Danishmend Gazi

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Danishmend Gazi (ou Gümüştekin Danishmend Ahmed Gazi, Ghazi ibn Danishmend, Malique Gazi, Danishmend Taylu, morto em 1104), foi o fundador da dinastia de beis ou emires danismendidas. Após o avanço dos povos túrquicos pela Anatólia que se seguiu à batalha de Manziquerta, a sua dinastia controlou as regiões setentrionais da Anatólia Central.

É por vezes referido com o título malique, que significa "rei" e na verdade só foi atribuído ao seu neto Mehmed Gazi em 1134 pelo califa abássida de Bagdá, mas é por vezes usado retrospectivamente pelos contemporâneos e historiógrafos deste para se referirem a Danishmend Gazi. O outro título, gazi, significa guerreiro.

Existe também alguma confusão sobre o seu nome e divergências entre os nomes usados por historiadores. Na verdade tinha o mesmo nome do seu filho Gümüştekin; no entanto, é geralmente referido abreviadamente como Danishmend Gazi, enquanto o seu filho é chamado de Emir Gazi, sem mencionar o nome Gümüştekin comum a ambos. Para além disso, também é referida uma conexão familiar entre a dinastia dos danismendidas e a dos seljúcidas, apesar de haver divergências na explicação desta ligação.

Estabelecimento do emirado[editar | editar código-fonte]

Após a derrota do exército imperial bizantino frente a Alp Arslan na batalha de Manziquerta de 1071, os povos túrquicos ocuparam quase toda a Anatólia. Depois da fragmentação do Império Seljúcida e ao serviço do Império Bizantino, em 1077-1078 Solimão I obteve o domínio da Bitínia e estabeleceu o Sultanato de Rum, com a capital em Niceia, do qual Danishmend Gazi era vassalo.

Sulimão seria morto em 1086 por Tutuche I, irmão do sultão seljúcida Malique Xá I. Kilij Arslan I, filho de Sulimão e herdeiro de Rum, ficaria refém de Malique Xá, e só após a morte deste em 1092 refundaria o seu sultanato. Durante este período conturbado, os domínios de Rum ficaram sob a administração do Império Seljúcida, e Danishmend aproveitou para criar um emirado reconhecido pelo califa abássida Al-Mustarshid[1] na Anatólia Central, ao redor de Sivas e incluindo as cidades Niksar, Tokat e Euceta.

Cruzadas[editar | editar código-fonte]

Iluminura da batalha de Dorileia (Histoire d'Outremer, século XIV)

Durante a Primeira Cruzada, tanto o seu emirado como o Sultanato de Rum estavam directamente no percurso dos peregrinos ocidentais. Depois de derrotar a Cruzada Popular em 1097, Kilij Arslan I invadiu os domínios danismendidas no leste da Anatólia. Mas quando as mais numerosas forças da Cruzada dos Nobres cercaram Niceia no mês de Maio, o sultão de Rum apressou-se a acordar tréguas com Danishmend e sair da região de Melitene para ir socorrer a sua capital[2]. Niceia foi mesmo perdida para o Império Bizantino, pelo que Kilij Arslan e Danishmend Gazi acordaram uma aliança para fazer frente ao poderoso exército ocidental, mas seriam derrotados na batalha de Dorileia a 1 de julho.

Em 1100, Danishmend obteve um importante sucesso com a captura de Boemundo I de Antioquia na batalha de Melitene. Este seria libertado apenas na Primavera de 1103, contra um resgate de 100 000 dinares e a libertação da filha de Yaghi Siyan, governador de Antioquia até à conquista desta cidade pelos cruzados em 1098. Na sequência das suas campanhas, Gazi conseguiria ampliar os seus domínios para sul e tomar finalmente Melitene em 1102/1103[3], executando o seu governador arménio Gabriel[4]. Após a sua morte, seria sucedido pelo mais velho dos seus 12 filhos, Gazi Gümüshtigin[5].

Danishmendnâme[editar | editar código-fonte]

Danishmend Gazi é o personagem central no Danishmendnâme, um romance de cavalaria épico da literatura em língua turca. Nesta obra, os eventos da sua vida misturam-se com feitos lendários dos guerreiros Sidi Battal Gazi e Abu Muslim do Coração, ambos do período omíada no século VIII.

As lendas que compõem o Danishmendnâme foram compilados da tradição oral por ordem do sultão de Rum Aladino Kaykubad I, um século após a morte de Danishmend. A forma que existe actualmente é um compêndio concebido sob as instruções do sultão otomano Murad II no século XV.

Referências

  1. Janine et Dominique Sourdel. Dictionnaire historique de l'islam (em francês) PUF [S.l.] pp. 235 (Danichmendides). ISBN 978-2-130-54536-1. 
  2. History of the Anatolian Seljuks, Katharine Branning (em inglês)
  3. René Grousset (1949 (reimpr. 1979)). L'Empire du Levant: Histoire de la Question d'Orient. col. «Bibliothèque historique» (em francês) (Paris: Payot). pp. 184–5. ISBN 2-228-12530-X. 
  4. Bar Hebraeus (2003). The chronography of Gregory Abû'l Faraj, the son of Aaron, the Hebrew physician, commonly known as Bar Hebraeus (em inglês) tradução para o inglês de E. A. Wallis Budge ed. Gorgias Press LLC [S.l.] p. 237. ISBN 9781593330552. 
  5. Genealogia dos danismendidas, Foundation for Medieval Genealogy (em inglês)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Precedido por
fundação do emirado
Emir danismendida
1071-1104
Sucedido por
Gazi Gümüshtigin