Dafo

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Dafo/Daffo
Nome completo Edith Rose Woodford-Grimes
Conhecido(a) por iniciou Gerald Gardner na Wicca
Nascimento 1887
Morte 1975
Ocupação wiccan/"pregadora"

Dafo (ou Daffo) é o nome mágico de uma mulher chamada Edith Rose Woodford-Grimes,[1] que desempenhou um papel fundamental na bruxaria moderna. Não é certo, mas pensa-se que, para além de ter iniciado Gerald Gardner no culto da Wicca, pode ter vindo a ser, posteriormente, uma Alta Sacerdotisa do conventículo de Gardner.

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

Desconhece-se o porquê da escolha deste pseudónimo, no entanto o historiador e escritor Philip Heselton defende que Dafo não era o nome mágico de Woodford-Grimes, mas sim uma alcunha dada por Gerald Gardner - acredita-se que o esse nome é baseado nas experiências de Gardner, no sudeste da Ásia.[2] [Na cultura chinesa, o nome Dafo é associado à estátua de Buddha, incluindo o Grande Buda de Leshan.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O interesse pelo esotérico começou por volta de 1938, quando contactou, pela primeira vez, com a Ordem Rosacruz de Crotona,[3] uma organização oculta baseada nos ideais de Rosacruz. A curiosidade pelas filosofias e práticas da Ordem foram aumentando, provocando, pouco tempo depois, a sua completa integração no grupo. Foi entre essa organização que conheceu membros ligados à franco-maçonaria e foi, por eles, iniciada aos rituais wiccan.[4] Mais tarde, Dafo cruzou-se com Gerald Gardner (membro do conventículo de New Forest) a quem fez, nos finais de 1939, a iniciação ao culto da Wicca, num ritual realizado em sua casa.[5]

Já nos finais de 1940, Dafo fez questão de acompanhar o seu pupilo Gerald Gardner, que havia formado o conventículo de Bricket Wood. No entanto, em 1952, temendo a possível e indesejada exposição pública, Doreen abandona esse conventículo, por causa da sua crescente propagação.

Embora, não partilhassem exactamente as mesmas ideologias, Dafo e Gardner, mantiveram uma grande amizade,[1] de tal forma que Dafo disponibilizou a sua casa para que Gardner pudesse, no verão de 1953, proceder o ritual de iniciação de Doreen Valiente.

Edith Woodford-Grimes [Dafo] vs. Dorothy Clutterbuck[editar | editar código-fonte]

Segundo interpretação de Doreen Valiente, pupila de Gardner, algumas declarações deste afirmam ter sido Dorothy Clutterbuck a iniciá-lo, pessoalmente, à Wicca, e não Edith Wood-Grimes. Contudo, tanto Philip Heselton, como Eleanor Bone declaram que a sua iniciadora foi, de facto, Edith Woodford-Grimes.[1]

Investigações como a de Ronald Hutton provam que a personagem histórica Old Dorothy Clutterbuck, embora tenha realmente existido, ela não corresponde à personagem Old Dorothy de Gerald Gardner, porque, na verdade, ela não era uma bruxa inspirada, mas uma beata cristã e burguesa, mecenas do partido conservador local e instalada numa sociedade convencional para se poder identificar com uma prática mágico-religiosa contra cultural de fundo ante-cristão.[6] Pelo contrário, Jefftrey Russel, afirma que a Old Dorothy Clutterbuck não passa de uma personagem imaginária inventada por Gardner.[7] Teoria refutada por Doreen, comprovando com a certidão de nascimento e de óbito de Clutterbuck e, ainda, com um esquema sucinto da sua vida.[8]

Existe, também, a possibilidade de Old Dorothy ser Edith Woodford-Grimes. Gardner pode ter inventado essa personagem para esconder a verdadeira identidade da sua mestre/parceira wiccan, Edith Woodford-Grimes.

A verdade é que esta questão continua, ainda hoje, a ser estudada e debatida; são múltiplas as interpretações, mas muito poucas conseguem ser coerentes e conclusivas.

O legado[editar | editar código-fonte]

O envolvimento de Edith Woodford-Grimes nas tradições pagãs foi, em grande parte, mantido em segredo, pois fazia parte de uma família cristã[9] e, por isso, desaprovava o oculto e a bruxaria. Procurava não ser reconhecida, recusando, muitas vezes, responder a certas questões relacionadas com o assunto e não assumindo qualquer envolvimento além de um interesse teórico no ofício.[9][10] Justifica-se, assim, o porquê de tanto mistério envolto no nome de Dafo e a revelação tardia - finais de 1990 - do seu importante contributo para a história da Wicca. Porém, hoje em dia, é um nome bem reconhecido e louvado nas comunidades Wicca e outras Neo-pagãs. De tal maneira, que na conferência "The Charge of the Goddess", de 2010 (realizada no Conway Hall, em Londres), Francis Cameron apresentou uma interpretação da vida de Dafo e do seu envolvimento na Wicca, intitulado "Dafo's Tale" (The Centre for Pagan Studies (2010).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas de rodapé
Bibliografia
  • Bracelin, Jack (1960). Gerald Gardner: Witch. London: Octagon Press 
  • Elliot, Rose (1989). A Razor For a Goat: Problems in the History of Witchcraft and Diabolism. Toronto: University of Toronto Press 
  • Heselton, Philip (2000). Wiccan Roots: Gerald Gardner and the Modern Witchcraft Revival. Chieveley, Berkshire: Capall Bann. ISBN 186163-110-3 
  • Heselton, Philip (2003). Gerald Gardner and the Cauldron of Inspiration: An Investigation into the Sources of Gardnerian Witchcraft. Milverton, Somerset: Capall Bann. ISBN 186163-164-2 
  • Heselton, Philip (2003). The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Withcraft. Milverton, Somerset: Capall Bann. ISBN 186163-164-2 
  • Hutton, Ronald (1999). Witching Culture: Folklore and Neopaganism in America. Oxford: Oxford University Press 
  • Lamond, Frederic (1996). Personal correspondence with Ronald Hutton. [S.l.: s.n.] 
  • Lascariz, Gilberto de (2006). Wicca. [S.l.]: Sol de Pedra Magazine, nº2  [entrevista publicada na revista portuguesa Sol de Pedra].
  • Valiente, Dorreen (1983). Witchcraft For Tomorrow. Washington: Phoenix 
  • a b c HESELTON, Philip (2000)
  • HESELTON, Philip (2000), pág.117.
  • HESELTON, Philip (2003), págs. 384-387.
  • MAGLIOCCO, Sabina (2004).
  • BRACELIN, Jack (1960).
  • LASCARIZ, Gilberto (2006)
  • ELLIOT, Rose (1989).
  • VALIENTE, Doreen (1982).
  • a b RONALD, Hutton (1999).
  • LAMOND, Frederic (1996).