Dailamitas

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Tabaristão
Dinar de ouro de Cosroes II (r. 590–628)

Dailamitas eram um povo iraniano[1] que habitou as regiões montanhosas ao norte do Irã, na costa sul do mar Cáspio. Eles foram empregados como soldados no tempo do Império Sassânida, e resistência por muito tempo a conquista árabe da Pérsia e sua subsequente islamização. Nos anos 930, a dinastia buída de origem dailamita emergiu e conseguiu adquirir controle sobre grande parte do atual Irã, que conseguiram reter até a chegada dos turcos seljúcidas em meados do século XI.

História[editar | editar código-fonte]

Os dailamitas viveram nos planaltos de Dailam, parte da Cordilheira Elbruz, entre Gilam e Tabaristão. Contudo, as antigas fontes cristãs e zoroastristas indicam que os dailamitas originalmente vieram da Anatólia, próximo ao rio Tigre,[2] onde grupos etnolinguisticamente iranianos como as tribos zazas vivem atualmente.[3] Eles falavam a língua deilami, um dialeto iraniano noroeste similar aquele dos vizinhos gilitas. O cristianismo nestoriano espalhou-se entre eles devido as atividades de João e Dailam, e bispados são relatados nesta área remova tão tarde quanto os anos 790, enquanto é possível alguns continuaram a existir até o século XIV.[4]

Durante o Império Sassânida, os dailamitas foram empregados como infantaria de alta qualidade.[5] Segundo os historiadores bizantinos Procópio de Cesareia e Agátias, eles era um povo belicoso e habilidoso em luta corpo a corpo, sendo armados cada um com uma espada, um escudo e lanças ou dardos. Apoiaram a rebelião de Vararanes VI (r. 590–591) contra Cosroes II (r. 590–628), mas foram posteriormente empregados pelo último como parte de sua guarda pessoal, compondo um destacamento de 4 000 soldados. O general sassânida Uarizes, que foi enviado por Cosroes I (r. 531–578) em 570 para capturar o Iêmem, foi também provavelmente de ascendência dailamita, e suas tropas incluíam dailamitas, que mais tarde desempenhariam um papel significativo na conversão do Iêmem ao islamismo nascente.[4]

Dinar de Harune Arraxide (r. 786–809)

Algumas fontes muçulmanas sustenta que após a derrota persa na batalha de Cadésia, o contingente de 4 000 dailamitas da guarda imperial, junto com outras unidades persas, desertaram para o lado árabe, convertendo-se ao islamismo.[6] No entanto, os dailamitas conseguiram resistir à invasão árabe em sua terra natal montanhosa por vários séculos sob seus próprios líderes locais.[7] A guerra na região endêmica, com raides e contra-raides de ambos os lados. Sob os árabes, a antiga fortaleza persa de Qazvin continuou seu papel original, oriundo do período sassânida, como baluarte contra os raides dailamitas. Segundo o historiador Atabari, os dailamitas, junto com os turcos, foram considerados os piores inimigos dos muçulmanos.[4]

Os abássidas penetraram na região e ocuparam parte dela, mas seu controle nunca foi muito efetivo. Durante o reinado de Harune Arraxide (r. 786–809), vários xiitas fugiram para junto dos dailamitas, muitos dos quais pagãos, com alguns zoroastristas e cristãos, para escapar da perseguição. Entre estes refugiados estavam os alidas, que começaram a conversão gradual dos dailamitas ao islamismo xiita.[4][8] No entanto, uma forte identidade persa permaneceu arraigada nos povos da região, junto com uma mentalidade anti-árabe. Os governante locais, como os buídas e ziaridas, fizeram questão de celebrar antigos festivais iranianos e zoroastristas.[7]

Referências

  1. Fishbein 1990, p. 90.
  2. Dadagi 1991.
  3. Yar-Shater 1990, p. 267.
  4. a b c d Felix 1995.
  5. Farrokh 2007, p. 201, 224, 231.
  6. Farrokh 2007, p. 269.
  7. a b Price 2005, p. 42.
  8. Farrokh 2007, p. 274-275.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dadagi, Farnbagh (1991). Bahar, Mihrdad, ed. Bundahishn. Teerã: Tus Intisharat 
  • Farrokh, Kaveh (2007). «Khosrau I, Renaissance and Revival». Shadows in the Desert. Ancient Persia at War. Oxford: Osprey Publishing. ISBN 1-84603-108-7 
  • Fishbein, Michael (1990). The History of al-Tabari Vol. 21: The Victory of the Marwanids A.D. 685-693/A.H. 66-73. Albânia, Nova Iorque: SUNY Press. ISBN 0791402223 
  • Felix, Wolfgang; Madelung, Wilferd (1995). «Deylamites». Enciclopédia Irânica Vol. VII, Fasc. 4. Nova Iorque: Columbia University Press. pp. 342–347 
  • Price, Massoume (2005). Iran's diverse peoples. Santa Bárbara, Califórnia: ABC-CLIO. ISBN 978-1-57607-993-5 
  • Yar-Shater, Ehsan. Iranica varia. Leida e Nova Iorque: Brill. ISBN 906831226X