falado em português, inglês, francês e espanhol)[15] e dialoga com a noção de «conto-sonho», com o universo non-sense e o mundo onírico criados por Lewis Carrol em Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice através do espelho, recriando Alice não como uma sucessão de eventos, mas como uma história que mergulha no universo surrealista, do realismo mágico latino-americano, biográfico e artístico de Frida Kahlo[16][17][18].

Enredo[editar | editar código-fonte]

Margarida Camacho e Sílvia Raposo em Não Kahlo, de D. Mona.
Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

O espectáculo conta a história da pintora Frida Kahlo que, ao seguir um coelho apressado, à semelhança de Alice, cai num poço que a conduz a um mundo de fantasia, onde se cruza com criaturas grotescas que problematizam a neurose entediante da rotina dos normais e o mundo incompreendido dos bizarros. Se no início do espectáculo Frida apresenta uma altura desmesurável, ao cair do vestido parece reduzir-se a um tamanho insignificante e apercebe-se que passou por uma série de transformações físicas – perdeu os dedos de um pé, sofreu múltiplas fracturas na coluna e 35 cirurgias, foi-lhe amputada uma perna, possui uma infecção nos rins, fuma, bebe, teve três abortos, mas nunca desistiu tendo-se tornado numa das principais figuras que projectou o cenário das artes latino-americanas para o mundo. Frida sofre sentimentos de estranheza em relação ao seu corpo e espírito, acredita ter-se transformado noutra pessoa, questionando a sua identidade[19][20][21].

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

O espectáculo estreou em Maio de 2018 no Centro Cultural Malaposta, em Lisboa, e em Julho de 2018[22][23], em Lavapiés, Madrid[24][25][26]. Integrou o III Ciclo de Teatro Argentino e estreou-se em Madrid nos dias 06 e 07 de julho de 2018 na sala El Umbral de primavera e integrou o Festival Internacional Clown & Cabaret, subindo à cena na sala El Montacargas​​. Realizou uma digressão de quase um ano passando por locais como a Casa do Coreto, Teatro Bernardim Ribeiro, Centro Cultural Olga Cadaval[27], Auditório Municipal Beatriz Costa, EKA Palace, etc[28][29][30][31]. O espectáculo subiu ainda à cena no Teatro da Cantina Velha no âmbito do FATAL Convida[32] e integrou a programação do Dia Internacional dos Museus no Centro Cultural de Cascais[33].

Críticas[editar | editar código-fonte]

O espectáculo teve recepção na crítica teatral tanto madrilena como portuguesa, destacado como [34][35][36][37]:

  • "Una propuesta valiente y arriesgada, apuesta por la diversidad en la forma y el contenido, la fuerte carga visual y la que se sitúa en un terreno complejo, la propuesta nos ofrece diversos puntos de interés y originalidad, así como un acercamiento a la realidad teatral y cultural de otros países. (...) Más que estar ante una compañía de teatro estamos ante una familia en términos de complicidad, compañerismo y compenetración, algo que se trasmite a los espectadores. "(Crítica Estrella Savirón para a Revista Agolpe de Efecto, Madrid[38]).
Espectáculo Não Kahlo
  • "La compañia portugués D. Mona ... regurgitando mitos para reinventarlos en escena[39]" (Crítico Melones Valle para o Tragycom, Madrid).
  • "D.Mona é uma cooperativa que, apesar de recente no panorama cultural português, se afirma já como um laboratório de fusão de experiências culturais, de cruzamento de épocas e artistas e, em suma, de um hibridismo artístico inovador em Portugal." (Crítica Rita Madeira para o Espalha-Factos, Portugal[40]).
  • "La compañia portuguesa invitada es D. Mona (…) Una oportunidade única para disfrutar de un teatro al que no tenemos un acesso cercano. Diferentes realidade de países cercanos (fisicamente como es el caso de Portugal) pero de los que casi solo conocemos lo que podemos leer en los medios de comunicación. Este ciclo permite que nos acerquemos un poco más al corazón de las personas que allí habitan y nos demos cuenta de que sus problemas son muy parecidos a los nuestros.[41]” (Revista Godot, Madrid)
  • "Una visión muy particular de la pintora mexicana, entre el simbolismo y el nonsense, de Mónica Kahlo y Silvia Raposo, en la que el muralista Diego Rivera, su marido, aparece literalmente con una cabeza de cerdo.  'No Kahlo', dijo la autora, 'sustrae un clavo a la cruz y lo predicó en la guía telefónica'. " (Jornal El Mundo, Madrid[42])

Kusama e Warhol: o maior roubo da Pop[editar | editar código-fonte]

Cartaz Kusama e Warhol, das produções D. Mona

O espectáculo Kusama e Warhol: o maior roubo da pop aborda a enfermidade psicológica da artista Yayoi Kusama, a sua obsessão com a repetição de padrões e imagens na década de 60 e a sua rivalidade com Andy Warhol, que a pintora acusou de roubo por este ter reproduzido a sua ideia em obras icónicas como Marilyn Monroe, as latas de sopa Campbell ou as garrafas da Coca-Cola. Kusama e Warhol coloca em cena a forma como a rivalidade entre Yayoi Kusama e Andy Warhol marcou o movimento estético da pop arte colocando enfoque na polémica em torno daquele que foi um dos maiores roubos na história da viragem artística pós-moderna[43]. Pode ler-se na sinopse:

Kusama é obsessiva. Roubou o círculo negro de Malevitch e repetiu-o compulsivamente. Warhol é hipocondríaco. Espirrou em cores Marilyn Monroe nos outdoors de Nova Iorque. Kusama sofre do complexo de Narciso. Falsificou as libras de Inglaterra e timbrou-as com o seu semblante. Warhol está sempre indisposto. Comeu os tomates da sopa Campbell e vomitou-os contra a crítica. Kusama é excêntrica. Calçou o sapato de Joana Vasconcelos para dar um pontapé no príncipe encantado. Warhol é um tanto histriónico. Exagerou a vaca de Marc e imprimiu-a em cor-de-rosa. Kusama é definitivamente impulsiva. Assaltou o closet de Cruella e fez de Grimhilde a sua estilista pessoal. Warhol é psicótico. Copiou o sorriso de Shining e atirou Duchamp e Tzara para a cadeira eléctrica. Kusama e Warhol são… a dupla perfeita. Um quadro. Dois rivais. Várias patologias. Mirror, mirror. Who's the most famous of all?

O texto e encenação foram uma criação de Mónica Kahlo e Sílvia Raposo e o elenco é composto pelas actrizes Mónica Kahlo, Sílvia Raposo, Margarida Camacho e Anabela Pires. A peça foi encenada em Lisboa e integra três festivais internacionais em Madrid e Cantábria em Outubro e Novembro de 2019[44].

Artigos e resenhas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Galeria[editar | editar código-fonte]

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  1. «"D. Mona II é um novo projecto da Companhia Vidas de A a Z». 14 de Agosto de 2017. Consultado em 18 de Agosto de 2017 
  2. «D. Mona apresenta "Não Kahlo" em Portugal e Espanha». Cyberjornal. 30 de Maio de 2018. Consultado em 31 de Maio de 2018 
  3. «"NO KAHLO en el Umbral de Primavera» (em espanhol). Madrid Es Teatro. 31 de Maio de 2018. Consultado em 31 de Maio de 2018 
  4. «"No Kahlo» (em espanhol). Ocío News. 12 de Abril de 2018. Consultado em 31 de Maio de 2018 
  5. «"No Kahlo - El Umbral de Primavera - Teatro Madrid» (em espanhol). Revista TM - Teatro Madrid. 10 de Junho de 2018. Consultado em 17 de Junho de 2018 
  6. Madeira, Cláudia (2008). O Hibridismo nas Artes Performativas em Portugal (Tese). Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Consultado em 19 de agosto de 2017 
  7. a b «"Sobre o projecto D. Mona II». 16 de Agosto de 2017. Consultado em 18 de Agosto de 2017 
  8. «Não Kahlo». Blogue de Lisboa. 12 de Dezembro de 2017. Consultado em 7 de Fevereiro de 2018 
  9. «"Cultura de Borla - Não Kahlo a Arte». 2 de Outubro de 2017. Consultado em 24 de Outubro de 2017 
  10. «"Desacato - Espectáculo Não Kahlo». 7 de Dezembro de 2017. Consultado em 8 de Dezembro de 2017 
  11. «"Não Kahlo». Agenda Cultural de Lisboa. 14 de Outubro de 2017. Consultado em 7 de Fevereiro de 2018 
  12. «"Não Kahlo». Coffepaste. 10 de Abril de 2018. Consultado em 12 de Abril de 2018 
  13. «"No Kahlo - De Playa en Playa» (em espanhol). Guía de Playas de España. 30 de Maio de 2018. Consultado em 1 de Junho de 2018 
  14. «"No Kahlo» (em espanhol). Lo+Ticket. 30 de Maio de 2018. Consultado em 1 de Junho de 2018 
  15. «"Não Kahlo no Centro Cultural Malaposta». Glam Magazine. 14 de Março de 2018. Consultado em 14 de Março de 2018 
  16. «"Não Kahlo brevemente em Lisboa». Expresso do Oriente. 28 de Dezembro de 2017. Consultado em 7 de Fevereiro de 2018 
  17. «"D. Mona é um novo projecto da Companhia Vidas de A a Z». Infocul. 14 de Agosto de 2017. Consultado em 7 de Fevereiro de 2018 
  18. «"NÃO KAHLO na Casa do Coreto». Junta de Freguesia de Carnide. 16 de Fevereiro de 2018. Consultado em 17 de Fevereiro de 2018 
  19. «"D. Mona produções apresenta ante-estreia de Não Kahlo na Casa do Coreto, em Carnide». Pumpkin. 12 de fevereiro de 2018. Consultado em 12 de fevereiro de 2018 
  20. «"Não Kahlo estreia na Malaposta». Jornal Tornado. 4 de maio de 2018. Consultado em 7 de maio de 2018 
  21. «La historia de Frida Kahlo aterriza en Madrid» (em espanhol). Conciencia Cultural. 31 de maio de 2018. Consultado em 31 de Maio de 2018 
  22. «No Kahlo» (em espanhol). Eventuralia. 23 de Abril de 2018. Consultado em 9 de Maio de 2018 
  23. «"Teatro - No Kahlo» (em espanhol). NocheMAD. 13 de Abril de 2018. Consultado em 13 de Abril de 2018 
  24. «No Kahlo» (em espanhol). Calendar Lavapiés. 29 de maio de 2018. Consultado em 11 de abril de 2018 
  25. «Entradas para No Kahlo» (em espanhol). Ticketea. 11 de abril de 2018. Consultado em 11 de abril de 2018 
  26. «No Kahlo» (em espanhol). Cartelaria. 12 de abril de 2018. Consultado em 12 de abril de 2018 
  27. Culto (5 de Novembro de 2018). «"Não Kahlo" chega ao CC Olga Cadaval!». DAT' News. Consultado em 5 de Novembro de 2018 
  28. «"No Kahlo estreno Madrid» (em espanhol). Taquilla. 12 de Abril de 2018. Consultado em 12 de Abril de 2018 
  29. «"No Kahlo» (em espanhol). Fiestas España. 13 de Abril de 2017. Consultado em 14 de Abril de 2017 
  30. «"No Kahlo, Madrid» (em espanhol). Coolturebox. 23 de Abril de 2017. Consultado em 25 de Abril de 2017 
  31. «"No Kahlo Tickets» (em espanhol). Tickx. 23 de Abril de 2017. Consultado em 25 de Abril de 2017 
  32. «Fatal – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa». Gerador. 2 de Maio de 2018. Consultado em 9 de Maio de 2018 
  33. «O dia dos museus celebra-se em Cascais com 48 horas de actividades grátis». Timeout. 4 de Maio de 2018. Consultado em 9 de Maio de 2018 
  34. «NO KAHLO». Teatro Madrid. Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  35. «No Kahlo, de la compañía D. Mona». La República Cultural. 2 de Julho de 2018. Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  36. «III Edición ciclo Teatro Argentino en El Umbral de Primavera». En Platea. Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  37. «El Umbral de la Primavera celebra el III Ciclo de Teatro Argentino en Madrid». Primera Fila. Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  38. Savirón, Estrella (18 de Julho de 2018). «NO KAHLO DE LA COMPAÑÍA D. MONA.». Agolpe de Efecto. Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  39. Jesús Melones Valle. «UN VERANO REPLETO DE TEATRO ARGENTINO EN EL UMBRAL DE PRIMAVERA». Tragycom. Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  40. Madeira, Rita. «'NÃO KAHLO': UM ENCONTRO PERFORMATIVO DE MUNDOS SURREALISTAS QUE REGRESSA AGORA A LISBOA». Espalha-Factos. Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  41. «No Kahlo». Revista Godot (87). Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  42. «Los cantautores, que vuelven con el padre de Ismael Serrano, el teatro argentino y Ágatha». El Mundo. 19 de Julho de 2018. Consultado em 1 de Outubro de 2018 
  43. «Kusama e Warhol: o maior roubo da pop». D. Mona produções. 30 de Novembro de 2018. Consultado em 1 de Dezembro de 2018 
  44. «Kusama e Warhol: o maior roubo da pop». DATNews. 3 de Dezembro de 2018. Consultado em 3 de Dezembro de 2018