Darci Vargas

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Darcy Sarmanho Vargas
Dona Darci, ao lado de Getúlio.
Nascimento 12 de dezembro de 1895
São Borja,  Rio Grande do Sul
Morte 25 de junho de 1968 (72 anos)
Rio de Janeiro, Guanabara Guanabara
Nacionalidade Brasil Brasileira
Cônjuge Getúlio Dornelles Vargas
Filho(s) Lutero Sarmanho Vargas (1912-1989).
Jandira Vargas
Alzira Vargas
Manuel Sarmanho Vargas (1916-1997).
Getúlio Vargas Filho.
Ocupação primeira-dama do Brasil durante dois períodos; o primeiro foi de 3 de novembro de 1930 a 29 de outubro de 1945 e o segundo foi de 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954.

Darci Sarmanho Vargas[1] (São Borja, 12 de dezembro de 1895Rio de Janeiro, 25 de junho de 1968) foi a esposa de Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil, e a primeira-dama do país por dois períodos.

Na condição de primeira-dama, Darcy Vargas tornou-se um exemplo e uma referência para suas contemporâneas, devido à sua preocupação com as questões sociais e assistenciais.[2]

A fundação de diversas instituições criadas em sua honra e por ela mesma formam o seu maior legado.

Família e casamento[editar | editar código-fonte]

Darcy Sarmanho nasceu em uma família gaúcha de elite. Era a filha mais moça de Antônio Sarmanho, estancieiro e comerciante, e de Alzira Lima Sarmanho. Entre seus irmãos estava o Dr. Walder ou Válder de Lima Sarmanho, Oficial da Ordem Militar de Cristo a 20 de Janeiro de 1934.[3]

Em 1911, aos quinze anos de idade, Darcy casou-se com o então advogado Getúlio Dornelles Vargas, natural da mesma cidade. As meninas, à época, eram criadas desde cedo para o casamento, às vezes interrompendo a vida escolar, o que aconteceu à Darcy. O casal Vargas, em seis anos de casamento, teve cinco filhos: Lutero (1912), Jandira (1913), Alzira (1914), Manuel Antônio (1916) e Getúlio Filho (1917).[4] Sua filha Alzira casou-se com Ernani do Amaral Peixoto.

Darcy, como esposa, sempre esteve ao lado de Getúlio nas cenas políticas. Antes da Revolução de 30, já havia demonstrado seu compromisso com o Brasil, através de obras sociais. Criou em Porto Alegre a chamada "Legião da Caridade", formada por mulheres da elite gaúcha que ajudavam a produzir roupas e angariar e distribuir alimentos para famílias cujos homens participavam, ao lado de Getúlio, da Revolução.

Os adultérios de Vargas[editar | editar código-fonte]

O diário de Getúlio Vargas, que cita mais de 1300 pessoas, menciona uma mulher misteriosa alcunhada de bem-amada, luz balsâmica e encanto da minha vida, por quem declarou estar apaixonado em abril de 1937. A mulher é supostamente a paranaense Aimée Sotto Mayor Sá, que foi esposa de Luís Simões Lopes, chefe de gabinete de Vargas. Aimée significa amada em francês. Os lugares de encontro mencionados são Poços de Caldas e São Lourenço.[5]

Independente de quem fora realmente a bem-amada, o relacionamento durou até maio de 1938 e causou uma crise doméstica entre Getúlio e Darcy Vargas.[6] Em um dado momento do casamento, eles passaram a dormir em camas separadas.[7]

Na mesma época da bem-amada, houve boatos de que Getúlio estava tendo um caso com a poetisa Adalgisa Nery. O próprio Benjamim Vargas, irmão de Getúlio, alertou o presidente de tais rumores; porém, este teria respondido: "Bobagem! Isso é gabolice do Lourival! Ele é que espalha para se gabar!". De acordo com Ivan Nery, filho de Adalgisa, sua mãe e a primeira-dama eram amigas.

A amante mais famosa de Getúlio Vargas foi a jovem atriz Virgínia Lane (1920-2014); eles tiveram um relacionamento que durou mais de dez anos.

Ao longo de todo o diário, Getúlio insinua dezenas de vezes ter tido aventuras extraconjugais passageiras, chamadas de amores mercenários por ele mesmo.

Primeira-dama (1930-1945)[editar | editar código-fonte]

Os casais Vargas e Roosevelt.

Nas décadas de 1930 e 1940, a primeira-dama trabalhou no Abrigo Cristo Redentor e criou a Fundação Darcy Vargas em 1938, cujo principal projeto foi a Casa do Pequeno Jornaleiro, a qual atua até hoje no bairro da Saúde educando 300 jovens pobres e cuidando deles.

Após a declaração do ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial em 1942, a primeira-dama criou a Legião Brasileira de Assistência (LBA), da qual se tornou a primeira presidente. A LBA tinha como função ajudar familiares de soldados brasileiros enviados à Segunda Guerra Mundial.

Em fevereiro de 1943, Dona Darcy sofreu a perda de seu filho mais jovem, Getúlio Filho, que morreu de pólio aos vinte e três anos. De luto, afastou-se da presidência da Legião Brasileira de Assistência até outubro daquele ano. Passou a compor álbuns e a coletar recortes de jornais, em memória do filho falecido.

Darcy e outras mulheres, através de campanhas na imprensa, conseguiram popularizar a Legião Brasileira de Assistência, e milhares de mulheres voluntárias inscreveram-se nos cursos do órgão. Algumas foram preparadas para atuar na proteção da população caso houvesse bombardeio; outras foram encarregas de ensinar às donas de casa a prática da economia de alimentos; as socorristas samaritanas responsabilizavam-se pelo o atendimento de enfermagem; e legionárias da costura produziam materiais médico-hospitalares e roupas para os soldados. Havia também outros tipos de serviços, como a organização da biblioteca do combatente (pelas madrinhas).

Primeira-dama (1951-1954)[editar | editar código-fonte]

Durante a grande seca no início da década de 1950, Dona Darcy visitou e ajudou os flagelados nos Estados atingidos.

A primeira-dama promoveu a aquisição de toneladas de leite em pó dos Países Baixos para a população infantil e, graças à ajuda de empresas privadas, obteve o meio de transporte gratuitamente.

Além disso, Darcy Vargas adquiriu, por doações, na Alemanha, o primeiro hospital volante.

Promoveu a assistência a vítimas das enchentes do rio Amazonas.

Mesmo após o suicídio de Vargas, ela continuou trabalhando na Fundação.

Morte[editar | editar código-fonte]

Dona Darcy Vargas faleceu às 8 horas do dia 25 de junho de 1968, aos setenta e dois anos de idade (mesma idade em que Getúlio Vargas cometeu suicídio).

Seu corpo, após o velório na capela da Casa do Pequeno Jornaleiro, foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, próximo à lápide de Getúlio Vargas Filho, conforme seu desejo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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