Dançomania

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Dançomania, do grego χορεία (khoreia = "dança") + μανία (mania = "loucura"), foi um fenômeno social ocorrido basicamente no continente europeu entre os séculos XIV e XVIII; era constituído por grupos de pessoas, às vezes centenas de uma só vez, que dançavam de forma incontrolável e bizarra. Homens, mulheres e crianças saíam dançando pelas ruas de vilarejos ou cidades, ocasionalmente espumando pela boca até desmaiarem de cansaço.[1]

Um dos primeiros fenômenos em grande escala aconteceu em Aquisgrano, Alemanha, em 24 de junho de 1374; populares dançaram selvagemente pelas vias públicas, gritando visões e alucinações e continuando a se contorcer e girar mesmo após estarem exaustos demais para permanecer de pé. A dançomania então propagou-se rapidamente pela Europa.[2][3]

Tendo ocorrido a centenas de pessoas espalhadas por diversos séculos, a dançomania não é considerada um incidente local e foi, portanto, bem-documentada em escritos contemporâneos. Outros ataques foram registrados nos Países Baixos, Colônia, Metz e mais tarde em Estrasburgo, aparentemente na trilha de rotas de peregrinação.[4]

Teoria do contágio emocional[editar | editar código-fonte]

Desde o século XIX que se vem formulando teorias sobre o contágio emocional e propagação e emoções, assumindo proporções de verdadeiras epidemias, como o episódio referido pelo pesquisador do humor Christian F. Hempelmann ocorrida no oeste da África, em 1962, atingindo milhares de pessoas com ataques incontrolados de riso que duravam várias horas, ficando conhecido como a "epidemia de riso de Tanganika" [5] Nos escritos de Nina Rodrigues (1862-1906) reunidos e publicados postumamente por Ramos [6] sobre coletividades anormais há descrições de manifestações coletivas de aparência coreiforme (Choreomania; Contribuições para o estudo da astasia-abasia; Abasia choreiforme epidêmica do Norte do Brasil) e do comportamento descontrolado e criminoso das multidões (A loucura das multidões) onde inclusive aborda o problema da Guerra de Canudos sendo uma de suas referências as teorias sobre o comportamento das multidões de Gustave Le Bon (1841 -1931) com suas características de excessiva sugestionabilidade (contagiosa) e baixo controle moral (lei da unidade mental das multidões) [7] posteriormente revistos por Sigmund Freud (1856 — 1939) na sua "Psicologia de Grupo e a Análise do Ego" de 1921, onde o fenômeno é abordado como um dos aspectos da identificação no âmbito da teoria psicanalítica.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. O'Neill, Daniel - "Etiology of the Dancing Plague - InterCulture: an Interdisciplinary Journal - Universidade do Estado da Flórida (2005)
  2. Waller, John - "Looking Back: Dancing plagues and mass hysteria" - The Psychologist (2009)
  3. Waller, John - "Falling down" - The Guardian (2009)
  4. Rust, Frances - Dance in Society - Routledge - ISBN 041517824X (1999)
  5. Westerhoff, Nikolas. Contágio social. Revista Scientific American - Mente Cérebro.ano 13, nº 220, (20-27), Sp, maio, 2011
  6. Rodrigues, Nina. As Collectividades Anormaes” (Prefácio e notas de Artur Ramos). RJ. Civilização Brasileira, 1939
  7. Le Bon, Gustave. Psicologia das multidões. RJ, Briguiet & Cia - Editores, 1938