Daimoku

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Portal A Wikipédia possui o
Portal do Budismo

O Daimoku (題目) é o termo utilizado pelas tradições do Budismo Nitiren para se referir ao louvor devocional centrado num texto Mahayana chamado Sutra da Flor de Lótus, e estabelecido doutrinalmente por Nitiren como prática fundamental para a transformação da natureza humana em condição búdica. Ao pé da letra "Daimoku" significa "O Título" ou seja, o título do Sutra do Lótus, que é Myohorengekyo, e quando acrescido do prefixo devocional "Namu" indica

A forma pictográfica é composta de caracteres em kanji: 南無妙法蓮華経, sendo distinta a pronúncia segundo as tradições: a pronúncia tradicional Namu Myoho Renge Kyo, utilizado na Nichiren-Shu, HBS, etc.; e o Nam-Myoho-Renge-Kyo"(南無妙法蓮華経), adotado pelo movimento leigo SGI e a Nitiren Shoshu.

Alguns acreditam que o Odaimoku seria um mantra, enumerando algumas semelhanças entre ambos como a forma simplificada de devoção, os efeitos "mágicos" produzidos pela repetição, etc., porém devemos compreendermos as principais distinções textuais e litúrgicas dos mesmos...

Os mantras são expressões linguísticas religiosas com caráter "mágico" que superficialmente objetivam a invocação de divindades, a evocação de poderes da mente humana, entre outras, e são originárias das tradições hindus das castas brâmanes. Dentro do budismo, em específico das vertentes vajrayanas, o mantra é embasado em tratados religiosos classificados como Tantras, e requerem algumas condições ou restrições especiais, que vão desde a sua transmissão, estabelecida pela relação mestre e aprendiz, numa cerimônia de "iniciação"; de elaboradas condições ritualísticas para seu uso ou prática; e a manutenção de seus segredos e significados aos iniciados. Observamos que este não corresponde ao oDaimoku da tradição Nitiren, pois originalmente ele foi destinado a todos os seres, indistintamente; este se baseia doutrinalmente em um Sutra Mahayana, e não impõe nenhuma restrição ou pré-requisitos para a sua prática, etc.

Duas passagens no Sutra do Lótus corroboram com a prática do Odaimoku exaltando poder do nome do sutra: "Aqueles seres que escutaram apenas o nome da Doutrina daqueles Bem-Encaminhados então naquele tempo já extintos por completo ou vivendo ainda - todos ele alcançaram a Iluminação." (p. 123) "...ofereçais salvaguarda, proteção e defesa a esses Pregadores do Dharma que conservarem em sua memória ainda que seja o mero nome desta exposição do Dharma!" (p. 500)."[1]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Budismo é uma religião baseada nos ensinamentos de Buda Shakyamuni (Siddhartha Gautama), que nasceu na Índia há aproximadamente 2600 anos, sendo dividido em centenas de linhagens diferentes devido a vários sutras (ver sutra) pregados por ele. Durante cinquenta anos de sua vida, Buda pregou seus ensinamentos para inúmeras pessoas. Seus ensinamentos foram realizados em vários períodos e em diferentes regiões do território indiano, e posteriormente foram compilados em livros. Esses livros foram preservados e transmitidos a sucessivas gerações até os dias de hoje. Claramente, não há uniformidade nos conteúdos dos diversos sutras, cada um se difere devido ao conteúdo de Buda ser aplicado conforme a situação, condição, sofrimentos ou capacidades dos ouvintes. Entretanto cada Sutra pregado por Buda, cada Palavra Dourada, é digna de ensino.

Após o ocultar de Buda, o budismo teve propagação da Índia para a China, para o Sudeste da Ásia e no Japão. Durante este período de transição, os diversos pregadores budistas não puderam decidir qual Sutra foi o mais importante.

Desde os tempos antigos, a escritura do Sutra do Lótus foi respeitada por várias pessoas além do regionalismo, e muitos pregadores têm pesquisado e que praticavam seus ensinamentos. Principalmente porque Buda deixou explícita a mensagem de que seria o Sutra Lótus o único Sutra a ser seguido, revela numa passagem do Sutra Lótus que: "Dentre os sutras, Este é o Rei soberano". Sem margem de possibilidade de adoção de qualquer outro tipo de ensinamento.

Contudo, o único pregador que entendera a essência do Sutra Lótus, capaz de transmitir a essência, de forma esclarecida as massas a ensinar-lhes a verdadeira religião e como ela deveria ser praticada foi Nitiren Daibossatsu, o maior Mestre que desempenhou um papel ativo 750 anos atrás.

Segundo os ensinamentos de Nitiren Daibossatsu, através da recitação deste mantra nam- myo- ho- renge kyo nossa vida entra em ritmo com o universo e através dessa harmonia, desperta-se a Natureza de Buda, onde pode-se estabelecer uma forte identidade que não será abalada por nenhuma dificuldade.

No pensamento desta tradição budista, existe a felicidade relativa, que é aquela obtida através da satisfação de um desejo ou da eliminação de um sofrimento (carma negativo), e a felicidade absoluta, aquela que surge da própria vida da pessoa, não causada pelas situações exteriores. O objetivo da recitação do Daimoku é construir uma vida que não seja derrotada pelos obstáculos, e que tais obstáculos sejam uma oportunidade para o crescimento, ou seja, para o alcance da felicidade absoluta.

O Daimoku é recitado nas orações da Soka Gakkai (創価学会), Nichiren Shoshu, Nichiren Shu, Honmon Butsuryu Shu, Reiyukai e outras linhas de budismo Nichiren.

Conceitos[editar | editar código-fonte]

A palavra Daimoku significa "título", e refere-se ao nam-myoho-rengue-kyo, como sendo o título do Sutra de Lótus. Nichiren revelou para a humanidade que ao recitar o título do Sutra do Lótus (Daimoku), está incorporado a recitação de todos os seus 28 capítulos.

O significado do Nam-myoho-rengue-kyo:

Nam ou Namu (南無) - derivado do sâncrito Namas ou Namah, significa "devotar a própria vida",

Myoho-rengue-kyo - é o título do Sutra de Lótus, em japonês, cujo original em sânscrito é Sad-dharma Puṇḍárīka Sūtra, o principal ensino do Buda Shakyamuni;

Myo (妙) - significa místico, não no sentido de milagre, mas indicando que o mistério da vida é de inimaginável profundidade e, portanto, além da compreensão do homem;

Ho (法) - significa lei. A natureza da vida é tão mística e profunda que transcende o âmbito do conhecimento humano.

Uma lei familiar é encontrada no desenvolvimento do ser humano. Ele nasce, cresce, torna-se jovem e depois idoso e falece. Isso é, obviamente, uma inquebrável lei que regula cada espécie da vida. Ninguém pode nascer como adulto nem escapar desse ciclo. Em suma, Myoho significa Lei Mística, que é a realidade imutável e essencial de todos os fenômenos.

(妙法) - dentro do budismo tradicional, o mesmo corresponde ao conceito de 正法[2] - "Dharma Correto"- cujo original em sânscrito é Sad-dharma, a qual o prefíxo "sad" pode ser traduzido como os adjetivos: Correto, Verdadeiro e bom. O termo se aplica a concepção da era o período mítico de tempo (kalpas) em que o Dharma Correto permanecerá neste mundo, será praticado e conduzirá as pessoas ao estado búdico, após o parinirvana de Buda. No entanto, no Sutra do Lótus, o mesmo revela a sua "Vida Eterna", um dos Dharmas Corretos, a qual "permanece eternamente pregando esta doutrina no Monte Gridhrakuta".

Rengue (蓮華) - significa flor de lótus, que simboliza a simultaneidade de causa e efeito, pois a flor e a semente germinam ao mesmo tempo. O budismo esclarece que todos os fenômenos do universo são regidos por essa lei. Portanto, a condição da vida presente é o efeito das causas acumuladas no passado e as ações do presente criam causas para o futuro.

Kyo (経) - significa sutra ou ensino do Buda, que é eterno. Propaga-se pelas três existências da vida - passado, presente e futuro - transcendendo as condições mutáveis do mundo físico e do ciclo de nascimento e morte.

Assim, sob o ponto de vista do significado literal, o Nam-myoho-rengue-kyo abrange todas as leis, toda a matéria e todas as formas de vida existentes no universo. Se o expandirmos ao espaço ilimitado, é o mesmo que a vida do universo, e se o condensarmos ao espaço ilimitado, é igual à vida individual dos seres humanos. No entanto, esta idéia é superficial, pois a mera tradução dos caracteres não expõe a profundidade da Lei Mística em sua totalidade.

Revolução humana[editar | editar código-fonte]

Revolução humana é um termo do Budismo de Nichiren Daishonin que se baseia na revolução interior de cada indivíduo, baseado nos ensinamentos de Nichiren Daishonin e através da recitação do mantra Nam-myoho-rengue-kyo.

Kosen rufu[editar | editar código-fonte]

Kossen rufu significa criar uma sociedade de paz. Esse termo foi criado através da base filosófica de Nichiren Daishonin. Para se atingir essa etapa (Kosen Rufu) é necessário que cada ser humano faça sua própria revolução humana (outro termo que significa revolucionar o seu lado interior) para conseguir a felicidade absoluta, com base no daimoku (Nam-Myo-ho-Ren-gue-Kyo) e nos estudos sobre o budismo de Nichiren Daishonin e com ações que visem uma sociedade melhor. O termo rufu, de Kosen-rufu, significa “fluir como um rio poderoso” ou “espalhar-se como um enorme tecido”. Isso significa difundir-se ou fluir por toda a humanidade. Kossen-rufu não é o ponto final de um processo, mas sim o próprio processo, o fluxo. Não existe um destino especial, uma conclusão do Kosen-rufu. Podemos falar de forma metafórica sobre o que é o Kosen-rufu, mas na verdade não existe uma forma definitiva.

Referências

  1. Tola & Dragonetti, Fernando; Carmen. Sutra Do Lotus Da Verdadeira Doutrina: Saddharmapundarikasutra. [S.l.: s.n.], 2006. ISBN 1933554096
  2. Buddhist door. 正法. Visitado em 22/05/215.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]