Dama com Arminho

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Dama do Arminho
Autor Leonardo da Vinci
Data 1485-1490
Técnica Óleo sobre Painel
Dimensões 54,8  × 40,3 
Localização Museu Czartoryski

No ano de 1485, Leonardo da Vinci inicia essa sua grande obra-prima: é o retrato de Cecília Gallerani, a Dama do Arminho, encomendado por Ludovico Sforza.

Cecília foi uma mulher de boa família, admirada pelos seus dotes artísticos: falava latim, escrevia poemas e cantava. Além disso era muito determinada. Tal característica se revela na pintura pela boca fechada, pelo sorriso apenas esboçado. Seu rosto tem uma expressão vigorosa.

A jovem, com sua cabeça pintada com a mesma mestria que a cabeça do belo anjo Uriel da pintura Madona, com o olhar fixado para algo fora da pintura, fugindo do olhar do espectador, possui um rosto tranquilo, insinuando o início de um sorriso sereno. O arminho repete-lhe o movimento da cabeça, cuja pata curvada elegantemente correspondente ao movimento do animal, criando uma sintonia entre a modelo e ele.

A linguagem iconográfica presente nessa pintura, recorda-nos um pouco da anterior Ginevra de' Benci. O Arminho representa o sobrenome da jovem em grego galée, mas também é o símbolo de seu amante Ludovico Sforza. Cecília abraça carinhosamente o seu amor junto ao colo. Após a conclusão desta surpreendente obra de arte, Ludovico termina seu romance com a jovem e casa-se com Beatriz d'Este, e no mesmo ano, toma como amante a modelo da obra intitulada erroneamente como La Belle Ferronière, também encomendada por este.

Leonardo da Vinci foi original não só na pose da figura feminina como também na inclusão de um animal, cuja ferocidade é um contraponto à serenidade de Cecília. Pela primeira vez, o consagrado pintor usava um recurso tão distinto do ser retratado. Isso poderia conferir à personagem um defeito ou uma qualidade.

A Dama com Arminho é reconhecida como uma das poucas pinturas de Da Vinci (15?) que chegaram até nós.

Localização[editar | editar código-fonte]

Desde 2012, está no Castelo Real de Wawel, em Cracóvia.

A Dama com Arminho voltará, porém, ao Museu Czartoryski, também em Cracóvia, assim que lá forem concluídas as obras de renovação. É um dos tesouros de uma coleção fundada há dois séculos por uma família da nobreza polonesa e "tem uma história atribulada", como sublinha Pytlarz. No filme Os Caçadores de Tesouros, com George Clooney, o quadro é uma das grandes obras roubadas pelos nazis.

História[editar | editar código-fonte]

Foi comprado em 1798 pelo príncipe Adam Jerzi Czartoryski, durante uma viagem a Itália. Serviu de oferta à mãe, Izabela, que na sua propriedade em Pulawi, a sudeste de Varsóvia, se preparava para abrir o primeiro museu público na Polónia.

Com as atribulações políticas na Polónia, o quadro foi transferido para uma mansão dos Czartoryski em Paris. Depois, com a agitação na França, regressou à Polónia, sendo exposto em Cracóvia a partir de 1876. Quando se iniciou a Primeira Guerra Mundial, e com Cracóvia parte do Império Austro-Húngaro, o quadro foi transferido para longe da linha da frente, para Dresden. Voltaria a Cracóvia, agora cidade de uma Polónia renascida das cinzas e novamente independente a partir de 1918. Cobiçada por Hitler para o museu que pretendia construir na sua Linz natal. Depois de decorar os aposentos do governador nazi de Cracóvia, acabou na Alemanha, com a Polónia a conseguir recuperá-lo em 1945. A propriedade pelos Czartoryski só seria reconhecida em 1991, já depois do fim do regime comunista.


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